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HYPOTHÈSES D'INTERVENTION ET ANALYSE DES SOLUTIONS

Dans le document MINISTÈRE DES TRANSPORTS (Page 39-43)

VALLEE-JONCTION, SD 1111'

5. HYPOTHÈSES D'INTERVENTION ET ANALYSE DES SOLUTIONS

Quando a organização iniciou suas atividades e era pequena, não existia um grupo de pessoas com a função administrativa. Em sala, cabia à professora a gestão, nas outras atividades, a professora e os pais tomavam decisões conjuntas e dividiam tarefas. A proprietária assumiu questões administrativas quando foi criada uma nova turma, mas continuou compartilhando as principais decisões com a professora. Com a nova ampliação de turmas, a proprietária saiu de sala de aula e assumiu a função de gestora da escola, ao mesmo tempo em que abaixo dela na hierarquia foi criado o colegiado (todas as professoras e auxiliares e a proprietária). Apesar da participação de todas as professoras e auxiliares no colegiado, fica claro que a proprietária pode tomar decisões sem consultar o mesmo, enquanto o contrário não pode ocorrer. Existe uma divisão de tarefas, mas relacionada à execução e não à decisão. Apesar da implementação da "gestão circular" é perceptível para muitas pessoas que existem graus de influência diferentes entre as pessoas para a tomada de decisão no colegiado, um dos aspectos é sobre a apropriação do conhecimento. Os pais, que no inicio participavam mais ativamente das decisões, foram gradativamente se afastando, o que coincide com o período de ampliação e formalização da escola como empresa privada.

Nos itens 4.2.3 e 4.2.4 há mais informações sobre como esse aspecto ocorreu no Jardim das Flores. Quando iniciou suas atividades, a escola não possuía uma pessoa ou um grupo de pessoas especificamente designado para atividades de gestão, pois eram poucas pessoas, que iam dividindo as atividades conforme iam surgindo e precisando ser feitas, com exceção para as atividades de sala de aula, que eram atribuição exclusiva da professora.

Durante o primeiro ano, em que Íris foi representante de sala, ela assumiu muitas atividades, como compra de insumos, comunicação interna e externa, recebimentos e pagamentos. Mas a tomada de decisão era conjunta (professora e pais), não existia hierarquia. Quando houve a divisão em duas turmas (maternal e jardim) no segundo semestre de 2012, Violeta além de assumir uma turma como professora, assumiu a parte “administrativa” da escola, embora compartilhasse com Tulipa a responsabilidade por tomar as principais decisões. Tulipa preferia se envolver mais com as decisões mais diretamente ligadas à sala de aula, por não se identificar com os demais assuntos. Durante esse período pode-se dizer que o grupo de pessoas com função administrativa incluía Violeta e Tulipa. A partir de 2015, com a saída de Violeta da função de professora, ela passou a ocupar a função de gestora da escola, sem ter mais ninguém no mesmo nível hierárquico. O colegiado ocupa o nível hierárquico seguinte, abaixo da posição de Violeta.

A visão dos entrevistados sobre quem participa da gestão da escola tem variações, mas de forma geral converge em torno do nome de Violeta. Algumas pessoas falaram da participação das professoras na gestão, mas com uma posição claramente distinta da de Violeta, pois a última pode decidir assuntos sem consultar o colegiado, mas o contrário não. Embora tenha havido uma divisão de responsabilidades quanto a alguns assuntos, como a comunicação da escola, essa divisão é mais quanto à execução do que quanto ao poder de decidir sobre os assuntos. Petúnia, uma das professoras, considera que há participação, mas não de forma igual: “eu acho que é todo mundo, mas a mais é [Violeta]”, assim como Azaléia, uma das auxiliares:

Eu enxergo assim, todo mundo e um dono. E tem essa coisa da gestão circular, tudinho, que ela fala, mas na minha cabeça, na prática o que eu vejo é todo mundo e um dono. Todo mundo fica sabendo, mas todo mundo fica sabendo, assim, numa forma bem mãe, e mãe não fala assim de todo jeito com seu filho, ela poupa, mas eu acho que esse... eu não gosto de ser tratado como filho pra coisas práticas, sabe? Porque até me sinto subestimada. Não tou dizendo que é o que acontece, mas esse tipo de comportamento, de gestão gera uma coisa em mim que eu não gosto (AZALÉIA, entrevista em agosto de 2015).

Um dos pais considera que existe uma função claramente diferente dos demais ocupada por Violeta, e está relacionada às obrigações legais que ela como proprietária assume:

[Violeta], por estar à frente, cabe a ela institucionalmente e socialmente decisões ou mais críticas ou decisões finais. Por exemplo, é criada uma estrutura de criação de ideias, de propostas, e por ela tá implicada administrativamente, financeiramente, se o nome de alguém for sujo no SPC vai ser o dela, vai ser o da instituição, enfim, ela tá mais implicada. É diferente de um pai tomar uma decisão... mas ele não é o pai daquela... o pai no sentido... o pai de um filho da escola tomar uma decisão, mas não é ele que vai tocar aquilo, vai se responsabilizar civilmente por aquilo. Então, acaba que institucionalmente falando quem é responsável civilmente acaba tendo que tomar decisões críticas ou a decisão final. Tipo, alguém constrói as decisões e ela: [“_não, é melhor essa!”], e essa pessoa, sem dúvida, é [Violeta]. É a que tem mais peso (GERÂNIO, entrevista em agosto de 2015). Uma das professoras (Magnólia) é vista como tendo um papel diferente das demais, como sendo mais escutada e consultada por Violeta. Durante a observação na reunião do colegiado isso ficou bem claro, pois essa professora conduziu toda a reunião, e assumia o papel de amarrar as contribuições para definir os encaminhamentos. Para Camélia, uma das auxiliares, isso se deve a uma maior experiência que a professora tem com a Pedagogia Waldorf, mas também a uma afinidade grande que ela tem com Violeta, por conhecê-la há bastante tempo, antes de ser professora no Jardim das Flores. Para Camélia “cabe também cada uma construir essa participação”, ou seja, ela enxerga como sendo algo que não depende apenas de Violeta conceder espaço para participação, mas também de cada pessoa se interessar em assumir um papel ativo no grupo. Tulipa, na entrevista, levantou algumas dificuldades para que as auxiliares participassem mais ativamente:

