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A investigação-ação não é um tema consensual, assim sendo, como tema controverso, regista diversos pontos de vista e diferentes definições, sendo impossível defini-la em breves palavras, uma vez que este tema não é estanque e muito menos se encerra em uma construção frásica.

Este conceito depreende a construção complexa de um projeto auto reflexivo e cooperativo que parte da teoria e se envolve com a prática, tentando resolver problemáticas previamente sinalizadas.

Investigação-acção é um processo reflexivo que carateriza uma investigação numa determinada área problemática cuja prática se deseja aperfeiçoar ou aumentar a sua compreensão pessoal. Esta investigação é conduzida pelo prático- primeiro, para definir claramente o problema; segundo, para especificar um plano de acção, incluindo a testagem de hipóteses pela aplicação de acção ao problema. A avaliação é efectuada para verificar e demonstrar a eficácia da acção realizada. Finalmente, os participantes refletem, esclarecem novos acontecimentos e comunicam esses resultados à comunidade de investigadores-acção. Investigação-acção é uma investigação científica sistemática e auto-reflexiva levada a cabo por práticos, para melhorar a prática (Mackernan,1998 citado por Máximo-Esteves, 2008, p.20).

Sendo a investigação-ação um passo fundamental na construção profissional de um docente, pilar basilar da sua formação como ser reflexivo e crítico, a investigação- ação tem como principal objetivo refletir sobre a ação na prática docente, tendo em

conta uma problemática que é sinalizada, evidenciando as características e os problemas que o grupo de alunos/crianças apresenta. Após a sinalização da problemática o docente projeta a sua ação e, ao longo do desenvolvimento, vai refletindo acerca dos resultados obtidos, e reformulando as atividades de forma a proporcionar a melhoria de resultados até solucionar a problemática sinalizada primeiramente.

A investigação-ação, tal como todos os métodos investigativos e reflexivos, surge com o intuito de promover mais qualidade na educação. Desta forma, será importante enunciar os cinco pressupostos da investigação qualitativa cuja égide se centra em uma investigação por observação participante, ou seja, o centro da investigação passa pela permanência do investigador no local em estudo, para que não se desassocie a problemática e o seu contexto.

Segundo Bogdan e Biklen, (1994) “Para o investigador qualitativo divorciar o acto, a palavra ou o gesto do seu contexto é perder de vista o significado” (p.48). Assim, é importante para o investigador vivenciar as experiências dos seus indivíduos de amostra, presenciar reações e gestos, e contextualizá-los, para em seguida atribuir-lhes significados.

Sendo a investigação um ato descritivo, a recolha de dados é fundamental a par da presença do investigador. Sem esse requisito não existe investigação qualitativa, pois, independentemente do método de recolha de dados (vídeo, entrevista, descrição, etc.), a presença do investigador garante a observação do contexto e influencia a análise. No que concerne à análise dos dados recolhidos da observação participante, esta deve ser realizada de forma indutiva, ou seja, o investigador não pretende confirmar teorias pré-concebidas, pelo contrário pretende que os dados recolhidos sirvam para a construção de múltiplos significados que, posteriormente, se vão organizando e dando forma a uma construção final completamente inesperada, cuja direção só o tempo dirá.

À luz do pensamento de Bogdan e Biklen (1994) “Para um investigador qualitativo que planeie elaborar uma teoria sobre o seu objecto de estudo, a direção desta só se começa a estabelecer após a recolha dos dados e o passar do tempo com os sujeitos” (p.50), para os mesmos a investigação é a construção de “um quadro que vai ganhado forma à medida que se recolhem e examinam as partes” (p.50).

Para o investigador qualitativo, é esta construção e todo o processo que validam a sua investigação e, por esse facto, analisar exclusivamente os resultados finais é um contrassenso. A observação, ao longo do tempo, permite ao investigador ir recolhendo

dados da persecução do processo e depois juntá-lo, analisá-lo e, a partir dele, induzir significados. Esses significados são, para o investigador, de extrema importância relativamente à sua investigação, pois importa perceber as diferentes conceções que as pessoas atribuem às suas vidas. Ou seja, importa ao investigador que a sua amostra se insira numa perspetiva participante, para que se crie uma interação entre o objeto de estudo e aquele que o estuda.

