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Com as categorias de análise previamente elaboradas, foi possível sem demora, ter uma noção do panorama geral de como o documento se organiza e evidenciar o aspecto de gestão, ainda mais por se tratar de um documento com poucas páginas. Logo, possibilitou-se estabelecer a relação entre o tema e os objetivos do estudo.

Assim, verificou-se que o documento, ao tratar de gestão no item 2.6 Políticas de Gestão, envolve organizativamente mais dois subitens: 2.6.1 Mecanismos de monitoramento da Gestão; e 2.6.2 Objetivos da Gestão. Sem discriminar essa

sete (07) evidenciações, enumeradas alfabeticamente (a-g): a. Gestão Administrativa; b. Gestão na Educação; c. Gestão de processos operacionais; d. Gestão Participativa/Democrática; e. Gestão de uma Cultura Organizacional; f. Gestão como efetividade do trabalho; g. Gestão transparente.

Evidenciações que podem ser observadas no gráfico abaixo, que constituem uma noção básica de como a gestão aparece nos itens destacados do PPI do IFFarroupilha/RS: GRÁFICO I 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 abcdefg a.Gestão Administrativa b.Gestão na Educação c.Gestão de processos operacionais - formação d.Gestão Participativa/Democrática e.Gestão de uma Cultura Organizacional

f.Gestão como efetividade do trabalho

g.Gestão transparente

Fonte: KEHLER, 2012, dados construídos com base no PPI do IFFarroupilha/RS.

OBS: As variações destacadas verticalmente não se restringem a números inteiros, por se tratar de dados não precisos (em partes evidenciados, mas compreendidos como subdivisões categóricas).

Verifica-se, diante dos dados, que a evidenciação categorial mais relevante vem a ser “sem muitas surpresas”, pela influência que os textos legais como a

Constituição Federal de 1988 e a LDB 9394/96, a “Gestão

Participativa/Democrática”, com média de três (03) aparições em momentos distintos. Contudo, o que chama a atenção é a sua utilização como sinônimas, discussão que será enfatizada na sequência, em análise específica. Paralelamente nessa disputa de evidenciações, está a “Gestão Administrativa”, com média de duas (02) aparições, também em momentos distintos e mais timidamente, uma abordagem com um aspecto mais amplo, no que concerne ao seu aspecto discursivo, a “gestão na educação”, com aparição que chega a formular uma (01) proposição categorial.

mesmas, sem estarem imbricadas de alguma forma a essas três categorias (aqui denominadas de gerais). Desse modo, sem sentidos próprios para a análise, não chegam a formular evidências categoriais distintas, ou seja, uma quarta, quinta ou sexta categorias. Observam-se os casos:

c. Gestão de processos operacionais – formação

“[...] a gestão e os processos operacionais da instituição também são elementos formativos19 e devem primar pela

formação pessoal e profissional dos sujeitos, atendendo aos

princípios básicos para a sobrevivência e desenvolvimento do

planeta sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades das gerações futuras”.

Aqui, surge o fator “formação” imbricado com um discurso de sustentabilidade, que em meio a uma preocupação que embora pareça pertinente, não ganha autonomia argumentativa, pois, no máximo, estes fatores podem constituir uma noção de gestão democrática, no sentido mais filosófico (princípios) de um bem comum, com uma preocupação de desenvolvimento de uma consciência cidadã e ambiental.

e. Gestão de uma Cultura Organizacional

Aqui, o termo suscitado sobre cultura organizacional, ao mesmo tempo em que remete a pensar sobre aspectos da gestão administrativa, apresenta uma variável interessante que se volta para a organização cultural para a aprendizagem. Esta, como foco de gestão, remete diretamente para uma qualificação do termo, que é o pedagógico. Porém, nem a diz, nem a assume como proposição argumentativa. Logo, não passa de um aspecto secundário e submisso ao aspecto dominante, que é o administrativo, claramente exposto. Observa-se o trecho:

“[...] o fundamento da gestão está também no desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada ao aprendizado, e até mais que ele, uma cultura voltada ao apoio mútuo entre todos os sujeitos imbuídos ou não de cargos de gestão, por meio da socialização do conhecimento em suas indistintas áreas, tanto

relacionadas aos meios quanto aos fins da instituição”.

19 Grifos no decorrer do texto, de autoria do autor-pesquisador desse estudo monográfico, para

No próximo ponto, é nítida a presença de variáveis da gestão administrativa, contudo, ambiguamente, se define como princípio da gestão democrática, conforme o exposto:

f. Gestão como efetividade do trabalho

“[...] deve administrar tendo em vista indicadores de

desempenho para todas as atividades, definidos em conjunto

com a comunidade acadêmica e pautados nos princípios da

gestão democrática”.

