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Les maillages multiblocs conformes

A.2.2 Identification des ´ el´ ements de maillage

Relembrando o MCER (MCER, 2002: 204), aquando da contemplação sobre o papel dos textos na ensino-aprendizagem de línguas, defende que os textos escritos e orais propostos aos alunos devem ser “autênticos”, ou seja:

“produzidos para fins comunicativos e não para o ensino da língua, como por exemplo, textos autênticos não modificados que o aprendente encontra no decurso da sua experiência direta de uso da língua (jornais diários, revistas, emissões de rádio, etc.); textos autênticos selecionados, classificados por grau de dificuldade e/ou parcialmente modificados, de modo a ter em conta a experiência, os interesses e as características do aprendente.”

Podemos, então, lidar com materiais didáticos, os realia e os autênticos. À partida estes termos parecem sinónimos mas, depois de alguma análise, facilmente se percebe que apresentam diferenças, apesar de terem o mesmo intuito: a motivação dos discentes. Os textos autênticos são produzidos especificamente para fins comunicativos, sem nenhuma intenção de ensinar, como, por exemplo, os textos referidos acima pelo MCER (jornais, revistas, …), que apesar de não serem criados com a intenção de ensinar, podem ser extremamente ricos e interessantes, além do confronto direto com a língua meta. Deste modo, os materiais autênticos consistem em documentos que são produzidos sem um fim pedagógico e com os quais podemos desenvolver atividades comunicativas. Na nossa prática letiva esta utilização foi uma constante, como podemos comprovar nos anexos I e II. De facto, a compreensão da língua resulta da capacidade de aprender mensagens orais e escritas, enquanto a produção se manifesta através da capacidade de as emitir. O recurso a materiais autênticos permite realizar uma série de atividades que não só facilitam a compreensão dos

conteúdos linguísticos, mas também se caraterizam pelo seu grande contributo cultural, conseguindo, assim, que as aulas de línguas se aproximem mais da realidade dos países que a têm como oficial, que haja a tal imersão linguística de que tanto se fala. Desta forma, os materiais autênticos funcionam e permitem uma aproximação e atualização da realidade cultural da língua em estudo, de quebrarem a monotonia e desmotivação quase crónica dos alunos. Enquanto que, os materiais reais ou realia referem-se aos objetos da cultura material como: as roupas, a comida, os bonecos, entre outros. A caraterística fundamental dos realia é o seu modo de apresentação dado que estes se entregam ao aluno como nascem, sem modificações por parte do professor, são materiais que não podemos transformar e, se o fizéssemos, alteraríamos a sua identidade. O conceito realia possibilita a compreensão e apreensão de léxico sem ter de recorrer à língua materna. E no caso do espanhol é tão fácil recorrer a objetos que facilmente podemos adquirir no país vizinho. Por exemplo, no âmbito da comemoração do Día de la Hispanidad fazemos uso dos realia, com uma degustação de comida típica espanhola. Também na prática em sala de aula, realizámos a propósito de alguns pontos mal explorados nos manuais, algumas atividades alternativas que se adequavam melhor às turmas com as quais trabalhámos como foi o caso da unidade “Practicando deporte” do 10º ano em que a atividade de pré-leitura consistiu em mostrar um fato de piloto e seus acessórios para introduzir o texto sobre o piloto espanhol de fórmula 1, Fernando Alonso. Como é óbvio, foi uma aula que jamais os alunos esquecerão. Já os materiais didáticos remetem-nos para os materiais curriculares, porque são uma componente curricular e, por isso, requerem manutenção e coerência com o resto dos elementos curriculares, com os objetivos, a metodologia e a avaliação do processo ensino-aprendizagem. Recursos como livros, vídeos, CD’s, exercícios realizados pelo professor são exemplos de material didático. Estes são utilizados como elo de ligação e união entre o docente, o discente e a realidade.

Contudo, como tudo na vida, existem vantagens e desvantagens na utilização destes materiais. As vantagens consistem sobretudo na exposição ao discurso real como as canções, os filmes, as curtas-metragens, entrevistas, onde os intermediários captam uma ideia geral, mantendo os alunos informados sobre o que está a acontecer no mundo. Estes materiais garantem que os alunos e os professores permaneçam a par das mudanças linguísticas e léxicas da língua. Outra vantagem passa pela motivação, que desperta no aluno, sendo essa uma arma poderosa na aquisição de conhecimentos e integração do aluno na comunidade linguística que começa a estudar. Os materiais autênticos são uma forma altamente eficaz de trazer a cultura-alvo para dentro da sala de aula.

Quanto às desvantagens ou inconvenientes, estas prendem-se com a densidade de referências culturais e situacionais que os documentos podem ter, isto claro está, dependendo do local e forma como são utilizados. A efemeridade também pode ser considerada uma desvantagem, na medida em que se estivermos perante um artigo jornalístico ou um anúncio televisivo corre-se o risco de passado um tempo já não ter sentido ou a contextualização e por, isso, em vez de motivar faça extremamente o oposto. Outro problema reside no tipo de vocabulário utilizado nestes materiais posto que poderá ser

artificial ou de baixa frequência, fazendo com que o aluno se depare com situações linguísticas pertencentes a uma dada zona geográfica, o que, por sua vez, pode confundi-lo ou atrasar o processo de aprendizagem.

Resumindo, o importante é que as normas de seleção e o uso dos materiais autênticos sigam o percurso curricular definido pelo Ministério da Educação e que os objetivos pretendidos e as competências a desenvolver vão ao encontro dos interesses e à motivação dos alunos e estejam estabelecidos de acordo com o nível, idades e maturidades dos mesmos que pretendem adquirir as competências linguísticas em causa.

Mais uma vez tendo em mente que os alunos são a pedra angular do processo ensino- aprendizagem, não há estratégia melhor do que planificarmos as aulas para a turma específica com a qual estamos a trabalhar. E foi exatamente o que fizemos. Como nos apercebemos da falta de interesse perante manuais pouco apelativos, procurámos usar materiais autênticos nas nossas aulas, o que se revelou uma mais-valia em todos os níveis nos quais laborámos. Também, não podemos deixar de destacar as maravilhas que operou concretamente na turma de 7º ano, que era efetivamente a mais complicada, pois muito barulhenta e irrequieta. No caso do 10º e 11º ano, tendo em conta que nos deparámos com alunos desmotivados, devemos dizer que a utilização destes materiais foi uma mais-valia. O desinteresse pela língua espanhola, bem como pela quase totalidade de conteúdos apresentados na sala de aula era quase cabal em alguns alunos, demonstrando uma vincada resistência quer no âmbito da elaboração de exercícios simples ou mesmo em grupo. Era portanto um grupo difícil de conquistar, de motivar, e, acima de tudo, de manter motivado para o processo de ensino-aprendizagem. Enfim, ficámos convencidos de que o uso de materiais autênticos no contexto de sala de aula é imprescindível quer pelo potencial enorme que possuem quer pela motivação intrínseca que despertam nos discentes.

De resto, a escola é vista como um cenário de instrução formal onde a motivação dos alunos e as metodologias utilizadas são os ingredientes principais para uma boa aquisição do conhecimento de línguas, por isso, é extremamente importante desenvolver políticas linguísticas com práticas pedagógicas inovadoras. Há que proporcionar a todos a prática do processo, para que o produto final seja pautado pela excelência. As experiências de ensino e aprendizagem que os alunos têm podem vir a privilegiar o gosto pelas línguas e pela leitura. Assim, parece-nos óbvio que a utilização de materiais autênticos pode aumentar a motivação dos alunos e melhorar a sua produtividade em contexto real.