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SON HUMANITÉ ?

Dans le document L'ÉMERGENCE DE LA PENSÉE SCIENTIFIQUE (Page 90-106)

Se analisarmos as OCEPE (ME, 1997) apenas encontramos referência explícita à criatividade, naquilo que se refere à autonomia dada ao educador, para alterar ou criar atividades que ponham em prática os conhecimentos indicados. Ainda em relação à Educação Pré-Escolar, no que diz respeito às MA (ME, 2010), os autores Santos e André afirmam “(…) o desenvolvimento da criatividade é algo que só se concebe explícita e predominantemente nas áreas das expressões” (2012, p. 43).

Por sua vez, no que diz respeito ao 1.º Ciclo, quer o PMEB (MEC, 2013), quer as MCEB (MEC, 2013) não apresentam qualquer referência à criatividade.

No entanto, há muitos estudos que referem a importância da criatividade e de o educador/professor ser criativo. Alguns dos quais analisaremos e teremos como referência nos estudos de caso efetuados.

Antes de mais importa salientar que criatividade pode tratar-se de um conceito bastante subjetivo, pois o que é criativo para uma pessoa pode não ser criativo para outra e vice-versa.

Pelo que, tal como em Soares e Costa (2015), neste relatório segue-se Z. Oliveira e Alencar (2008) ao usar a expressão “criativo” no sentido de ser capaz de criar estratégias que motivem os alunos e os levem a envolver-se nas aprendizagens, aprendendo e desenvolvendo-se de forma global. É também defendido na literatura da área que um professor criativo promove a criatividade nas crianças, competência de grande valor na sociedade atual.

Cavalcanti define o ser criativo como aquele que assume a “identidade do louco, do artista e da criança ao entregar-se aos impulsos de criação e ao lançar-se na realização do futuro” (2006, p. 90).

Segundo E. Oliveira e Alencar (2010, p. 380) existem diversos modelos que definem criatividade, nomeadamente a “Teoria de Investimento em Criatividade de Sternberg, o Modelo Componencial de Criatividade de Amabile e a Perspetiva de Sistemas de Csikszentmihalyi”.

Como nos diz Barriga (2012) muitas vezes quando ouvimos falar em criatividade, esta é associada às artes e a tudo o que elas envolvem. É essa a visão em (Santos & André, 2010, p. 43). No entanto para além do desenho, da pintura, do movimento, a criatividade pode manifestar-se na solução apresentada para uma

determinada situação. Segundo a autora a criatividade pode ser a criação de “estratégias e novas formas de ver o caminho com diferentes ângulos” (Barriga, 2012, p. 11).

Na perspetiva de Braumann “(…) a capacidade de criar está em todo o ser humano” (2009, p. 27). Dizendo-nos também que “(…) criar é o que existe de mais elevado na vida” (2009, p. 27), caracterizando-o como algo natural que utilizamos para colmatar uma falha na nossa vivência, quando algo não nos preenche ou não corresponde ao que necessitamos ou esperamos.

Criar pode, portanto, coincidir com aquilo que concebemos na ausência do que desejamos, ou com o que ajustamos quando o que existe não nos satisfaz. Pelo que, segundo Cavalcanti “(…) a criatividade tem a ver com uma das questões mais importantes do processo de humanização que consiste na caracterização do ser humano pela capacidade de desejar” (2006, p. 90).

São várias, as áreas, que dão enfase à criatividade, como tal, vários investigadores foram questionando a Educação, como a criatividade é posta em prática ou qual a atenção que lhe é prestada.

Alencar (2007) apresentou o modelo que podemos observar na figura 1:

Figura 1 - Modelo para o desenvolvimento da criatividade

Segundo o modelo supramencionado, o autor, depois de pesquisas realizadas na área, concluiu que os principais aspetos que condicionam o desenvolvimento da criatividade são: o domínio de técnicas e bagagem de conhecimento, as habilidades de pensamento, os traços de personalidade, o clima psicológico e a redução de bloqueios. Analisando o mesmo, pode dizer-se que para que exista um ambiente de aprendizagem favorável ao desenvolvimento da criatividade, devem ser evitadas barreiras, aprofundarem-se conhecimentos, valorizar-se os traços pessoais, as habilidades do

pensamento e promover um clima psicológico favorável. O mesmo autor defende que, para a promoção desse clima psicológico, é necessário confiar nas capacidades do indivíduo, apoiar e incentivar novas ideias que originam novas criações e ainda promover atividades que ofereçam oportunidades (Alencar, 2007, p. 46).

