A estrutura de interoperabilidade tecnológica tem que ser implementada com base num conjunto convergente de tecnologias, standards e políticas. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Pode dizer-se que neste momento, a nível de tecnologias de comunicação o mercado está estável, podendo considerar-se em estado maduro. Existem standards, que asseguram a transferência de pacotes de dados entre os subscritores de forma fiável e segura. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
A estrutura de interoperabilidade pode ser definida utilizando para comunicação XML normalizada e serviços web baseados em XML. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Existem duas formas de arquitectura para a estrutura de interoperabilidade tecnológica: a arquitectura bilateral ou ponto a ponto e a arquitectura em hub. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
A arquitectura ponto a ponto ou bilateral (Figura 6 ) facilita a troca discreta de informação.
Figura 6 - Arquitectura ponto a ponto (eGovernment Working Group, 2004)
Os pontos fracos segundo EPAN eGovernment Working Group, 2004 são:
• não é escalável quando são necessárias muitas trocas bilaterais;
• a sua implementação e manutenção é cara, dado que para a troca bilateral é necessário parametrizar as aplicações envolvidas ponto a ponto;
• não é fácil acomodar e desenvolver serviços comuns ou agregados.
A segunda arquitectura, em hub, manipula e faz o encaminhamento das mensagens entre todas as interfaces dos serviços envolvidos.
Figura 7 - Arquitectura em hub EPAN eGovernment Working Group, 2004
Segundo EPAN eGovernment Working Group, 2004, esta arquitectura é caracterizada por:
• uma interface única e normalizada para cada organização ligada ao hub, • fácil manutenção e crescimento linear,
• capacidade de pendurar serviços virtuais no hub,
• a possibilidade de utilizar serviços comuns ou partilhados como: motores de fluxos de dados, motores de regras, tabelas de roteamento, regimes de segurança comuns, serviços de autenticação serviços de auditoria e de contas.
IV.2.1.4.1 Características da arquitectura tecnológica
A arquitectura correcta deve compreender os seguintes princípios (EPAN eGovernment Working Group, 2004) :
• segurança, • disponibilidade, • estabilidade,
• simples no que diz respeito ao número de componentes, • ter capacidade de crescer linearmente,
• intervencionista quando necessário, • acoplamento livre,
• capacidade de suportar interacção com sistemas e o ser humano, • declarativo e interrogativo,
• não proprietário,
• capaz de suportar serviços virtuais, • síncrono e assíncrono,
• ter capacidade de interconexão.
Uma arquitectura simples com relativamente poucos componentes é menos descontinuada, mais facilmente se localizam e fixam os componentes. Todos os componentes críticos do negócio estão localizados na periferia da arquitectura, ao invés de dentro dela. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
À medida que as instituições oferecem mais funcionalidades ou serviços sob forma de informação, a arquitectura deve permitir às instituições unir-se ao sistema uma única vez, isto é, capacidade de crescer linearmente. A arquitectura ponto a ponto não se enquadra nesta filosofia, pois requer a contratação de uma nova ligação sempre que for requerido um novo serviço. Na arquitectura em hub cada fornecedor de serviços tem uma única ligação que lhe permite crescer linearmente tanto na perspectiva do fornecedor como na perspectiva de cliente. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
A nível de intervencionismo, na arquitectura em hub o componente central pode monitorizar, gerir, fazer roteamento, e ser interlocutor das mensagens em circulação. Isto significa que: facilita a gestão centralizada, auditoria e relatórios, a localização de problemas, a capacidade de transformar mensagens quando necessário, capacidade de encaminhamento para vários receptores, entre outros. O que não seria possível na arquitectura ponto a ponto. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Com o acoplamento livre, todos os componentes discretos na arquitectura de interoperabilidade são depurados e independentes. Este tipo de acoplamento permite configuração, actualização e substituição de componentes individuais de forma
