EMPIRIQUE ET HYPOTHÈSES
Section 3. Développement de la problématique et des hypothèses de recherche
3.2. Hypothèses de l’étude
3.2.3. Hypothèses liées aux variables contextuelles
De acordo com os estudos de Thun (1998), a Dialetologia Pluridimensional e Relacional pode ser entendida como a combinação da Dialetologia Tradicional e da Sociolinguística. Segundo Thun (1998), ela é caracterizada por analisar vários tipos de falantes de uma determinada língua, considerando os diferentes contextos, assim, não descarta em sua análise as variações que estão presentes em uma sociedade. Tendo como finalidade investigar não somente a dimensão espacial ou regional, como também a dimensão social de contextos internos e externos da língua, tendo como um de seus pontos de investigação a mudança linguística e línguas em contato.
De acordo com Thun (1998, p. 704), a Dialetologia Pluridimensional e Relacional é entendida como “[...] parte da ciência geral da variação linguística
19 No original: by a maximum of extra-linguistic variables (sex, age, profession, etc.) and a minimum of linguistic variables, frequently phonetic phenomena in limited quantity.
e das relações entre variantes e variedades por um lado, e falantes por outro lado"20. Desse modo, diferentemente da Dialetologia Monodimensional, que obtinha seus dados exclusivamente com a variação diatópica, deixando de analisar as diferentes variáveis extralinguísticas e da Sociolinguística que avalia diferentes dimensões em um só espaço, a Dialetologia Pluridimensional e Relacional nasce para investigar diferentes variáveis extralinguísticas em diversos pontos e localidades distintas de pesquisa fazendo uma análise e levando em conta a relação dos diversos pontos de pesquisa sobre os contatos linguísticos.
Conforme Thun (1998), interessa para a Dialetologia Pluridimensional e Relacional
as variedades mistas, os fenômenos de contato linguístico entre línguas contíguas ou superpostas de minorias e maiorias, de formas regionais, a variação diafásica (ou estilística), o comportamento linguístico dos grupos topodinâmicos (demograficamente móveis) contrastado com o dos grupos topostáticos (com pouca mobilidade no espaço), a atitude metalinguística dos falantes comparadas com seu comportamento linguístico, e outros parâmetros mais. (THUN, 1998, p. 706)21
A este respeito, destacamos a Figura 6 com o esquema que representa o espaço tridimensional criado pela Dialetologia Pluridimensional e Relacional elaborado por Thun (2005):
20No original: parte de la ciencia general de la variación lingüística y de las relaciones entre variantes y variedades por un lado y hablantes por el otro.
21 No original: las variedades mixtas, los fenómenos de contacto lingüístico entre lenguas contiguas o superpuestas de minorías y de mayorías, formas regionales, la variación diafásica (o estilística), el comportamiento lingüístico de los grupos topodinámicos (demográficamente móviles) contrastado con el de los grupos topostáticos (poco móviles en el espacio), la actitud metalingüística de los hablantes comparada con su comportamiento lingüístico, y otros parámetros más.
Figura 6: Espaço variacional e disciplinas da variação
Fonte: Thun (2005, p. 67)
No esquema elaborado por Thun (2005), temos na parte superior, à esquerda, a representação da Dialetologia Tradicional que trabalha com a dimensão diatópica, e a seu lado a Sociolinguística, com a estratificação social. O terceiro modelo, logo abaixo, engloba a combinação dos modelos anteriores, gerando o modelo da Dialetologia Pluridimensional e Relacional em que sua análise pode ser feita horizontalmente (A1, B1,..N1) e verticalmente (A1, A2,...) e por fim relacional (A1, B2...N4), relacionando os pontos. Nas palavras do autor,
[...] analisa relações de todos os tipos, não só as que unem os pontos da mesma superfície (A ↔ B) ou os que ligam os grupos de um mesmo eixo ᾳ↔ ), ẞ mas estuda também o vínculo entre os pontos de uma superfície e os pontos análogos de uma outra superfície (A1 ↔ B2 e A2 ↔ B2) e as relações entre pontos diagonais. (A1 ↔B2). (THUN, 2005, p. 68).
Do que foi exposto até o momento, e como já mencionado anteriormente, podemos destacar que a Dialetologia Pluridimensional e Relacional surgiu para contemplar em sua análise, diferentes variedades extralinguísticas fato que como visto antes não era preenchido pela Dialetologia Monodimensional e abarcando vários pontos ou localidades de pesquisa sobre
contatos linguísticos, característica esta deixada de lado pela Sociolinguística. De acordo com Altenhofen (2013),
O princípio da pluridimensionalidade permite organizar, o “aparente caos”. (...) ficando claro que a abordagem de migrações necessariamente implica a consideração de contatos linguísticos, obrigando o deslocamento do foco de análise de uma perspectiva monolíngue (centrada em uma única língua e variedade) para uma perspectiva multilíngue e multidivarietal (que abrange os contatos linguísticos de línguas e variedade distintas), porque estes constituem a situação mais comum de facto encontrada na realidade. (ALTENHOFEN, 2013, p. 45).
Por conseguinte, seguindo nessa linha, podemos dizer que mesmo tendo a língua portuguesa como língua oficial no Brasil são encontradas outras variedades, outras línguas, diferentes contatos linguísticos e a perspectiva teórico-metodológica da Dialetologia Pluridimensional e Relacional não descarta em sua análise esses aspectos. Segundo Cardoso (2002, p. 1), "a dialetologia apresenta-se, no curso da história, como uma disciplina que assume por tarefa identificar, descrever e situar os diferentes usos em que uma língua se diversifica conforme sua distribuição espacial, sociocultural e cronológica".
Dessa maneira, a Dialetologia Pluridimensional e Relacional pretende analisar a língua a partir de diferentes dimensões: diatópica, diastrática, diageracional e diassexual dentre outras dimensões, que serão abordadas posteriormente. Além disso, o novo modelo de análise relaciona e compara diferentes variáveis divididas entre dimensões e parâmetros, cada dimensão é formada pela combinação de dois ou mais parâmetros (THUN, 2010). Em relação à pluridimensionalidade, conforme Thun (2005, p. 70), “distingue-se entre as dimensões e parâmetros seguintes (sendo a dimensão a relação opositiva, na maioria dos casos binária de parâmetros definitórios como "geração dos jovens", "homens", estilo de leitura etc.”
Na sequência, apresentaremos a Quadro 2, exemplificando as dimensões e parâmetros abordados pela Dialetologia Pluridimensional e Relacional:
Quadro 2: Dimensões e Parâmetros abordados pela Dialetologia Pluridimensional e Relacional
Fonte: Thun (2005, p. 71)
Desse modo, como ilustrado no quadro 2, cada dimensão, também chamadas de variáveis extralinguísticas, refere-se a dois ou mais parâmetros. A seguir, iremos discorrer sobre cada uma delas.