Também Nakatano (s/d) defende que existe um conjunto de condições que estimulam a expressão e o desenvolvimento da criatividade, tais como o processo, o produto, as pessoas e as condições ambientais envolventes. Todos estes fatores podem pôr em causa a forma como a criatividade é posta em prática, bem como a forma como os educadores/professores estimulam os seus alunos. Não basta o professor ser criativo, é necessário que seja capaz de estimular a criatividade dos seus alunos, com as atividades que desenvolve, ou da forma como o faz, muitas vezes por falta de conhecimento como podemos constatar no mesmo estudo (s/d, p. 7).

Ainda acerca daquilo que motiva a criatividade, Soares e Costa (2016) defendem que “(…) é importante que o professor seja criativo na sua prática e consciente do ambiente que rodeia os seus alunos, para que os possa estimular para uma aprendizagem mais criativa e interessante”. Significa isto que para além do ambiente de aprendizagem acima mencionado, muitas vezes associado ao espaço escolar, também o ambiente familiar é responsável pelo desenvolvimento ou pela inibição da criatividade, como podemos constatar em Homem, Gomes e Montalvão (2009).

Quando se fala em criatividade e tal como podemos confirmar em Santos e André (2012), no caso específico dos educadores (no caso da Educação Pré-Escolar), também eles percebem desde sempre a importância da criatividade, no entanto, por vezes não sabem como a podem pôr em prática. Tal leva a que também os educadores optem por trabalhar a criatividade nas áreas das expressões, sem que haja uma articulação entre as diversas áreas de conteúdo. Ou seja, também os profissionais de ensino, na sua generalidade, canalizam a criatividade para as áreas relacionadas com as artes.

É, no entanto, cada vez mais relevante que se trabalhe a criatividade com as crianças de modo mais alargado, visto que, as “(…) operações cognitivas no processo criativo e como estímulo da criatividade leva ao bom nível de desenvolvimento intelectual e à possibilidade de usar estratégias de pensamento que rompam com esquemas rotineiros” (Homem, Gomes & Montalvão, 2009, p. 41). Pelo que é importante, estimular a criança, desde os seus primeiros tempos de vida, tal como diz

Cavalcanti “(…) estimular os processos criativos desde a educação iniciada na primeira infância é possibilitar à criança o desafio de aprender a criar para crescer melhor, além de prepará-la para a vida nas suas múltiplas dimensões” (2006, p. 92). Podendo justificar-se a iniciação à criatividade nesta fase, segundo o mesmo autor, devido à criança possuir em si a curiosidade e desta ser inquietante.

Acrescentando que, para além de outros aspetos podemos reconhecer que a criatividade “(…) pode ser um elemento facilitador para a aquisição de conhecimento” (Cavalcanti, 2006, p. 95).

Num estudo realizado por Nakano, um conjunto de professores entende a criatividade como “(…) resolução de problemas, capacidade de improvisação, capacidade de criar e transformar o ambiente, achar soluções para os problemas do dia a dia” (s/d, p. 16). Esta visão mostra um pouco da mudança que se começa a sentir, para além daquela que liga a criatividade apenas às artes e a torna mais abrangente, também porque tal como diz Santos e André (2012), para além das características individuais ou da interação com os outros, os ambientes de aprendizagem são fundamentais.

A isto contrapõe-se a opinião de Alencar citado por Nakano, quando manifesta a sua opinião dizendo que embora a escola seja um ótimo local para estimular a criatividade, se assim se fizesse ir-se-ia contra aquilo que é comum e tradicional, para o que a escola não se encontra preparada (s/d).

Vemos, habitualmente, as escolas ditas formais, a fecharem as portas à criatividade, no entanto, tal como defende Cavalcanti, devemos procurar uma escola que possibilite “(…) uma formação global, mas [que atenda] às particularidades de cada ator envolvido no processo, sendo um espaço para as relações lúdicas e afectivas, capaz de privilegiar o crescimento humano de cada um” (2006, p. 93).

O educador/professor tem a capacidade de inibir ou reforçar na criança o seu interesse pela criatividade, como podemos constatar em Santos e André (2012), desenvolve na criança “(…) condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade” com “(…) atitudes positivas dos educadores [e professores] face às ideias, processos e produtos das crianças e a organização do ambiente educativo conducente e facilitador de livre expressão”. Por outro lado, “(…) é também nas atitudes dos profissionais, quando restritivas e autoritárias, e na rígida estruturação das atividades que encontram os elementos inibidores dos processos criativos” (2012, p. 45).