E, no último aspecto, denominado de “gestão transparente”, o curioso e pertinente à indagação é: será que nas demais evidenciações categoriais já expostas aqui, não estão imbricadas, ou até mesmo, subentendidas a necessidade de transparência, ao ponto de se fazer necessário levar aspectos específicos para tal? Esta, que parece uma questão desnecessária, pode evidenciar outros sentidos não revelados, como por exemplo, da gestão democrática, que a priori demonstra-se por excelência e caráter, a evidenciação categórica, quando se trata de gestão, mais completa em princípios, não necessitaria operar necessariamente com o aspecto de “transparência”, confluindo-se. Observa-se o enfoque:

g. Gestão transparente

“[...] promover uma gestão transparente em todas as instâncias”.

Na sequência, discute-se a base geral das evidências sobre gestão:

Categorias “gerais” - evidências sobre Gestão (a, b, d)

Mediante a exposição acima que apresenta uma vasta, imprecisa e, muitas vezes, desnecessária subdivisão categorial sobre evidências sobre gestão, pode-se sintetizá-las pelos sentidos atribuídos, em três categorizações gerais sintetizadoras: a. Gestão Administrativa; b. Gestão na Educação; d. Gestão Participativa/Democrática. Evidenciação que pode ser observada no gráfico abaixo:

0 0,5 1 1,5 2 2,5 a b d

a. Ge s tão Adm inis trativa

b. Ge s tão na Educação

d. Ge s tão

Participativa/De m ocrática

Fonte: KEHLER, 2012, dados construídos com base no PPI do IFFarroupilha/RS.

Obs: Gráfico demonstrativo das três evidenciações gerais sobre gestão (a, b, d), que manteve a marcação alfabética, já definida no gráfico anterior.

a. Gestão Administrativa:

Esta evidenciação categorial pode ser considerada a segunda mais acentuada no documento analisado, pois não fugindo das determinações da relação entre gestão educacional e os moldes tecnicista, que historicamente a educação foi (de certa forma ainda ‘é’) compilada, as teorizações do campo da administração, ainda vêm organizando o(s) discurso(s) sobre os processos de gestão, como pode ser observado nos seguintes trechos:

“[...] Condução, direção e governança. Significa pensar e dirigir de forma abrangente o conjunto complexo de uma instituição por intermédio da prática efetiva da administração”.

Ênfase nítida sobre a “necessidade” de cunho administrativo em sobrepor-se a organização institucional. Que no trecho seguinte se atribui ao controle da divisão do trabalho realizado pelos sujeitos:

“[...] Sua prática representa a fluência do trabalho de planejamento, da organização da estrutura e infra-estrutura, da direção e liderança dos sujeitos e do controle de todas as atividades, diferenciadas pela divisão de trabalho que ocorre

em todas as organizações”.

Contudo, quando o documento enfatiza especificamente a esfera da gestão da educação, se dilui os sentidos, que a priori é compreendida fundamental à organização de uma instituição, se vê contemplando uma discussão, discursivamente mais ampla, como pode ser observada na próxima evidenciação.

Como evidenciação mais da problematização sobre as esferas de organização da gestão para a educação, define-se:

“[...] foco principal o bem comum, o que exige responsabilidade e transparência no trato do bem público. A

complexidade aumenta quando se considera a gestão na

educação”.

Mesmo, alicerçado sob princípios admistrativos, percebe-se um esforço em compreender, por parte do IFFarroupilha que a gestão no campo educacional não é algo dado, meramente controlado e regulado, mas que compreende uma gama de fenômenos complexos, que, por ora, necessitam de mecanismos potencializadores à efetiva participação coletiva, orientados sob o viés democrático. Discussão que entra no próximo e último tópico categorial.

d. Gestão Participativa/Democrática:

É interessante destacar aqui que nesse enfoque, a gestão compreendida sob as denominações ‘Participativa-Democrática’, como “sinônimas”, demonstra certa confusão em suas constituições semânticas e políticas. Enfatiza-se esse aspecto, muitas vezes banalizados nos textos legais e nos discursos pedagógicos, pois apesar de ambas estarem atreladas e se complementarem, em alguns aspectos, é complicado colocá-las em condições de igualdade e equivalência. A gestão democrática prevista, na LDB 9394/96, é clara quanto a sua natureza representativa, até pelo seu caráter institucional, ou seja, uma lei de regulamentação, que define sobre os processos de democracia na gestão escolar.

