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Hypercontractivité et inégalité de Sobolev logarithmique

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5.4 A la recherche de la meilleure constante

5.4.2 Hypercontractivité et inégalité de Sobolev logarithmique

Partimos de uma perspectiva enunciativa em diálogo com algumas noções da Análise de Discurso, para realizar o trabalho de análise de sequências enunciativas provenientes das tiras recortadas do livro em análise. Buscamos com isso mobilizar alguns conceitos importantes tais como memória discursiva e memória da língua, discutidos no capítulo II, para entrarmos na questão da presença de uma fronteira, a qual nomeamos fronteira enunciativa, que é constitutiva da identidade desse sujeito e o significa a partir de sua existência e de seu funcionamento. Entendemos por

fronteira enunciativa aquela que se constitui na enunciação de sujeitos afetados pelas línguas que enunciam. Trata-se de um modo de funcionar da língua, marcado pela passagem de uma língua para outra no ato de enunciar. A fronteira enunciativa acontece no plano do discurso, pelo funcionamento de línguas no dizer de um sujeito significado por essas línguas. Em nosso caso ocorre quando temos a passagem da língua portuguesa para a língua espanhola durante a enunciação.

Parcianello (2011, p. 94) aponta que esse modo de distribuir as línguas, falando nas línguas é que designamos de fronteira enunciativa. A fronteira enunciativa se constitui no plano do enunciar pela distribuição dos lugares do dizer na(s) língua(s), que o espaço de enunciação, a memória discursiva e a memória da língua instituem.

Esta relação que se estabelece entre o falante e as línguas constitui um espaço que Guimarães (2002) denomina de espaço de enunciação. Os espaços de enunciação são espaços de funcionamento de línguas, que se dividem, redividem, se misturam, desfazem, transformam por uma disputa incessante. São espaços habitados por falantes, ou seja, por sujeitos divididos por seus direitos ao dizer e aos modos de dizer (Ibid., p. 18). Esse espaço é então caracterizado como um espaço de relação entre línguas, entre falantes e entre línguas e falantes (Id., 2011, p. 23).

Ainda, segundo o autor (2011), o falante é a figura da enunciação determinada por esse espaço enunciativo. O falante só é falante enquanto falante das línguas de um espaço de enunciação específico.

A presença das duas línguas em um mesmo enunciado significa a permanência contínua do lugar do encontro, que pode ser o do conflito. A instabilidade também faz com que as línguas funcionem discursivamente em um constante processo de mistura. (p. 75). Sentidos de uma língua são apropriados pela outra língua e novos dizeres se constituem (Id., 2006, p. 75).

Com base no dispositivo teórico da Semântica do Acontecimento (2002), de Eduardo Guimarães, vimos que o sujeito tem seu dizer regulado pelo espaço de enunciação, o qual determina os lugares e os modos de dizer. As línguas, então, estão constituídas de sentidos que significam ainda mais quando se enunciam na fronteira, fronteira do transgredir e do integrar. (STURZA 2006a, p. 68-69).

Há a presença de outra língua que está explicitamente dentro do espaço enunciativo do português, que é o espanhol. Aí ambas compartilham um mesmo

espaço enunciativo fronteiriço. Identificamos formas de interferências de um sistema linguístico no outro, como ocorrência de alternâncias de códigos ou empréstimos lexicais. Do ponto de vista da enunciação, as sequências enunciativas descritas a seguir significam um modo de entrada de uma língua no espaço de enunciação da outra, fazendo surgir o que Sturza (2006a, p. 74) denomina de Espaço de Enunciação Fronteiriço. Esse espaço,

[...] é um espaço constituído pelo entre línguas, no qual se inclui o cruzamento de línguas. E o cruzamento é significado de dois modos: pela presença concomitante das duas línguas nacionais, em um mesmo enunciado, ou pelo resultado da mistura dessas línguas que se materializa em uma outra prática linguística.

Esse cruzamento das duas línguas resulta em um modo de circulação da língua espanhola no espaço de enunciação do português. Os sujeitos são distribuídos entre línguas, de acordo com Sturza (2010), de diferentes modos: falando cada um na sua língua; falando, às vezes, segundo a competência linguística, com alternância de códigos; ou utilizando uma mistura das duas línguas. Portanto, o espaço de enunciação fronteiriço é um espaço constituído por um conjunto de línguas, no qual se inclui a mistura das línguas. As relações entre as línguas se significam nesse espaço de enunciação fronteiriço de modo diferenciado em relação a outros espaços de enunciação.

Uma língua que funciona em estado de interface com a outra, pertencente a um conjunto de representações histórico-sociais e interculturais que as identificam como tal. Ao estarem condicionadas à presença uma da outra, essas línguas se organizam politicamente para significarem a fronteira nos seus variados aspectos. (STURZA; FERNANDES, 2009, p. 212).

Os sujeitos se significam ao moverem-se entre uma língua e outra, decorrentes de uma mobilidade social, atravessada pelas condições sócio-históricas que vão impondo a construção de uma nova territorialidade (STURZA, 2010, p. 85), um novo espaço constituído por um conjunto de línguas, no qual se inclui a mistura das línguas. Mistura esta que resulta da interface entre duas línguas em contato (português e espanhol), por ser enunciada desde esse lugar particular, por ser reconhecida na mescla, porque funciona para interagir com o outro (Ibid., p. 95), tal como vemos nas enunciações do personagem Tapejara.

Na fronteira, elas se enunciam de modo distinto, produzem sentidos para tal relação nas discursividades nas quais passam a representar a condição mesma do contato, que só pode se dar entre línguas que se aproximam enunciativamente, relação que entendemos como hierárquica e política (Ibid.).

Destaca-se, ainda, o papel da imagem como operador da memória social, responsável pela recuperação de discursos que, embora não formulados na materialidade da escrita, determinam efeitos de sentido do objeto discursivo. Assim, texto e imagem não podem ser dissociados em uma abordagem discursiva das tiras, pois juntos, formam os elementos para a constituição dos sentidos.

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