1.2 L’appel à la bienveillance en réponse à un problème social
1.2.1 Un « idéal » de bienveillance dans un monde sous pression
Todo pendor científico de uma pesquisa sustentam-se no método como um conjunto coerente de procedimentos racionais ou prático-racionais que orientam o pensamento com vista a alcançar conhecimento válido LAKATOS e MARCONI (1995).
A relação sujeito objecto no âmbito de qualquer pesquisa depende da metodologia usada e dos objectivos que pretende se alçancar. Deste modo, é necessário ter-se muito bem claro o tipo de pesquisa e os moldes com que o pesquisador pretende desenvolver tal pesquisa.
Por conseguinte, a presente pesquisa assume-se como uma pesquisa qualitativa. Neste contexto, estamos perante o estudo do caso e tem como objetivo de análise os aspectos conjunturais em torno da produção de agrocombustíveis com enfoque ao mercado de Terra, uso e ocupação do solo e relações de trabalho.
A pesquisa qualitativa requer uma maior aproximação do pesquisador ao campo de trabalho, particularmente nos momentos que antecedem a elaboração do projeto de
pesquisa. Essa orientação se justifica, pois a observação ligada a participação do pesquisador no campo é que permite um melhor delineamento das questões, dos instrumentos de coleta e do grupo potencial a ser pesquisado (NEVES e DOMINGOS, 2007).
A escolha da província de Manica deu-se pelo fato de ser esta a província com maior demandada pela atividade de agronegócio com enfoque em agrocombustíveis tendo e conta os investimentos neste setor. Nesta província estudamos as dinâmicas sociais e econômicas de três distritos onde se encontram os campos de lavoura de culturas30 destinadas para produção deste combustível.
Para a coleta de dados no campo foram usadas a seguintes técnicas: entrevistas
semi-estruturadas, análise documental e bibliográfica, que assumimos ser a base
metodológica deste trabalho.
Buscou-se através da entrevista entrar em contacto com o universo de perspectivas do entrevistado e criar ilações, sempre recorrendo a um guião semi- estruturado de perguntas31 que induzia sempre que possível a comentários e reflexões por parte dos entrevistados. Muitas vezes foi-nos dificil entrevistar os moradores da comunidade porque a maior parte destes, não possuiu domínio da língua portuguesa que permite a comunicação no seu cotidiano.
Por outro lado, ocorreu várias vezes, sobretudo nas povoações, os entrevistados caírem em profundo silêncio perante as questões que implicavam alguma reflexão ou comentário, uns por falta de conhecimento e outros por medo, tendo em conta o controle social existente e as relações de poder que se verifica com a entrada de grandes capitais sob conveniência do Estado. Neste sentido, alguns entrevistados pensaram que estivessemos a fazer um trabalho de fiscalização para o Governo, sobretudo nos casos em que houvesse comercialização da Terra como também casos lícitos nas relações de trabalho.
De grosso modo, o maior problema de campo que tivemos com os entrevistados, foi o silêncio, causado principalmente pela falta de percepção da língua.32
30
Cana de açúcar, Pinhão Manso e Mandioca recentemente
31
Ver anexos
32 Em Moçambique não se fala uma só língua, a língua Portuguesa é pouco falada nas áreas rurais.Depois de ter
Quando o silêncio fosse por desconfiança por parte do grupo entrevistado a estratégia era sempre descontrair, sempre buscando algum assunto da comunidade, algo sobre cultura, tradição, para em seguida voltar-se as questões do nosso roteiro de perguntas. No entanto, tivemos como apoio a esse exercício o acompanhante de campo e profundo conhecedor da realidade local.
O segundo problema de campo foi a falta de recursos financeiros para realização do trabalho como estava planificado. A princípio o pesquisador é quem deveria custear todo o trabalho de campo e na impossibilidade de pagar os custos diários do acompanhante de campo.Não foi possível inteirarmos-nos de todas as dinâmicas sociais e agrícolas no campo dada a impossibilidade de recursos para hospedagem e outros de maneio de nossa presença no local.
Como norte para esta pesquisa, usou-se o método crítico analítico que nos permitu fazer inferências que assegurassem a interpretação do fenômeno em análise. Partiu-se da análise de um caso particular (Província Manica) e desenvolveu-se um estudo que permitisse compreender as transformações nas relações de produção e nas relações de posse e propriedade de Terra. Neste contexto, caracterizamos e quantificamos as dinâmicas de três distritos, sendo eles Gondola, Sussundenga e Manica, articulando estudos e análise de documentos referente aos agrocombustíveis e ressaltando a entrevista com os principais agentes econômicos envolvidos nesta atividade33.
Em cada distrito foram efetuadas as seguintes atividades:
x Delimitação e/ou localização geográfica;
x Credenciamento e apresentação nos órgãos do Estado34
x Caracterização Geográfica da zona de estudo e uma projeção dos espaços ligados a dinâmica do agronegócio;
Guia e acompanhante de campo, técnico Rafael. Ele reformulava as perguntas na língua local, de modo a continuarmos com nosso trabalho, foi bastante importante, pois foi quem norteou na hora de ida ao campo e indicou nos como chegar as comunidades locais e com quem conversar. Foram usadas duas línguas locais que as comunidades falavam Ndau e Chimanica, esta última junção de Sena e Ndau.
33
Representantes do Estado, agricultores (camponeses) e as Empresas produtoras das culturas, foram entrevistados duas pessoas em cada instituição.
34
x Entrevistas com as associações Agrícolas, Agricultores, Empresários, Acadêmicos e Sociedade Civil;
x Produção de notas conclusivas.
O grupo de entrevistados comporta vários integrantes devido à aleatoriedade da escolha dos mesmos, sendo no total 36 entrevistados nos três distritos. A decisão em trabalhar com uma amostra aleatória tem a ver com a densidade populacional baixa que os distritos apresentam, e não só, como também, teve a ver com o tipo de amostra que pretendemos para o nosso trabalho.
Portanto, como resenha ao nosso método de pesquisa teve se em conta as seguintes actividades:
x Revisão de bibliografia de alguns conceitos usados na pesquisa;
x Entrevistas nas instituções que tutelam a gestão de terra e produção de agroenergias em Moçambique (DNTF - Direção Nacional de Terras e Florestas e DNENR - Direção Nacional de Energias Novas e Renováveis) em seus níveis nacional, provinciais e distritais; e Instituto de Investigação Agronômica de Moçambique - IIAM (Maputo);
x Entrevistas com os camponeses nos três distritos (Gondola, Manica e Sussundenga) e entrevistas com empresas envolvidas na produção de agrocombustíveis em Manica.
Para além da língua35, como referimos antes, outras limitações desta pesquisa foram a escassez de informações, nomeadamente as fontes primárias e secundárias. Este aspecto pode correlacionar-se ao fato deste setor ser novo e que as informações nesse sentido serem confidenciais segundo o Governo ou porque o país não está organizado com vista a responder os aspectos de gestão deste setor.
Foi nos meses de Maio a Outubro de 2011 que se desenvolveu o estudo de campo que deu corpo a esta pesquisa.
35
Já referenciado antes. Moçambique apresenta uma vasta e rica variedade de línguas, não se fala uma língua em cada província. Esta diversidade linguística tem sua gênese na língua Bantu e com forte ligação com os diversos grupos étnicos. Em Manica falam-se quatro línguas, são elas: Chindau, Chishona, Chinyungwe e Chisena. Ver Anexo.