Deste modo, a especificidade da participação não pode ser considerada um discurso naturalizado, como, muitas vezes, é o da democracia, constituído em uma confluência perversa20. Acredita-se ser essencial perguntar-se: quem tem o poder em participar da gestão? E, principalmente, como se articula o processo que possibilita a participação de toda uma comunidade escolar na gestão, que

20 Dagnino ao tratar sobre o aspecto democracia enfatiza, a sua perversidade em termos de

confluências, que “[...] ao assumir então o caráter de uma disputa de significados para referencias aparentemente comuns: participação, sociedade civil, cidadania, democracia. A utilização dessas referências, que são comuns nos abrigam significados muito distintos, instala o que pode chamar de crise discursiva: linguagem corrente, na homogeneidade de seu vocabulário, obscurece diferenças, dilui nuances e reduz antagonismos” (2004, p. 142).

Pedagógico”?

Para demonstrar as complicações, atribuídas à utilização dos sinônimos, abaixo alguns trechos, deste, que foi o eixo categorial amplo mais evidenciado:

“[...] o trabalho responsável e sustentável não ocorrerá se não forem praticados os pressupostos da “gestão participativa”

(gestão democrática). Esta se caracteriza como um processo

político por meio do qual as pessoas discutem, deliberam e planejam, solucionam problemas e os encaminham, acompanham, controlam e avaliam o conjunto de ações voltadas ao desenvolvimento das instituições. Todo esse processo é sustentado pelo diálogo, considerando os preceitos da alteridade, responsabilidade, empoderamento e autonomia das pessoas”.

Aqui, a gestão participativa/democrática promovida pelas “pessoas”, definição no mínimo ampla, emerge no vazio, pois não se define quem são os sujeitos que fazem acontecer esse processo de gestão, pois um conceito para pessoas, também pode ser que não seja um consenso, conforme a perspectiva de análise. Todavia, abaixo, contraditoriamente a ausência e amplitude da representação sobre o termo “pessoas”, se define precisamente quem “conduz” o processo de gestão democrática:

“[...] a gestão democrática é educadora na sua prática e como instituição educadora deve-se ter o cuidado com modos de gestão que alienam e submetem os sujeitos, reproduzindo a relação de dominantes e dominados, tão comum na sociedade e nas organizações tradicionais. Ela não acontece sem a

intencionalidade dos gestores e para isso alguns elementos

são importantes: a escolha direta dos representantes e a

garantia da efetiva representatividade por meio do diálogo

permanente com os representados onde as decisões não são pessoais, mas do coletivo; assegurar a efetiva representação nos Conselhos do Instituto, tanto em nível de Reitoria como nos campi garantido sua participação na implementação do Plano Pedagógico Institucional – PPI, e no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI”.

No trecho ora citado, se não pela sua ambiguidade em relação à citação anterior, pelo menos se assume claramente, que não se abandona a figura do gestor como condutor e que a gestão democrática se constitui no âmbito representativo. Contudo, no esforço argumentativo do excerto a seguir, em compreender a

ao certo, se a mesma tentou de forma tímida comprometer-se com a perspectiva Habermasiana21 da “ação comunicativa” em que as hierarquias se diluem e a razão sobre as coisas se constituem argumentativamente entre seus pares, ou simplesmente, quis dizer de forma pragmática e rasa, que a comunicação é importante e isso auxiliará na gestão. Observa-se:

“[...] toda base da gestão participativa terá efeito se houver um bom trabalho de comunicação. A comunicação assume papel

estratégico na medida em que o resultado efetivo é objetivo

sinérgico dos sujeitos da instituição, tanto docentes, discentes e técnicos”.

E, dessa forma, sistematiza-se o que se evidenciou categoricamente sobre gestão nos itens que anunciam, justamente tal categoria no PPI do IFFarropilha/RS. Entre uma vasta mistura de concepções, elucida-se em alguns aspectos e momentos, que o tripé administração - gestão participativa/democrática e educação, na compreensão de gestão são estruturantes da proposta institucional, mesmo que outros aspectos venham à tona, ainda não constituem evidenciações categóricas próprias para se sustentar sem a relação destacada.

21Como perspectiva Habermasiana da “ação comunicativa”, compreende-se, o que o filósofo e

sociólogo alemão Jürgen Habermas (1929), desenvolveu na contemporaneidade à Teoria Crítica da Escola de Frank-Furt, que em crítica a racionalidade instrumental, propõe através da razão comunicatica, uma ação que ampliasse o conceito de razão.