Deve, portanto, o professor ser capaz de ultrapassar todas as barreiras que surgem no seu caminho, para que possa influenciar as crianças para um contexto mais criativo. No entanto, tal como constatamos em E. Oliveira e Alencar, o professor “(…) faz parte de uma equipe de profissionais e, portanto, não está sozinho” (2010, p. 382). Ainda segundo o mesmo autor, os coordenadores pedagógicos têm um papel fundamental na “(…) construção de uma prática docente mais criativa” (2010, p. 383).

Será, portanto, importante a reformulação do existente modelo, ou a criação de um novo modelo de educação “(…) onde as pessoas encontrem motivação para aprender sempre e coragem para romper clichés, confrontar o passado e discutir o convencional e assumir o novo como condição para a realização do futuro, tal proposta passa pelo convite à criatividade” (Cavalcanti, 2006, p. 97). Para além das vantagens acima referidas, para o desenvolvimento da criança, também numa perspetiva mais adiante, se formarão adultos melhores, com base numa educação para a criatividade. Darão origem a adultos mais resolvidos e ativos na sociedade, não se conformando com o que lhe é imposto, sem que primeiro o possam questionar (Santos & André, 2012).

Porque segundo os mesmos autores nos nossos dias os adultos revelam atitudes que nos levam a concluir que não viveram a sua infância e não vivem os seus dias com fantasia ou criatividade. No entanto, não podemos culpar a 100% os educadores/professores, perante o que podemos observar nos dias de hoje, porque tal como nos diz Nakano, citando Alencar e Rodrigues (1978) ele próprio vem de um sistema de ensino tradicional, onde viu a sua criatividade a ser reprimida e muitas vezes também a sua formação o estimulou para uma educação tradicional (s/d). Talvez também por isso seja referido por Santos e André “(…) a necessidade de formação específica, teórica e prática, no domínio da criatividade” (2012, p. 46) que consigam colmatar a ideia de que a criatividade apenas possa estar relacionada com as artes.

No caso dos professores, para além do ensino a que vêm formatados desde os seus primeiros anos de escola, também os anos de formação seguem o mesmo método. Os professores do ensino superior têm receio de tornar as suas aulas mais criativas, onde se promova a criatividade, porque não querem correr o risco de serem considerados como “o louco da casa” (Cavalcanti, 2006).

Muito embora, segundo Santos e André (2012), existam alguns futuros professores que são estimulados durante a sua formação para uma prática criativa e até conseguem a partir daí fazer um excelente estágio. A verdade é que, após alguns anos

de prática, perdem esses hábitos, esquecem esses ensinamentos e passam a optar por práticas rotineiras.

No âmbito da sua formação importa também salientar que durante esse período, em especial na fase final do mesmo (correspondente a uma pós-graduação ou mestrado) para além da análise que, os futuros professores, fazem das suas habilidades e competências criativas, também valorizam as dos seus colegas e as dos seus professores. Tal atitude influencia e orienta os comportamentos do pós- graduado/mestrando (Alencar, 2002).

Para que o professor possa executar da melhor forma a sua prática, “(…) vale ressaltar a importância de investimentos na formação contínua” do mesmo, que possibilitem adquirir “(…) conhecimentos acerca das teorias sobre o fenômeno criatividade, fatores que contribuem para [a] sua expressão e estratégias para implementá-la no contexto escolar” para que se consiga “(…) uma prática educativa mais consciente e intencional que atenda às exigências da sociedade atual” (Oliveira, E. e Alencar, 2010, p. 391).

Nakano, depois de realizar o seu estudo afirma que a maioria dos professores em análise afirma ser um professor criativo e justifica-o pelo facto de “(…) estarem sempre buscando algo diferenciado para dinamizar a sua aula, atrair a atenção dos alunos e motivá-los à participação” (s/d, p. 18).

Outras vezes, podemos também considerar que o professor, avaliando as condições que lhe são dadas (nomeadamente o seu rendimento), acha que a sua criatividade não é valorizada, pelo que não tem que se preocupar com a mesma (Nakano s/d).

Se considerarmos outros estudos como por exemplo Alencar e Fleith (2003) podemos encontrar referência a várias barreiras que impedem a criatividade, como são exemplo a falta de tempo/oportunidade, a falta de motivação como concorda Nakano (s/d) e ainda outros aspetos como a inibição/timidez.

Embora os estudos analisados possam dar conta, de um grupo reduzido de profissionais criativos, esses demonstram um conjunto de características específicas.

