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6.2. Synthèse de l'orientation probable de le ZFH

6.3.2. DESCRIPTION ET INTERPRÉTATION DES DONNÉES

6.3.2.6.4. Hoëgne - Est

O estudo de caso é um método de pesquisa difundido em Ciências Sociais e é empregado para investigar aspectos de causalidades complexas (GEORGE; BENNETT, 2004). Esse método pode ter como finalidade fazer uma descrição, testar uma teoria ou criar uma teoria (EISENHARDT, 1989b). É, também, uma estratégia que visa ao entendimento de fenômenos complexos, permitindo comparar dados e teorias. Esta pesquisa foi desenvolvida como um estudo de múltiplos casos e buscou diferentes situações para obter informações de distintas governanças e coordenações interorganizacionais no agronegócio de lácteos de quatro regiões brasileiras.

O presente trabalho empregou duas visões teóricas diferentes e complementares, a ECT e os EOs. A combinação teórica amplia o número e a diversidade de variáveis, forçando, no primeiro momento, um levantamento descritivo, para conhecer o fenômeno com as informações que abasteçam as duas ferramentas analíticas.

Nesse sentido, a finalidade inicial do estudo foi a descrição da realidade. O fenômeno de interesse (governanças e coordenações interorganizacionais) foi observado em diversas situações complexas, foram realizadas cinquenta e cinco entrevistas. Ao

mesmo tempo, o estudo entrou no campo exploratório do problema, permitindo que seus resultados sejam pontos de partida para pesquisa adicional.

A pesquisa avançou, ainda, como um estudo explanatório, porque, além da descrição, desenvolveu conceitos e novos aspectos teóricos, originados nos dados de campo, que tentam explicar as formas tomadas pelo fenômeno de interesse. O levantamento de informações nas perspectivas da ECT e dos EOs abriram outros horizontes para confrontar e, simultaneamente, sugerir novos entendimentos teóricos sobre a gestão de cadeias de suprimentos.

A pesquisa de tese foi realizada em apenas um momento, classificando o estudo como de alcance temporal transversal. A coleta de dados por meio das entrevistas foi iniciada no mês de outubro e concluída em dezembro de 2010. Antes do início das entrevistas que fizeram parte do corpus do trabalho, nos meses de agosto e setembro do mesmo ano, foram realizadas quatro entrevistas, duas com especialistas e duas com produtores, para testar e melhor adequar os roteiros de pesquisa efetivamente utilizados.

As evidências de pesquisa podem ser qualitativas, quantitativas ou a combinação qualitativo-quantitativa simultaneamente (EISENHARDT, 1989b). Este trabalho deu prioridade às evidências qualitativas, colhidas diretamente pelos depoimentos dos casos estudados. Embora os dados tenham sido tratados e transformados em indicadores numéricos e percentuais para facilitar a compreensão, os resultados são evidências qualitativas e analisadas com essa característica.

A pesquisa incluiu fontes de evidências tanto de dados secundários, originados de documentos já existentes, como de dados primários, isto é, informações coletadas por meio de entrevistas específicas para este trabalho.

Os estudos de múltiplos casos são empregados normalmente para comparações. Roesch (1999, p.254) aponta que “os critérios de seleção dos casos podem basear-se em similaridades ou em diferenças entre as unidades pesquisadas”. As semelhanças que, presumivelmente, afetem a todos ou as diferenças definidas a priori, estudos que contemplem tipos polares. “Tais diferenças são exploradas com o fim de construir teoria” (idem).

Em momento nenhum, esta pesquisa teve a intenção de coletar dados amostrais com embasamento estatístico. Pelo contrário, como é comentado em outros pontos deste estudo, a intenção foi coletar dados qualitativos o mais diversificados possível, buscando, inclusive, casos pouco representativos em relação ao universo estudado, porém ricos em aspectos de RIOs. Ragin (2000) comenta que as análises estatísticas baseadas em poucas variáveis não conseguem dedicar atenção apropriada à diversidade e aos dados que estejam distantes das médias. Segundo esse autor, a chave para entender a diversidade de forma mais fácil é examinar os aspectos gerais do caso como uma configuração e as diferentes combinações de atributos relevantes que os casos apresentem.

Esta pesquisa, com o objetivo de contribuir para a construção de teorias, tinha o interesse de aprofundar os conhecimentos das características da governança e da coordenação interorganizacional das CSs do agronegócio. Nesse sentido, o primeiro posicionamento importante é relatar o motivo para escolha do agronegócio lácteo brasileiro, auxiliado pelo Apêndice 1 – Roteiro da Pesquisa Documental. Esse ambiente de negócios (econômico-institucional) foi recomendado por especialistas como detentor de elevada diversidade de formas de relacionamentos interorganizacionais na díade produtor rural e laticínio. Isto é, desde os primeiros passos desta pesquisa, a opção por esse segmento foi uma decisão embasada em conversa com diversos especialistas do agronegócio brasileiro e em estudos e dados estatísticos do setor. As indicações desses acadêmicos e práticos consultados e da literatura mostravam o setor lácteo como um ambiente propício para encontrar diversidade de RIOs em variadas composições e polaridades.

A segunda determinação, em decorrência dos objetivos da pesquisa, foi a definição de regiões no Brasil com características distintas entre elas para realizar o levantamento de campo. A pesquisa englobou quatro estados (GO, MG, PR e PE), em quatro regiões do Brasil (Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Nordeste). Na região Sudeste, Minas Gerais representa o maior estado produtor, com produtores e laticínios com tradicional participação no mercado brasileiro. No estado de Goiás, a produção teve um crescimento significativo em anos anteriores e uma posterior desaceleração em comparação com outros estados. É característica do estado uma influência da pecuária de corte que fornece leite de forma sazonal e dependente das condições do mercado.

