3. P EACE , HUMAN RIGHTS , AND GLOBAL EDUCATION
3.2 Human rights education
Tendo o conceito em mente, e de acordo com o desenvolvimento do trabalho, foi possível dar continuidade ao processo criativo, delineando soluções para as sinalizações através de ferramentas como: mapas mentais – buscando-se diferentes alternativas para as ilustrações – e um painel semântico – organizando referências visuais de desenhos produzidos por crianças e imagens/ilustrações infantis –; que possibilitaram a experimentação, a geração de alternativas e sua análise.
7.2.1 Mapas Mentais
O mapa mental é um tipo de diagrama, voltado a coordenação de informações e conhecimentos, que visa a compreensão e solução de problemas. Permite refletir exteriormente o que se passa na mente, organizando dessa forma os pensamentos e utilizando ao máximo as capacidades mentais (KEIDANN, 2013). Ao contrário do pensamento linear que se refere a sequencias, os mapas mentais se referem a conexões cuja representação visual, através de “saltos associativos”, ajuda a conduzir ideias, de acordo com Burdek (2006 apud CITOLIN, 2011, p.129).
Para a criação de mapas mentais deve-se primeiramente definir o tema central ou a palavra-chave (o assunto a ser abordado). Em seguida faz-se traços a partir do tema, que levam a outra palavra importante (subtema) para o desenvolvimento deste conceito. Para obter clareza e objetividade neste processo é importante utilizar diferentes cores e apenas uma palavra significativa por linha, selecionando dessa forma apenas os conteúdos relevantes para o desenvolvimento do raciocínio e aprendizagem.
Outro fator importante ao realizar mapas mentais, segundo Keidann (2013), é que o tema seja conhecido, para que se possa elencar os subtemas ao tema principal. Assim é possível, ao analisar um mapa mental, identificar várias ideias a respeito deste tema central, que “se entrelaçam e compõem o assunto”.
Brown (2010) descreve o mapa mental como uma estrutura visual que ajuda a explorar e descrever ideias de forma valiosa, sendo uma técnica do design thinker que contribui para o processo divergente de criar opões e para a fase convergente de fazer escolhas – o que faz com que um projeto “passe de um exercício estimulante de geração criativa de ideias a uma resolução.
Neste projeto os mapas mentais foram norteados por nove palavras-chave: os nove ambientes ao qual as crianças têm acesso diário dentro do espaço físico da escola de educação infantil (descritos no item 6.2), para os quais serão criadas as peças de sinalização (figura 25).
Figura 25 – Mapas mentais dos ambientes escolares Fonte: A autora (2018).
7.2.2 Painel Semântico
O painel semântico é um quadro de referências visuais, que torna possível unir ideias criativas de estilo, cores, formas, cenários, texturas, etc., que estejam relacionadas e que representem o conceito visual do projeto – sendo um painel que traz à tona sua atmosfera. Geralmente são realizados após delinear-se um caminho inicial para o projeto, neste caso com o auxílio das ideias geradas pelos mapas mentais – ideias de elementos, representações e cores.
Segundo Rodrigues (2015), o objetivo é expressar a semântica pretendida para as ilustrações e sinalizações, e para isso a procura manteve o foco no universo infantil – para que as referências coletadas pudessem produzir um projeto de design que se relacione com o público a qual se refere. Dessa forma criou-se dois painéis: de ilustrações digitais (figura 26) e de grafismos infantis (figura 27). Os painéis contemplam as características presentes nas ilustrações infantis (indicadas no capítulo 4) e nos desenhos infantis.
Figura 26 – Painel semântico ilustrações digitais Fonte: A autora (2018).
Figura 27 – Painel semântico grafismos infantis Fonte: Coletado pela autora (2017).
O grafismo infantil é uma referência importante no que diz respeito a linguagem representativa infantil, pois demonstra como as crianças assimilam e simbolizam graficamente algo que já conhecem ou que tenham vivenciado, de acordo com Weizenmann (2015).
Através de desenhos coletados em uma das escolas foi possível fazer algumas constatações, como: a presença de cenários completos – as crianças utilizam diferentes elementos para compor a cena (casa, janelas, portas, nuvens, sol, pessoa, vegetação, entre outros); formas derivadas das formas geométricas básicas (quadrado, círculo e triângulo); figura humana – usam recursos para diferenciar os sexos, como as roupas geralmente associadas a cada sexo e os cabelos, logos para o sexo feminino e curto para o masculino; e a humanização de objetos, como a representação do sol que apresentam elementos faciais. Outro aspecto marcante nos grafismos é a possível representação oriunda de influência dos adultos ou de figuras estereotipadas com a qual tiveram contato, ou como foram ensinadas a desenhar,
uma vez que na realidade os formatos das nuvens, casas, do sol, personagens de “palitinhos, não representam a realidade visual (WEIZENMANN, 2015).
7.2.3 Experimentação
A partir da conceituação do projeto, assim como o caminho inicial traçado pelos mapas mentais e pelos painéis semânticos, pode-se iniciar as experimentações dessas ideias, os esboços tanto das ilustrações (figura 28), como do modelo físico (figura 29).