extremamente simples. Também permite que sejam utilizados os melhores produtos (mais adequados) para cada componente sem qualquer interdependência. O acoplamento livre é um princípio vital para longevidade da arquitectura. Ao separar as tecnologias de front-end, que estão sujeitas a mudanças de funcionalidade rápidas e voláteis, das de back-end, a arquitectura torna-se mais estável. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
A capacidade de suportar interacção entre sistemas com o ser humano, também deve ser considerada. Esta deve assegurar processos manuais, semi-automáticos e automáticos. A passagem dum processo manual para outro modelo completamente automático torna-se transparente se a arquitectura de interoperabilidade tiver a mesma facilidade de interacção com todos os tipos de processamento. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Os processos de negócio requerem que os sistemas sejam declarativos, isto é, que sejam capazes de fornecer toda a informação disponível possível, ou interrogativos, fornecendo a resposta a uma questão específica. O modelo deve ser capaz de suportar os dois modelos: declarativo e interrogativo. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
“O recurso de maior valor na arquitectura de interoperabilidade é a informação que passa através desta. A informação não deve depender da tecnologia subjacente em torno de uma solução direccionada e em formato escolhido pelo vendedor da tecnologia.” Consequentemente a arquitectura deve ser aberta, XML estandardizado para a troca de informação, isto é não-proprietária. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
A capacidade da arquitectura suportar serviços virtuais é um princípio chave se os serviços agregados através do serviço público o facilitarem, isto é, os serviços são criados utilizando informação dispersa por diversas fontes. Outra funcionalidade comum é fornecer múltiplos serviços através de um único serviço ou seja trata-se de um serviço virtual. Quando se altera determinada funcionalidade esta é replicada e reflecte-se em todos os processos onde esta é utilizada. A arquitectura em hub suporta estes tipos de serviços virtuais. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
“A arquitectura deve ser capaz de se ligar a outras versões escaladas de si própria (como se pode ver na Figura 8 ), isto é, ter capacidade de interconexão. Uma organização grande pode ter um hub interno para ligar todos seus sistemas internos. Este hub deve ser capaz de se ligar a um hub sectorial ou central que por sua vez pode ligar a organização a outras organizações ou hub’s internos doutras administrações.” (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Figura 8 - Interconexão entre vários hub’s (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
IV.2.1.5 Governança
Governança no contexto de interoperabilidade no governo electrónico, é entendida como o processo de controlo, direcção, manutenção, monitorização da adesão, e a promoção de padrões, que assegura interoperabilidade total entre organizações de serviço público. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
É considerada crítica a abordagem: controlo central único para a governança. Deve existir uma instituição autónoma de todos os sectores de forma a assegurar a independência, servindo de referência ao nível da interoperabilidade e ser capaz de trabalhar de forma colaborativa com os parceiros de vários sectores e instituições. Esta instituição deve assegurar e promover a utilização de standards de interoperabilidade tecnológicos e de interoperabilidade semântica.(eGovernment Working Group, 2004)
No entanto, esta aproximação não deve impedir o desenvolvimento de standards a nível sectorial desde que estejam em consonância com a estrutura e que estejam registados e publicados a nível central. (EPAN eGovernment Working Group, 2004)
Uma organização preocupada com a governança de standards no sector público, deve ser segundo eGovernment Working Group (eGovernment Working Group, 2004):
• independente de qualquer domínio sectorial para assegurar independência;
• ver como especialista os campos standards de interoperabilidade para gerar confiança;
• pró-activa na promoção e promulgação da sua utilização;
• responsável por monitorizar a utilização e adopção de standards, directrizes, políticas e protocolos;
• particularmente focada na standadização e promoção da interoperabilidade com base no serviço pan-público;
• ser um corpo consultivo no desempenho das instituições no desenvolvimento e implantação de estratégias, colaborar com as instituições na agregação de serviços;
• promover o conjunto de comunidades de prática e publicação dos standards.