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V. Cas pratique

1. Grille d’analyse des principes du Sistema

O método de estudo de uma pesquisa científica indica o caminho do pensamento e a prática do investigador na construção da realidade e, segundo MINAYO (1994, p. 16), “inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas empregadas e o sopro divino do potencial criativo do investigador”.

Os dois métodos utilizados pelas ciências têm sido o qualitativo e o quantitativo. Estes não se opõem; na verdade, se complementam (MINAYO, 1993).

ALVES (1999) ressalta que os cientistas do passado já diferenciavam a ordem das quantidades da ordem das qualidades, mas consideravam ambas como qualidades. A primeira (ordem das quantidades) era expressa como qualidade primária e designava qualidades inerentes ao objeto, podendo ser traduzidas de forma matemática. A segunda (ordem das qualidades) era expressa como qualidades secundárias e referia-se às experiências dos sujeitos em relação ao objeto.

A pesquisa quantitativa é muito útil para investigar as qualidades primárias de um objeto, ou seja, a quantidade.

Por outro lado, a qualitativa é a mais recomendada para estudar as qualidades secundárias, que não podem ser quantificadas: o universo de significados dos seres humanos em suas ações e interações sociais (MINAYO, 1994; PATRÍCIO, 1995).

As correntes de pensamento que têm orientado a pesquisa qualitativa expressam diferentes formas de construir o conhecimento:

□ O Positivismo considera os produtos da interação social como componentes funcionais da realidade, sem inseri-los no contexto de sua construção social e, segundo TRIVINOS (1987, p. 31), “a busca de resultados essencialmente estatísticos amarrou, em repetidas oportunidades, o investigador ao dado, ao estabelecer relações estatisticamente significativas entre os fenômenos”.

□ A Sociologia Compreensiva tem como objetivo a compreensão da realidade humana vivida socialmente, tendo o “significado” como seu conceito de estudo. Preocupa-se em explicar as relações sociais consideradas essência e resultado da atividade humana criadora, afetiva e racional, expressas no cotidiano, na vivência humana e no senso comum. Incluem-se, nesta linha de pensamento compreensivista, a Fenomenologia, a Etnometodologia e o Interacionismo Simbólico (MINAYO, 1999).

a A Dialética marxista trabalha com a complexidade, buscando encontrar na parte a compreensão e a relação com o todo, e considera a existência de uma relação intrínseca de oposição e complementaridade entre o mundo natural e o social. Este tipo de abordagem permite um entendimento dos significados de forma mais abrangente, captando-os no cotidiano, na vivência e no senso comum, e inserindo-os em um contexto social e histórico, considerando sua interação e inter-relação (MINAYO, 1994).

□ Mais recentemente, outra visão da realidade tem emergido: a visão holística. Esta considera as conexões, inter-relações e interações com o universo e o cosmos, além das consideradas no mundo natural, social e histórico. Leva em consideração a complexidade da realidade, a complementaridade dos opostos e a diversidade das necessidades individuais e coletivas do ser humano, aonde cada elemento representa o todo e está

inserido em uma rede de fenômenos interligados, interdependentes e em constante interação (CREMA,1991; PATRÍCIO 1995; BOFF, 1995). PATRÍCIO desenvolveu o Referencial Holístico-Ecológico. Justifica que o sentido do termo ecológico refere-se à “ecologia profunda”, que considera o mundo como uma rede de fenômenos interligados e interdependentes, enfatizando assim o caráter holístico de sua abordagem.

Conforme PATRÍCIO (1999, p. 37),

A abordagem Holístico-Ecológica parte.do pressuposto de que é possível integrar várias áreas do conhecimento num fio condutor'que busca entender e agir nos microcosmos - micromundos -tendo consciência do contexto global. Busca o sentido da Humanidade, tendo a clareza de que, mesmo assim - nessa amplitude de abordagem- não é possível dar conta de compreender toda a complexidade da vida e de seus fenômenos particulares, mas, em síntese, busca compreender o máximo possível de um dado fenômeno, através do conhecimento das múltiplas dimensões'e conexões que expressam)essa situação, tendo consciência do contexto global, ou seja, que busque conhecer o máximo possível de um dado fenômeno, através de suas múltiplas dimensões e conexões.

BOFF afirma que o ser humano se constrói e deve construir-se com e através de contradições, que se complementam. Cita que “Ele (o ser humano) inter-existe e co-existe com outros seres no mundo e no universo" (BOFF, 1998, p.21). Nesta lógica complexa, o universo funciona através de uma teia de relações interdependentes, pelas quais tudo tem a ver com tudo, em todos os momentos e em todas as circunstâncias.

MORIN (1997) comenta que um importante princípio, indispensável para a construção de conhecimento sobre os seres humanos, é o reconhecimento pelo investigador de que ele também é parte de “um todo social” e que este todo está dentro dele, sendo necessário que o mesmo faça um trabalho de auto-análise e auto-exame para tentar se situar e saber que não é o proprietário de um verdadeiro conhecimento, já de início, pois seu conhecimento é relativo.

Para o autor, o desafio da complexidade pode ser encarado de forma mais séria, se considerarmos que aquilo que foi certo e seguro no passado parece erro e ilusão no presente, e que o que temos hoje por certo e seguro poderá ser visto no futuro como erro e ilusão.

Como investigadores, temos que ter a humildade de saber que “nossas verdades” são relativas.

Vale ressaltar o apelo de MORIN para que façamos ciência com mais consciência:

Nós somos um elemento na história da vida, da mesma forma que nós consideramos hoje o cosmos; estamos num pequeno planeta, satélite de um sol de periferia que, por sua vez, faz parte de uma galáxia periférica - a Via Láctea. É impossível considerar a humanidade o centro do mundo, é impossível pensar que o objetivo da humanidade seja conquistar a natureza. Se integrarmos nosso conhecimento, poderemos situar-nos com a nossa consciência, uma consciência mais válida do que se não fizéssemos esse exames (MORIN, 1997, p. 21).

A pesquisa qualitativa, guiada por princípios da Abordagem Holístico- Ecológica foi o método utilizado nesta tese para abordar o universo dos significados do trabalho para os sujeitos investigados.

Parti do pressuposto que, como investigadora, sou também ser humano, tendo meus significados, necessidades, desejos e limitações, e que o estudo somente seria construído através da minha interação com os sujeitos investigados que, por sua vez, tinham os seus universos de significados. Tenho consciência de que “todo ponto de vista é a vista de um ponto” (BOFF, 1998, p. 9), e que o “meu ponto” é apenas um ponto no universo, ao qual estamos todos conectados. Por isso, no processo de interação com os sujeitos, para enxergar melhor através de seu olhar esforcei-me para não usar a “minha lente” sobre a vida.

O tempo de pesquisa totalizou três anos. Durante dois anos, elaborei o projeto sobre as crianças, em processo de aprendizado dos movimentos da ginástica olímpica, filmei-as, analisei-as e comecei a escrever a tese. Em março do ano 2000, mudei o tema de tese, elaborei novo projeto e qualifiquei-o, em junho do mesmo ano. A partir de setembro de 2000, comecei a coletar os dados. O processo de coleta e validação dos dados durou quatro meses. Em paralelo, desde o começo da elaboração do projeto, esforcei-me por atualizar a revisão bibliográfica. A elaboração final da tese iniciou-se, em novembro de 2000, e estendeu-se, até meados de abril de 2001.

4.2 CONTINUANDO A TRAJETÓRIA: O TIPO DE ESTUDO, OS SUJEITOS E O