• Aucun résultat trouvé

6 CONCLUSIONS

ANNEXE 2 : GUIDES D’ENTRETIENS

Dada às características, sobretudo, pastoris do Pampa e dos municípios integradores da proposta, a conservação torna-se indissociável da atividade. A criação, principalmente, bovina é a base fundamental deste ecossistema e dos recursos em que se baseiam, nomeadamente os campos.

Mas a conservação deste ecossistema é para além da atividade pastoril, passando por ações específicas de conservação com o intuito de testar, demonstrar ou implementar as melhores práticas e comportamentos conservacionistas, a exemplo do que já ocorre dentro dos limites da APA do Ibirapuitã.

Quadro 05 – Ações do eixo de conservação da biodiversidade e uso sustentável.

(continua)

Ações Descrição

Apoio à melhoria técnica das práticas agropastoris.

Realização de ações de demonstração, visitas técnicas, valorização/divulgação das boas práticas agrícolas e pecuárias.

Apoio à diversificação de

atividades na exploração agrícola.

Apoio à diversificação agrícola compatível com a conservação da biodiversidade, através da produção de novas culturas que demandam menor utilização de agrotóxicos e possa ser tão rentáveis quanto as atividades já exercidas, transformação de produtos da propriedade e valorização das produções.

Apoio à pecuária extensiva.

Proposição de um selo para a carne oriunda da Reserva da Biosfera do Pampa, a qual contempla práticas como o uso de pasto nativo.

Incentivar a adoção de medidas de diminuição dos impactos

ambientais negativos da agricultura e pecuária.

Fomento das boas práticas e consequências da utilização de agrotóxicos. Descarte correto de embalagens de uso veterinário e agrotóxicos. Além disso, podem ser estimuladas iniciativas como “Produtor Biosférico”, premio anual para produtores que exercerem melhores práticas agropastoris, conciliando conservação e atividade econômica.

Motivar os produtores a

participarem de projetos nacionais e internacionais.

Formação de uma equipe destinada à procura de projetos que possam ser candidatados os produtores da Reserva da Biosfera do Pampa.

Planejamento de Reservas Legais e valorização das Áreas de Preservação Permanente.

Pensar as Reservas Legais de cada propriedade a fim de promover uma ligação entre as mesmas formando corredores de biodiversidade; Compreender a importância e função das APPs de modo a protegê-las para manutenção da biodiversidade local e proteção das propriedades.

Monitoramento de espécies.

Incentivar ações de monitoramento de fauna e flora pelos próprios produtores, através da sensibilização da sua importância no processo de preservação e conservação do meio, e valorização do seu conhecimento empírico.

Elaboração: autora.

Ameaças

Além das ameaças já discutidas, de forma ampla, no capítulo 2, como a conversão dos campos do Pampa em grandes áreas de cultivo da soja e o avanço da silvicultura, além da exploração mineral, um dos problemas pontuais que podem ser discutidos dentro desse eixo é o aumento de javalis76 na área, o que vem ocasionando prejuízos para as plantações, criação dos rebanhos bovinos e ovinos, pela transmissão de zoonoses e também pelos ataques a pessoas e animais domésticos.

Sobre esse tema cita-se o trabalho da ONG Equipe Javali Pampa. Com a missão de desenvolver a temática do javali de maneira técnica e científica, junto aos diversos núcleos da sociedade (produtores, legisladores, autoridades, e restante da população), visando criar e

76 O javali é uma espécie que não ocorre naturalmente no Brasil. Essa espécie foi trazida para o país na década de

60 e têm causado danos no meio ambiente e prejuízos sociais e econômicos, principalmente, para agricultores e criadores de animais domésticos. O controle populacional de javalis passou a ser autorizado pelo IBAMA no Rio Grande do Sul desde 1995 e desde 2013 é permitido em todo país. O uso de armadilhas é permitido mediante autorização dos órgãos ambientais competentes (MMA, 2018).

implementar práticas de manejo, o grupo pode ser uma base consolidada na busca pelas ações de diminuição do javali.

Destacam-se também ações já realizadas, como a Operação Javali Zero, realizada dentro dos limites da APA, desenvolvida em 2017, que se utiliza da construção de jaulas de baixo custo para a captura desses animais77.

Figura 43 – Ações para o controle do Javali no Pampa.

Fonte: Rede Javali Pampa.

Dentre as medidas de controle estão também a liberação da caça, que vem atraindo caçadores de vários lugares do país. De acordo com as regras estabelecidas pelo IBAMA, para abater o javali é necessário: fazer o Cadastro Técnico Federal no IBAMA; caso vá usar arma de fogo, fazer o registro no Exército como caçador; caso vá realizar captura e abate em Unidades de Conservação Federais, pedir autorização ao ICMBio.

