5.4 Têtes de groupe
5.4.2 Identication des groupes
Para proceder à análise das questões inerentes a estes objetivos, consideraram-se várias associações entre os três tipos de tratamentos, estando estas associações descritas nos quadros respetivos. Relembra-se que, para a QT e para a RT, foram feitas duas análises com base em dois tipos de associações diferentes. Desta forma, procedeu-se a uma comparação entre quem nunca tinha realizado estes tratamentos, com que quem já os tinha realizado e com quem se encontrava a realizá-los, assim como se procedeu a uma comparação entre quem nunca os tinha realizado e entre quem os já tinha efetuado ou estava a realizar.
Questão 1 - Qual o impacto dos tratamentos nas alterações da cavidade oral da pessoa
com neoplasia da cabeça/pescoço?
Os resultados inerentes a esta questão foram obtidos através do teste qui- quadrado, estando expostos no quadro que se segue.
Quadro 27 – Relação entre o tratamento e as alterações da cavidade oral
Mutilação Mucosite Dor Xerostomia Disfagia
Cx: fez, nunca fez X2(1)=26,82 p<0,01
X2(1)=13,18 p<0,01 RT: nunca fez, fez, a fazer X2(2)=13,59
p<0,01
X2(2)=6,33 p<0,05 RT: nunca fez, fez/a fazer X2(1)=9,09
p<0,01
X2(1)=5,95 p<0,05 QT: nunca fez, fez, a fazer X2(2)=10,41
p<0,01
X2(2)=20,13 p<0,01
X2(2)=6,49 p<0,05 QT: nunca fez, fez/a fazer X2(1)=7,17
p<0,01 X2(1)=18,56 p<0,01 X2(1)=6,09 p<0,01 X2(1)=4,01 p<0,05 QT/RT: fez, a fazer X2(1)=4,01 p<0,05 X2(1)=8,50 p<0,01 X2(1)=4,85 p<0,05 X2(1)=3,89 p<0,05 Cx/RT/QT: fez X2(1)=5,532 p<0,05
Observou-se um maior número de casos de mutilação nos doentes que foram submetidos a cirurgia (n=37; 52,11%), comparativamente com aqueles que não foram
127 submetidos a cirurgia (n=7; 9,86%). Apenas seis doentes que foram submetidos a cirurgia (8,45%) não apresentaram mutilação. A análise estatística inferencial permite afirmar que a incidência de mutilação está relacionada com a terapia cirúrgica (X2(1)=26,82; p<0,01).
Em relação aos tratamentos de QT, observou-se um maior número de casos de mutilação nos doentes que nunca tinham sido submetidos a este tipo de tratamento (n=24; 33,80%), comparativamente com aqueles que já tinham realizado QT (n=14; 19,72%) e com aqueles que se encontravam a realizar QT (n=6; 8,45%). A análise estatística inferencial permite, ainda assim, afirmar que a incidência de mutilação está relacionada com a realização de tratamentos de QT (X2(2)=10,41; p<0,01).
No que respeita à realização tratamentos de QT e RT sob a forma combinada, observou-se um maior número de casos de mutilação nos doentes que nunca tinham sido submetidos a este tipo de combinação terapêutica (n=33; 46,48%), comparativamente com aqueles que já realizaram ou que se encontravam a realizar (n=11; 15,49%). Ainda assim, é possível afirmar que a incidência de mutilação está relacionada com a realização de tratamentos de QT e RT sob a forma combinada (X2(1)=4,01; p<0,05).
Relativamente à realização de cirurgia, QT e RT, verificou-se que oito doentes (11,27%) desenvolveram algum tipo de mutilação. Note-se que este valor corresponde à totalidade de doentes que foram submetidos a esta combinação terapêutica. É assim possível afirmar que a realização desta tríade terapêutica influencia o desenvolvimento de mutilação (X2(1)=5,53; p<0,01).
