4.1.1. Unidade A: Universidade de Música Popular Bituca
A Universidade de Música Popular Bituca foi fundada em 2004 com o objetivo de formação profissional, oferecendo ensino gratuito a alunos provenientes de vinte e cinco cidades da região de Barbacena-MG. O ensino é gratuito, mesmo tendo a instituição caráter particular: trata-se de um desmembramento do grupo Ponto de Partida, e se mantém com o patrocínio de empresas privadas estimuladas pela dedução fiscal garantida pela lei estadual de incentivo à cultura (IN 03/2012 LEIC) e pela Lei Federal 8313/91.
A escola foi instalada num dos prédios de uma antiga fábrica de seda, datado de 1888, e teve sua reforma financiada com recursos provenientes do Fundo Estadual de Cultura e de empresas privadas, sendo o projeto realizado pelo Arquiteto Alexandre Rousset.
A edificação estava subutilizada e em processo de degradação quando da decisão de instalação da escola no local. No período entre o fechamento da fábrica e a reforma para abrigar a escola não houve outra utilização do prédio, a não ser a de depósito de materiais e sucatas. A escolha se deu pelo fato de a implantação do complexo ser deslocada da malha urbana, num local onde há pouca interferência de ruídos externos à escola (Figura 4.1).
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Figura 4.1: Localização da Unidade A na malha urbana. Fonte: [a] acervo próprio. [b] Google (2013).
O conceito do projeto de reforma teve como balizador a preservação das características originais da edificação e a estética interna que expusesse a identidade visual do grupo Ponto de Partida. O procedimento incluiu o levantamento de danos e das condições da instalação, de modo a embasar as decisões para a reforma.
A estrutura organizacional da instituição e a forma de financiamento permitiu a contratação de empresa privada para elaboração do projeto e a execução da obra sem a necessidade de processo licitatório. Portanto, não houve maiores restrições para a realização do projeto de reforma e adequação, exceto quanto à limitação de recursos financeiros.
4.1.2. Unidade B: Conservatório Estadual Theodolindo José Soares
Esse Conservatório Estadual, criado como órgão público em 1953 por lei estadual, é regido pelo regulamento de Conservatórios Estaduais de Música e mantido pelo governo do Estado de Minas Gerais, sob coordenação da Superintendência Regional de Ensino do Estado, em Ubá-MG. Oferece ensino gratuito a alunos de quinze cidades da região, com cursos de formação básica em música e também de profissionalização via curso técnico.
A unidade está localizada em Visconde do Rio Branco-MG, em prédio de valor histórico situado no centro da cidade. O governo estadual definiu a implantação de acordo com a disponibilidade de edificação ociosa. O entorno imediato possui residências, uma escola regular infantil e a praça central da cidade com ruas de tráfego de médio a intenso. Desde a
50 sua fundação, a escola mudou de sede diversas vezes até se estabelecer na atual há 32 anos (Figura 4.2).
Figura 4.2: Localização da Unidade B na malha urbana. Fonte: [a] acervo próprio. [b] Google (2007).
O edifício é tombado como patrimônio histórico municipal. Está implantado em terreno amplo e tinha anteriormente uso residencial privado, com única edificação de três pavimentos, sendo um deles subsolo, e uma sala anexa, que era usada como depósito.
A primeira reforma, em 1980, teve por finalidade somente a conservação de pintura e acabamentos. Não houve demolições ou construções de alvenaria ou lajes. Para essa reforma, não houve projeto específico, somente orientações da equipe de engenharia da Superintendência de Ensino. A reforma foi realizada com recursos públicos por meio de licitação.
A crescente demanda pelas atividades oferecidas pelo conservatório aumentou o número de alunos e tornou o prédio original insuficiente para abrigar as turmas. Foram realizadas ampliações na década de 1990, com construção de cinco anexos, três abrigando salas de aula, um com cantina e outro com um auditório (Figura 4.3).
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Figura 4.3: Espacialização atual da Unidade B.
Todos os projetos foram realizados pela equipe interna da Superintendência e execução das obras mediante licitação pública. As restrições que esse contexto impõe ao processo de projeto incluem: falta de especialização dos profissionais de projeto envolvidos ou barreiras à liberação de verbas para a contratação das equipes para o projeto especializado; limitação de recursos financeiros para execução das obras; e, dificuldades de intervenções em edifícios tombados como patrimônio.
4.1.3. Unidade C: Conservatório Municipal Heitor Villa-Lobos
O Conservatório Municipal foi fundado por lei municipal, como órgão público. É mantido pela Prefeitura Municipal de Barbacena e coordenado pela Fundação Municipal de Cultura. Atende a alunos de oito cidades da região, com cursos de formação básica para alunos a partir de 6 anos.
Desde a sua fundação, migra entre diversos edifícios de propriedade do município. A alteração de sede se dá por ordem de órgãos hierarquicamente superiores, conforme a necessidade de instalação das sedes de instituições municipais. Desde 2007, está instalada no prédio da Estação Ferroviária (Figura 4.4). As salas que ocupa localizam-se em todo o segundo pavimento da sede da estação, onde anteriormente funcionavam os setores administrativos da linha regional Central do Brasil. Eventualmente, para apresentações ao
52 público, o Conservatório se utiliza de um dos antigos galpões de armazenagem, que também abriga a exposição permanente de artes plásticas do município.
Figura 4.4: Localização da Unidade A na malha urbana. Fonte: [a] acervo próprio. [b] Google (2013).
O edifício localiza-se no centro da cidade, próximo a vias de circulação de veículos com tráfego intenso. Apesar de o prédio não ter uso como estação ferroviária, ainda há circulação de trens de carga na linha férrea adjacente; a área no entorno da edificação, além do trânsito de grandes composições férreas, é usada também como pátio de manobras de pequenas composições e carregamentos leves.
A edificação não passou por reformas, adaptações ou ampliações para se adequar ao uso de Escola de Música. A conformação física é ainda a original, uma vez que o edifício é tombado pelo IEPHA.