Figura 28 – Esboços das ilustrações Fonte: A autora (2018).
Figura 29 – Esboços do sistema físico de sinalização Fonte: A autora (2018).
Os esboços permitiram o estudo desses diferentes elementos, tanto de ilustração como de constituição física das peças de sinalização – que priorizaram a adaptação ao público infantil sobretudo na questão da altura das sinalizações, sem esquecem sobre a ambientação no espaço escolar.
Em seguida teve início o processo de vetorização no software Illustrator13, que possibilitou a experimentação – a partir da criação de diferentes personagens, elementos (objetos) e elementos secundários (adornos) – das cores, formas e composições das peças de sinalização, como demonstra a figura 30 (a seguir). Estes componentes foram idealizados, seguindo as características necessárias e desejadas das ilustrações infantis, a partir das referências coletadas e dos esboços feitos. O objetivo era, através da combinação dos personagens e elementos, retratar os objetos, atividades e condutas condizentes com o espaço a ser representado.
13 O Illustrator é um programa de criação vetorial, desenvolvido pela Adobe. Os vetores são
desenvolvidos por meio de pontos, linhas e formas, aos quais pode-se atribuir diferentes estilos de traço e preenchimento. As imagens vetoriais não perdem qualidade ao serem aumentadas ou diminuídas, possibilitando a impressão em diversos tamanhos. Disponível em: <http://www.impacta.com.br/blog/2017/05/15/criacao-saiba-quando-usar-o-photoshop-illustrator-e- indesign/>. Acesso em: 02 abril 2018.
De acordo com Lidwell (2010), nesta etapa de criação, deve-se utilizar também os “fatores de fixação”, para aumentar o reconhecimento, lembrança e compartilhamento espontâneo de algo, através da simplicidade, da surpresa (conter um elemento surpresa para chamar atenção), concretude (informação específica e concreta), da emoção e história (ideia expressada num contexto de uma “historinha”).
Figura 30 – Primeiras ilustrações vetorizadas Fonte: A autora (2018).
Unido a esse cenário, de idealização da parte prática projetual, estão os conceitos do design thinking, que teve seus três critérios – praticabilidade, viabilidade e desejabilidade – aplicados, para a criação da nova estratégia de sinalização e do modelo inicial proposto (figura 31). A praticabilidade e viabilidade em uma orientação espacial através de um sistema de sinalização horizontal (que será melhor explicado no item 7.3). A desejabilidade em uma informação concebida segundo critérios de
legibilidade, visibilidade, compreensibilidade, estética, cor e forma, que atende o público-alvo e o cliente – a escola – (melhor explicados nos subitens do item 7.4).
Figura 31 – Proposta inicial do modelo de sinalização Fonte: A autora (2018).
Nesta etapa também foram feitos mockups14 para ajudar na análise, assim como na escolha do local no qual seriam aplicadas as sinalizações (figura 32).
Figura 32 – Mockups da proposta inicial aplicados em ambientes escolares Fonte: A autora (2018).
7.2.4 Análise da alternativa
Para se chegar ao melhor resultado possível neste projeto, a proposta inicial foi submetida a uma análise por especialistas, tanto da área educacional – duas professoras e duas pedagogas (as mesmas entrevistadas para a pesquisa de campo) –, quanto da área de design gráfico – três designers que trabalham com ilustração, tipografia e com projetos de sinalização.
Foi apresentado a eles a proposta inicial (figura 31) e os mockups (figura 32). Para que a consulta ocorresse de forma mais clara e objetiva foram elaboradas quatro perguntas abertas: (1) O sistema cumpre seu objetivo de sinalizar os ambientes para as crianças? (2) Qual a melhor solução de sinalização (horizontal ou vertical)? (3) As peças estão de acordo com os ambientes? (4) Quais mudanças você sugestiona serem feitas? E o que deve ser mantido?
Com os documentos gerados – respostas dos entrevistados – foi feita uma análise documental que, segundo Bardin (1977), tem objetivo de representar seus conteúdos sob forma diferente do original – mais breve, sintetizada –, para facilitar ao
14 Modelo em escala de um projeto, usado para demonstração, avaliação de design, promoção e outros
propósitos. Um mockup é um protótipo que permite o teste de um projeto, apresentando parte de sua funcionalidade. Disponível em; < http://blog.creativecopias.com.br/mockup-para-que-serve/>. Acesso em: 04 abril 2018.
pesquisador o acesso aos dados, a sua consulta e referenciação, também obtendo assim o máximo de informação com o máximo de pertinência.
De acordo com Bardin (1977), em entrevistas as respostas de questão aberta são frequentemente analisadas tendo o tema como base, ou seja, é feita uma análise temática, através da qual identifica-se “núcleos de sentido” – questões que apareceram com frequência – e que, no presente trabalho, foram englobados, de acordo com a relevância para a pesquisa, nos seguintes tópicos:
Funcionalidade do sistema de sinalização
Os especialistas concordaram que o modelo proposto era uma ótima alternativa para as escolas que não possuem um sistema adequado para as crianças.
