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Dans le document Avis 49.712 du 12 juin 2012 (Page 71-81)

A carta de risco geológico é um instrumento que apresenta a distribuição, o tipo e o grau dos riscos geológicos, objetivando a definição de medidas de prevenção de acidentes. No Brasil, a elaboração de cartas de risco teve início na década de 80, com o aumento do registro de ocorrências nos grandes centros urbanos. Brito e Oliveira (1998) destacam que naquele período os serviços de cartografia de risco incluíram-se dentre as atividades mais procuradas no campo da Geologia de Engenharia.

A elaboração da Carta de Risco pode ser subdividida em três etapas: o levantamento de dados básicos do meio físico e antrópico; o mapeamento de campo e a representação cartográfica (BRITO e OLIVEIRA, 1998). Por representar a distribuição do risco em áreas ocupadas, as cartas de risco podem auxiliar no planejamento de infraestrutura ou na delimitação de áreas para intensificação dos trabalhos de orientação à população, desenvolvidos por agentes de Defesa Civil.

A existência do mapeamento geotécnico permite uma classificação do território em termos das expectativas gerais de comportamento do terreno para utilização em possíveis projetos de engenharia ou implantação de ocupações ordenadas planejadas. Oliveira (2009) coloca que a carta geotécnica de um meio urbano deveria ser o documento a ser respeitado para minimizar os acidentes relacionados aos escorregamentos (e outros processos), uma vez que dita as regras de suporte às construções.

O Manual JTC-1, em apoio à elaboração de zoneamento de escorregamentos para obtenção de planejamento regional, local e de sítio específico, coloca algumas recomendações

básicas para tal atividade, os tipos e níveis de detalhamento do zoneamento e a escala dos mapas. O JTC-1 recomenda que os relatórios de zoneamentos de escorregamento incluam a descrição da área (geologia, geomorfologia, hidrologia), os tipos de escorregamento e o contexto nos quais eles são produzidos.

Quadro 3.2 - Principais termos citados pelo manual do JTC-1.

TERMO CONCEITO

Escorregamento O movimento da massa de rochas, cascalhos ou terra (solo) que desliza em uma encosta.

Escorregamento ativo

Um escorregamento que está em movimento no momento; este pode ser um primeiro movimento ou uma reativação.

Escorregamento

reativado Um escorregamento que se torna ativo outra vez após estar inativo. Inventário de

escorregamento

Um inventário do local, classificação, volume, atividade, data de ocorrência e outras características de um escorregamento em uma área.

Susceptibilidade de escorregamento

Uma análise quantitativa ou qualitativa da classificação, volume (ou área) e distribuição espacial de escorregamentos que existem ou podem ocorrer em uma área.

Elementos em risco

A população, prédios e construções, atividades econômicas, serviços públicos, outros tipos de infra-estrutura e valores do meio ambiente na área que é potencialmente afetada pelo perigo do escorregamento.

Vulnerabilidade O grau de perda para um dado elemento ou grupo de elementos dentro da área afetada pelo escorregamento.

Risco

uma medida da probabilidade e severidade de um efeito adverso à saúde, propriedade ou meio ambiente. O risco é frequentemente estimado pelo produto da probabilidade de um fenômeno de uma dada magnitude multiplicada por suas consequências.

Zoneamento

A divisão do solo entre áreas homogêneas ou domínios e sua classificação de acordo com graus de susceptibilidade de escorregamentos reais ou em potencial, perigo ou risco ou aplicabilidade de certas regulamentações ligadas ao perigo.

A elaboração de mapas de zoneamento de escorregamentos deve ser baseada na escala adequada ao seu objetivo, permitindo a visualização das informações necessárias ao nível de trabalho desenvolvido. De acordo com as recomendadas do JTC-1, o Quadro 3.3 apresenta de forma resumida as recomendações de escalas de mapas e inventários de escorregamentos de acordo com a sua aplicação.

Oliveira (2009) coloca que o zoneamento é função do objetivo para os quais é elaborado. Se possuir caráter preventivo, que evite a ocupação de pessoas, bens ou certas atividades, o mais adequado é um zoneamento dos graus de susceptibilidades ao risco. Porém, se a intenção é aplicar medidas corretivas ou minimizadoras de danos, um zoneamento de riscos será o mais indicado. É importante ressaltar a necessidade de atualizações das cartas utilizadas no estudo de risco, considerando-se a dinâmica inerente às modificações locais na área de estudo.

Quadro 3.3 – Recomendações de uso de escalas de mapeamento de zoneamento e suas aplicações Descrição

da Escala

Variação Indicativa das Escalas

Exemplos de Aplicação do Zoneamento

Áreas Típicas de Zoneamento

Pequena < 1 : 100.000 Inventários de deslizamentos e suscetiblidade para informar tomadores de decisões e público em geral

> 10.000 quilômetros quadrados Média 1 : 100.000 a 1 : 25.000

Inventários de deslizamentos e zoneamento de suscetiblidade para construções regionais, ou projetos de engenharia de grande porte. Mapeamento de perigo de nível preliminar para áreas locais.

1.000 - 10.000 quilômetros quadrados Grande 1 : 25.000 a 1 : 5.000

Inventários de deslizamentos, zoneamento de perigo e suscetibilidade para áreas locais, zoneamento de perigo de nível intermediário e avançado para obras de desenvolvimento regional. Zoneamento de risco de nível preliminar a intermediário para áreas locais e estágios avançados de planejamento de projetos de engenharia de grande porte, estradas e ferrovias.

10 - 1.000 quilômetros

quadrados

Detalhada > 1 : 5.000

Zoneamento de perigo e risco de nível intermediário e avançado para áreas locais e sítios específicos e para a fase de design da construção de estruturas de engenharia de grande porte, estradas e ferrovias.

Muitos hectares ou dezenas de quilômetros quadrados Fonte: JTC-1

Clerici et al. (2002) ao comentarem sobre as cartas de suscetibilidade, mencionam que estas cartas apresentam um modelo conceitual comum, que consiste de:

 mapeamento de escorregamentos já ocorridos (inventário);

 mapeamento dos fatores geoambientais, que influenciam direta ou indiretamente a estabilidade das encostas;

 estabelecimento da correlação entre os fatores geoambientais (litologia, forma das encostas, declividade, etc.) e os escorregamentos antigos e recentes;

 classificação das unidades de paisagem em diferentes graus de susceptibilidade, com base nas relações identificadas.

Importante destacar que o ordenamento do território urbano e o planejamento ambiental, necessitam de conhecimento detalhado das condições existentes, retratados em mapas com escalas que permitam adequadas interpretações.

O mapeamento da vulnerabilidade, suscetibilidade e risco a deslizamento e erosão aqui apresentados foram desenvolvidos na Escala 1:10.000. A escala de trabalho em campo foi de 1:2.000.Os mapas produzidos para o Projeto a que está vinculado este trabalho foram apresentados na escala citada. Para efeito de melhor visualização das informações ao longo desta dissertação, as escalas foram alteradas, permitindo assim identificar os dados obtidos para cada um dos subsetores no formato da impressão de papel tamanho A-4.

Dans le document Avis 49.712 du 12 juin 2012 (Page 71-81)

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