entre concepts
4.3. L'IAT : une mesure de construits implicites ?
4.3.2. L'IAT : une mesure de construits dont on ne peut contrôler l'expression ? contrôler l'expression ?
O projecto de Mértola foi o grande impulsionador do processo de desenvolvimento do concelho de Mértola. Este projecto desponta no final da década de 70 do século XX e surgiu com o objectivo principal de valorização do património local, ou seja, pensou-se que a valorização do património local seria suficientemente capaz de propiciar o desenvolvimento de Mértola (a ideia da sustentabilidade apenas surgiu no final da década de 80, com o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável).
Rui Mateus (2001), antigo membro do Projecto Mértola, nos Encontros do Património de Vila do Conde, faz uma apresentação do projecto, evidenciando as vivências das etapas do projecto de uma forma cronológica e discute opções estratégicas de desenvolvimento.
Primeiro Tempo (1978-1986). A iniciativa coube ao então presidente camarário,
Serrão Martins e a direcção conjunta da investigação a A. Borges Coelho e Cláudio Torres, que assumiria a liderança do projecto, mantendo-se até hoje em funções como director do CAM – Campo Arqueológico de Mértola e dos Museus. Foi um período rico em entusiasmo, muitos estudantes universitários e licenciados com distintas formações, no âmbito das ciências sociais, assomavam o lugar, alojando-se no dispensário cedido pela autarquia, motivados para participar nas limpezas e escavações ou no estudo. A partilha de saberes e experiências com a juventude local deu origem a uma consciencialização da necessidade de se trabalhar em defesa do património local, pelo que se criou a ADPM (1980). Apesar de insuficiências financeiras, oriundas da autarquia e do antigo Instituto Português do Património Cultural neste período, recolheram-se dados científicos relativos, não apenas à arqueologia, mas também à história local, antropologia, geografia, biologia, etc.
Segundo Tempo (1987-1991). Sucede a quatro factos determinantes na evolução futura
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
(1984), abandono da Universidade de Lisboa e instalação definitiva de Cláudio Torres em Mértola (1985), adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (1986), que veio sensibilizar os portugueses para o valor insubstituível do património cultural na afirmação da sua identidade no contexto europeu; e a responsabilidade do CAM, atribuída por parceiros científicos, de organizar o IV Congresso Internacional de Arqueologia Medieval do Mediterrâneo Ocidental (1987). No âmbito do I QCA foram aprovados três projectos no domínio da Arqueologia, Museologia e História, concedendo-se apoios consideráveis para a altura, cerca de 500.000€ na moeda actual, utilizados na compra de equipamento informático e de laboratório, um luxo para a época, e na aquisição de serviços. O resultado foi, na verdade, admirável, porque se produziram os primeiros documentos científicos, um fenómeno proveniente de um pequeno lugar, com reflexo positivo na comunidade científica e na sociedade portuguesa pela ampla cobertura mediática, garantida pela novidade do facto de per si e pelo trabalho de jornalistas licenciados em História. Os sinais animadores no exterior revelavam cumplicidades sadias no interior, que se foram esbatendo no tempo, assim que o CAM se separou da ADPM (1988), os recursos iam sendo mal geridos (a aquisição do edifício sede foi, a esse título, injustificável) e a equipa, cuja liderança passiva facilitou a sua desintegração progressiva, entre elementos com situação profissional regularizada e outros dependentes da aprovação dos projectos por si elaborados.
Terceiro tempo (1992-1995). A lenta transição de QCA a juntar, por um lado, às
deficiências de gestão, agravadas pela assunção de compromissos adicionais com novas aquisições, justamente os edifícios dos futuros núcleos museológicos, sem garantias de financiamento, obrigando a encargos bancários imprevistos e, por outro, a uma menor taxa de aprovação de projectos, originaram dificuldades muito sérias. Paralelamente, alterou-se a equipa e a direcção executiva do Projecto, afectando também a ligação com a comunidade local, que sempre foi difícil, como denuncia o qualitativo “pára-
quedistas” atribuído às pessoas que vinham de fora para trabalhar. A criação da delegação em Mértola da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, na qual se integraram antigos investigadores dispensados, atrai mais jovens à região e contribui para a formação de técnicos profissionais nas áreas da Arqueologia, Património,
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
prosseguia, desenvolvendo-se de forma integrada com a conservação do meio ambiente e da natureza, concretizando diversos projectos científicos nesse domínio, apoiados pelo Ministério do Ambiente, Administração Regional, WWF e Fundos de Desenvolvimento (União Europeia), que contribuíram decisivamente para a classificação da bacia hidrográfica do Guadiana, como Reserva Natural, com a criação do Parque Natural do Vale do Guadiana (1996).
Quarto tempo (1996-2001). Corresponde à concretização do produto prometido “A
Vila Museu”. Com o apoio do Fundo de Turismo e de um esforço financeiro da autarquia, foi possível concluir a rede de oito núcleos que integram hoje o Museu de Mértola: Casa Romana (1989); torre de Menagem no Castelo (1991); Basílica Paleocristã (1993); Ermida e Necrópole de S. Sebastião (1999); Oficina de Tecelagem (2000); forja do Ferreiro, Arte Sacra e Arte Islâmica (2001). Até à abertura deste último realizou-se a exposição de cerâmica islâmica (1995-2000). Foi um período de grande azáfama, que obrigou a um sobre esforço da equipa de investigadores para actividades necessárias À própria construção física dos núcleos museológicos. Além disso, respondendo a diversas solicitações, participaram em vários fóruns de divulgação do projecto.
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
Capítulo 3. O Contributo da ADPM para o processo de desenvolvimento local do