Em relação à mucosite, observou-se um maior número de casos nos doentes que não tinham sido submetidos a cirurgia (n=17; 23,94%), comparativamente com aqueles que foram submetidos a cirurgia, em que houve apenas oito casos de mucosite (11,27%). A análise estatística inferencial permite afirmar que a incidência de mucosite está relacionada com a terapia cirúrgica (X2(1)=13,18; p<0,01).
Relativamente ao tratamento de RT, observou-se um maior número de casos, total, de mucosite nos doentes que foram (n=8; 11,27%) ou estavam a ser submetidos a este tratamento (n=7; 9,86%), comparativamente com aqueles que nunca o tinham realizado (n=10; 14,08%). É possível concluir que o aparecimento de mucosite está relacionado com a realização de tratamentos de RT (X2(2)=13,59; p<0,01).
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No que respeita aos tratamentos de QT, observou-se um maior número de casos de mucosite nos doentes que se encontravam a realizar este tipo de tratamento (n=12; %), seguidos daqueles que já tinham realizado QT (n=11; 15,49%), existindo apenas 2 doentes (2,82%) com mucosite e que não tinham sido submetidos a QT. A análise estatística inferencial permite afirmar que a incidência de mucosite está relacionada com a realização de tratamentos de QT (X2(2)=20,13; p<0,01).
Verificou-se que aqueles que realizaram ou que se encontravam a realizar tratamentos de QT e RT combinada apresentaram um maior número de casos de mucosite (n=14; 19,72%) comparativamente com aqueles que nunca realizaram (n=11; 15,49%). É possível afirmar que a incidência de mucosite está relacionada com a realização de tratamentos de QT e RT sob a forma combinada (X2(1)=8,50; p<0,01).
No que respeita à dor, observou-se que 15 (21,13%) daqueles que se encontravam a realizar QT referiam queixas álgicas, estando este sintoma presente também em 17 (23,94%) daqueles que já tinham realizado QT. Verificou-se a presença de 15 casos de dor (21,13%) em doentes que não tinham sido submetidos a este tratamento. Foi possível constatar que a realização de tratamentos de QT está relacionada com o aparecimento de dor (X2(2)=6,49; p<0,05).
Na xerostomia, em relação à realização de RT, verifica-se que a maioria dos doentes com esta alteração (n=30;42,25%) não tinha sido submetida a este tipo de tratamento. Apenas 8 doentes (11,27%) que apresentavam xerostomia estavam a realizar RT e 16 (22,54%) já tinham sido submetidos a este tratamento. A análise estatística inferencial permite afirmar que a incidência de xerostomia está relacionada com a realização de tratamentos de RT (X2(2)=6,33; p<0,05).
Verificou-se que 22 daqueles que apresentavam xerostomia (30,99%) tinham realizado ou encontravam-se a realizar tratamentos de QT e RT combinada, ao passo que 32 deles (45,07%) não tinham sido submetidos a esta combinação de tratamentos. É possível afirmar, ainda assim, que a incidência de xerostomia está relacionada com a realização de tratamentos de QT e RT sob a forma combinada (X2(1)=4,85; p<0,05).
No que respeita à disfagia, e em relação aos tratamentos de QT, observou-se um maior número de casos nos doentes que se encontravam a realizar este tipo de
129 tratamento ou que já tinham realizado (n=30; 42,25%), existindo apenas 15 doentes (21,13%) com disfagia e que não tinham sido submetidos a QT. A análise estatística inferencial permite afirmar que a incidência de disfagia está relacionada com a realização de tratamentos de QT (X2(1)=4,01; p<0,05).
Verificou-se que naqueles que realizaram ou que se encontravam a realizar tratamentos de QT e RT combinada, 19 (26,76%) desenvolveram problemas com a deglutição e 26 (36,62%) não tiveram qualquer problema a este nível. Ainda assim, é possível afirmar que a incidência de disfagia está relacionada com a realização de tratamentos de QT e RT sob a forma combinada (X2(1)=3,89; p<0,05).