Como destaca Losekann (2018), os relatos dos moradores da APA em relação aos javalis demonstra a grande preocupação pelas perdas produtivas que estes vem causando, desde a devora de lavouras de milho, morte de ovelhas (recém nascidas), proibição de criação de porcos soltos para evitar o cruzamento destes com os javalis e consequentemente aumento da população.

Sendo este um dos problemas enfrentados pelos produtores, percebe-se a necessidade de repensar essas ações para além dos limites da APA, integrando os municípios de forma a

77

O Ministério do Meio Ambiente desenvolveu um guia prático para os produtores que desejam construir suas jaulas, disponível em:

http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/publicacoesdiversas/guia_para_produt or_rural_controle_javalis_jaula_curral_modelo_pampa.pdf

alcançar resultados mais satisfatórios. E, podendo esse, ser um dos objetivos do Plano de Ação da Reserva da Biosfera do Pampa.

Outro problema, esse mais recente, que está repercutindo de forma intensa no Pampa e, sobretudo, na região de Santana do Livramento é o uso intenso de agrotóxicos no cultivo da soja. Santana do Livramento está se tornando conhecida pelo cultivo da uva para a fabricação de vinhos e sucos, todavia a atividade vem sendo ameaçada pela dinâmica dos ventos, que trás até os parreirais os agrotóxicos utilizados no cultivo da soja – e que, diga-se de passagem, não são poucos.

O mesmo acontece com as oliveiras, outra diversificação de produção que ocorre na região. Tanto as parreiras quanto as oliveiras acabam tendo seus frutos secos e mal desenvolvidos, acarretando em prejuízos para a economia local, bem como para o ambiente.

Na área urbana do município também foram encontrados resquícios do herbicida 2,4 – D78, aplicado nas lavouras de soja. Começou-se a notar que os vegetais apresentavam os mesmos sintomas das uvas e olivas, e através de análises laboratoriais foi comprovada a presença do herbicida na zona urbana de Livramento.

No momento, são analisadas como possibilidade de solucionar o problema o pedido judicial de suspensão do uso do 2,4-D ou a criação de zonas de exclusão em que esse produto não possa ser utilizado ou ainda fazer acordo com os produtores para que o herbicida seja substituído por outro menos danoso.

Ainda acerca da problemática com o uso intenso de agrotóxicos pode-se citar o extermínio de abelhas por intoxicação. A pulverização de produtos químicos sobre a soja tornou-se uma ameaça para as colmeias e os casos tem se tornado mais frequente, e preocupam os produtores.

Além do extermínio das abelhas, a contaminação do mel é o outro problema envolvido. Vale lembrar que o Brasil é um dos maiores exportadores de mel, e a contaminação pode causar o embargo da atividade.

Desse modo, um dos maiores desafios que se apresentam frente à proposta de criação da Reserva da Biosfera envolve a atividade da soja. Normativas mais rígidas quanto a atividade precisam ser discutidas, mesmo em meio ao “agro é tudo79”. Mudar a perspectiva

78 O 2,4-D é um herbicida aplicado nas lavouras de soja antes de a plantação ser iniciada. O objetivo é conter e destruir a

erva daninha conhecida como buva. O produto atua no sistema hormonal dos vegetais, fazendo com que entrem em colapso e não se desenvolvam, morrendo ao final. As plantas costumam ficar retorcidas.

79 Propaganda do Governo Federal que mostra o potencial do agronegócio brasileiro, se valendo somente da sua

do produtor da soja é difícil, mas apresentar alternativas, como a diversificação da produção, com atividades tão rentáveis quanto, podem ser alternativas frente ao cenário.

A própria criação de gado em pasto nativo, por exemplo. Felizmente, muitos pecuaristas acreditam que os campos são elemento fundamental para uma pecuária economicamente viável e diferenciada, e tem desenvolvido ações para valorar a atividade. Exemplo disso são as já citadas Associação dos Produtores do Pampa da Campanha Meridional (APROPAMPA), que detém a primeira indicação de Procedência de carnes da América, e a iniciativa semelhante da Alianza del Pastizal, cujo selo garante que as propriedades são mantenedoras de campo natural em boas condições de conservação.

Além dos tópicos acerca do controle de javalis e uso intenso de agrotóxicos, pode-se citar como problemas a serem discutidos no plano de ação: controle de espécies exóticas, como os Pinus elliottii e o capim-annoni80 (Eragrostis plana Nees); falta de destinação das embalagens vazias de uso veterinário e agrícola; e, ações contra o abigeato e a caça ilegal.

Documents relatifs