Os dados secundários fornecidos pelo Sebrae representam a mensuração da inovação nas empresas em dois momentos. O momento 1 corresponde à fase inicial do Programa ALI, cujos dados foram coletados pelo Agente ALI no período entre o segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011. O momento 2 corresponde à fase final do programa, com dados referentes ao segundo semestre de 2012.
Estes dados foram compilados e tratados com auxílio de planilhas Microsoft Excel® que, utilizando-se de técnicas de estatística descritiva, possibilitaram a mensuração do grau de inovação por empresa e por dimensão. As informações referentes ao primeiro momento são chamadas de Radar 1 (R1), enquanto que as do segundo momento são chamadas de Radar 2 (R2). A análise destes dois momentos demonstrou a variação do grau de inovação das empresas durante o acompanhamento do Programa ALI.
A etapa seguinte de tratamento e análise foi realizada com os dados primários coletados na pesquisa de campo. Os dados quantitativos do questionário de mensuração da inovação foram tratados com o auxílio de planilha Microsoft Excel®, assim como feito com os dados secundários. O produto dessa análise é chamado Radar 3 (R3) e foi utilizado na pesquisa para descobrir a variação do grau de inovação nos três momentos estudados. A análise comparativa é apresentada na subseção 4.2 (Mensuração do grau de inovação das MPE picoenses).
Os dados qualitativos do trabalho foram coletados tanto no questionário quanto nas entrevistas e analisados segundo a análise de conteúdo que, conforme Mozzato e Grzybovski (2011), é uma técnica rica, importante e capaz de proporcionar grandes contribuições para o desenvolvimento teórico no campo da administração, seja em estudos com abordagem qualitativa ou mista. Para Bardin (2011), a análise de conteúdo compreende um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção destas mensagens.
O conteúdo foi analisado tomando por base as 3 fases descritas por Bardin (2011): pré-análise; exploração e análise do material e inferência e interpretação dos resultados. A pré-análise consistiu na organização e transcrição do material coletado (DELLAGNELO; SILVA, 2005). Nesta etapa, foi possível uma leitura geral do material, chamada de leitura flutuante (BARDIN, 2011), que permitiu uma visão inicial do conteúdo e a preparação para realização dos procedimentos de análise.
A segunda fase é a exploração e análise do material, que corresponde às operações de codificação, em que os dados brutos são tratados de forma organizada e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição das características do conteúdo (BARDIN, 2011). Quando a codificação é utilizada conforme apresentada na literatura, considera-se que a pesquisa se utilizou da técnica de análise categorial, que é mais antiga e mais utilizada técnica de análise de conteúdo (DELLAGNELO; SILVA, 2005).
A categorização adotada neste estudo tomou por base as 13 dimensões da inovação (SAWHNEY; WOLCOTT; ARRONIZ, 2006; BACHMANN; DESTEFANI, 2008), bem como os 9 facilitadores e os 12 dificultadores da inovação (SOUSA, 2006; SOUZA; BRUNO- FARIA, 2013), conforme elencados na fundamentação teórica e resumidos no quadro 5.
Quadro 5 ̶ Categorização para análise de conteúdo
Categoria Subcategoria Dimensões Oferta Plataforma Marca Clientes Soluções Relacionamento Agregação de valor Processos Organização Cadeia de fornecimento Presença Rede Ambiência inovadora Facilitadores Apoio da gestão
Apoio de grupos de trabalho e colaboradores
Diversidade de competências do grupo responsável pela inovação Divulgação de informações acerca da inovação
Estratégias para incorporação da inovação às rotinas organizacionais Participação de colaboradores provenientes do meio externo
Planejamento de ações necessárias à implementação Reconhecimento do valor e da necessidade da inovação
Perspectiva sistêmica da inovação e das interações entre unidades organizacionais
Dificultadores
Descrença em relação à inovação
Dificuldades de integração interorganizacional Excesso de atividades e escassez de tempo Falta de apoio da alta administração Limitações em termos de pessoas
Limitações em termos de recursos financeiros Limitações em termos de recursos tecnológicos Obstáculos provenientes do meio externo Priorização de atividades fim e/ou de curto prazo Receio das consequências da inovação
Resistência à inovação por perda de poder Resistência à inovação por senso de acomodação
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Sawhney, Wolcott, Arroniz (2006), Sousa (2006), Souza e Bruno- Faria (2013).
Ainda na segunda fase, foram realizados análises e agrupamentos das falas dos respondentes conforme a categorização utilizada, de maneira a facilitar a interpretação e as conclusões acerca do conteúdo. Por uma questão de sigilo, a pesquisa preservou os nomes das empresas e dos respondentes, identificando-os apenas pelas siglas E1, E2, E3... E20.
A fase seguinte foi a inferência e interpretação dos resultados, que se baseia em significações de palavras e frases para esclarecer comportamentos e opiniões dos sujeitos investigados (BARDIN, 2011). Para Dellagnelo e Silva (2005, p. 113) este é
[...] o momento da reflexão, da intuição com embasamento nos materiais empíricos e nos referenciais teóricos disponíveis, buscando estabelecer relações, verificar contradições, compreender os fenômenos que propomos a estudar. É o momento de buscar os sentidos daquilo que os dados tratados nos revelam.
Esta etapa foi marcada pela reflexão e interpretação dos dados analisados, sempre buscando associação com os conteúdos teóricos referenciados no trabalho. Este esforço resultou em três cenários importantes para os resultados da pesquisa. Alguns achados da pesquisa confirmaram teorias levantadas pela literatura. Em outros casos, apresentaram-se de forma contrária, refutando a teoria. E o terceiro cenário foi o de contorno da teoria, no qual se possibilitou novas percepções de maneira a complementar estudos anteriores. As inferências e interpretações resultantes dos dados coletados são apresentadas na próxima seção, que trata da análise dos resultados.