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LES HYBRIDES INFÉCONDS

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 107-110)

CHAPITRE III : LA FRAGMENTATION COMME EXPRESSION DE LA DÉFAILLANCE DÉFAILLANCE

B. LES HYBRIDES INFÉCONDS

Conforme Bueno (2000), dito de maneira simples, o feminismo contemporâneo apresenta-se como um movimento de igualdade entre os sexos, ainda que Hahner (2003, p. 25) aumente o raio de ação afirmando que “o feminismo abarcará todos os aspectos da emancipação das mulheres, incluirá as lutas coletivas conscientemente planejadas para elevar- lhes – social, econômica ou politicamente – o status, e irá concernir à consciência da mulher como ser humano e como ser social”.

Para Alves (2005, p. 9), o feminismo não tem como meta principal a homogeneização dos sexos, antes, a igualdade de condições, direito e prestígio social entre mulheres e homens, buscando uma reflexão e recriação da identidade de sexo sob uma ótica em que o indivíduo, independente de sua formação biológica ou orientação sexual, não seja obrigado a se adaptar a

modelos hierarquizados, e onde as qualidades femininas ou masculinas sejam atributos do ser humano em sua globalidade.

Para esta mesma autora, são ideias feministas da atualidade:

Que a afetividade, a emoção, a ternura possam aflorar sem constrangimentos e serem vivenciadas, nas mulheres, como atributos não desvalorizados. Que as diferenças entre os sexos não se traduzam em relações de poder que permeiam a vida de homens e mulheres em todas as suas dimensões: no trabalho, na participação política, na esfera familiar, etc. (ALVES, 2005, p. 9).

O movimento feminista vem buscando, de acordo com a realidade de cada sociedade, tecer reflexões e pôr em prática seus ideais, advogando que a hierarquia sexual não está relacionada a nenhum tipo de princípio biológico, mas, sim, a um processo histórico e cultural fundamentado em estereótipos e julgamentos arbitrários. Em vista de sua característica não- natural, essa ideologia pode ser transformada e mesmo anulada, mas apenas sob o efeito de uma mobilização em prol da quebra da ideologia dominante paternalista e do rompimento de modelos pré-fabricados de personalidades e atitudes, aos quais os homens são, forçosamente, adaptáveis. Assim, o feminismo moderno, ao invés de vitimizar as mulheres, luta contra a opressão dessas personagens sociais, buscando uma transformação social, econômica, política e ideológica da sociedade e a desconstrução de protótipos e de valores.

Louro (1997), ao tratar dos rumos pós-estruturalistas do feminismo, chama a atenção para as diferentes correntes feministas e crítico-feministas existentes, as quais, apesar da diferenciação metodológica na forma de análise do seu objeto de estudo, têm como tarefa comum a quebra de modelos preconcebidos e a baixa da secular superioridade masculina, seja pelos paradigmas marxistas, seja pela ótica da Psicanálise, ou de outras que surgirem, dependendo dos objetivos particulares pretendidos. Todos esses tipos de análises feministas, no entanto, vão de encontro ao argumento falacioso da superioridade biológica e natural do homem como forma de “justificar” a desigualdade entre os sexos.

Conforme Rago (2004), o olhar contemporâneo da crítica feminista se volta para a própria identidade da mulher, sendo já uma superação do momento de protestos e de luta por visibilidade, de forma que, no presente, já ser possível se falar em identidades femininas e em representações femininas. Com isso, vem-se progressivamente alcançando sucesso no desprestígio do discurso masculino, na noção patriarcal de família, no direito voltado ao homem, no discurso científico e religioso androcêntrico, de forma que “a associação estabelecida entre a origem e finalidade, que justificava a definição de uma suposta essência feminina a partir de uma missão para a maternidade” (RAGO, 2004, p. 33).

O feminismo contemporâneo não precisa mais valer-se de estereótipos de impacto, muito presentes no início do movimento, quando eram comuns figuras andrógenas ou masculinizadas, abrindo mão do corpo feminino na intenção de igualar-se aos homens, quando muitas integrantes trajavam-se como homens e apropriavam-se do modo masculino de existência, ou vestiam-se de forma a se opor à figura conservadora da mãe, tão enaltecida pela sociedade que segue os costumes patriarcais. De acordo com Rago (2004, p. 34), “no Brasil, principalmente, percebe-se uma mutação nessas atitudes e a busca de novos lugares para o feminino”, pois as feministas de hoje buscam “novas formas de feminilidade, de novas concepções de sexualização”. Com isso, o feminismo atuante na modernidade apresenta a figura de uma mulher sedutora, erotizada, sensual, independente e capacitada, que se opõe à fêmea santificada, e essa emancipação já passa a invadir o imaginário coletivo, adquirindo novos valores.

Badinter (2005), por sua vez, nota que o feminismo na contemporaneidade vem tratando bastante do tema da opressão feminina, ainda colocando a mulher como vítima de sua condição. Para ela, isso faz com que o movimento venha perdendo o enfoque de sua principal luta, ou seja, a igualdade entre os sexos, colocando no lugar de tal ideal a proposta de reinscrever homens e mulheres dentro da ideologia tradicional, marcado pela violência e pelo discurso da vitimização: “Entre a mulher-criança (a vítima indefesa) e a mulher mãe (em nome da necessidade da paridade), que lugar resta para o ideal de mulher livre com que tanto sonhamos?” (BADINTER, 2005, p. 150).

A mesma pesquisadora adverte que a condição da liberdade feminina perpassa pela desconstrução do conceito de natureza, adotando, ao invés disso, a noção de cultura como determinante no posicionamento da mulher na sociedade, ao invés de recorrer a expedientes biológicos. Logo, percebe-se que as novas perspectivas do pensamento feminista e de sua crítica são fluidas e inconstantes, pois, ora se tornam um tanto que extremistas, ora retrógrados, no sentido de se abordarem temas já superados na sociedade atual.

Conforme Weeks (2004, p. 41):

Ainda que a dominação masculina permaneça uma característica central da sociedade moderna, é importante lembrar que as mulheres têm sido ativas participantes na modelação de sua própria definição de necessidades. Além do feminismo, as práticas cotidianas da vida têm oferecido espaços para as mulheres determinarem suas próprias vidas. Têm se ampliado, a partir do século XIX, os espaços aceitáveis, para incluir não apenas o prazer no casamento, mas também formas relativamente respeitáveis de comportamento não-procriativo. Os padrões de privilégio sexual masculino não foram totalmente rompidos, mas há, agora, abundantes evidências de que tal privilégio não é inevitável nem imutável.

Nesse ínterim, a crítica literária baseada nos parâmetros feministas posiciona-se enquanto coerente com o feminismo marxista, contudo, adentrando a seara dos estudos contemporâneo, em sua tentativa de apresentar os resultados de um movimento heterogêneo em sua metodologia, porém homogêneo em suas bases. Para tanto, leva-se em consideração a existência de “feminismos”, com múltiplas correntes de pensamento e possibilidades interpretativas, além dos caracteres individuais de cada teórica estudada. Ainda assim, conforme Duarte (2003, p. 76), dá-se à crítica literária a oportunidade de buscar a “abolição de estereótipos socioculturais, alguns considerados naturais e imutáveis, bem como denunciar os preconceitos existentes num texto e apreender as imagens e símbolos associados ao signo mulher”.

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