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Em nosso segundo encontro, ocorrido dia 19 de outubro 2018, começamos recapitulando o que foi pedido para ser realizado em casa. Os professores falaram que fizeram o cadastro, mas que enfrentaram problemas com a criação da senha. Aproveitamos o início do momento para resolver esse problema, que aparentemente foi um bug do site, que foi resolvido solicitando, via plataforma, para refazer a senha de login.

Esse feedback foi importante, pois foi a oportunidade de mostrar como a plataforma funcionava e como o professor de informática pode ter papel ativo nesses momentos em que os outros professores podem demonstrar dificuldade em operar o ambiente. Uma vez que essa sinergia é implantada, com a interação entre os colaboradores acontecendo, o projeto de ensino ganha um novo significado, pois todos os professores estão cada vez mais envolvidos com a prática.

Dando continuidade, foi perguntado se os professores conseguiram testar algum OA relacionado ao conteúdo sugerido por eles no primeiro encontro para o desenvolvimento do plano de aula, professora C comentou:

Professora C: Consegui testar em casa os seguintes OAs: Aprendendo

Frações; Fração Legal 2 e Operando Frações (Figura 12).

Professora B:Eu testei esse Fração legal e achei ótimo! Você consegue

trabalhar desde o conceito básico da fração, utilizando equivalência, através de duas representações: gráfica e numérica. Muito interessante, quando bota na balança, por exemplo, as frações e você confere, o jogo mostra se é equivalente, se é menor, maior…

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Figura 12: OAs utlizados na prática colaborativa

Fonte: Autoria própria

Esse fragmento da fala da professora C demonstrou a apropriação e a relação de todos os elementos da TPACK, visto que ela conseguiu definir o que poderia trabalhar com o OA Fração Legal (conhecimento de conteúdo), inclusive destacando os tipos de representações que a ferramenta consegue disponibilizar, gráfica e numérica (conhecimento pedagógico), como também se atentou para o fato do feedback que o OA conseguia realizar através das comparações de frações (conhecimento tecnológico).

A apropriação da professora em relação a essas questões são importantes, pois ficou evidente para ela, os benefícios da TDIC no ensino da Matemática, visto que a TDIC possibilitou neste caso, a diversidade de representações sobre o conceito matemático e proporcionou, através do feedback do OA, uma maneira diferente do aluno compreender refletir e interagir sobre uma informação (MORÁN, 2015). Além disso, podemos inferir também, que as experiências que foram aprendidas no primeiro encontro da prática colaborativa, foi que oportunizou a professora a ampliação dos seus conhecimentos para poder

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analisar os OAs, em outras palavras, a professora ampliou seu conhecimento tecnológico pedagógico do conteúdo (TPACK).

Diante desse fato, é preciso notar a potencialidade da pesquisa colaborativa (IBIAPINA, 2008), pois, na medida em que um colaborador aprende um conhecimento, ele compartilha esse conhecimento com os demais, ou seja, os conhecimentos da TPACK, ampliados pela professora C, foram compartilhados com os demais colaboradores, possibilitando que eles pudessem também, se apropriarem desses conhecimentos, e inclusive, gerando novas ideias e conhecimentos por parte deles. A pesquisa colaborativa gera uma cadeia infinita de conhecimentos.

Ainda nesse momento, o professor E sugeriu que fôssemos ao laboratório de informática para exibir no projetor multimídia os OAs com a finalidade de discutirmos seu uso. Acatamos a sugestão e testamos os OAs conjuntamente para darmos nossas ideias para o plano de aula. Sugestões como essa demonstram o engajamento dos colaboradores em querer participar e colaborar efetivamente com a pesquisa, além de evidenciar que não se trata de uma relação vertical entre os pesquisadores. Esse esforço conjunto colabora para se atingir os objetivos da pesquisa e até mesmo, os objetivos pessoais, profissionais e sociais de cada participante (IBIAPINA, 2008).

Abrimos e utilizamos os OAs sugeridos. Apesar de o OA “Operando Frações” ter sido o que mais interessou os professores, por possibilitar a realização de diversos tipos de operações com frações de forma interativa, através de representação gráfica e numérica, ele seria mais adequado para uma segunda aula sobre o conteúdo, pois os professores julgaram que, primeiramente, seria necessário discutir com os alunos os conceitos e noções básicas de fração antes de se trabalhar as operações com as frações.