O Paraná possui dois extremos: produtores tradicionais com a maior capacidade tecnológica em produtividade, volume e qualidade do leite e produtores iniciantes com todas as dificuldades normais de entrar em uma atividade com novas características técnicas, bem como de elevado investimento de capital e de longo prazo de retorno. Além desses ambientes diferenciados entre si, a pesquisa optou pelo estado de Pernambuco, no Nordeste. Essa região possui regras institucionais oficiais diferentes das demais – a Instrução Normativa nº 51 (IN51) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2002) tem prazos mais dilatados para aplicar os critérios mais rígidos para leite produzido nesta região – e, também, uma forte participação da produção informal concorrendo com os laticínios estabelecidos legalmente.

Na base dessa consideração, foram realizadas 55 entrevistas que envolveram especialistas, produtores de leite e laticínios tanto de cooperativas como de empresas mercantis, com captação de leite em apenas um local ou com abrangência nacional. Os dados primários foram coletados por meio de entrevistas com produtores agropecuários, com responsáveis pelos laticínios de cooperativas e de empresas mercantis e com especialistas do setor lácteo. O grupo de especialistas foi composto por representantes das entidades dos produtores rurais, dos sindicatos dos laticínios, da área acadêmica e do órgão de fiscalização federal.

Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com doze especialistas, conforme roteiro apresentado no Apêndice 2 – Roteiro da Entrevista – Especialistas. Os especialistas entrevistados, de abrangência nacional, representam os seguintes setores: dois professores de universidades federais, um dirigente responsável pela fiscalização oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, um representante de uma entidade dos laticínios e dois responsáveis de uma entidade dos produtores. Outra etapa incluiu especialistas das entidades estaduais: representantes de duas entidades das agroindústrias e de quatro federações dos produtores.

Os casos analisados neste estudo são produtores rurais e laticínios das quatro regiões selecionadas, como é exposto a seguir. As entrevistas com os especialistas não foram consideradas como casos da pesquisa, pois eles não fazem parte integrante das CSs. Os depoimentos desses técnicos do setor lácteo serviram para fazer emergirem informações diferenciadas e para realizar a triangulação com as declarações dos

laticínios e produtores agropecuários. As entrevistas dos especialistas fazem parte dos dados da pesquisa e auxiliaram a definir as questões sobre as diferenças regionais dos ambientes econômico e institucional e das questões tecnológicas e relacionais.

3.1.1. DEFINIÇÃO DOS MÚLTIPLOS CASOS

As entrevistas que fazem parte do estudo de múltiplos casos foram feitas com produtores agropecuários e responsáveis de empresas agroindustriais. Esses dois grupos são os atores econômicos pesquisados para conhecer suas formas de transacionar, suas RIOs e as governanças com os mecanismos de coordenação que utilizam. A Tabela 3.1 mostra a distribuição dos múltiplos casos analisados em relação às regiões e às características dos dezessete laticínios entrevistados e dos tipos de laticínios a que os 26 produtores entregam seu leite.

Tabela 3.1 – Relação dos 17 laticínios e 26 produtores entrevistados

Fonte: Elaboração própria.

Foram entrevistados os responsáveis das agroindústrias lácteas pela área de gestão comercial, isto é, o comprador que tem relacionamento direto com os produtores,bem como os responsáveis pelas negociações com os produtores de dezessete laticínios. Desse total, como mostra a Tabela 3.1, nove laticínios têm captação

Discriminação Característica Centro- Oeste 11 casos Sudeste 12 casos Sul 11 casos Nordeste 9 casos Total 43 casos Locais 1 2 3 3 9 Nacionais 3 1 1 3 8 Cooperativos 2 2 2 0 6 17 laticínios entrevistados (17 laticínios de captações locais ou nacionais e os mesmos 17 classificados como cooperativas ou laticínios mercantis) Mercantis 2 1 2 6 11 Locais 3 6 6 0 15 Nacionais 4 3 1 3 11 Cooperativos 4 6 4 0 14 26 produtores entrevistados – (26 produtores vinculados a laticínios locais ou nacionais e os mesmos 26 produtores vinculados às mesmas cooperativas ou laticínios

mercantis) Mercantis 3 3 3 3 12

de leite apenas no local da fábrica e oito possuem penetração em mais de um estado brasileiro, sendo considerados neste trabalho como de atuação nacional. Esses mesmos entrevistados são classificados como seis cooperativas e onze agroindústrias mercantis. Nesta fase, utilizou-se o formulário das entrevistas conforme o modelo constante no Apêndice 3 – Roteiro da Entrevista – Responsáveis pelo Laticínio.

Simultaneamente, com o objetivo de ampliar as fontes de evidência, foram entrevistados 26 produtores que comercializam com treze laticínios diferentes. A finalidade do levantamento foi conhecer produtores que apresentassem polaridade em características como a relação fidelidade/mobilidade, o volume de leite entregue, a produtividade, a qualidade do leite produzido, entre outras. Nesta etapa do levantamento de dados, para coletar as evidências sobre os temas da pesquisa, foi empregado o modelo conforme o Apêndice 4 – Roteiro da Entrevista – Produtores Agropecuários.

Em relação aos laticínios onde entregam o leite, conforme Tabela 3.1, os 26 produtores podem ser agrupados de duas formas: a) quinze produtores que fornecem para laticínios de coleta local e onze que fornecem para empresas de abrangência nacional; b) ao mesmo tempo, em outra classificação, quatorze produtores vinculados a cooperativas e doze fornecendo a laticínio mercantil. A seguir, é relatada a operacionalização da presente pesquisa.

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