Durante o processo de construção desta dissertação, alguns métodos de coletas de dados foram utilizados para que embasassem as teorias que havia sobre a atuação das emissoras na web. Após a escolha definitiva da 96 FM como objeto de estudo para este trabalho, iniciou- se o processo para se obter as informações necessárias de como a rádio realizava seus trabalhos na rede.
Para iniciar este processo, começamos a coleta de dados a partir da observação da rádio na web. Por entender que o trabalho de pesquisa limitava-se à atuação da emissora apenas na internet, ficou decidido que a netnografia seria o método mais adequado para o desenvolvimento da pesquisa. No entanto, ao comparar com as literaturas que tratam sobre a temática, foram encontradas algumas terminologias que convergem na mesma abordagem, como, por exemplo, a etnografia virtual (HINE, 2000) e a webnografia, mas que acabam tendo a mesma ideia de pesquisa.
Ao se pesquisar o termo webnografia, foi encontrada a seguinte definição:
Neologismo criado no final dos anos 90 (net-etnografia) para demarcar as adaptações do método etnográfico em relação tanto à coleta e análise de dados, quanto à ética de pesquisa. Relacionado aos estudos de comunicação com abordagens referentes ao consumo, marketing e ao estudo das comunidades de fãs. Muitas vezes é descrita apenas como monitoramento de sites e grupos on-line, principalmente quando associada à pesquisa de mercado (FRAGOSO; RECUERO; AMARAL, 2013, p. 198).
A tomada da netnografia como base para a pesquisa tornou-se importante para entender a relação entre a web e a sociedade. Nesse processo, a internet acaba surgindo como uma tecnologia midiática geradora de práticas sociais e que consegue transformar a relação dos indivíduos com o meio no qual estão inseridos. Pesquisar a inserção da rádio na web acaba se tornando de extrema importância, pois se pode perceber que a convergência entre essas duas mídias transformou a forma como a sociedade consome a mídia tradicional a partir do seu novo conceito de interação com as novas tecnologias. Assim, a presença do rádio na internet transforma a vida cotidiana da sociedade e a sua forma de consumir o meio, fazendo com que o novo formato de transmissão se insira como um novo elemento cultural de consumo midiático.
A perspectiva da internet como artefato cultural observa a inserção da tecnologia na vida cotidiana. Assim, favorece a percepção da rede como um elemento da cultura e não como uma entidade à parte, em uma perspectiva que se diferencia da anterior, entre outras coisas, pela integração dos âmbitos on-line e off-line. A ideia de artefato cultural compreende que existem diferentes significados culturais em diferentes contextos de uso. O objeto internet não é único, mas sim multifacetado e passível de apropriações (FRAGOSO; RECUERO; AMARAL, 2013, p. 43).
Pensando nas apropriações, buscou-se entender como a rádio estava se apropriando das novas tecnologias. Para isso, iniciou-se um processo constante de análise da atuação da emissora na web, desde sua transmissão, passando pelo trabalho desenvolvido no site, até as postagens nas redes sociais. Como essa parte do trabalho não necessitava da presença física na emissora, ela foi realizada de forma remota, a partir de acessos ao site e às redes sociais da rádio. Esse foi o campo pesquisado em grande parte do trabalho. Assim, em vez de sair e visitar a empresa para a coleta de dados, a pesquisa foi realizada pelo computador ou, como sugere Evans (2010), o campo passou a ser um “texto em uma tela”. Ainda segundo o autor, na etnografia virtual, ou webnografia, como tratado neste trabalho, a noção de campo mudou, considerando o conceito aplicado às etnografias tradicionais, pois, hoje, com as novas tecnologias, pode-se fazer uma pesquisa de campo a quilômetros de distância do ponto pesquisado.
No entanto, mesmo com todos os aparatos tecnológicos, alguns detalhes não funcionam como deveria, como, por exemplo, durante a pesquisa realizada no campo virtual da emissora, só foi possível acessar os dados que são disponibilizados para todos os visitantes das mídias da empresa, alguns dados mais específicos, como números de acessos ao site e de visitas às redes sociais, que são enviados à rádio por meio de relatório mensal, não são acessíveis ao grande público e também não foi permitida a sua disponibilização por parte da empresa responsável pela coleta desses dados. Porém, mesmo com esse impedimento, a pesquisa foi realizada considerando apenas os dados disponíveis, o que já dava uma ideia do trabalho realizado pela emissora na web.
