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Dans le document Conflit en Afghanistan II (Page 175-191)

“A ideia é a essência da equipa e do seu treinador. A síntese e a vocação. (…) O idioma é o método que permitirá expressar a ideia no campo de jogo. É o conjunto de sistemas, atividades e princípios que, através do treino, devem ser empregados na implementação da ideia. Por fim, as pessoas. Por mais elaborados que sejam, ideia e idioma não poderão ser interpretados corretamente se os jogadores não estiverem dispostos a cooperar. Não se trata apenas de ter atletas adequados para pôr a ideia em prática, o que é

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imprescindível: é necessário que exista entre eles a predisposição para aprender os segredos do idioma, trabalhá-los e corrigi-los, sem hesitação. Ideia, idioma e pessoas formam conjuntamente o modelo de jogo e são fundamentais para o sucesso ou fracasso de um treinador.” – Perarnau (2014)

A enorme complexidade que o jogo de futebol comporta é tecida pelos acontecimentos, interações e acasos que ocorrem entre os sistemas em presença. No entanto, se os eventos e comportamentos fossem exclusivamente casuais e aleatórios, estaríamos impossibilitados de impor o nosso saber e a nossa vontade. Sem uma certa rotina, regularidade e “predictibilidade”, o jogo importar-nos-ia a uma série infindável de escolhas aleatórias, cada uma delas com consequências também aleatórias e tornar-nos-ia prisioneiros impotentes da sorte (Araújo e Garganta, 2002). Ainda que se trate de uma modalidade extremamente complexa, é possível identificar congruências com o jogo em si. Para que as equipas não sejam “prisioneiras impotentes da sorte”, é necessário que desenvolvam padrões de comportamento comuns, ou seja, um Modelo de Jogo.

No momento da construção do modelo de jogo a adotar para a sua equipa, o treinador, apesar de ter como ponto de referência a sua ideia e conceção de jogo, deve conseguir lidar com fatores importantes que afetarão o desenvolvimento do modelo de jogo. O treinador deve respeitar as questões culturais do clube, atender às características morfo-funcionais e socioculturais dos jogadores, bem como às condições climatéricas predominantes (Pinto e Garganta, 1996).

Na conceção de Mourinho (2001), no momento da elaboração de um modelo de jogo é importante conhecer:

• Organização funcional ou articulação dos princípios, subprincípios e sub- subprincípios estabelecidos nos momentos do jogo;

• Organização estrutural ou sistemas táticos;

• O clube em questão: características históricas, sociais e culturais; • A equipa e o respetivo nível de jogo;

21 • Realidade estrutural e financeira; • O calendário competitivo;

• Os objetivos a atingir.

Com o objetivo de implementar a sua ideia de jogo, cabe ao treinador fazer com que os jogadores entendam o jogo que a equipa “quer” jogar. Para modelar a atitude tática dos jogadores, deve ser montada uma metodologia de treino eficaz. Pretende-se a agregação de um conjunto de orientações, ideias e regras organizacionais de uma equipa, com o objetivo de a preparar para reagir à variedade de situações que surgem durante a competição. O processo de treino terá de ser equacionado tendo por objetivo o modelo de jogo, de forma a ser servido e a servir um determinado modelo de jogador (Lucas, Garganta e Fonseca, 2002).

Ou seja, o treinador deve procurar elaborar e adotar modelos que têm como principal função fornecer representações, através da enfatização de um conjunto de referências fundamentais ao nível da competição e do processo de treino. Os padrões de comportamento dos jogadores devem estar de acordo com os padrões idealizados pelo treinador, criando desta forma um conjunto de regras de ação e princípios de gestão do jogo que sejam entendidos por ambas as partes como os mais vantajosos na perseguição do sucesso desportivo. Apesar de tudo isto, em termos práticos nem sempre existe uma relação adequada entre o modelo de jogo preconizado e as ações que os jogadores e a equipa desenvolvem, quer no treino quer na competição (Araújo e Garganta, 2002).

Para Silva (2008), o processo de treino deve ser orientado por princípios que modelem o jogo no sentido de uma “concretização equilibradora entre o ser que joga e o jogo que é jogado”. Faria (1999) afirma que esse hábito de jogar de determinada maneira só poderá acontecer se os princípios do modelo de jogo estiverem claramente definidos, forem trabalhados de forma sistemática e evidenciarem uma ideia coletiva de jogo.

Casarin e Esteves (2010) acrescentam que o treinar deve ser perspetivado através de níveis de complexidade diferentes e crescentes, determinado por um padrão que evoluirá qualitativamente, tornando-se um hábito não estanque e

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mecânico. Essa ideia é reforçada por Maciel (2008) que afirma que o modelo de jogo deve ser entendido como algo em aberto e dinâmico, um aspeto determinante para que exista criatividade dentro do sistema. Existe um determinado padrão associado ao sistema, mas tem de existir um equilíbrio entre o que é mecânico e o que é dinâmico.

Neste sentido, Ribeiro (2008) sublinha que o treinador deve ter em mente que os seus jogadores possam ter ideias diferentes, isto é, de acordo com Silva (2008), uma “paisagem mental” diferente. E, portanto, Frade (2003) citado por Silva (2008) refere que “há a necessidade de se criar uma “paisagem mental” idêntica para todos eles, uma vez que o desenvolvimento de jogo tem de nascer, em primeiro lugar, na cabeça dos jogadores“.

Existe uma enorme panóplia de fatores que influenciam a construção do modelo de jogo, mas as ideias do treinador parecem ser as mais importantes para a idealização do modelo. Estas ideias têm é de ser válidas e relevantes, e estarem contextualizadas com a cultura de jogo, o modelo de treino e o modelo de jogadores pertencentes ao clube (Ferreira, 2019).

O Modelo de Jogo é algo em constante construção, ou seja, permanentemente inacabado. Frade (2004) deixa explicito que o treinador tem uma ação decisiva em todo processo evolutivo da equipa, já que aplica o seu conhecimento sobre o jogo e vai adquirindo diariamente novo conhecimento sobre a cultura do clube. Carvalhal et al. (2014), citado por Almeida (2016), afirma que o Modelo de Jogo “cresce, configurando um todo que é muito mais que a soma das partes, já que é algo utópico, podemos andar perto de atingir, mas nunca conseguimos, pois o mesmo está em constante evolução e reconstrução”.

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