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Identification des phénomènes dangereux

3.2 Appréciation du risque

3.2.2 Identification des phénomènes dangereux

A concentração de um nutriente presente em um alimento não é parâmetro confiável para avaliar um alimento sob o ponto de vista nutricional, visto que nem toda quantidade do nutriente é liberada para ser absorvida pelo organismo durante a digestão. Diante disso, a comunidade científica propôs os termos bioacessibilidade e biodisponibilidade para um melhor entendimento do assunto e para uma avaliação nutricional mais efetiva de um alimento.

A bioacessibilidade de um nutriente refere-se à fração deste que é liberada da matriz de um dado alimento no trato gastrointestinal, tornando-se disponível para ser absorvido pelo intestino, ou seja, para entrar na corrente sanguínea [87].

A biodisponibilidade de um nutriente é definida como a sua fração em certo alimento que fica disponível para ser utilizado nas funções fisiológicas do organismo ou para ser estocado, quer dizer, apenas uma parcela de todos os nutrientes de um alimento será efetivamente usada pelo organismo [88]. Simplificando, o conteúdo nutricional de um alimento liberado no trato gastrointestinal é a fração bioacessível dos nutrientes (sua bioacessibilidade) para absorção intestinal. Desse total bioacessível, apenas uma parte será de fato absorvida pelo organismo, que refere-se à fração biodisponível do nutriente (sua biodisponibilidade).

Existem basicamente duas maneiras de se determinar a bioacessibilidade de um nutriente específico em um dado alimento: testes in vivo e testes in vitro.

Os testes in vivo fazem uso de cobaias (coelhos, ratos, porcos e macacos) ou humanos. A primeira estratégia do teste é o estudo de balanço de matéria, que determina a quantidade absorvida de um nutriente por medidas da diferença entre a quantidade de nutriente ingerida e a quantidade eliminada nas excretas. A segunda estratégia é o estudo de concentração tecidual, onde a fração bioacessível dos nutrientes é determinada pelas análises das unhas, pêlos e sangue do animal [88].

Já os testes in vitro simulam a fisiologia do trato gastrointestinal. Nesta técnica é aplicado sobre a amostra alimentar um sistema de digestão

gastrointestinal simulado empregando a pepsina durante a fase gástrica e uma mistura de pancreatina e os sais biliares durante a fase intestinal. Após essa simulação, a solução resultante é destinada à quantificação do nutriente de interesse, permitindo, assim, avaliar sua bioacessibilidade [89].

As técnicas para determinar a bioacessibilidade de um elemento são usadas não somente em alimentos, mas também em medicamentos, drogas e em materiais contaminados.

Jade et al., propuseram o estudo da bioacessibilidade de elementos traços essenciais e potencialmente tóxicos em amostras de leguminosas de diferentes espécies, optando por duas técnicas analíticas de extração in vitro a fim de compará-las: extração simples de bioacessibilidade (SBET, do inglês Simple Bioaccessibility Extraction) e teste de extração baseado fisiologicamente (PBET, do inglês Physiologically Based Extraction Test). Amostras de caupi, gandu e feijão mangalô foram analisadas. No método SBET, a solução que simula a digestão foi preparada com 100mL de fluido extrator, o qual contém 0,4 mol/L de glicina com pH 1,5 ajustado com HCl concentrado, a 1g de amostra. Depois de ter sido agitada a 30 rpm a uma temperatura constante de 37°C por uma 1 hora, a mistura foi filtrada através de um filtro de acetato celulose. Já no método PBET a amostra foi incubada a 37°C por 1 hora com pepsina em pH 2,5, simulando a digestão gástrica e, posteriormente, com extratos de bile e pancreatina em pH 7,0, simulando digestão intestinal. Foram utilizadas também enzimas, aminoácidos, sais orgânicos e inorgânicos e outros reagentes. Os dois métodos forneceram resultados significamente diferentes em relação à concentração dos analitos, refletindo em respostas distantes de biodisponibilidade. Entretanto, constatou- se que o método PBET simula de forma mais efetiva o processo de digestão no

4.5 OBJETIVOS

4.5.1 OBJETIVO GERAL

Avaliar do perfil de macro e microelementos em amostras de medicamentos utilizados no tratamento da anemia ferropriva e estudar a bioacessibilidade de ferro nos medicamentos, usando a espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado como técnica analítica de medida.

4.5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Desenvolver um método analítico para determinar o teor de macro e microelementos de diferentes amostras de medicamentos utilizados no tratamento da anemia ferropriva, em função dos elementos Ca, Na, Zn, Mn, Mg, K e P empregando ICP OES;

• Avaliar os resultados obtidos por meio de técnicas multivariadas (PCA e HCA);

• Avaliar a regularidade dos medicamentos usados no tratamento da anemia ferropriva, de acordo com a Farmacopeia.

