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Chapitre 3 : ÉVOLUTION DES PÔLES D’EMPLOIS

3.1 Identification des pôles

As amostras policristalinas de GdAl2 e GdCo2, utilizadas neste trabalho, foram preparadas

no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), pelo Dr. Ruben Auccaise Estrada, utilizando- se a técnica de arco voltáico numa atmosfera de argônio, para a fundição dos elementos que compõem as ligas intermetálicas. Este procedimento foi repetido até se obter uma homogeneidade satisfatória na mistura. Depois da fundição, as amostras receberam um tratamento térmico para corrigir regiões heterogêneas que ainda estavam presentes, e que são produto de impurezas absorvidas pelas amostras durante o processo de fundição. Posteriormente, as amostram foram moídas e colocadas dentro de uma porta amostras. A homogeneidade das amostras foi verificada através de difração de raios-X 29.

Os experimentos de RMN realizados em nosso trabalho foram adquiridos na temperatura de 4,2 K (Helio líquido), utilizando-se um espectrômetro marca TECMAC modelo

DISCOVERY, que opera na banda de 1 a 600 MHz. O amplificador de potência utilizado foi o TIA-1000-1R8 da empresa Mini-Circuits. Pode se dividir de forma geral o espectrômetro de RMN em quatro módulos principais: transmissor, receptor, duplexador e gerador de pulsos. O diagrama de blocos do equipamento utilizado está apresentado na figura 6.1. O transmissor é o módulo responsável pela geração e transmissão do sinal de RF até a sonda de RMN 30. Depois que os pulsos chegam até a sonda de o sinal é captado pelo receptor. O duplexador e o módulo que realiza a interligação entre o transmissor, o receptor e a sonda 30. Sua função é a segurança de o transmissor e o receptor. Tipicamente são duas as configurações de duplexadores: ativos e passivos. Os duplexadores ativos são controlados pelo gerador de pulsos (por exemplo: os diodos), e os passivos são independentes do controle do gerador de pulsos (por exemplo: os cabos λ/4). Em nossos experimentos não foram utilizados duplexadores, sendo empregada apenas uma ligação direta do amplificador de potência à sonda. Isto, devido à baixa potencia de RF utilizada para a excitação dos núcleos das amostras magnéticas. O gerador de pulsos, além de gerar os pulsos utilizados nos experimentos de RMN é responsável pela sincronização dos eventos necessários para que os experimentos ocorram 30.

A sonda de RMN utilizada (figura 6.2). é formada por uma bobina de RF de fio de cobre de aproximadamente 1,15 mm de diâmetro, colocada num dos dois extremos de um tubo de aço Inox que tem aproximadamente um comprimento de 1,10m, e que contem em seu interior um cabo coaxial. No outro extremo do tubo se tem uma terminação com impedância de 50 e um conector.

Figura 6.1 - Diagrama de blocos do equipamento utilizado. Dentro da região limitada com linhas vermelhas

Para os experimentos com o GdAl2 foi utilizada uma bobina com 14 espiras de

aproximadamente 7 mm de diâmetro externo. E para os experimentos com o GdCo2 foi fabricada

uma bobina com 16 espiras e aproximadamente 7 mm de diâmetro externo.

Os espectros gerados a partir do sinal adquirido são muito largos em relação à banda de excitação. Por essa razão, há a necessidade de se fazer uma varredura da banda de observação da amostra em passos discretos e, posteriormente, reunir todas as contribuições para reconstruir o espectro. Como são feitos experimentos de varreduras em frequência, o equipamento utilizado nos experimentos poderia apresentar artefatos que afetam a forma da linha espectral 6. Para evitar algumas destas contribuições indesejáveis, a bobina foi projetada para evitar auto-ressonância na faixa de frequência experimental usada para fazer a varredura (10 a 100 MHz). Para obter as principais contribuições espúrias que afeitam a forma dos espectros se faz um experimento de

loop-back, que consiste em observar a resposta do espectrômetro fazendo o experimento de

varredura sem colocar uma amostra na bobina da sonda. Na figura 6.3 se mostra um espectro sem correção do primeiro eco obtido da varredura em frequências para os núcleos de 27Al no composto intermetálico GdAl26. Também são mostradas: o sinal obtido no experimento de loop-

back, a segunda derivada do loop-back (importante por que indica contribuições de oscilações

espúrias encontradas no espectro e que não são associadas com desdobramento quadrupolar) e o espectro corrigido, obtido da remoção de contribuições espúrias observadas no loop-back e as oscilações não correlacionadas com medidas de acoplamento quadrupolar.

O método de reconstrução consiste em montar uma tabela em que o número de colunas é igual ao número de frequências utilizado para varrer todo o espectro. As colunas são ordenadas de maneira tal que uma coluna corresponde a uma frequência que é soma da frequência da coluna anterior com o passo utilizado para fazer a varredura.

Cada coluna terá os dados referentes à TF dos dados referente à frequência que corresponde a aquela coluna. Então, o que se obtém é uma tabela, onde cada coluna tem um espectro centrado na frequência correspondente com essa coluna. Em seguida faz-se o deslocamento em cada coluna do incremento de frequência utilizado para se varrer todo o espectro. Este deslocamento é feito somando para cada coluna o resultado de multiplicar o passo usado para fazer a varredura com o número de coluna na tabela. Para se obter o espectro total, faz-se o somatório de cada linha da tabela, e finalmente, faz-se o gráfico deste somatório em função da frequência. O processamento dos espectros foram feitos utilizando um programa desenvolvido no LEAR (laboratório de espectroscopia de alta resolução) no programa MATLAB 31.

No caso do processamento dos experimentos de oscilação quadrupolar, os dados são separados em duas tabelas mostrando a parte real e imaginária do sinal fornecida pela oscilação da intensidade do eco, que está em função do tempo de separação entre os pulsos de RF. Para ecos que aparecem em tempo que são múltiplo inteiro impar do tempo de separação entre os pulsos de RF se faz a subtração do offset. O espectro quadrupolar mediante a transformada de Fourier (TF). Para o processamento de experimentos de oscilação quadrupolar foi utilizado o programa ORIGIN.

45 48 51 54 57 60 63 66

Frequência (MHz) Loop-back

segunda derivada loop-back Espectro sem correção Epextro corrigido

Figura 6.3 - Espectro sem correção (vermelho) do primeiro eco obtido da varredura em frequências para os

núcleos de 27Al no composto intermetálico GdAl2. Sinal obtido no experimento de loop-back (verde) e sua segunda derivada (azul). Espectro corrigido (preto) obtido ao remover contribuições espúrias observadas no loop-back, e as oscilações não correlacionadas com medidas de acoplamento quadrupolar 6.