Professora B: Acho que esse OA se encaixaria melhor em um segundo

momento, ele já trabalha com as operações de frações, precisamos primeiro trabalhar o conceito de fração antes das operações.

Professora C: Concordo, acho que primeiramente precisamos trabalhar o

conceito da divisão de partes iguais de um objeto por exemplo, o conceito de metade, terça parte, quarta parte... Mas acho que esse OA já seria muito bem utilizado na continuação do assunto.

Pesquisador: Então, de fato seria mais interessante deixar esse OA para um

possível segundo plano de aula, é isso? Eles precisam aprender no 5º ano, operações de frações?

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Professora B: Sim, com certeza, tem que trabalhar as quatro operações de

frações, é o último assunto de fração no nosso livro de Matemática.

Pôde-se presenciar nesse momento, através do fragmento acima, tanto a construção quanto a relação entre os elementos da TPACK. Os professores relacionaram se o conteúdo do OA utilizado era condizente para uma primeira aula com os alunos sobre o tema frações (conhecimento de conteúdo), através dessa percepção, sugeriram que esse OA (conhecimento tecnológico) poderia ser utilizado para dar continuidade na sequência sobre o assunto de frações (pedagógico).

O diálogo e discussão nesse momento promoveu uma reflexão colaborativa entre os participantes para se chegar nessas conclusões, isso demonstra os benefícios da prática colaborativa e em como os elementos da TPACK vão sendo construídos ao longo da colaboração, evidenciando que isso só vem acontecendo porque o professor de sala e de informática estão utilizando esse espaço, de planejamento pedagógico na escola, para pensar e refletir sobre esses assuntos da prática colaborativa desenvolvida nessa pesquisa.

Mais adiante, testando o OA Aprendendo Frações, professor E expõe que o recurso possui pouca uma contextualização rasa, tratando a fração através da divisão de uma pizza e mostrando os resultados passo a passo de uma forma desorganizada.

O OA eleito mais interessante e pertinente para a proposta de aula foi o “Fração Legal 2”, pois com ele seria possível trabalhar algumas dinâmicas diferentes. Nessa reflexão, professora C opina:

Professora C: O bom desse OA Fração legal é que os alunos podem testar,

errar e discutir [sic] uns com os outros quais frações são equivalentes. Isso vai ajudar eles a compreenderem o significado de fração. Dá pra fazer uma dinâmica com eles com o datashow inclusive, igual como estamos fazendo aqui agora.

Professora B: Também acho. Podemos pedir para os alunos mostrarem e

explicarem o resultado da equivalência.

Pesquisador: Ótimo! Seria legal se tivéssemos internet no momento para

usarmos os computadores com eles em dupla, mas como não podemos garantir isso? Como faríamos essa dinâmica?

Professora C: Poderíamos pedir que fizessem as figuras nos cadernos. Professora B: Nesse caso, eles mesmos poderiam manipular o computador

do datashow, e os alunos teriam que encontrar e explicar os resultados.

Pesquisador: Perfeito! Gostei da ideia! De qualquer forma, poderíamos

sugerir no plano de aula, que a aula poderia ser feita com projeção em conjunto, ou os alunos em dupla nos computadores.

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Professor E: Ou então a gente poderia colocar utilizando os computadores

em outro plano de aula. Seria até interessante, diversificaria ainda mais as atividades.

Novamente presenciamos mais apropriações e relações dos elementos da TPACK. Os professores discutiram em como que o conteúdo seria trabalhado com o OA Fração Legal (conhecimento tecnológico), por exemplo, os conceitos de metade e terça parte (conhecimento de conteúdo), como dito pela professora C. Refletiram também nas estratégias metodológicas (conhecimento pedagógico) de como trabalhariam o OA com os alunos, mediante os obstáculos de infraestrutura, como a falta de internet nos computadores, o que gerou a criatividade dos colaboradores em pensar em uma nova maneira de desenvolver a aula.

