Este grupo era composto apenas por meninas, de 7 e 8 anos, da 1a e 2a série. Todas as crianças assistiam televisão, sendo que três integrantes do grupo assistiam de 16 a 20 horas semanais, e apenas um (1) 21 a 25 horas semanais. Seus programas preferidos eram caracterizados por desenhos animados, novela infantil, programa de pergunta e resposta e jogos de diversos
tipos destinados ao público infantil e adolescente, e com menor freqüência novelas para adultos porém, que estavam sendo transmitidas no horário da tarde. A maior parte dos programas assistidos possuíam conteúdo infantil. Os canais prediletos foram SBT, seguidos pelos canais de TV a cabo de programação infantil.
A programação de maior preferência era a novela latina infantil do SBT “Alegrifes e Rabujos”, seguido pelos desenhos da Disney (Vida de Inseto e Monstros S.A.) e Inu-Yasha. As características dos programas citados podem ser encontradas no Anexo F.
No que se refere à dança, todas as crianças gostavam de dançar, preferindo improvisar ou inventar do jeito delas porém, também, apareceu preferência pelo rock (por ser a música da mamãe), por músicas infantis e também pelas danças da moda, sendo o único grupo citado o Rouge.
As crianças do Grupo A dançavam principalmente em casa, mas também na escola e em apresentações. Dançavam em festas, com as amigas, brincando com os pais, com a prima, quando ouviam uma música que gostavam, o dia todo, a toda hora, sempre.
Gostavam de improvisar e, em três (3) respostas, verificou-se que quando copiavam a movimentação de alguém, copiavam de pessoas próximas que admiravam muito. Em apenas uma (1) das respostas copiavam alguém ou algum grupo famoso quando dançavam.
5.1.1.2 Grupo B
A análise do Grupo B foi feita separando meninas e meninos. Todas as meninas tinham 7 anos, frequentavam a 1ª série e assistiam televisão, sendo que duas (2) assistiam de 31 a 35 horas, uma (1) de 26 a 30 horas e uma (1) de 16 a 20 horas semanais.
Os programas assistidos eram novelas infantis, desenhos animados, programa de variedades para crianças cujo principal conteúdo eram os desenhos, seriados, novela destinada a um público adolescente e jovem, programas educativos e um programa de variedade e entrevista destinado ao público adulto e transmitido no horário da noite. Os canais mais vistos foram SBT, seguidos pela Rede Globo, Cultura, Bandeirantes e canais de tv a cabo com programação infantil (menos que no grupo A). O programa de maior preferência era a novela latina infantil Alegrifes e Rabujos, seguido pelo seriado “Kenan e Kel” da tv a cabo. As características destes programas estão descritas no Anexo F.
Em relação à dança, três (3) meninas responderam que gostavam de dançar sendo que apenas uma (1) respondeu que mais ou menos. Gostavam de dançar de tudo ou todos os estilos de dança. Foi feita uma menção à vontade de aprender dança do ventre. Dançavam em diversos momentos e lugares em festas, assistindo TV, quando ouviam o CD do Rouge, brincando com os pais, quando ouviam uma música que gostavam, quando cantavam, com a prima em casa.
Na maior parte das vezes a dança era improvisada, porém também acontecia cópia tanto de grupos ou pessoas famosas quanto de pessoas próximas que admiravam sendo sempre figuras femininas.
5.1.1.3 Grupo B1
Dois meninos assistiam, em média, 26 a 30 horas por semana, um (1) assistia de 21 a 25 horas e um (1) de 1 a 5 horas semanais.
Os programas assistidos eram novelas infantis, desenhos animados, programa de variedades para crianças cujo principal conteúdo era os desenhos, novela destinada a um público adolescente e jovem, programas educativos, seriado e um programa de perguntas e respostas destinado ao público adulto e transmitido no horário da noite. Os canais mais assistidos eram SBT, Globo, Cultura e Record, seguidos pelos canais de tv a cabo de programação infantil.
Os programas preferidos eram os de variedades para crianças (“TV Globinho” e “Bom Dia e Cia”) cujo principal conteúdo eram os desenhos, a novela para o público jovem e adolescente (Malhação) e um desenho de heróis (Cavaleiros do Zodíaco).Estes programas são descritos no Anexo F. Os canais preferidos eram SBT e Globo, principalmente no horário da manhã.
Em relação à dança, três meninos responderam que gostavam de dançar sendo que apenas 1 respondeu que mais ou menos.
Os meninos gostavam de todos os estilos de dança, ou ainda preferiam rock ou danças agitadas.
Dançavam em festas, em casa, assistindo Tv ou brincando com os pais. Na maioria das vezes, dançavam de forma mais improvisada, mas quando copiavam preferiam fazê-lo de alguém que admiravam como, por exemplo, a mãe ou a tia.
5.2. Desenho
O objetivo desse instrumental foi analisar a imagem corporal dos alunos. Essa análise foi realizada com a supervisão de um psicólogo especialista na análise de desenhos.
Para melhor compreensão do conceito de imagem corporal faz-se necessário explicitar que foram encontradas na literatura, sobre o tema, diversas definições.
