9.3.2: TEST D’HYBRIDATION DE LA SONDE ARN NRE ET NRE
HYDRAR D CVFL A ET HYDRA R D CVFL B ?
A primeira tradução do texto materno selecionada previamente é aqui apresentada na amostra da versão em inglês intitulada The Yellow Emperor’s Classic of Internal Medicine, tradução de Veith (1973a) que foi revisada em 1965. O Nèijīng da versão de Veith, em 1949 foi publicado como primeira edição. A obra analisada será a reedição de 1973 (Veith 1973 a). A edição mais recente contém o prefácio de Ken Rose numa reedição feita em 2002, com o mesmo conteúdo da publicação de 1973. O texto foi vertido ao idioma em italiano em 2006, com a seguinte intitulação Testo Classico di medicina Interna dell’Imperatore giallo. Em português na versão de Veith (1973b), com o título “Nei Jing: O Livro de Ouro da Medicina Chinesa”. A versão teve sua primeira edição em Portugal, em 1949, feita pela editora portuguesa e não por Veith. Enquanto que, no Brasil surgiu, a primeira publicação retraduzida pela editora e não por Veith, somente no ano de 1972, após a revisão de Veith em 1965, a última reedição, até o momento, aconteceu sem revisão no ano de 2010.
II.2.1 Os Aspectos Formais da Versão de Veith
Nas obras vertidas ao inglês e em português por Veith (1973a, 1973b) encontram-se traduzidas apenas os primeiros trinta e quatro capítulos da primeira parte do Nèijìng, do Sùwèn. A autora traduz apenas os 34 capítulos por julgar suficiente para a comprensão da totalidade dos 162 capítulos da obra original. Ainda, ela escreve em forma de prosa, não versiva, segundo a amostra apresentada do Clássico Interno de Wáng Bing (762 d. C.), numa descontextualização da composição estética chinesa original. A tradutora Veith (1973a: 95), apresenta em inglês o título seguinte: Translation of the Huang di nei jing su wen “The Yellow Emperor’s Classic on the Internal Medicine”. Na versão portuguesa de Veith (1973b) retraduzida pela editora brasileira e não por Veith foi intitulada como a “Tradução do Nei Jing: O Livro de Ouro da Medicina Chinesa”. Enquanto que, na obra matriz há uma escrita com os
121 carcteres chineses, ausência completa de figuras ilustrativas. Não há pranchas parcial ou totalmente anatômicas. Porém, nas versões de Veith (1973a) encontram-se figuras extraídas de textos posteriores a obra primária chinesa. Tais figuras forma incluídas pela tradutora com finalidade de exemplificar a realidade antômica do conteúdo do texto. Porém, as ilustrações descontextualizam o conteúdo e forma do idioma materno do texto original, como nas ocorrências de ilustrações tardias, retiradas do livro de medicina chinesa I Tsung Pi Tu datado de 1575, pranchas anatômicas de textos ocidentais, como de Thiersant (1863), que constam nas suas versões em inglês e em italiano. Mas, as figuras na versão de Veith dexcontextualizam a obra original. Além, do aspecto formal das versões de Veith (1973a, 1973b) são analisados os aspectos fundamentais da sua tradução para o idioma inglês e português.
II.2.2 Aspectos Fundamentais da Versão de Veith
Conforme mencionado acima, a tradução inglesa de Veith (1973a) tem o título da obra do original em chinês, além de “reinventar” o termo “medicina interna” referente à especialidade da medicina ocidental estandartizada e moderna. Também, realiza uma tradução sob o estilo de prosa. A sua obra é precedida de uma Introdução ao Nei Jing “Introduction of Nei Jing”. A tradutora Veith menciona a fundamentação do conteúdo temático da obra como pertencente a uma “filosofia universal”, com base em Aristóteles. A tradução do seu Clássico revive um “sistema médico fomentado energeticamente na China”. Também, Veith comenta na nota de rodapé do seu prefácio, que obteve algumas traduções de Forke. No prefácio dela revisado em 1965, pela própria tradutora comenta que encontrou trechos de tradução do Nei Jing em Forke (1925: 250- 252). Ele foi sinólogo e orientalista alemão interessado nos clássicos chineses e os interpretou como filosofia naturalista seguindo uma interpretação de Forke pelo viés da filosofia aristotélica. Além disso, Veith obtém subsídios para a sua própria versão nas traduções de Legge da literatura clássica chinesa traduzida e comentada pelo sinólogo Legge (1891). Ele foi escocês e esteve em missão
122 protestante na China, traduziu os Clássicos Chineses.. Já, Legge, diferente de Forke interpretava os clássicos chineses numa visão cristianizada. Ademais, a autora baseia-se na sua tradução em Chavannes com os mesmos propósitos. (Veith 1973a: xiii-xiv). No setor de agradecimentos da obra, a autora Veith (1973 a: xvii) agradece ao Dr. Edward Hume, especialmente, a ajuda na tradução, na análise. Por isso, o incluiu nos seus comentários na sua versão ocidental do Nèijìng de Veith (1973: x) inspiradas em Hume (1876-1957). Segundo Huard (1969) ele foi médico, professor e missionário protestante na China, sinólogo, interpretava o pensamento taoísta numa visão cristã, bem como interpretava o mesmo como uma filosofia naturalista num viés aristotélico.
