• Aucun résultat trouvé

No bojo do processo de globalização neoliberal, observam-se características, tais como: monopolização do mercado global financeiro por grandes bancos; o acelerado avanço tecnológico; as mudanças na forma de gestão e organização do mercado de trabalho; o empobrecimento das denominadas nações de periferia; e a redução do emprego formal. Esses dados já existiam no século XIX, mas repercutem mais no mundo do trabalho, na década de 80, com o novo nome de reestruturação produtiva. Para Antunes (2001), nesse período, as maiores mudanças foram quanto à maneira de o trabalhador se inserir no processo produtivo, ou seja, com o crescimento desenfreado do desemprego, o que se depreende é que muda, também, a maneira de o trabalhador pensar seu planejamento profissional.

Nesse contexto, conceitos como empreendedorismo, competência e habilidades se ressignificam. Emerge o debate como preocupação primeira, tanto do trabalhador quanto das Instituições de Ensino, sobre que perfil profissional estaria adequado às severas exigências do mundo do trabalho (ANTUNES, 2001): o trabalhador querendo saber como agir para ter empregabilidade, e a Universidade discutindo como formar egressos aptos a conquistarem essa tal empregabilidade.

Com a crise produtiva do sistema fordista, surgia novo paradigma, que trazia nova concepção de trabalho flexível, menos pesado e mais intelectualizado. Para Drucker (1997), os profissionais que fazem o trabalho pesado serão cada vez menos absorvidos na economia contemporânea. Os profissionais mais demandados seriam os contadores, peritos em computação, enfermeiras, engenheiros, professores e pesquisadores, sendo que os administradores, entre os trabalhadores intelectuais, constituem o segmento de maior potencial.

Conforme essa assertiva, as discussões ocorrem mais em torno do âmbito da qualificação para um determinado posto de trabalho em uma empresa; o profissional, nesse momento, seria demandado para gerir processos (LEMOS; PINTO, 2008).

Algumas questões estruturaram a pesquisa quanto ao tópico 5.3, e

denominado “O mundo do Trabalho e os Cursos de Administração”, acerca das

consideradas fundamentais e dirigidas aos entrevistados, a saber: Segmento de

Professores: 1) Qual a sua opinião sobre o atual mercado do trabalho como campo

de atuação profissional do egresso do Curso de Administração?; Segmento de

Egressos: 2) A grade curricular do seu Curso de Administração acompanhou as

mudanças ocorridas no mercado de trabalho?; 3) Existe correspondência entre os conteúdos adquiridos por você durante o Curso de Administração e as atividades de gestão que você desempenha na empresa onde atua?; 4) A formação teórica específica do Curso de Administração pode ser considerada como fator decisivo na contratação de um profissional da área?. Outras questões importantes que já foram mencionadas nos eixos anteriores, como as habilidades demandadas dos profissionais de administração, serão apenas mencionadas neste tópico.

No segmento de professores, 70% dos entrevistados, ao emitirem sua opinião no tocante ao atual mercado de trabalho, como campo de atuação profissional do egresso do Curso de Administração, consideram que o mercado de trabalho maranhense é amplamente favorável aos profissionais, como ilustrado a seguir:

[...] o mercado maranhense é excelente, está em um momento excepcional e o que nós precisamos atentar como professores é para que, de fato, as competências que temos que construir, em sala de aula, ocorram potencializadas de tal modo, que, efetivamente, tenhamos profissionais aptos para absorver essas oportunidades que já existem e que surgirão com os novos investimentos que estão sendo implementados no Estado [P6].

Por outro lado, 30% dos professores reconhecem que o mercado de trabalho do administrador no Maranhão é restrito e desfavorável, como pode ser constatado nas falas a seguir:

[...] o cenário atual de mercado globalizado é para absorver esse egresso, mas, aqui, no Maranhão, encontramos a barreira no empresário, isto é, na cultura do empresário maranhense [P1].

[...] o Maranhão é um estado pobre e não tem como absorver esse profissional, porque tem poucas empresas. Não é culpa do aluno e, talvez, nem do empresário, mas é culpa da pobreza local [P1].

[...] o mercado é restrito e completamente desfavorável porque os gestores são, na maioria das vezes, de outras áreas [P4].

Este último grupo tem como parâmetro a grande quantidade de egressos que saem das Instituições de Ensino Superior, no Estado, além do expressivo número de empresas que têm gestão familiar. Pontuam que os motivos são econômicos, mas também culturais. Para esses professores, na realidade, os empreendedores

maranhenses temem colocar a sua empresa na mão de um jovem administrador recém-formado, conforme declarou [P1]: “[...] os nossos egressos encontram a barreira no empresário, isto é, na cultura do empresário maranhense.”

No tópico 5.2, conforme opinião da maioria (75%), ficou patente que a grade curricular do Curso de Administração não alcança as mudanças ocorridas no mercado de trabalho.

A respeito da correspondência entre os conteúdos adquiridos durante o curso e as atividades de gestão, bem como sobre a formação teórica específica do Curso de Administração ser considerada fator decisivo na contratação de um profissional da área, estes foram os resultados:

 50% dos interlocutores acreditam que o Curso de Administração não conseguiu acompanhar o desenvolvimento e o dinamismo do mundo do trabalho;

 12% afirmaram que tem pouca relação e que têm que complementar a formação profissional com treinamentos específicos para poderem atender às exigências da empresa em que atuam;

 38% dos empreendedores assinalam que existe relação com a teoria abordada na academia e a realidade das empresas onde atuam. Entendem, pois, que os conhecimentos científicos adquiridos no Curso, quando atrelados às experiências pessoais dos gestores, são fatores decisivos para os empreendimentos crescerem e permanecerem no mercado.

