• Aucun résultat trouvé

Hermite Interpolation and Splines

Dans le document in C++ and MPI (Page 134-139)

float + floatImplicit Casting

3.1.6 Hermite Interpolation and Splines

Em vários estudos transculturais são evidenciados a universalidade da vinculação, ao longo das culturas, o que vai permitir estabelecer uma validação transcultural da teoria de vinculação.

Também nesses estudos é destacada a dimensão contextual da vinculação, em relação com a cultura do país, que permite às crianças uma melhor adaptação ao meio envolvente.

Em 1953, Mary Ainsworth, psicóloga canadiana, influenciada pela experimentação em meio natural da etologia e nos seus métodos de investigação directa dos animais no seu habitat, parte para o Uganda e focaliza a sua investigação numa população comum, para verificar a pertinência da ideia de Bowlby sobre a etologia na relação da vinculação mãe-filho.

Assim, nos arredores de Kampala, Ainsworth observa, durante 9 meses (de 15 em 15 dias) 28 crianças com idades entre os 1 e 24 meses, o seu comportamento e aquisições desenvolvimentais, assim como os cuidados maternos e as interacções mãe-filho e convenceu-se da tese de Bowlby sobre o carácter primário da vinculação.

Tal como Bowlby, ela concluiu que a criança não é um ser passivo que se apega à mãe, apenas porque lhe satisfaz as suas necessidades, mas bastante activa nos seus comportamentos quando pretende alcançar o que deseja e sobretudo que é capaz de diferenciar a principal figura de vinculação de outra pessoa, ainda que familiar.

Ainsworth verifica, por um lado, que a mãe parece fornecer à criança uma base de segurança a partir da qual é possível a exploração do seu meio sem ansiedade, por outro lado, a qualidade da vinculação está correlacionada de forma significativa com a sensibilidade materna.

Esta psicóloga demonstrou que a multiplicidade de figuras de vinculação encontradas na cultura ugandesa não eram impeditivas a um desenvolvimento de vinculação segura, embora a qualidade e a continuidade da ligação mãe-filho permanecessem como elementos fundamentais no estabelecimento de uma vinculação segura (Guedeney, 2004).

Posteriormente foram efectuados estudos noutros países de África, a fim de confirmar a vinculação entre a criança e os pais, apesar da existência de múltiplas figuras de vinculação nas diversas culturas africanas.

Assim, Kermoian et Leiderman (1986) verificaram que no Quénia a divisão de tarefas entre a mãe e as inúmeras figuras de vinculação estava bem definida, ocupando-se a mãe da maioria dos cuidados físicos e da saúde do filho, enquanto que outras figuras de vinculação se encarregavam das actividades sociais e lúdicas.

Constataram aqueles autores que a percentagem de crianças vinculadas de forma segura à mãe era superior às outras figuras parentais, revelando-se este estudo comparável a outro, efectuado por Grossens e Van Ijzendoorn (1990), na Holanda (Guedeney, 2004).

True, em 1994, verificou que no Mali, país onde a nutrição é deficiente e onde se regista elevada mortalidade infantil, os Dogon conservam o filho sempre perto de si para o alimentar a seu pedido e também de responder aos sinais de aflição. Os resultados da Situação Estranha de Ainsworth demonstraram a universalidade da vinculação e a repartição das Categorias eram comparativamente as encontradas na cultura ocidental – 69% de vinculação segura, 23% de vinculação desorganizada e a vinculação evitante quase inexistente (Guedeney, 2004).

Marvin et al. (1977) verificaram que as tarefas entre os adultos Hausa, da Nigéria, não estavam rigorosamente partilhadas, pelo que a mãe biológica participava também das tarefas sociais e lúdicas.

Nesta cultura, era evidente o papel protector do laço de vinculação, na medida em que não era permitido às crianças explorarem sós o meio, devido aos vários perigos do contexto. Por outro lado, aqueles investigadores constataram que as crianças eram educadas numa grande proximidade física com as suas figuras de vinculação e que estas respondiam de imediato às solicitações da criança.

Assim, apesar da multiplicidade destas figuras, as crianças diferenciavam-nas dos estranhos e tinham uma vinculação preferencial por uma pessoa – a que mais pegou no bebé e que com ele mais interagiu, nem sempre a mãe biológica (Guedeney, 2004). No estudo efectuado por Morelli et Tronick, (1992), na Zâmbia, à população Efé, apesar de existir partilha de tarefas entre as várias figuras de vinculação, que ao longo do dia asseguram os cuidados físicos e que respondem às solicitações da criança, é realçada a vinculação privilegiada da criança à mãe, não só porque lhe presta também cuidados, como também pela sua presença constante, à noite.

Em Israel, Sagi et al., (1994) utilizaram a Situação Estranha de Ainsworth para estudar as relações de vinculação das crianças que passavam a noite longe dos pais (em determinados Kibboutz), comparando os resultados com o de outras crianças israelitas que frequentavam a creche mas dormiam com a família.

Estes investigadores concluíram no seu estudo, que 59% das crianças que viviam nos Kibboutzim estavam vinculados de forma segura às mães, enquanto que 75% das crianças que iam à creche e dormiam com a família apresentavam uma relação segura às mães, o que veio confirmar que a separação das crianças durante a noite favorece o desenvolvimento de uma relação de vinculação insegura.

Contudo, verificaram que apesar deste tipo de educação, em Israel, todas as crianças estabeleciam um laço de vinculação com a mãe, confirmando desta forma a universalidade da teoria de vinculação.

Estudos levados a cabo por Karin et Klaus Grossmann (1981), na Alemanha, encontraram no Norte do país, dois terços das crianças inseguras e metade destas consideradas como evitantes, enquanto que no Sul a percentagem de crianças inseguras era inferior. Estes investigadores concluíram que a elevada percentagem de crianças evitantes no Norte do país era consequência do tipo de prestação de cuidados ao bebé, no segundo semestre de vida.

Estes resultados discordantes foram encontrados na cultura japonesa, onde se verifica uma proximidade estreita e contínua mãe-criança.

De facto, “o estar juntos” e vinculação, revelaram-se dimensões diferentes (Guedeney, 2004).

Van Ijzendoorn et Kroonenberg (1988) referem a existência de variações transculturais. Por exemplo, as crianças japonesas raramente se incluem na categoria evasiva. No entanto, são frequentemente caracterizadas como resistentes, o que poderá dever-se ao facto de as crianças no Japão estarem em contacto permanente com as mães. As separações impostas durante a Situação Estranha seriam, portanto, mais angustiantes e resultariam provavelmente num choro intenso e incontrolável.

Schaffer interroga-se sobre estas variações transculturais na distribuição dos tipos vinculativos: “É necessário questionar-se se, de facto, a Situação Estranha nos ensina ou não algo fundamental acerca da natureza da Vinculação das crianças japonesas ou se apenas reflectem as exigências invulgares do ambiente particular em que são avaliadas” (1996:169).

Hu et Meng (1996) utilizaram a Situação Estranha de Ainsworth na China com 31 díades mãe/filho, com um só filho.

Apesar da cultura chinesa promover laços familiares estreitos e controlar emoções nas relações sociais, os resultados deste estudo foram comparados com outros países – Colômbia, Israel, Japão e EUA e evidenciaram que a descrição de uma vinculação segura era análoga à destes países (Guedeney, 2004).

Dans le document in C++ and MPI (Page 134-139)