Généralités Chapitre I
I)- Historique de la transfusion sanguine : [1-7]
O primeiro autor a estudar as aglomerações setoriais de empresas em uma determinada região foi Alfred Marshall em sua obra Princípios de Economia Política (primeira edição em 1890). O autor dedicou um capítulo para o estudo da “concentração de indústrias especializadas em certas localidades” (MARSHALL, 1996, p. 317) na Inglaterra do século XIX. As principais causas que levaram a esta “indústria localizada” (MARSHALL, 1996, p. 318) estão relacionadas a fatores naturais, climáticos, localização privilegiada e facilidade de acesso por terra ou mar. Alguns exemplos foram relatados em seu livro:
as indústrias metalúrgicas situaram-se geralmente perto de minas ou de lugares em que o combustível era barato. A indústria de ferro na Inglaterra procurou primeiro os distritos de carvão abundante, e depois situou-se nas vizinhanças das próprias minas. Em Staffordshire fabricavam-se vários tipos de cerâmica, com materiais importados de regiões longínquas, porém nesta localidade há carvão barato e uma argila excelente para fazer os pesados potes de cozer porcelana (seggars), em que se colocam os objetos de cerâmica ao serem levados ao fogo. A indústria de trançado de palha tem seu centro principal em Bedfordshire, onde a palha tem precisamente a exata
proporção de sílex, capaz de fortalecê-la sem a tornar quebradiça. (MARSHAL, 1996, p. 318)
Além dos fatores citados, Marshall (1996, p. 319) afirma que as aglomerações produtivas locais também podem ser estimuladas pelo “patrocínio de uma corte”. Para o autor, os nobres quando estão situados em determinada localidade desejam consumir bens e serviços de qualidade excepcionalmente alta, fato que estimula a migração de operários qualificados de diversas localidades e, ao mesmo tempo, educa os trabalhadores locais.
Portanto, as vantagens naturais e locacionais somadas a uma demanda exigente e com recursos financeiros podem induzir a aglomeração de empresas de determinado setor. Essas empresas, uma vez instaladas, tendem a permanecer no mesmo local por um longo período de tempo. Isto facilita a divisão do trabalho e a atração de mão-de- obra qualificada, promovendo a cooperação entre as forças sociais e econômicas. Outro fator destacado por Marshall é com relação à capacidade de geração de novas ideias que contribuem para a inovação tecnológica que, por sua vez, contribui para o aumento da produção e proporciona vantagem competitiva, ou seja, os segredos industriais deixam de ser segredos, grande parte deles podem ser absorvidos até mesmo pelas crianças, uma vez que ficam “soltos no ar” (MARSHALL, 1996, p. 320). Sendo assim, nessas regiões produtivas:
aprecia-se devidamente um trabalho bem feito, discutem-se imediatamente os méritos de inventos e melhorias nas maquinarias, nos métodos e na organização geral da empresa. Se uma lança uma nova ideia, ela é imediatamente adotada por outros, que a combinam com sugestões próprias e, assim, essa ideia se torna uma fonte de outras ideias novas. Acabam por surgir, nas proximidades deste local, atividades subsidiárias que fornecem à indústria principal instrumentos e matérias-primas, organizam seu comércio e, por muitos meios, lhe proporcionam economia de material (MARSHALL, 1996, p. 320).
Marshall (1996, p. 321) não descreve somente as vantagens das “indústrias localizadas”, ele também aborda as suas desvantagens. Nesse sentido, aponta para a grande especialização em que, por exemplo, apenas algumas pessoas com um tipo físico (por exemplo, homens fortes) ou de determinada formação acadêmica (por exemplo, engenheiros) são empregados nas empresas de determinada região. As demais pessoas que compõem a mão-de-obra local (por exemplo, mulheres e adolescentes que estão em idade de entrar no mercado de trabalho ou até mesmo homens fracos com menor
escolaridade) não conseguem uma colocação no mercado de trabalho. Assim, a renda dos trabalhadores destas empresas é alta, porém, ao se considerar a média de uma família, pode se tornar baixa para os padrões locais. Caso isto ocorra, a contribuição para o desenvolvimento econômico da região se torna pequeno. A saída para esse problema, de acordo com Marshall (1996), é que, além de empresas de um determinado setor, também devem ser instaladas, na mesma região, empresas de caráter complementar à atividade principal. Assim, mão-de-obra com características diferenciadas poderão encontrar lugar no mercado de trabalho.
Portanto, Marshall (1996) propõe a aglomeração de indústrias de um determinado setor e correlatas para proporcionar vantagens competitivas e geração de economias que podem ser de duas formas: aquelas dependentes da empresa individual e de sua eficiência (chamadas de internas) e aquelas dependentes da indústria em geral (chamadas de externas), com aumento da escala de produção. As economias internas foram definidas por Marshall (1996) como sendo a especialização da produção, o aperfeiçoamento técnico (tanto o produtivo quanto o organizacional) que gera ganhos internos para as empresas. As economias externas dizem respeito à geração de impactos positivos graças a uma decisão ou a uma ação para todas as empresas que atuam na localidade, sem que a empresa necessariamente tenha que participar. Os benefícios são coletivos, frutos da divisão do trabalho, de sua infraestrutura e também da troca de informações e da comunicação que ocorre pelo fato da empresa estar localizada dentro do aglomerado.
As características descritas por Marshall (1996) formam a base dos chamados “distritos industriais” e são referência para o estudo de qualquer tipo de aglomeração industrial de empresas em determinada localidade. O autor descreveu dois tipos de produção que podem conseguir eficiência econômica. O primeiro deles é formado pela grande empresa verticalmente integrada, parecendo várias pequenas fábricas dentro da mesma empresa. O segundo tipo se refere à concentração de pequenas fábricas que se especializam nas diferentes fases do processo produtivo. Ambas possuem como base a divisão do trabalho e a integração entre os diferentes setores da mesma ou de várias empresas, com reflexos positivos na produtividade devido às economias externas e internas.
Os distritos industriais, conforme descrito por Marshall (1996), também chamados de distritos industriais marshallianos ou ingleses, representam forte referência ao estudo de aglomerações locais de empresas. Sua influência pode ser vista em diversos países, entre eles a Espanha, Itália e o Brasil.
Boix e Galletto (2005, p. 3), inspirados nos trabalhos de Marshall, ao estudarem a realidade espanhola, afirmam que o distrito industrial “tem como base a concentração territorial especializada de pequenas e médias empresas nas diferentes fases do processo produtivo”.
Becattini (1999), que também se inspirou em Marshall (1996) e estudou a realidade italiana, define distrito industrial como sendo:
(...) um grande complexo produtivo, onde a coordenação das diferentes fases e o controle da regularidade de seu funcionamento não dependem de regras preestabelecidas e de mecanismos hierárquicos (como é o caso na grande empresa privada ou nas grandes empresas públicas de tipo soviético), mas, ao contrário, são submetidos, ao mesmo tempo, ao jogo automático do mercado e a um sistema de sanções sociais aplicado pela comunidade (BECATTINI, 1999, p. 49).
As pequenas empresas, com muitas características semelhantes àquelas descritas por Marshall (1996), concentradas geograficamente em uma região foram responsáveis por impulsionar a industrialização de uma determinada região da Itália.