Acho que... não sei se é muito forte dizer todo mundo, mas eu acho que todos são convidados. Pelo menos esse era meu sentimento, de quem quiser participar participa. Ao mesmo tempo, é isso, a gente se perguntava muito se as condições para participação efetiva eram dadas. Porque tem isso. Não adianta você só querer que participe, mas eu não dou as condições pra que o outro participe. Eu quero que [Acácia] participe, mas eu não dou as condições dela se apropriar mais do conhecimento, dela conhecer mais o que é Pedagogia Waldorf. Então, eu acho que é isso, o espaço existia, mas que era preciso ainda amadurecer muito sobre esse sentido de participação. Porque senão, o que eu me vigiava muito e que a gente sempre conversava era pra ter o cuidado de não ser só uma consulta aos pais, senão se torna um espaço de mera consulta. Mas não é só chegar... [“_a gente tem opção A e opção B, decidam”]. Pra mim isso não é participação. Até é, mas é um nível de participação muito... enfim. Então, a gente se perguntava muito isso: [“_como é que a gente faz?”], porque a questão era que o dia a dia às vezes era isso o que a gente tinha que fazer, porque tinha que se tomar uma

decisão: [“_ e o que é que a gente faz? _não, mas...”], as famílias tinham também, porque dá trabalho participar, né? E aí as famílias também têm suas outras demandas e como era isso, sabe? Pra mim é muito complexo (TULIPA, entrevista em agosto de 2015).

Os motivos pelos quais tantos que são convidados não se envolvem mais são variados, e alguns foram apresentados anteriormente (item 4.2.3). Geralmente isso acontece por uma dificuldade de tempo e conciliação com o trabalho ou também por não acharem que têm essa obrigação, pelo fato da escola ser privada.

Muitos entrevistados veem a gestão da escola como algo em construção, com pontos indefinidos, inclusive sobre o papel de cada parte nessa gestão:

Assim, declaradamente, alguns têm funções aí né? Por exemplo, [Lavanda] é responsável pela comunicação, a secretária é responsável por todas essas atividades financeiras aí, de pagamento de mensalidade, cadastro de aluno, etc... A gente percebe que algumas pessoas têm essas funções específicas e o restante eu acho que não vejo como estando ainda tão estruturado... então acontece mais à medida que a demanda surge e [Violeta] vai vendo como resolver, em alguns momentos envolve alguns professores ou até alguns pais mas não é sistemático, não é sistematizado, em alguns momentos ela conversa com algumas pessoas ela envolve algumas pessoas (MARGARIDA, entrevista em agosto de 2015).

[...] assim, eu percebo por conversar com [Violeta] sobre a história da gestão participativa, por ouvir de professores ou de funcionários que assim como os pais não conseguem participar tão efetivamente quanto gostariam, os funcionários também não conseguem. Também já ouvi essa queixa assim, que eu acho que tem a ver com perfil da [Violeta], de ser mesmo assim centralizadora e de ter sempre que ter as respostas pra tudo, eu percebo que ela vê isso como um papel dela, de ter que ter as respostas pra tudo. Em alguns momentos essas respostas poderiam ser construídas coletivamente, seja com os professores ou seja com os pais. Mas tem essa abertura, tem essa boa intenção e tal, mas não é sistemático (MARGARIDA, agosto 2015).

Percebe-se que os pais que estão há mais tempo na escola se envolvem mais com a sua gestão, ou se envolviam mais antes e gradativamente foram se afastando, ao verem a escola crescer e ser formalizada como uma entidade privada. É interessante notar que algumas pessoas veem como positivo ter uma proprietária na posição de gestora enquanto outras não. No item 4.2.4 há algumas citações sobre a visão das funcionárias que demonstram isso. Para quem acha positivo, essa é uma forma de tornar as decisões mais ágeis e garantir que alguém estará zelando pelos interesses da escola, uma vez que os outros veem que isso torna a participação das pessoas mais limitada, pois no final das contas é Violeta quem responde

legalmente por tudo. Para quem acha negativo, existe um controle por vezes excessivo (ver item 4.2.4).

Em síntese, existe no Jardim das Flores uma intenção por parte de Violeta tanto de receber uma maior participação dos pais, quanto de fortalecer o colegiado como um “núcleo gestor”, que trata das principais questões tanto de rotina quanto esporádicas. Mas atualmente isso não está plenamente concretizado, pois o que aconteceu neste ano foi uma menor participação dos pais nas reuniões e na produção das festas, que estão muito mais sendo organizadas pelo colegiado. Quanto ao colegiado, percebe-se que ainda funciona muito com base no que Violeta decide ou não levar para a reunião. Embora exista espaço para incluir itens em pauta e para opinar em todos os assuntos, percebe-se de forma sutil que nem todos os membros sentem-se seguros em falar abertamente suas opiniões. Portanto, existe uma intenção de compartilhar a gestão, mas isso acontece de forma parcial.

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