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Handling the Unexpected

Dans le document You Can Do It! (Page 97-110)

As tecnologias são recursos que auxiliam as pessoas a viverem melhor em sociedade, levando em conta o espaço e o tempo. As tecnologias acompanham os seres humanos desde os primórdios da civilização: desde a alavanca, em tempos remotos, às ferramentas computacionais dos ambientes virtuais da atualidade. O normal é, em cada época, usar-se a melhor tecnologia existente. Esta bilateralidade foi referida por MARX, que sustentava que “toda a tecnologia lança possibilidades para emancipação e dominação” (KROCKER E WEINSTEIN’S, 1994:45 apud LYNN ALVES). Uma das formas de se evitar que as pessoas sejam dominadas pela tecnologia – uma das questões inaugurais da presente dissertação – consiste em fazê-las participar ativamente das suas possibilidades, como autores da produção tecnológica. No fundo, tal consiste em fazer com que as pessoas sejam donas e não escravas da tecnologia. Isso é muito evidente, por exemplo, quando um estudante usa um computador ou utiliza dados recolhidos na internet para fazer um trabalho pessoal, sobre o qual, no limite, poderá ter direitos de autor ou de propriedade intelectual, se os utilizar de forma criativa e inovadora. Falamos

tecnologias, que põe em causa velhas formas de organização dos direitos das pessoas. Mas vejamos esta problemática à luz de um pouco mais de história e de filosofia política. Os agrupamentos sociais tendem a organizar-se, sobretudo nas sociedades livres e democráticas, segundo os avanços tecnológicos de cada época, suscitando assim específicas relações de poder e de construção da cidadania.

Em tempos passados, nas sociedades coletoras, as pessoas organizavam-se, comunicavam e aprendiam de formas diferentes das que conhecemos hoje. O modelo de organização social atual baseia-se na combinação inovadora das TIC com as pessoas que as pensam e utilizam. As novas tecnologias são especialmente voltadas para a produtividade das pessoas com base na transformação da informação em conhecimento (CAETANO & LORI, 2014). Em grande parte, isto faz-se em espaços virtuais muito diferentes dos espaços presenciais tradicionais.

Destaca ARRUDA (2004) que a utilização de tecnologias educacionais no contexto escolar está hoje inserida em uma realidade econômica mais ampla, marcada por um processo de reestruturação capitalista. Tal processo gerou mudanças pedagógicas e novas formas de organização dos sistemas de ensino em muitos países, nomeadamente em Portugal e no Brasil. De acordo com ROQUE (2006), no curso desse movimento, diversas mudanças foram introduzidas no sistema educacional brasileiro, em formatos distintos e múltiplos, que vão desde medidas avaliativas diferentes das tradicionais até o lançamento de novos parâmetros curriculares, como que confirmando que a realidade hoje é muito diferente do que foi no passado. Por exemplo, hoje verifica-se uma forte tendência para a informatização de todos os espaços educacionais. Falamos de um movimento que tem por meta a difusão de meios informatizados junto aos educandos com vista à aquisição de competências que promovam a sua aprendizagem.

Processo semelhante ocorreu em Portugal. Aliás, continua a ocorrer, com o apelo sistemático a formas mais finas de digitalização – por exemplo, através do livre acesso à internet em zonas de grande trânsito de pessoas.

A inclusão das tecnologias digitais nos processos educativos leva-nos a analisar dois pontos fundamentais: em primeiro lugar, que as tecnologias digitais trazem possibi- lidades interativas para a educação ou, se preferirmos, para dentro dos espaços educati- vos, que agora assumem novas formas. Estas tecnologias trazem para as metodologias e processos de ensino novas orientações quanto à aquisição do conhecimento pelo estu- dante, devendo ser assumida como parte da cultura escolar; em segundo lugar, como

malmente apresenta destas novas linguagens e os conhecimentos que os estudantes possuem. Este ponto é um obstáculo a mais para o docente, que, além de necessitar de um conhecimento específico acerca da matéria disciplinar lecionada, deverá também ser capaz de identificar as tecnologias digitais apropriadas para uma correta apreensão da realidade pelo estudante.

Defende ALAVA (2002) que estas novas tecnologias dizem respeito, sobretudo, aos educadores. Este autor vê as tecnologias como elementos técnicos que renovam o ensino através da introdução de maquinário na escola. Mas esse maquinário só faz sentido se os educadores se apropriarem dele e lhe derem um sentido socialmente útil. As novas tecnologias de informação e comunicação, ao oferecerem novas possibilidades de aprendizagem, devem deixar de ter um estatuto de simples auxiliar no processo de aprendizagem para se tornarem centro de uma outra forma de aprender, que implique, em primeiro lugar, a mudança dos modos de comunicação e de interação entre os mem- bros da comunidade educativa (VALÉRIA ROQUE, 2006).

Podemos então perguntar-nos qual é o papel das novas tecnologias. Entendemos, como alguns autores já referenciados, que elas servem para formar “cidadãos no mun- do” e não apenas para preparar trabalhadores ou consumidores das novas tecnologias. Com isto estamos dando um sentido político não só à missão de ensinar mas também à necessidade de aprender para conhecer o mundo, ou seja, as pessoas, com suas legítimas aspirações e capacidades, precisam de dialogar e interagir umas com as outras de modo cada vez mais intenso e pleno de sentido (CAETANO, 2013).

Tal passa por concretas formas de atribuição de significado e sentido político-social aos programas e projetos educativos. No caso específico do ensino superior, isso é muito evidente. Aqui as novas tecnologias devem ser vistas claramente como estando ao serviço da capacitação das pessoas na tomada de decisões e na escolha dos seus percur- sos de vida em sociedade. Registamos aqui, aliás, uma multiplicidade de dimensões: uma dimensão politica, uma dimensão social, uma dimensão econômica e uma dimen- são cultural. O sistema de ensino superior deve servir para promover o acesso à infor- mação e ao conhecimento por parte de todos, de modo indistinto (CAETANO, 2013; CAETANO & LORI, 2014). Deste modo, se percebe a profunda e íntima relação exis- tente entre o uso das tecnologias pelas pessoas e as políticas públicas de promoção do desenvolvimento social e humano, com destaque para as políticas educativa e cultural

contemporâneos da educação superior a distância.

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