4.4 Defining Cognitive Penetrability of Perception
4.4.5 The Informational Encapsulation Criterion (Refor-
Antes da chegada dos portugueses, a Ilha de Santa Catarina havia sido habitada pelos “Povos dos Sambaquis” ou “Homens dos Sambaquis”, que deixaram os vestígios mais antigos nas inscrições rupestres e bacias de polimento encontradas nos costões, que datam cerca de 4.500 anos conforme foto a seguir.
Foto 24: Bacia de Polimento com cerca de 4.500 anos no costão do Pântano do Sul
Depois, os povos a utilizarem essas terras foram os itararés e, por fim, os carijós. Conta a história que os índios carijós foram perseguidos pelos portugueses nos idos de 1500 para servirem de escravos. Como os indígenas não aceitavam essa condição, fugiram para o interior, afastando-se do litoral.
O início do povoamento da Ilha deu-se basicamente em função da sua posição geográfica. Na época do descobrimento do Brasil, em 1500, a Ilha já era porto seguro das frotas marítimas de Portugal e Espanha, que seguiam as rotas para o Rio da Prata e para o Estreito de Magalhães. Os acidentes geográficos como as enseadas e baías permitiam ancorar de forma segura, como era na Baía Sul, no Porto dos Patos, onde as embarcações atracavam para reabastecer com madeira, águas e animais, assim como para fazer alguns reparos (MOSIMAMM, 2002).
As narrativas históricas das viagens européias à costa sul brasileira descrevem que, em 1516, a expedição espanhola de Juan Dias de Solis foi a primeira a passar pela Ilha de Santa Catarina e que, no retorno, após uma tempestade, alguns marinheiros ficaram em terra. Cerca de 30 anos mais tarde, o alemão Hans Staden encontrou um dos espanhóis convivendo com uma tribo indígena na parte continental, onde é atualmente o bairro do Estreito (CECCA/FNMA, 1996).
A Ilha era chamada de vários nomes. Os carijós a chamavam de Ilha de Meiembipe (elevação ao longo do rio) ou Jurerê-Mirim (boca pequena ou boca estreita). Juan Dias de Solis a chamava de “Baia de Los Perdidos”. E outros ainda a denominavam de “Porto dos Patos”, devido à sua localização na Baía Sul, o porto seguro das embarcações espanholas e portuguesas (MOSIMANN, 2002).
Durante anos após o descobrimento do Brasil, a Coroa Portuguesa não tinha manifestado interesse nas terras brasileiras. A Ilha era apenas ponto de reabastecimento de comida, água e madeira para consertos dos navios que por ali navegavam, entre as duas maiores cidades, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Segundo Zanata (1984), no período de 1534 a 1536, Portugal, para salvaguardar as terras brasileiras, criou o sistema de capitanias hereditárias, que eram porções de terras fatiadas do norte ao sul do Brasil, indo do litoral até o marco das Tordesilhas, doadas a senhores portugueses que tinham posses e que eram cristãos.
A Capitania que abrangia a Ilha era do senhor feudal Pero Lopes de Souza, denominada “Terras de Sant’Ana”. Após a morte de seu senhor, as terras ficaram abandonadas, e, como a capitania abrangia toda a porção sul, Portugal as teve novamente, por ser ponto estratégico de domínio da colônia.
Muitos senhores sequer vieram conhecer suas terras, ficando muitas capitanias ao abandono. Quando as capitanias eram repartidas em sesmarias e doadas a qualquer pessoa cristã, esta deveria povoá-las e colonizá-las. As sesmarias que não eram ocupadas eram devolvidas à Coroa, denominadas “terras devolutas” (NASCIMENTO, 1994).
O ano de 1726 foi o marco oficial de nascimento de Florianópolis, quando a Ilha se tornava vila e, mais tarde, era elevada à Freguesia de Nossa Senhora do Desterro. Todo dia 23 de março, a partir deste ano, comemora-se o aniversário de Florianópolis.
Os primeiros portugueses a se fixarem na Ilha foram militares, a fim de salvaguardar a nova freguesia. Mas, devido à falta de população, solicitou-se à Coroa que enviasse pessoas para o povoamento da região. De 1748 a 1756 os portugueses das ilhas da Madeira e dos Açores se candidataram a vir para a Ilha de Santa Catarina. Como os açorianos estavam em maior número, chegavam aqui com suas famílias e eram destinados a diversas freguesias. Os açorianos, em sua terra natal, tinham uma agricultura diversificada, favorecida pelo fértil solo vulcânico e condições climáticas diferentes. Mas, para sobreviver em terras arenoso-argilosas e clima quente e úmido, tiveram que se adaptar a uma agricultura também herdada dos índios, produzindo
principalmente mandioca. Além da agricultura, criavam gado, que também era utilizado no funcionamento dos engenhos.