Ela, também, contou com a colaboração crítica na tradução do Nèijìng (762 d.C.) dos chineses nacionalistas Wong e Wu. (Veith 1973a: 3). A tradutora também se baseou nos escritos do médico clínico japonês Nakayama (1934). Numa visão híbrida de Nakayama (1934) da medicina ocidental moderna no Japão e da acupuntura modernizada japonesa; bem como se fundamenta nos comentários da sua introdução nas traduções do sinólogo e cônsul da França na China Morant (1939). Enquanto que, Morant com as suas traduções, anteriormente aprendidas no meio dos chineses nacionalistas e neo- confucionistas feitas com ajuda de letrados da China nacionalista, juntamente com traduções seguindo a linguagem científica, de acordo comos ideais franceses da época e contribui na composição de uma acupuntura “tradicionalista” francesa (Candelise 2008).
Dessa maneira, conforme apresentado acima, a tradutora Veith (1973a) escreve sobre os “fundamentos filosóficos na sua introdução ao Nèijìng” numa abordagem de filosofia natural num contexto aristotélico juntamente a uma visão cristianizada, assim, descontextualiza a assimilação temática da obra matriz influenciada pelo taoísmo. Veith (1973a: 10), cita a autora que seguiu os comentários de Hume e afirma que Lǎozǐ seria o fundador de uma filosofia naturalista. Sendo que, o dào foi por ela traduzido como o equivalente inglês Right Way ou “Caminho Certo”, afirmando que “o dào no seu papel dual como
123 o supremo regulador do universo”, como o criador do universo inteiro num curso imutável. Ela aceita a idéia de que “o Tao produz poderes sobrenaturais proveniente do mistério”. (Veith 1973a: 42). O curso do dào é mutável sem noção suprema sobre as coisas, e nem pertence a num tratado de filosofia, mas de medicina tradicional chinesa oriunda do pensamento taoísmo. Também, Veith (1973a) considera o yinyáng com base em Forke, “em dois elementos primários do universo, força, forma e substância”, num conceito de “divisão de substância e que são dois componentes de poder dual, o Yin e Yang como expressão de dualidade”. Em “contraste o Yang representa o positivo e o Yin o lado negativo concebido como entidades”. (Veith 1973a: 14). Nessa perspectiva Veith (1973a: 19) considera, ainda afirmando-se segundo Forke que wuxing pertence a “teoria dos cinco elementos interligados numa sequência de criação e de subgjugação”. Ainda, Veith (1973a) inclui conceitos no Nei Jing, que são dexcontextualizados sobre a anatomia e fisiologia, conteúdos do Nei Jing que ela admite pertencer a uma “medicina interna”, como na intitulação da sua versão. Mas, conceitos são produtos da filosofia e não do taoísmo e o conceito de medicina interna é estandartizado e modernamente científico, sem contexto no Nèijìng de Wáng Bing.
II.2.3 A Tradutora Veith das Versões Europeias do Nèijìng
De origem alemã a doutoura médica Ilza Veith muda-se juntamente com seu marido aos Estados Unidos, em 1937. De procedência profissional médica obtém seu PhD, em 1947. Após se inscrever no Hopkins foi a primeira a se doutorar em história da medicina. Após o falecimento do seu marido Hans Veith, a Dra. Ilza começa a carreira de docência na Universidade de Chicago na história da medicina especializada em psiquiatria e depois na medicina do extremo-oriente. Ela publicou trabalhos e artigos em revistas científicas, além de editar livros populares em co-autorias diversas de chineses da moderna China maoista (Huard e Wong 1969).
A versão do Nèijìng de Veith foi produto de sua tese de doutoramento no Institute of History of Medicine of the Johns Hopkins University. Escreve Veith,
124 no prefácio da sua versão inglesa do Nèijìng de Wáng Bing. Assim, possibilitou a bolsa obtida para sua pesquisa de doutorado com a tradução do texto chinês pela Rockefeller Foudation. (Veith 1973a: xi)
A seguir será discutida a tradução francesa por Ung e Chamfrault (1973), com seus aspectos formais e fundamentais da obra de recepçãp francesa e seus co-autores.