• Realizar um estudo para avaliar a bioacessibilidade do ferro presente nos medicamentos usados para tratar a anemia ferropriva.

4.6 PARTE EXPERIMENTAL

4.6.1 ESPECTROMETRIA DE EMISSÃO ÓPTICA COM PLASMA INDUTIVAMENTE ACOPLADO (ICP OES)

Um espectrômetro de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado (Varian, modelo Vista PRO - Mulgrave, Austrália) com visão axial foi usado para a determinação multielementar. As condições instrumentais e as linhas analiticas para cada elemento estão mostradas na Tabela 4.2.

Tabela 4.2. Parâmetros instrumentais usados no ICP OES

Parâmetros Condições

RF gerador de frequência (MHz) 40

RF potência (kW) 1,3

Vazão do gás do plasma (L min− 1) 15,0 Vazão do gás auxiliar (L min− 1) 1,5

Pressão do Nebulizador (kPa) 200

Nebulizador V-Groover com câmara de spray

de PTFE Sturman-Masters Ca (II) 396,847 K (II) 769,897

Mg (II) 280,270 Mn (II) 257,610 Linhas espectrais (nm)

EUA), apresentando condutividade inferior a 18,2 MΩ cm-1. Todas as soluções foram preparadas com água ultrapura.

Visando a avaliação da concentração dos analitos, foram preparadas

soluções multielementares na concentração de 500 mg L-1 para Ca, P, Mg, K e

Na a partir da diluição das soluções padrão de 4000 mg L-1 de cada elemento

(Merck, Alemanha) e para Mn e Zn, soluções multielementares na

concentração de 50 mg L-1, a partir da diluição das soluções padrão de 1000

mg L-1 de cada elemento (Merck, Alemanha).

As soluções foram utilizadas para produzir as curvas de calibração e ensaios de adição/recuperação. Para os procedimentos de mineralização das amostras, usou-se o ácido nítrico concentrado (após destilação) e peróxido de hidrogênio 30 % (v/v) Merck (Darmstadt, Germany). No estudo de bioacessibilidade o ácido clorídrico 37 % (Merck), cloreto de sódio 99% (Merck) e pepsina (Sigma Aldrich, St. Louis, USA).

4.6.3 AMOSTRAS

Dezessete amostras comerciais de medicamentos de suplementos de ferro, usados no tratamento da anemia ferropriva, foram adquiridas em farmácias de diferentes cidades do Brasil, tais como, Salvador, Ilhéus, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro entre os meses de agosto de 2013 e junho de 2014. As amostras obtidas, de diferentes laboratórios, mantidas em suas embalagens originais e abertas somente no momento dos experimentos.

4.6.4 PREPARO DAS AMOSTRAS UTILIZANDO BLOCO DIGESTOR E DEDO FRIO

Para digestão, pesou-se 0,1 g de amostra de medicamento sólido (comprimido previamente pulverizado) ou 500 microlitros (0,5 g) de medicamento líquido (solução oral, suspensão e xaropes), diretamente em tubos de digestão. Em seguida, adicionou-se 3,0 mL de ácido nítrico

concentrado e 1,0 mL de peróxido de hidrogênio 30% (v/v). Os tubos foram colocados em um bloco digestor modelo TECNAL TE 040/25 e, em seguida, tampados com um aparato de vidro denominado “dedo frio”. A digestão de cada amostra foi realizada em triplicata, assim como ocorreu com o branco.

Após a digestão, transferiu-se as amostras quantitativamente para recipientes de polietileno e foram diluídas para 25 mL em água ultra pura.

4.6.5 PROCEDIMENTO PARA ESTUDO DA BIOACESSIBILIDADE DE FERRO DAS AMOSTRAS

Uma etapa de extração simulando a digestão ocorrida no suco gátrico foi realizada a uma temperatura de 37ºC em um banho ultrassônico com um suporte para agitação [8]. Os extratantes usados foram água ultrapura e uma solução de composição similar ao suco gástrico, contendo cloreto de sódio, ácido clorídrico e pepsina (0,32 g de pepsina, 0,06 g de NaCl e 0,7 mL de HCl 37%, avolumado para 100 mL com água ultrapura).

Cinquenta mililitros da solução extratante foi adicionada em um Erlenmeyer e, em seguida, uma dose da posologia recomendada na bula de cada medicamento. Após isso, o Erlenmeyer foi agitado por 30 minutos à uma rotação de 110 rpm.

Na etapa final, o extrato foi transferido para um tubo de centrífuga, centrifugado por 15 minutos à uma rotação de 3200 rpm e o sobrenadante levado para análise por ICP OES.

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