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Embora o Inglês possa ser hoje considerado como a lingua franca da comunicação internacional e a fonte directa de grande parte da terminologia científica e tecnológica a nível mundial, também ele luta, como qualquer língua, contra a invasão abusiva de estrangeirismos e sempre com atenção ao aparecimento de novas palavras. O The Oxford English Dictionary, editado pela primeira vez em 1933, seleccionou diversos novos vocábulos de acordo com as exigências da inovação lexical resultante

dos mais recentes conhecimentos . Esta inclusão foi feita com a cautela obrigatória na análise histórica de uma língua e com a atenção necessária ao estabelecimento de neologismos no léxico. Com a consciência de que um léxico não é permanente e definitivo, os seus autores notam que existem palavras que morrem e palavras que nascem continuamente. No entanto, o desuso de uma palavra não implica o seu desaparecimento total: ela permanece na memória dos falantes e poderá, mais tarde, ressurgir, seja com o significado antigo, seja com um novo significado. Na segunda edição, de 1989, os autores desta obra indicam ter incluído cerca de 5 mil novos vocábulos e expressões, ilustrativos do desenvolvimento verificado nas mais diversas áreas de conhecimento (medicina, ciência, informática, etc.).

Também o Collins English Dictionary and Thesaurus, publicado em 1993 com a explícita intenção de se tornar uma obra de referência da língua inglesa, procura cobrir todo o Inglês falado actualmente no mundo anglófono. Para tal, recolheu milhares de novas unidades lexicais e terminológicas, reflexos na língua das mudanças e desenvolvimentos da sociedade. Com este objectivo, os seus autores deram particular destaque ao vocabulário científico e tecnológico. Por outro lado, não deixaram de ter ainda em consideração as alterações semânticas de termos, realçando-as, sempre que necessário, com notas especiais integradas na entrada vocabular. Num anexo ao dicionário em si, o utilizador desta obra encontra ainda um texto explicativo do desenvolvimento e expansão do Inglês como língua mundial. Neste texto24, são mencionadas as bases da língua inglesa, o papel por ela desempenhado junto de diversas culturas, mas também a influência que estas tiveram no Inglês.

Para a língua alemã, uma das obras de referência é o Deutsches Universal Wõrterbuch. Na terceira edição, de 1996, os seus autores explicam os critérios empregues na selecção e apresentação dos vocábulos25: na obra não se encontram apenas os elementos do léxico padrão da língua, com cerca de 70 000 unidades, mas também os regionalismos, neologismos, arcaísmos e termos pertencentes a línguas de especialidade cujo emprego seja comum na linguagem quotidiana dos falantes. Em relação aos empréstimos e estrangeirismos, o tratamento etimológico que lhes é dado permite que se conheça a sua origem e mais facilmente se compreenda também o seu significado.

The Oxford English Dictionary, 2a edição (1989), págs. xxi ss.

Págs. xxi - xxix. Págs. 7 ss.

O dicionário de estrangeirismos Das Fremdwõrterbuch, editado pela 5a vez em 1990, destina-se a apresentar ao falante e utilizador da língua alemã todos os estrangeirismos que esta inclui. Segundo os seus autores , as mudanças vocabulares do Alemão verificam-se sobretudo na integração de estrangeirismos. Estes provêm principalmente das áreas tecnológicas e científicas e são o resultado de um cada vez mais estreito contacto entre os povos.

Numa introdução ao significado e à história dos estrangeirismos na língua

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alemã , a respectiva importância não deixa de ser realçada. No entanto, ressalva-se que os estrangeirismos apenas são necessários quando o léxico alemão não possui elementos capazes de transmitir o seu significado na totalidade ou com exactidão suficiente. O emprego de estrangeirismos é também aceite se for feito com intenção de melhorar o estilo do discurso ou precisar a informação, desde que não exista o perigo de incompreensão pelo receptor da mensagem. Por fim, os autores ressalvam que nunca devem empregar-se estrangeirismos quando o objectivo de tal uso resultar de questões elitistas (sociais ou intelectuais) ou visar a manipulação dos receptores da mensagem.

Também na língua francesa, e apesar de conhecidas as tentativas de legislação francesas para impor barreiras à importação de vocábulos, os estrangeirismos persistem em assumir posições. Sendo o Francês uma língua falada fora da Europa, as influências das outras culturas não deixam de se fazer notar. Do mesmo modo, o recurso clássico a elementos do Grego e do Latim na formação de novas palavras permanece e não deixa de ser alvo de tratamento especial nos dicionários28. Tal como tantas outras, a língua francesa sofre hoje em dia as influências da hegemonia económica, tecnológica e científica dos países anglófonos, com a incapacidade de dar resposta ao fluxo de neologismos e a consequente invasão linguística de termos em Inglês.

Por fim, verifiquemos como também os estudiosos da língua espanhola têm procurado lidar do melhor modo com os neologismos e os estrangeirismos. O Diccionario General y Técnico Hispanoamericano é uma obra terminológica surgida em 1918. Já nele se realça o facto de as terminologias relacionadas com a tecnologia, as ciências, as artes e as indústrias sofrerem mutações constantes, tal como se modificam as nossas próprias concepções daquilo que nos rodeia29. Isto não se verifica apenas nas

No Prefácio, s/pág.

27Págs. 7 - 1 3 .

Consultar, por exemplo, a pág. XXVII do Dictionnaire du français au collège (1994).

Rodríguez-Navas Y Carrasco (1918:3): "la tecnologia, y aun simplemente la nomenclatura de las ciências, de las artes y de las industrias se ha reformado, se ha renovado, se ha multiplicado, como se han

línguas de especialidade, mas também na linguagem comum do quotidiano. Diversos factores contribuem para a generalização e a passagem para o léxico de palavras anteriormente desconhecidas, dando-lhes, por vezes, sentidos diferentes daquele que possuíam na sua acepção original. Os autores deste dicionário procuraram recolher quer as novas palavras, quer os novos significados daquelas que os receberam.

Estes pontos baseiam-se na visão que os autores possuem daquilo que deve ser um dicionário: o reflexo fiel do saber popular, da vida social e da história, simbolizado nas palavras. E as palavras não enganam o utilizador: a sua estrutura, a sua formação e os seus elementos constitutivos serão uma declaração dos motivos pelos quais elas nasceram, do modo como evoluíram e do papel que desempenharam ao longo da História30.

Esta obra, com a explícita intenção de ser considerada o estudo mais completo de Etimologia e Semiologia de língua espanhola, inclui ainda os prefixos e sufixos e as raízes, desinências e terminações empregues na formação de novas palavras e termos nessa língua.

o 1

Já no Diccionario de la Lengua Espahola , a Real Academia Espanola faz saber que a sua obra reflecte uma atenção especial dada pelos autores aos neologismos resultantes dos progressos científicos e técnicos. Sem qualquer intenção de ser uma obra enciclopédica, o seu objectivo será registar e definir adequadamente os termos que, muito embora pertençam a línguas de especialidade, não deixem de poder ser diariamente encontrados na imprensa ou "en la conversación culta".

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