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I hope, therefore, that your Committee will come forward with concrete

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Nem todos os professores sobre os quais eram solicitadas ou enviadas informa- ções tinham “fi cha limpa”, pelo menos no que se refere aos critérios impostos pela ditadura. É o caso do professor José Arthur Bogéa, que trabalhou no Departamento de Letras da Ufes. Em 26 de maio de 1977, a Agência de Belém-PA do SNI (ABE/SNI) solicitou, por meio de pedido de busca dirigido ao 4º Distrito Naval da 8ª Região Mi- litar (4ª DN-8ª RM), ao Comando Militar da Aeronáutica da 1ª Região (COMAR/1), à Superintendência Regional da Polícia Federal do Pará (SR/DPF/PA) e à Secretaria de Segurança Pública do Pará (SSP/PA), informações para confi rmar suspeitas sobre atividades subversivas em Belém (PA) por parte do então futuro professor da Ufes.

O COMAR/1 confi rmou que o “suspeito” possuía fi cha no DOPS/PA desde a época de estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA), tendo integrado um grupo subversivo que atuava nas colunas sociais dos jornais de Belém. Bogéa foi descrito como sendo “marxista”, membro da Ação Popular (AP) e integrante da Célula “Grupo de Menestréis”, assim denominada por ser como ela era identifi -

294 Ibid. BR. AN.BSB.AT4.17.21, p. 24. 295 Ibid. BR. AN.BSB.AT4.17.21, p. 20. 296 Ibid. BR. AN.BSB.AT4.17.26, p. 57. 297 Ibid. BR. AN.BSB.AT4.18.8, p. 19.

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cada nas colunas sociais dos jornais da capital paraense 298.

Em 29 de junho de 1977, a ARJ/SNI emitiu pedido de busca solicitando a confi r- mação de “propaganda adversa” do livro Cartas da Prisão, do padre Carlos Alber- to Libânio de Christo, o Frei Betto, que estaria sendo feita pelo professor Pedro José Mansur, do curso de Economia da Ufes, já falecido. No dia 26 de agosto de 1977, a Agência apresentou as seguintes informações:

O professor PEDRO JOSÉ MANSUR, da Universidade Federal do Espírito Santo - Ufes, realmente interrompeu varias vezes suas aulas na referida Universidade e leu alguns trechos do livro “CARTAS DA PRISÃO” para seus estudantes, reco- mendando em seguida sua compra, antes que a censura apreendesse a publica- ção. 2. O livro “CARTAS DA PRISÃO” editado pela Editora Civilização Brasileira, de autoria de CARLOS ALBERTO LIBÂNIO DE CHRISTO, conhecido por “FREI BETO”, foi lançado em VITÓRIA/ES no dia 16 de junho próximo passado, na livraria ÂNCORA, situada no centro da referida capital. Cem exemplares da obra, colocados à venda naquele estabelecimento comercial, foram rapidamente ad- quiridos, tendo a Cúria Metropolitana adquirido cinquenta (50) exemplares 299.

Segundo a ARJ/SNI, os dados do prontuário de Mansur no órgão mostravam que, quando estudante de Economia da Ufes, ele havia sido presidente do DA da Faculda- de de Ciências Econômicas (1965/1966) e liderado uma greve na unidade. Também havia criado um jornal em que fi xava recortes que visavam à “subversão” da ordem. Outra “acusação” foi ter participado do III Encontro Nacional dos Estudantes de Economia, realizado em Salvador (BA) entre os dias 20 e 26 de setembro de 1965.

No prontuário do professor junto à ARJ/SNI, ainda constava o registro de ele ter montado, a pedido do MDB-Jovem de Vila Velha, um trabalho sobre diversos aspectos do “Modelo Econômico Brasileiro”, que continha críticas à economia nacional, culminando com a aprovação de uma moção de protesto. Por último, a Agência ainda registrou o seu comparecimento, dia 18 de junho de 1977, a um Culto Ecumênico celebrado pelo então bispo auxiliar de Vitória, dom Luiz Gon- zaga Fernandes, em protesto contra as prisões ocorridas por ocasião do III En- contro Nacional de Estudantes, em Belo Horizonte.

Renato Viana Soares, um “velho conhecido” dos órgãos de repressão desde a época de estudante, jornalista e futuro professor do curso de Comunicação Social da Ufes, também foi alvo de um informe da ARJ enviado para a Agência Central do SNI, em 6 de outubro de 1977. A agência informou que Soares havia cumprido

298 Id. Ref. INFO 200-22/68, 30 maio 1968 - 8a RM. 299 ARQUIVO NACIONAL. Fundo SNI. AC-ACE 105267/77.

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pena de seis meses de prisão, depois de condenado pela 3ª Auditoria Militar do Rio de Janeiro por ser componente do Grupo dos 11 de Muniz Freire 300, saindo da

prisão para assistir às aulas sob escolta policial.

Além disso, segundo o documento, em 19 de dezembro de 1967, como orador da turma de formandos da FAFI, o então líder estudantil fez um discurso em que criticou violentamente o sistema de ensino no Brasil. Mas há um detalhe no in- forme que chama a atenção, que é o registro que aponta Soares como “elemento de destaque” na greve estudantil capixaba de 1968, quando ele já havia se forma- do e estava trabalhando em São Paulo 301.

Até o envio de livros para uma entidade estudantil poderia ser alvo de preo- cupação pelos órgãos de repressão. Em 22 de agosto de 1977, a APA/SNI, enviou para as agências Central e do Rio de Janeiro do SNI (AC/SNI e ARJ/SNI) a informa- ção de que a Editora Movimento, de Porto Alegre (RS), havia enviado para o DA/ CCJE, em particular para o então estudante de Economia Neivaldo Bragato, 30 exemplares do livro Função dos Intelectuais numa Sociedade de Classes. De acordo com os agentes do SNI, “o referido livro possui conteúdo esquerdista, e seu autor, Jeferson Borba Barros, é conhecido por sua ideologia marxista e por participar da redação de jornais e manifestos contrários ao Regime Brasileiro” 302.

A REARTICULAÇÃO DO ME NA UFES E A VIGILÂNCIA AOS DIRETÓRIOS

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