Em Farah (1995), “entende-se por imagem do corpo humano a figuração de nosso corpo, formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós”. (Schilder, apud FARAH, 1995, p.82). Schilder utiliza os conceitos de imagem corporal e esquema corporal como sinônimos.
Segundo Schilder a construção da imagem corporal se dá a partir de fatores fisiológicos e cinestésicos, como por exemplo, as impressões táteis, térmicas ou a sensibilidade à dor; percepção da superfície que delimita o corpo em relação ao meio externo; percepção da posição relativa do corpo no espaço, etc. Porém, ainda para Schilder, os processos ocorridos na esfera psíquica influenciam o nível somático. Isso acontece principalmente a partir de fatores sociais e culturais bem gerais, como por exemplo, padrões estéticos, usos e
costumes referentes à indumentária, próprios de cada cultura numa época determinada, caracterizações específicas desse grupo relativas à definição dos papéis sexuais, etc. Além disso, a imagem corporal ultrapassa os limites do corpo uma vez que incorpora objetos ou se propaga no espaço.
Para Williams (1983) os conceitos de esquema corporal, imagem corporal e consciência corporal devem ser entendidos e definidos como diferentes, sendo, porém, compreendidos como componentes da auto-imagem do indivíduo.
Segundo a autora, que concorda com Nash (1970 apud Williams,1983), esquema corporal é “(...) o diagrama do corpo que é construído no cérebro (provavelmente em local definido) no qual movimentos intencionais coordenados são conduzidos pelas partes do corpo e, assim o próprio corpo é orientado no espaço.” (p. 283). A noção de esquema corporal é freqüentemente modificada por meio de experiências sensório-motoras, particularmente as tatéis e cinestésicas. Dessa forma, é entendido tanto como sendo uma característica inata quanto flexível (adquirida).
Para estes autores, a imagem corporal é definida como “(...) a imagem que o indivíduo faz dele mesmo como uma pessoa física” (p.283). Esta imagem inclui as proporções corporais além das características de performance. Segundo Williams, “julgamentos se o corpo é baixo ou alto, gordo ou magro, forte ou fraco, etc. são inicialmente o resultado das interações sociais da criança enquanto cresce e se desenvolve”. (p. 286). Além disso, a percepção da
performance em relação a tarefas motoras também é resultado de interações do individuo com os outros e com o meio.
Esquema corporal e imagem corporal são conceitos que se apresentam hierarquicamente. Isto é, a existência da noção de esquema corporal é a base para o desenvolvimento e criação da imagem corporal pelo indivíduo. Além disso, a aquisição do esquema corporal se dá a partir de estímulos sensório-motores, enquanto a criação da imagem corporal acontece a partir de conceitos e relações cognitivas que também fazem parte deste processo.
Ainda, segundo Williams, “a consciência corporal pode ser definida como a consciência e identificação da localização, posição, e movimento do corpo e de suas partes no espaço, a inter-relação entre estas partes, e a relação entre o corpo e estas partes (movendo-se ou parado) no ambiente”. (p. 283). Para que a consciência corporal se desenvolva é preciso que exista a noção de esquema corporal e imagem corporal. A verificação da presença ou não da consciência corporal nas crianças pequenas se dá inicialmente, somente por meio do comportamento motor. Com o desenvolvimento da linguagem é possível verificar a presença ou não dessa consciência de outras formas.
A consciência corporal apresenta sub-componentes internos e externos. Os sub-componentes internos são: atenção visual, dimensão espacial do corpo, lateralidade (consciência de que o corpo tem duas partes), discriminação de direita e esquerda, divisão do corpo ao meio (simetria), identificação das partes do corpo e dominância lateral. Os componentes externos
para determinação da consciência são a imitação, a direcionalidade e a orientação espacial.
Levando em consideração a possibilidade de todos estes fatores discriminados acima interferirem na imagem corporal dos alunos optou-se pela realização do desenho do próprio corpo baseado no teste do “desenho da figura humana”. Segundo Farah (1995) o desenho traz a possibilidade de aferição da imagem corporal de maneira projetiva.
Após as primeiras aulas, onde foi realizado o diagnóstico do grupo, foi pedido às alunas que desenhassem o seu corpo. A atividade foi organizada da seguinte forma: inicialmente foi realizada uma auto-massagem com o objetivo de diminuir o nível de ansiedade das crianças, proporcionar a sensação de relaxamento e aumentar o limiar das percepções internas e externas. Em seguida, foi pedido que partissem da frase “o meu corpo é assim...”. Elas deveriam desenhar o seu corpo da forma como achassem melhor, cada uma em seu caderno de registro.
Em termos gerais, o desenho de uma pessoa representa a expressão do eu, ou do corpo, no ambiente. Aquilo que é expresso pode ser definido como uma imagem corporal, um termo que já foi definido de diversas maneiras por diferentes autores. Em poucas palavras a imagem corporal pode ser considerada como o reflexo
complexo da auto consideração – a imagem de si mesmo.
(MACHOVER, apud FARAH, 1995, p.108)
Na última aula o procedimento foi repetido, solicitando-se às alunas que desenhassem seu corpo. Uma análise comparativa dos desenhos, antes da
intervenção do programa de dança e após, foi realizada para verificar quais foram as modificações corporais assumidas pelas crianças frente à situação vivenciada.