É importante destacar, que apesar dos problemas de infraestrutura serem um obstáculo para o uso de TDIC no processo de ensino e aprendizagem, como foi retratado e argumentado também no trabalho de Ozelame (2016), a prática colaborativa desta pesquisa oportunizou que os professores colaboradores encontrassem uma maneira criativa de utilizar os recursos digitais disponíveis. Esse fato ressalta os benefícios positivos da proposta dessa pesquisa. Esses benefícios da colaboração vêm de encontro do que foi demonstrado no trabalho de Javaroni e Zampiere (2015), que demonstrou que o curso de extensão sobre o uso das TDIC no ensino da Matemática desenvolvido com os licenciandos em pedagogia, promoveu o trabalho colaborativo entre os participantes.

A Professora C aproveitou o momento para falar que em sua outra escola, tinha disponível uma espécie de jogo de dominó, só que com frações, que trabalhou com seus alunos e foi um sucesso (figura 13). De acordo com a docente, os alunos participaram da dinâmica, tiraram dúvidas e em seguida, desenvolveram uma produção textual sobre a atividade explicando como funcionava o jogo. A Professora C compartilhou (Figura 14) pelo Whatsapp, as imagens desses momentos e nos explicou como foi essa aula.

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Figura 13: Aplicação da aula da professora c com o Dominó de Frações

Fonte: Professora C

Figura 14: Compartilhamento de ideias via Whatsapp

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A atitude da professora C em compartilhar uma proposta pedagógica, favorece a construção do conhecimento pedagógico entre os envolvidos na pesquisa, dando oportunidade ao pesquisador e aos outros professores refletirem e discutirem sobre a ideia apresentada pela professora C. É pertinente destacar também, que a utilização da ferramenta digital de comunicação (Whatsapp) como um recurso a ser utilizado na prática docente, foi uma oportunidade de ampliar os recursos, nesse caso, digitais, que podem ser usados na docência com finalidades pedagógicas (MAIA, 2016).

Se apropriar disso, fomenta o conhecimento tecnológico dos colaboradores, na medida em que o professor se utiliza dessas tecnologias digitais para compartilhar informações por ferramentas digitais de comunicação, informações essas, neste caso exemplificado, de caráter pedagógico, visando contribuir com as ideias que foram aplicadas em nosso plano de aula sobre frações.

Quanto à metodologia da aula, decidimos desenvolvê-la em dois momentos: o primeiro, seria a dinâmica com o OA Fração legal 2 no laboratório de informática para apresentação dos conceitos, e em seguida, com a finalidade de consolidá-los, seria utilizado o jogo analógico em sala de aula, criando um segundo momento dinâmico e colaborativo entre eles, durante a aplicação do jogo, mediado pelo professor.

A experiência do segundo encontro foi positiva, visto que pudemos nos apropriar e relacionar os elementos da TPACK, por exemplo, o caráter tecnológico, pedagógico e de conteúdo, quando vimos os professores sugerindo e refletindo sobre os melhores OAs para abordar o conteúdo de frações. Evidenciamos também a construção de novos elementos do conhecimento tecnológico, visto que o encontro oportunizou aos professores manipularem e se apropriarem dos recursos digitais, enquanto refletiam sobre quais ideias seriam utilizadas no plano de aula.

Promover esse momento em que os professores expliquem e demonstrem suas sugestões pedagógicas dos OAs que apresentaram, é o que, segundo Morán (2015), faz gerar uma melhor qualidade docente, que se manifesta na combinação do trabalho em grupo. A prática colaborativa deste segundo encontro oportunizou também aos professores, a utilização de ferramentas digitais de

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comunicação para o compartilhamento de saberes, que possibilita o crescimento do conhecimento tecnológico dos colaboradores.

Esse tipo de ação ocorrido na pesquisa vem de encontro com o que foi relatado por Souza e Passos (2018) ao afirmarem que os participantes da formação aplicada, os fizeram formular estratégias e construíram conceitos e ideias sobre a Matemática e seu ensino. Essa é a intenção desse momento de discussão dos OAs entre os participantes nesta pesquisa, formular estratégias com esses recursos no desenvolvimento do plano de aula. Esse encontro, portanto, evidenciou uma ampliação e relação dos conhecimentos do TPACK.

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