Embora o mar fosse generoso na quantidade e qualidade dos pescados, a pesca não era atividade econômica para esse povo, pois não havia como armazenar o produto, nem mercado consumidor para tal. Somente nos idos de 1738 é que a caça à baleia passou a ter significação econômica para a Coroa Portuguesa, que detinha seu monopólio.
Conforme Alves (2002), no século XVIII, na praia do Pântano do Sul e Armação, houve grande expressão econômica com a caça à baleia-franca. Nessas praias faziam o cerco para caçá-las e as escarneavam. Na Praia do Matadeiro, derretiam a gordura da baleia em tachos e a transformava em óleo, que era o combustível da época. Atualmente, a caça à baleia é proibida, sendo a baleia-franca patrimônio natural de Santa Catarina. E em épocas de mar agitado, tende a aflorar nas proximidades dessas praias ossos de baleias, que às vezes rasgam as redes dos pescadores.
As terras começaram a ser preparadas para agricultura e pastagem. Mas há registros de que o desmatamento se iniciou muito antes, com a retirada de madeira para construção e reparos de navios e para a construção civil e mobiliária. Para isso muita madeira foi retirada. Conforme Caruso (1990), de 100% da cobertura vegetal original, calcula-se a retirada de 76% até 1983.
Na Bacia, a população caracterizava-se por pescadores, mas na localidade da Costa de Dentro e Balneário dos Açores cultivava-se a farinha de mandioca e o açúcar, e por ali desenvolviam o escambo.
Em 1894, a partir da Proclamação da República, Desterro passa a se chamar Florianópolis e, com a implantação da Ponte Hercílio Luz, em 1926, intensificou-se sua ligação com o estado, aumentando a ocupação da Ilha e incrementando as atividades administrativas e comerciais. Considerada um dos cartões postais da cidade, atualmente a Ponte está em reformas para ser utilizada apenas para tráfego de pedestres. Anos
depois, se construíram-se as demais pontes: Governador Colombo Salles (sentido Ilha- continente) e Governador Pedro Ivo Campos (sentido continente-Ilha), que são trafegáveis tanto por pedestres quanto por automóveis.
Com Florianópolis fortalecida como capital de Santa Catarina, com as facilidades de acesso à Ilha e seu interior, com a criação da Universidade Federal de Santa Catarina na década de 1960, com a oferta de transportes rodoviários e aéreos, com o turismo a partir da década de 70, entre outros, a ocupação urbana tornou-se mais acelerada, principalmente nesses últimos 40 anos.
Segundo Alves (2002), em 1975, a praia do Pântano do Sul começou a ser freqüentada por turistas. Em 1984, com a implantação da SC-405, o acesso ao sul da Ilha ficou mais facilitado, o que motivou o aumento populacional da Bacia.
Na porção sul da Ilha, ainda mantêm-se características rurais em transição para o urbano, mas também apresentam-se problemas ambientais devido à falta de um zoneamento de uso do solo adequado às características locais. As áreas alagadas do Pântano do Sul estão sendo utilizadas para pastagem e são alvo da especulação imobiliária. Nas proximidades da SC-406, nos meses chuvosos, essas áreas alagam, transformando-se numa enorme lagoa temporária, onde, antes da drenagem dos canais, existia a Lagoa das Capivaras. Infelizmente, a proposta do atual Plano Diretor para esta localidade não contempla a preservação total da área do banhado, que, mesmo com o aumento da área e da quantidade águas servidas para a crescente população, não há capacidade de escoamento, o que tende a aumentar as áreas inundadas.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Município de Florianópolis, a população da Bacia em agosto de 2003 era de 3.691 habitantes, que se distribuiam entre cinco localidades: Reta da Armação, Pântano do Sul, Balneário dos Açores, Costa de Dentro e Costa de Cima, como pode ser observado no mapa temático a seguir. A característica funcional da população da BHLPS é a seguinte: no Pântano do Sul é composta der pescadores, comerciantes, prestadores de serviços, funcionários públicos e artesãos. Na
reta da Armação, Costa de Dentro e Costa de Cima de prestadores de serviços, funcionários públicos, agricultores e criadores de gado. E no Balneário dos Açores de professores universitários, médicos, políticos, empresários e aposentados, que residem ou possuem casa de veraneio.