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Para a edição, optou-se pelo software Sony Vegas Pro 16.0 tanto porque suas funcionalidades são do saber cotidiano do autor deste relatório, como também por causa do nível de processamento do computador utilizado para as edições, que não possui uma boa quantidade de memória e nem possui placa de vídeo. O Sony Vegas utiliza menos da memória do computador do que o Adobe Premiere, por exemplo. Com outras palavras, o Sony Vegas faz o computador travar menos do que o Adobe Premiere.

No software aconteceu a disposição das imagens e das trilhas de áudio (voz, ambiente e música) seguindo a sequência projetada no roteiro de edição.

Na primeira versão do filme, embasada tal e qual no roteiro de edição preparado, foi gerado um arquivo com uma hora e meia (90 minutos) de duração. Ao analisar essa versão, notou-se a repetição de algumas ideias e também a possibilidade de retirar e de transferir algumas partes, que não faziam tanto sentido com a ideia geral do filme depois de vistas na sequência completa.

Haja vista essa análise, foi feito um segundo corte no filme. A motivação maior para essa redução no filme foi a objetivação de produzir um filme dinâmico e fugir da monotonia. Em meio a esse cenário, optou-se por produzir alguns vídeos menores para algumas partes de algumas entrevistas, que seriam retirados da sequência principal do “Fortaleza Otaku”. Esses vídeos menores estão conectados ao “vídeo-mãe”, que é o documentário em si, agindo como cenas extras.

Por exemplo, ao ver o documentário a pessoa pode se interessar por alguma entrevista ou momento específico do filme e, por isso, querer adentrar nesse aspecto ou assunto, que não foi abordado com profundidade no filme em si. E esse interesse tem a possibilidade de ser saciado por meio desses vídeos extras.

A aplicação desse recurso fica mais fácil pelo fato do documentário e de todos esses vídeos extras serem adicionados ao Youtube, que possui o recurso “Tela Final”, que adiciona

cartelas para divulgar outros vídeos. Essas cartelas só podem ser adicionadas nos últimos 20 segundos de qualquer vídeo, o que limita o uso do recurso, mas ainda assim pode ser bem aproveitado para que seja possível conectar vídeos na plataforma.

Figura 12 - Exemplo do uso redirecionamento de vídeos no Youtube

Fonte: O Autor25

Na Figura 12, adquirida através de um print de um vídeo no Youtube, as figuras que se assemelham a adesivos (“pregados” no vídeo) são links que, caso clicados, redirecionam os usuários para outros vídeos.

Haja vista essa possibilidade de conexão de vídeos, foram retirados da sequência principal do filme algumas partes do Bloco “Profissionalismo” e, daí, foram feitos quatro vídeos extras intitulados “A Pesquisa de Ana Raquel” (que apresenta com mais profundidade como foi o desenvolvimento do TCC de Ana Raquel), “Diego e a Henshin Gattai” (que apresenta a Henshin Gattai), “Os Ilustradores” (que apresenta os trabalhos e motivações de Yohana Almeida e Filipe Aquino em relação a ilustração) e “Blenda, professora de mangá” (que apresenta o Estúdio Daniel Brandão e como Blenda Furtado se tornou professora de mangá). As pessoas entrevistadas ainda aparecem na linha principal do filme, mas as suas partes específicas foram editadas em vídeos menores. Na Figura 13 é possível ver como foi utilizado o recurso “Tela Final” no documentário “Fortaleza Otaku”.

Essas secções foram retiradas da trilha principal porque elas se referem a experiências mais pessoais e individuais.

Figura 13 – Exemplo do uso do redirecionamento no Fortaleza Otaku

Fonte: O Autor

Considerando os vídeos extras, podemos afirmar que o “Fortaleza Otaku” age como um hipervídeo, termo que vem do conceito de hipertexto, o qual Comparato (2009, p.396) comenta:

A partir de um site, de um lugar, clicamos em palavras-chave e de lá saímos para diversos outros sites por meio dos links (ligações) e navegamos na internet. Esse conjunto de textos, imagens, portas, janelas que vão se abrindo em nosso computador é chamado de hipertexto. [...] O hipertexto possui intertextualidade, velocidade, precisão, dinamismo, interatividade, acessibilidade, estrutura de rede, transitoriedade e organização multilinear.

O hipertexto basicamente torna possível para o usuário, que está lendo algo, ler coisas relacionadas a um texto base, o que proporciona uma leitura não-linear. Isso não significa que a leitura passa a possuir nenhuma estrutura linear, mas na verdade que ela obtém diversas estruturas lineares. Ou seja, a leitura se torna multilinear.

O hipervídeo agrega a mesma ideia ao conectar um vídeo base a diversos outros, gerando uma multilinearidade estrutural para o espectador do filme. Sobre isso, Tiellet, Lima e Reategui (2008) comentam que essa técnica permite ao usuário sair de um papel mais passivo para um papel de ator, que pode definir qual o próximo conteúdo que ele deseja explorar.

Em relação a outras mudanças que aconteceram na estrutura do documentário, o bloco “Otaku produtor” foi retirado do filme por parecer bem deslocado em meio ao filme em geral,

mas uma parte dele foi reaproveitada, tornando-se um interlúdio nomeado Juventude, que age como introdução para o bloco em que é introduzido o Curso de Japonês.

Já o bloco “Cosplay” foi posto para dentro do bloco “Evento”, que se dividiu em duas partes: “Evento: Cosplay” e “Evento: Artist’s Alley”. O “Artist’s Alley” é uma área do Sana onde diversos artistas, não necessariamente famosos, vendem materiais que eles produziram. Após essas pequenas mudanças, uma nova ordenação da sequência foi gerada, assim como podemos ver na Figura 14.

Figura 14 – Estrutura Final da trilha principal do documentário

Fonte: Própria (2018)

Em relação ao interlúdio “Crianças”, é importante ressaltar que as imagens de crianças que foram utilizadas no documentário foram captadas pela TV Unifor, que, como já comentado, nos permitiu acompanhar as gravações em um dos dias do Sana e, também, nos permitiu utilizar as imagens que foram captadas por eles.

Ao final, após os cortes e as reorganizações, o vídeo principal do documentário findou com 50 minutos de duração, e cada vídeo extra com uma média de 3 a 5 minutos.

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