Psathas (1973) refere que os investigadores “estão continuamente a questionar os sujeitos de investigação, com o objetivo de perceber aquilo que eles experimentam, o modo como eles interpretam as suas experiências e o modo como eles próprios estruturam o mundo social em que vivem” (citado por Bogdan & Biklen, 1994, p.51).

Segundo os autores mencionados anteriormente “Ao recolher dados descritivos, os investigadores qualitativos abordam o mundo de forma minuciosa” (p.49). Tendo em conta tal exigência e minúcia, a recolha de dados assenta na descrição e crítica, quer das atividades propostas, quer dos comportamentos e atitudes vivenciados em contacto direto com os alunos/crianças sob os quais recai a investigação.

Para a recolha de dados, são utilizados diversas técnicas e instrumentos acerca dos quais será feita uma meticulosa análise da qual serão retiradas as conclusões e possíveis resoluções da problemática.

No que concerne à análise de dados, esta é uma tarefa que requer um cuidado processo de organização por parte dos investigadores para que a avaliação e as conclusões retiradas da análise sejam válidas para a investigação.

Para Bogdan e Biklen (1994) este instrumento corresponde a um “processo de busca e de organização sistemático de transcrições de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais (…)com o objectivo de aumentar a sua própria compreensão desses mesmos materiais e de lhe permitir apresentar aos outros aquilo que encontrou

(p. 205).

A supramencionada organização pressupõe uma série de trâmites que ajudarão o investigador a delinear e executar uma análise de resultados fidedigna. Assim, e segundo Esteves (2006), que denomina a análise de dados como análise de conteúdos, “A análise de conteúdos é a expressão genérica utilizada para designar um conjunto de técnicas possíveis para tratamento de informação previamente recolhida” (p.109).

Tendo em conta as técnicas para a análise e os dados que se recolhem para a investigação, nomeadamente notas de campo, registos fotográficos e vídeo, análise de

documentos, entrevistas, entre outros, estes devem ser organizados de forma a poder auferir conclusões e posteriormente validá-las na tentativa de solucionar a problemática sinalizada.

Sendo um processo, a investigação pressupõem a passagem por diferentes fases que devem ser tidas em conta aquando da implementação desta metodologia, pois a supressão de fases, independentemente do momento do processo, podem invalidar toda a investigação e retirar resultados que não são fidedignos. Desta forma é importante reconhecer as fases de uma investigação para que a mesma e as problemáticas sinalizadas sejam solucionadas, fases que Máximo-Esteves (2008) refere como sendo “um conjunto de estratégias de acção (…) e de reflexão/avaliação articuladas sequencialmente” (p.78).

No quadro abaixo disponibilizado é possível observar as fases de uma investigação, compostas pelo conjunto de estratégias referidas anteriormente.

Figura 2. Fases da Investigação-Ação.

Nota: Adaptado de Máximo-Esteves, Visão Panorâmica da Investigação Acção, 2008, p.78.

A 1ª fase - Identificação e Análise do Problema, corresponde ao período de diagnóstico, onde é realizada uma observação in loco. São assinaladas as principais dificuldades da turma e evidenciadas as principais características dos alunos. Depois de sinalizada a problemática, é formulada a questão-problema.

A 2ª fase - Planificação e Implementação da Ação, correspondente ao período de intervenção, onde se aplicam as estratégias definidas aquando da planificação. É também nesta fase que se realiza a recolha de dados que posteriormente irão servir para na 3ª fase, ajudar a retirar algumas conclusões.

A última fase, designada Observação e Reflexão dos Efeitos da Ação, diz respeito ao processo de análise e aferição dos resultados, e é realizada tendo em conta a recolha de dados através das observações feitas ao longo da aplicação da 2ª fase. Nesta fase são organizados e sistematizados os dados recolhidos para, em seguida, prosseguir para a compreensão e aferição de resultados. Posteriormente, são discutidos os resultados para que estes sejam validados.

Se a validade da investigação não ocorrer, é retomado o ciclo com o intuito de melhorar a ação e tentar solucionar a problemática encontrada inicialmente.

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