Aplicação do sistema
No que diz respeito as possíveis aplicações do sistema:
1. Horizontal – três educadores e dois designers elegeram tipo de sinalização. As educadoras alegaram que as crianças interagiriam melhor com o sistema – gostariam de pisar, sentar, tocar e brincar com ele –, uma vez que nessa fase eles andam prestando atenção ao chão, nos seus pés. Outro ponto importante é que, nas duas escolas visitadas, utiliza-se os espaços ao lado das portas ou até mesmo nelas, para expor trabalhos produzidos, ou enfeites. Os designers completaram que como a sinalização tem muitos elementos e cores, é interessante trabalhar com elas no piso, para não “poluir” visualmente o espaço, já que as paredes têm mais visibilidade – o que acabaria sendo um problema e não uma solução, ainda mais se a escola já possui um sistema de sinalização “clássico” ou se utiliza esse espaço com outra finalidade.
2. Vertical – A educadora escolheu esse meio, pois segundo ela, ele está mais em destaque. E além disso, ela apontou que estando no campo de visão das crianças torna-se algo “especial” para eles dentro da escola. O designer opinou que com para uma escola que ainda não possui um sistema de sinalização esta seria a melhor maneira também de criar uma identidade para a escola.
Características relevantes (positivas e negativas)
De acordo com as reflexões dos profissionais consultados, as ilustrações condizem bastante com os ambientes escolares, no que diz respeito as funções e
características deles. O caráter lúdico, assim como o estilo da ilustração, é adequado para a compreensão das crianças, uma vez que estão dentro do que já estão habituados e conhecem, através dos livros, de figuras, de desenhos animados, filmes, etc. Os personagens agradaram, por terem personalidade, por serem alegres e coloridos e por estimularem a imaginação, assim como a interação social.
Porém, chamou-se atenção para alguns aspectos dos personagens e objetos, como: exprimir mais movimento, trabalhar com diversidade – de tons de pele, cabelo, olhos, roupas, etc. –, na ilustração do refeitório utilizar alimentos saudáveis e que fazem parte da dieta nutricional escolar – como legumes, verduras e frutas –, nos elementos utilizar contorno – para que possa ser separado melhor das cores de fundo. Em questão das cores, foram elogiadas por serem alegres e vivas, porém elas deveriam ser mais contrastantes (entre o fundo e as composições). Outro aspecto comentado é que as ilustrações deveriam ter mais espaço dentro das peças do que as palavras (uma vez que elas não são o foco). Sobre a tipografia, apontou-se que ela era interessante para o seu contexto, porem quando havia mais de uma palavra a composição acabava perdendo a legibilidade.
As informações geradas pelas conversas com os especialistas foram de grande valia, para que a proposta inicial pudesse ser adaptada, de acordo com as observações feitas, ajudando na tomada de decisão sobre o modo de aplicação do sistema, e também na construção do modelo final.
7.3 SISTEMA FÍSICO
Em um projeto de sinalização interna existem diferentes alternativas físicas para sua aplicação, que dependerão de fatores de comunicação, de circulação e fluxo do ambiente, de usuários, entre outros. Para este projeto, considerou-se duas possibilidades: a vertical (placas no plano vertical) e a horizontal (indicação informativa no piso).
Como premissa deste trabalho está a adequação do sistema para crianças de ensino infantil, pensando-se inicialmente na questão de suas alturas e campo de visão, uma vez que as sinalizações – de acordo com o manual de sinalização escolar produzido pelo MEC (s.d) – são localizados em alturas de 1,75 metros do chão (na parede ao lado direito da porta) ou a 2,20 metros (acima da porta), não se adequando
assim a linha de altura visual destas crianças, que é aproximada a sua estatura (figura 33).
Figura 33 – Infográfico de estatura média de crianças entre 0 e 6 anos de idade Fonte: A autora (2018).
Além disso, sobre a apresentação das informações, de acordo com Iida (2005), ao deparar-se com informações de orientação em expositores verticais as pessoas geralmente fazem o “rebatimento mental” dessas no piso, para orientar-se melhor pelo espaço. Porém este é um raciocínio espacial complexo, que pode ser facilitado e melhor indicado se houver essas informações no chão, coincidindo com as orientações já existentes no espaço.
Levando estes argumentos em consideração, junto com os conceitos do trabalho – de criar um modelo que também possa ser adaptado as escolas que já possuem um sistema convencional, pensando (estrategicamente): na praticabilidade, de solucionar o problema de maneira funcional e que pode ser aplicada rapidamente; na viabilidade, de se ter um custo baixo de produção; desejabilidade, em atender as necessidades das crianças e da escola – e da análise dos especialistas na proposta inicial, optou-se por criar o sistema de sinalização horizontal, para ser aplicado no
piso, nas entradas dos ambientes, ou na posição que a escola julgar melhor no espaço.
Com esta decisão e as sugestões de melhoria feitas na etapa anterior, tornou- se possível finalizar o projeto, resultando na proposta do sistema de sinalização voltado as crianças de ensino infantil.