Em primeiro lugar, deve salientar-se que “(…) o professor constitui-se elemento chave para facilitar o desenvolvimento do potencial criador dos alunos” (Oliveira, E. & Alencar 2010, p. 381).

Segundo E. Oliveira e Alencar (2010) existe um conjunto de categorias que caracterizam o professor como criativo, como podemos ver na tabela 1.

Tabela 1 - Características de um professor criativo (excerto da tabela 1 em (Oliveira, E. & Alencar, 2010, p. 386))

Categorias

Relacionadas com o desenvolvimento da prática

 Utiliza estratégias didáticas diferenciadas e inovadoras  Orienta e media a aprendizagem

Relacionadas com o aluno

 Valoriza as opiniões dos alunos  Consegue desafiar os alunos  Estimula a imaginação dos alunos  Desperta a curiosidade dos alunos

Relacionadas a atributos pessoais

 É pesquisador

 Domina o conteúdo a ser ensinado  É motivado e interessado

 É envolvido com o seu trabalho

Como podemos analisar na tabela acima, as categorias que classificam o professor subdividem-se em três grandes grupos. O professor criativo preocupa-se com as estratégias que elege para pôr em prática, da forma mais inovadora e interessante mediando e orientando a aprendizagem da melhor maneira. Um segundo grupo, reconhece o valor das opiniões das crianças, desafiando e estimulando a sua criatividade, bem como o despertar a curiosidade. Por fim, o terceiro grupo diz respeito à pessoa do professor e procura constatar se o professor é motivado, interessado, pesquisador, envolvido com o seu trabalho, atualizando-se e dominando os conteúdos a lecionar (Oliveira, E. & Alencar, 2010).

Para além da importância dada aos aspetos relacionados com a prática, importa também ter em atenção a importância de adaptar a aprendizagem dos alunos consoante as suas necessidades, para que daí para a frente, tal como diz E. Oliveira e Alencar, “(…) conforme as ações educativas que o professor for desenvolvendo, as intenções educativas serão estabelecidas” (2010, p. 387).

Segundo um estudo realizado por E. Oliveira e Alencar (2010), quando se procura uma justificação para a importância de o professor ser criativo, o aluno é o

principal motivo, o que mostra a preocupação “(…) com a construção de um ensino mais centrado no aluno, no qual sejam respeitados seus interesses, necessidades e habilidades ao longo do processo ensino-aprendizagem” (2010, p. 388).

Para além do aluno, o próprio professor justifica a importância de ser criativo, para que possa aprender mais com a sua prática, alterando aquilo que achar mais oportuno e refletir sobre as suas ações podendo manter o que assim entender.

Um conjunto de investigadores, nomeados por Z. Oliveira e Alencar (2008, pp. 297-298), como por exemplo Torrence (1987), Wechsler (2001, 2002), Cropley (1997, 2005), Fleith (2001) e Fleith e Alencar (2005), procuraram reunir as principais características de um professor criativo. De todas as características mencionadas pelos referidos investigadores, é relevante ter em conta que, o professor criativo deve ser um professor envolvido, ousado, curioso, ter autoconfiança e acima de tudo ser apaixonado pelo seu trabalho. Para além disso, o professor criativo deve ouvir os outros, estimular as crianças, criar ambientes positivos à criatividade, “quebrando paradigmas da educação tradicional”. É também importante que o professor motive os seus alunos, tenha em conta as suas opiniões, lhes proporcione diferentes atividades ajudando-os a encarar o erro como uma lição, incentivando-os a começar de novo.

Para além das características do professor, deve também o ambiente possuir características que incentivem à criatividade. Essencialmente deve ser criado um ambiente que propicie liberdade (Oliveira & Alencar, 2008).

Pode existir um leque de estratégias que possam levar a um ambiente sugestivo de criatividade, ambiente esse “(…) que dê chances ao aluno de ter experiências e vivências criativas, porém, a atitude do professor em sala de aula é fundamental para isso” (Oliveira & Alencar, 2008, p. 300). Quer isto dizer que até o próprio ambiente, que é muito importante para estimular a criatividade da criança, depende do professor e da sua criatividade.

Como tal, segundo Oliveira e Alencar, o professor

“(…) tem a responsabilidade de contribuir para a formação desses novos cidadãos [os alunos] da contemporaneidade, valendo-se da criatividade para dinamizar as suas aulas e fazer com que a educação seja vista como um componente da vida e do progresso do mundo”(2008, p. 304).

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