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Partindo dos pressupostos que vêm sendo defendidos pelos autores na área da emoção, desde os de feição neurofísiológica até aos de feição subjectivo-experiencial, as opiniões confluem em vários pontos:

- A emoção, como descritor, é definida, sendo focados três níveis {neurológico,

comportamental e experiencial) de acção, e a relação entre a emoção, a cognição e o

comportamento, põe em contacto o sujeito com o contexto.

- A relação entre a emoção, a cognição e o comportamento, orientam o animal ou sujeito, para uma acção direccionada, com finalidade de obtenção de um estado de bem- estar, razão porque, entre outros, Duffy (cf. Strongman, 1998) considerou a emoção como

«uma motivação extremada para a actividade», o que lhe conferia a importância como

fenómeno valorativo e adaptativo.

- Nesta obtenção de estado de bem-estar, estão implícitas avaliações ao estímulo e ou ao contexto, como possíveis proporcionadores desse estado, que, como já foi exposto, Hillman (cf. Strongman, 1998) identificaria como a indispensável «percepção simbólica» inerente à emoção como fenómeno subjectivo-experiencial. Mesmo os autores de feição cognitivista, como Leeper, (cf. Strongman, 1998) aludem à «relação com o objecto»,

Segundo o autor, recorreu-se à terminologia de «interaccionismo simbólico» para designar, uma abordagem relativamente definida, do estudo da vida dos grupos humanos e do comportamento do homem. Curiosamente o autor ao focalizar "os numerosos especialistas" que utilizaram esta abordagem ou contribuíram para a sua consolidação intelectual, aponta, além do seu antecedente e mentor, George Mead, educadores como John Dewey e um autor ligado à primeira e pioneira teoria das emoções: o autor de vertente psicofisiologista William James, atrás citado, que defendia que só após a percepção da Reacção motora e a Percepção (Arousal) visceral, é que decorria o experienciar da Emoção.

defendem que «a activação e atribuição cognitiva, são essenciais para a atribuição

causal que determinaria o tipo de emoção».

Estes argumentos, que no global corroboram a perspectiva já apresentada de Karli (1995), emprestam fundamento para se considerar que a activação emocional ilustra a primeira premissa do Interaccionismo Simbólico:

1. O ser Humano orienta os seus actos em relação às coisas, em função do que

elas significam para ele. Estão aqui em causa objectos físicos, outras pessoas, categorias sociais, instituições, ideais, actividades e situações diversas do quotidiano.

Mas é Plutchik, (cf. Strongman, 1998), numa perspectiva psicoevolutiva, ao defender que «o comportamento resultante da emoção experienciada, afecta os

estímulos», o autor que melhor ilustra a segunda premissa:

2. O significado das coisas surge como consequência da interacção social, que

cada um mantém com o outro ou outros. Os actos emitidos por um sujeito, e neste caso as

acções de natureza emocional, têm como efeito a definição de algo ou alguém para os outros: «o significado que uma coisa tem para uma pessoa, é o resultado das distintas

formas em que outras pessoas actuam para ela, em relação a essa coisa» (Blummer,

1982:4)

E em continuidade, exemplificando como a terceira premissa do Interaccionismo Simbólico, pode explicar a natureza e aplicabilidade das emoções, nomeadamente as de natureza social, encontram-se: Izard (Strongman, 1989) que, como já se apresentou, defende que «o significado de emoção emerge da interacção entre actividade

neur o fisiológica, facial-postural e experiência subjectiva entre o sujeito e o objecto», e a

perspectiva de «bio feedback emocional» de Ross Buck como «aptidão para lidar com o

ambiente», e o significado relacional a que Lazaras alude na «interacção emocional» entre

o sujeito e os contextos, e Rosemberg define como «interacção simbólica ou reflexividade». Assim, nesta interacção do indivíduo, nas suas experiências emocionais, se verifica também que:

3. Os significados manipulam-se e modificam-se mediante um processo

interpretativo desenvolvido pela pessoa, ao confrontar-se com as coisas que vai encontrando. Tal como Plutchik anunciava, o uso de um significado pelo sujeito não se

limita a uma simples aplicação inconsequente. A utilização de um significado no acto emerge de um processo interpretativo, tal como focalizam os autores atrás citados.

Assim, e em jeito de conclusão, todas acções de natureza emocional, e como só poderia ser, emergem de avaliações - mesmo as mais básicas - e significados carregados de simbolismo, no sentido da manutenção da vida. Tudo no universo parece ter um sentido. O desencadear dos fenómenos emocionais, quando externamente há uma condição adversa a confrontar, assume a necessidade de desenvolver conscientemente, algo de que a matéria já está basicamente dotada, que diz respeito a uma conduta de auto- organização (Atlan,100 1979), de encontrar ordem a partir da desordem, orientada e

definida, e, em cujo desencadeamento do processo, as emoções seriam protagonistas representativas. E esta noção parece estar presente em todas as acções: desde as homeostásicas biológicas até às de natureza social, onde um sem número de acções complexas intervêm.

Para tanto, é necessário estudar também, como pode ser perspectivada a relação entre as emoções e um conjunto de capacidades integradores de funções do sistema psíquico e biológico do sujeito, que tornem estes processos auto-organizadores eficazes, do ponto de vista da vida no geral e da vida relacional em particular.

Dito de outra forma, mas neste ponto de suma importância, há que buscar um construto que sirva de ponte entre a emoção como conceito meramente adaptativo sujeito- contexto - ou seja, um processo fenomenologicamente definido em três vertentes: a vertente fisiológica, a experiencial e simbólica- e os aspectos adaptativos sujeito humano- contexto, no qual ele interage e se (auto) organiza nas interacções, com que se confronta. Para abordar este processo será apresentada a temática que serve neste estudo, para dar perfil ao objecto, ou seja a Inteligência Emocional (I.E.).

Mas também aqui será tomada em consideração a perspectiva do Interaccionismo Simbólico (I.S.), já que a Inteligência Emocional é em essência um conjunto de habilidades em interacção, partindo do sujeito singular, para a vida colectiva e seus simbolismos.

O autor, nas suas investigações acerca da auto-organização do ser vivo, considera que a propriedade fundamental de um sistema auto-organizador, é a capacidade de utilizar os fenómenos aleatórios ou ruídos para os integrar num sistema como factores positivos, criadores de ordem, de estrutura e de função, e não factores desorganizados.

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Capítulo III