Estas dispensações são as seguintes: Inocência, Consciência, Governo humano (ou seja, a primeira organização em sociedade), Patriarcal ou da família, a Lei, a Graça e o Milênio, que será o governo divino. Isto não significa que as Escrituras compõem-se de seções independentes umas das outras. O fato é que as dispensações, até certo ponto, se sobrepõem, e algumas que vigoram em passado distante continuam de pé, quanto ao trato de Deus com os homens (OLSON, 2013, p. 30).
O livro se fixa na explicação das dispensações a alguns assuntos relacionados ao tema. Fixa também no termo da escatologia pré-milenarista e pré-tribulacionista. As novas edições do livro não disponibilizam o quadro PDadS, o livro faz referência ao acompanhamento do estudo junto ao mapa.
Capítulo 9 O século presente
A Segunda Vinda de Cristo
F. A Igreja e a Segunda Vinda de Cristo
(O leitor deve localizar este período no Mapa das Dispensações) (OLSON, 2013, p. 153, grifo nosso).
A recomendação para localizar no Mapa se repete no capítulo 10. O livro contém ao todo 230 páginas e não tem as referências bibliográficas. O que é citado, conforme informado, são os nomes no começo do livro que, segundo Olson, foram base para sua pesquisa.
Mas quais seriam os antecedentes do quadro PDadS? Como Olson organizou o quadro? Teria sido ideia sua ou ele teria copiado ou tirado referências de outros autores para a construção do quadro?
Quando tratamos de um quadro como o de Olson, vemos que sua estruturação se deu com o pastor missionário, porém outras imagens de esquema de dispensações surgiram antes do quadro dispensacionalista.
Um dos primeiros esquemas vem da época dos puritanos ingleses. Temos um exemplo na obra de David Morgan, em seu livro The Forge of Vision: A Visual of Modern Christianity, de 2015. Essa pista na obra de Morgan remete ao século XVII:
Puritan spirituality is often regarded as inimical toward visuality, but in fact, it pivoted on acts of seeing understood in the register of time. Puritans in Europe and America alike both made use of images in this search and their imagery consistently reflects the dimension of temporality (MORGAN, 2015, p. 92)19.
Essa pista nos traz uma ideia de que já no século XVII os puritanos fizeram uso das imagens para a difusão de suas ideias. A imagem que Morgan trata em seu livro, na página 93, traz um esquema de sistematização de imagens do Apocalipse, trazendo eras passadas até a atual e futura, um claro antecessor do quadro dispensacionalista de Olson.
19 Espiritualidade puritana é muitas vezes considerada inimiga em relação à visualidade, mas na verdade ele gira
em torno de atos de visão entendidos no registro do tempo. Os puritanos na Europa e na América, ambos, usaram as imagens nesta pesquisa e suas imagens refletem consistentemente a dimensão temporal. (Tradução nossa).
Figura 10 - Jospeh Mede. Key of the revelation, London: Richard More, 1643 [Apocalyptick Scheme]
Fonte: Morgan (2015, p. 93)
Included with it was a diagram titled “Apocalyptick Scheme”. The diagram and the book it illustrated provided an interpretation of the book of Revelation that prophetically plotted the course of time to the present age and looked for the possibility of the end not far off. Mede calculated this by aligning prophetic utterances, visions, symbols, and numbers with historical events, situating the past in relation to the present age. The purpose of the diagram in figure 22 was to assemble into a single scheme the events described in the fifth and following chapters of Revelation, where a seven- sealed scroll held by God is opened by Christ, culminating in the opening of the seventh seal, the end of the world (MORGAN, 2015, p. 92)20.
Este ponto é muito relevante para a pesquisa, pois mostra que houve um sistema de imagens anterior ao quadro de Olson. Pretende-se aprofundar os antecedentes do quadro e fazer uma trajetória até o quadro sistematizado pelo pastor assembleiano. Algumas outras
20 Incluído com um diagrama intitulado "Apocalyptick Scheme". O diagrama e o livro que ilustrou forneceram
uma interpretação do livro de Apocalipse que traçou profeticamente o curso do tempo até a idade atual e procurou a possibilidade do fim não muito longe. Mede calculou isso ao alinhar expressões proféticas, visões, símbolos e números com eventos históricos, situando o passado em relação à idade atual. O propósito do diagrama na Figura 22 era reunir em um único esquema os eventos descritos nos quinto e seguidores capítulos do Apocalipse, onde um rolo de sete selos de Deus é aberto por Cristo, culminando na abertura do sétimo selo, o fim do mundo (Tradução nossa).
imagens mostram que houve mapas ou quadros anteriores ao de Olson, conforme o exemplo do Morgan do século XVII. Isso é muito importante para a criação de uma cultura visual pentecostal assembleiana, pois cria um elo com pós-reformadores. Mas como Olson teria chegado à conclusão do quadro PDadS? Teria usado algum outro quadro semelhante como base para criação?
O dispensacionalismo, conforme discutido, foi uma tradição construída por Darby. Em nenhum de seus escritos foi deixado algum sistema em desenhos, mapas ou quadros. Então, Olson teria que ter pensado no quadro PDadS com alguma referência de outro autor. No começo do livro, Olson dá algumas indicações sobre autores consultados, conforme exposto. Um desses autores é o americano Clarence Larkin e seu livro Dispensational Truth. Larkin escreveu alguns livros e produziu inúmeros desenhos sobre céu, planetas, esquemas escatológicos e alguns com esquema de Dispensações. Antes de entrarmos nos esquemas produzidos por ele, é importante conhecer sua história.