A visão do último percentual acima mencionado é, de certo modo, enfatizada por Nonaka (1997, p. 27), ao enunciar que “[...] numa economia onde a única certeza é a incerteza, a única fonte garantida de vantagem competitiva duradoura é o conhecimento”.

Percebe-se, de fato, que a formação específica em Administração não é vista como requisito fundamental para a contratação de um gestor, tendo em vista que 62.5% dos egressos empreendedores asseguram que existem outros profissionais que podem atuar como um administrador, desde que tenham, por exemplo, especializações mais específicas como os MBA13. O resultado aqui aferido articula-

13 MBA (Master of Business Administration) com esse tipo de curso o administrador passa a ter

uma visão mais ampla dos negócios e em geral adquire conhecimento de economia, finanças, marketing, administração estratégica, contabilidade gerencial e comportamento organizacional.

-se com o pensamento de 12.5% dos participantes que, ao serem questionados sobre os conhecimentos adquiridos durante o Curso de Administração, declararam que sobreviveriam tranquilamente como profissionais e que contratariam um gestor sem considerar a formação em administração como requisito essencial.

Vê-se que 37,5% dos entrevistados contratariam um administrador com formação específica e reconhecem que alguns empreendimentos são administrados de forma improvisada, carecendo de um profissional qualificado em administração, visto que um dos maiores problemas das empresas é a falta de um administrador. Afirmam que existem muitas empresas cujo dono se define administrador, quando, por vezes, não tem nenhum conhecimento da área e acaba gerenciando de forma empírica. Essa forma de gestão, segundo os entrevistados, pode até dar certo durante algum tempo, mas é, sem dúvida, um dos aspectos que provocam a grande descontinuidade das empresas no Brasil. Essa afirmação dos participantes não será investigada por não ser objeto desta pesquisa.

5.3.1 Formação empreendedora na visão dos egressos

Quando indagados se o Curso de Administração lhes possibilitou uma formação empreendedora, a maioria dos egressos respondeu não haver no curso uma política que objetivasse a formação do perfil empreendedor. O Gráfico 14 demonstra que a prática na Empresa Jr. não contribui para que os alunos mudem o foco do emprego tradicional para o empreendedorismo. Mais de 60% concluíram que não há formação empreendedora no seu curso, como pode ser constatado pelo relato que segue:

[...] o curso de administração foi muito importante para minha vida profissional, mas as universidades deveriam estimular a ação empreendedora, a ideia de desenvolver negócios próprios.... As universidades deveriam levar os alunos a participar de eventos voltados para o tema de empreendedorismo.... Poderiam fazer isso, promovendo visitas técnicas nas organizações públicas e privadas.... O interesse pela Empresa Jr. era do aluno e não da universidade [P4].

[...] existem várias formas de fomentar o empreendedorismo. Pode ser pela via dos novos ou dos negócios que já existem. Se o Curso de Administração não explorar esses nichos, como o egresso terá empregabilidade? [P3].

Por outro lado, expressam que os conhecimentos específicos do Curso de Administração levam ao desenvolvimento de características empreendedoras:

[...] a forma de administrar é diferente daquela forma que você aprende só com o conhecimento empírico (na prática) errando.... e sofre muito até atingir os objetivos .. não tem essa ou aquela empresa que começa e vai conseguir nascer e crescer, isso não existe [E4].

[...] a gente vai lutando, a empresa passa pelo menos 5 anos para deslanchar, para ter algum resultado... ela começa muito difícil mesmo. Mesmo quando começa com recurso... a maioria começa sem recurso como é o nosso caso.... Sim, foi muito viável o período que passamos no Curso de Administração, trouxe uma base [E4].

[...] o que deu pra perceber com o curso de administração é que você passa a acertar mais... você passa a perceber coisas que antes você não percebia... Se eu não tivesse feito o Curso de Administração eu não teria aberto a minha empresa e tampouco estaria mantendo-a no mercado. Já passei da fase crítica que é os 2 primeiros anos. 92% das empresas no Brasil quebram até 2 anos [E2].

[...] tínhamos muitos treinamentos internos rápidos, mas depois da faculdade a gente tem conhecimentos específicos que fazem a gente ser capaz de definir cenários, criar rotas. Planejar e redefinir esses planejamentos, saber tomar decisões de recuar quando tiver que recuar em determinadas situações são ferramentas importantes que a gente vê no Curso e que são fundamentais para que a Empresa tenha vida longa [E2].

A experiência de mercado, na perspectiva de uma boa parte dos entrevistados, converte-se em ganho, tanto para o aluno quanto para o professor. Isso se soma à entrada em cena de novos paradigmas para o sistema educacional, ou seja, o ensino que antes era firmado em parâmetros fechados e rígidos, tendo um currículo com enfoque específico e direcionado a uma determinada área de conhecimento, hoje ganha articulação interdisciplinar e se amplia alcançando novos saberes (MORAES, 2010).

Documents relatifs