A Rede Federal, por sua excelência e seus vínculos com a sociedade produtiva, tem condições de protagonizar um projeto político-pedagógico inovador, progressista e que busque a construção de novos sujeitos históricos, aptos a se inserir no mundo do trabalho, compreendendo-o e transformando-o na direção de um novo mundo possível, capazes de superar a barbárie neoliberal e restabelecer o ideal da modernidade de liberdade, igualdade e fraternidade, sob a ótica das novas possibilidades abertas à humanidade neste princípio de século. (PACHECO, 2011, p.12).

Como anunciado outrora, esse estudo por estar vinculado a outra proposta investigativa (PD), em interlocução subsidiada pela relação entre concepções de trabalho e aspectos de gestão no recorte de campo do Instituto Federal Farroupilha/RS, não tem a pretensão e nem poderia de encerrar a problematização, em tal abordagem. Primeiro, porque não se estaria sendo coerente com o argumento que o justificou, no recorte investigativo, apresentando a gestão como subsídio interlocutivo aos estudos sobre trabalho. Segundo, pela compreensão de que a análise por ora realizada precisa ser ampliada e problematizada com outros elementos investigativos, ao ponto de aprofundá-la. Contudo, o permitido para o momento é tecer algumas consideração parciais, como o título sugere “à guisa de continuidade(s)”.

Desse modo, sob opção de abordagem dialética do materislismo-histórico e teórico-metodológico na perspectiva crítica de abordagem sobre o real, acredita-se em primeira instância, que a criação dos Institutos Federais, caracteriza outro contexto social possível, para discutir as políticas públicas para a Educação Profissional e Tecnológica, em uma redefinição de sentidos sobre a díade “Estado e Público”. Tal afirmação se constitui em meio a um contexto em disputa, em que o Estado, ao assumir a responsabilidade e compromisso com o ensino público, em um campo minado por políticas neoliberais, promove um avanço histórico à essa modalidade de ensino, considerando que o seu percurso sempre fora representado pelo dualismo educacional classista.

Nesse ponto, seria fácil, em uma análise simplista, condenar essa proposta por compreendê-la unicamente como uma estratégia de reelaboração educacional para atender ao capital, o que não é de todo modo negado, mas acredita-se ser, em primeira instância, uma atitude de gestão educacional, que visa possibilitar a proposição democratizante do acesso de grupos historicamente desassistidos.

como um todo) que ainda imaturo (por estar completando este ano, apenas quatro anos), é fundamental, como orientação em prol de seu efetivo caráter – expansão com qualidade social. Enfatiza-se esse aspecto, por compreender que a articulação da gestão se constitui em uma fronteira de disputas entre projetos políticos antagônicos, estando, de um lado, o processo democratização de acesso e oportunidades e, de outro, a política reestruturativa neoliberal.

Assim, mais que um desafio, desenha-se um compromisso, que firmado no PPI no recorte da pesquisa, o Instituto Federal Farroupilha/RS, apresentou algumas variáveis que, ora ampliam a noção de responsabilidade de gestão compartilhada, vulgo, democrática – participativa; ora se fazem por um cumprimento centralizado de “condução, direção e governança”, entendida como prática a uma “administração efetiva”. Assim, em uma vasta mistura de concepções, elucida-se em alguns aspectos e momentos, que o tripé administração - gestão participativa/democrática e educação, na compreensão de gestão, são estruturantes da proposta institucional, mesmo que outros aspectos venham à tona, e ainda não constituem evidenciações categóricas próprias para se sustentar sem a relação destacada.

Constatou-se em média sete variáveis semi-categóricas sobre gestão (a. Gestão Administrativa; b. Gestão na Educação; c. Gestão de processos operacionais; d. Gestão Participativa/Democrática; e. Gestão de uma Cultura Organizacional; f. Gestão como efetividade do trabalho; g. Gestão transparente), sendo que dessas, o tripé descrito anteriormente, acabaram imbricando, em partes, as demais. É claro, que para operacionalizar através da análise de conteúdo, tais evidenciações de forma mais enfática e ampliada, seria necessário um maior volume de informações nas mensagens, pois se tratou, nesse caso, de uma análise documental simples, sem muito material exploratório.

Todavia, volta-se a reforçar sobre o não esgotamento desse estudo nessa análise, já que esta se imbrica na PD, mas já aponta para uma noção dos desafios que se estruturam para o âmbito da Educação Profissional e Tecnológica, em seu processo de expansão, considerando que a noção de gestão, no caso do IFFarroupilha/RS apresenta-se discursivamente ampla, mas trata de um plano que se imbrica entre as esferas dos macro(s) e micro(s) sistemas, um pano de fundo com fundamento democrático, em sua constituição radical universalizante, faz-se crucial na constituição de sentidos, como verdadeira função social.

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