Terminada essa fase, iniciou-se mais uma etapa da coleta de dados – a entrevista. Ela foi dividida em duas formas, a primeira, de forma presencial, sendo, para tanto, necessária a ida à emissora para conversar com os profissionais que atuam e conhecem de perto o funcionamento diário da rádio. Aos profissionais que não puderam ser entrevistados pessoalmente, foi necessária a realização via e-mail pessoal, o que acaba não sendo o mesmo processo, pois o entrevistado tem a liberdade de limitar-se a responder o que lhe for conveniente, sem que tenha a pressão do entrevistador de já lançar uma nova questão para que seja desenvolvida uma resposta satisfatória ao que se deseja saber. Duarte (2012) traz uma questão pertinente quanto à realização da entrevista como técnica de pesquisa. Segundo o autor, são necessários alguns cuidados para que ela seja válida e possua resultados satisfatórios.
A entrevista, vista como técnica de pesquisa, entretanto, exige elaboração e explicitação de procedimentos metodológicos específicos: o marco conceitual no qual se origina, os critérios de seleção das fontes, os aspectos de realização e o uso adequado das informações são essenciais para dar validade e estabelecer as limitações que os resultados possuirão (DUARTE, 2012, p. 64).
Seguindo o conceito do autor, antes de realizar a entrevista, alguns pontos mereceram uma atenção, como, por exemplo, a divisão dos assuntos que seriam abordados com cada entrevistado, para que não houvesse repetição de tema e não aumentasse a dificuldade de análise do material colhido. Outro ponto foi definir um critério para os entrevistados. Nesse sentido, foram escolhidos apenas os funcionários que eram responsáveis, ou de alguma forma influenciavam na atuação da emissora na internet, ou seja, os profissionais que tinham propriedade para falar sobre o assunto, para que, assim, as informações colhidas fossem verdadeiras e que, de certa forma, combinassem com as pesquisas realizadas anteriormente no site e nas redes sociais.
Ao comparar as respostas dadas nas entrevistas e as observações feitas nos produtos digitais da emissora, percebeu-se que alguns pontos não batiam com o que era apontado na entrevista e a realidade apresentada no site, como, por exemplo, a programação da rádio on- line, no período que compreende das 19h às 20h, horário em que a emissora hertziana está transmitindo A Voz do Brasil, ao ser questionado sobre a programação nesse horário no site, o funcionário afirmou que era preenchido com o programa TOP20, que toca as músicas mais pedidas durante o dia. Entretanto, ao se observar o site da rádio nesse mesmo horário, percebeu- se que continuava a transmissão da emissora hertz, não havendo um aproveitamento do site com o preenchimento por outro programa mais alternativo. A entrevista foi importante para que houvesse essa discordância de informações, bem como a concordância em quase todos os aspectos.
Finalizada a parte de coleta de dados, deu-se início à construção da dissertação propriamente dita, visto que, já de posse das informações necessárias, ficaria mais fácil a produção escrita do trabalho. Portanto, as metodologias usadas durante a elaboração desta atividade ajudaram para que ela se solidificasse e fosse embasada de uma forma que as informações fossem encontradas e ficasse mais fácil chegar a um caminho de ideias para finalizar a pesquisa.
5 COMO ATUA E O QUE PRODUZ A 96 FM NA INTERNET
Nesta seção, serão apresentadas efetivamente as atividades desenvolvidas pela rádio Reis Magos – 96 FM na web. A emissora, que é o objeto de estudo desta dissertação, foi a primeira a operar em Frequência Modulada. Com o passar dos anos, a 96 ingressou na rede mundial de computadores e foi seguindo a evolução das tecnologias expandindo o seu poder de transmissão e a forma de interação com o seu público.
Esta seção também traz, em seu início, uma contextualização histórica da emissora, destacando fatos dos primórdios da rádio, as dificuldades e as inovações trazidas pelos diretores da empresa. Como continuação, é apresentada sua atuação no site, esta que foi a primeira experiência da rádio na web e posteriormente são verificadas as inovações e como a rádio se adaptou às mudanças, ingressando nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) e interagindo cada vez mais com os ouvintes.