Desde o início da colonização, o imigrante teve preocupação com a vida escolar de seus filhos. Como a religiosidade dos que aqui constituíram os seus lares era grande, a Igreja teve significativa participação na vida escolar dos alunos. Primeiramente organizava-se a escola e posteriormente a igreja. Todos os imigrantes eram alfabetizados, pois não queriam que seus filhos crescessem analfabetos. Como o governo não contribuía com o mínimo, os colonos criaram suas próprias associações escolares.
A educação era feita em língua alemã, por ser a única que eles conheciam. À frente da Comunidade estava um ministro enviado da Alemanha, que não era apenas o
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O Hunsrückisch é um dialeto alemão falado na região do Hunsrück, no sudoeste da Alemanha. No Brasil, esse dialeto pode ser encontrado nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo.
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Já o Pomerano, pertencente ao idioma Plattdüütsch ou Plattdietsch, manteve-se lado a lado ao Hunsrückisch no Brasil meridional, mas em menor escala. O Plattdüütsch é falado em partes dos Países Baixos, norte da Alemanha, sul da Dinamarca e em regiões do noroeste da Polônia. No Brasil, o pomerano e as formas correlatas do Platt são faladas em cidades, como Pomerode, Santa Catarina (situada perto de Blumenau). No Rio Grande do Sul existem núcleos de diversas dimensões (por exemplo na vila Dona Otília, município de Roque Gonzales, Rio Grande do Sul). O pomerano e outras formas do chamado alemão Platt (oriundo das regiões planas e baixas do norte europeu) também são falados no Paraná no Espírito Santo (municípios de Domingos Martins e Marechal Floriano).
pastor das almas e o predicante, mas também o professor, o médico, o conselheiro etc. como afirma Mian (1993, p. 39),
As aulas de catecismo eram dadas em alemão. Em casa, as lições eram repetidas. Depois que se abriram as escolas, começaram a falar português, cujo aprendizado era valorizado, pois também o catecismo era ensinado em português. Os religiosos desempenharam um papel fundamental na criação e difusão de escolas e pode-se destacar a participação de muitos deles que, para sanar a falta de escolas para essas crianças, cuidou da fundação de escolas particulares. Essas desempenharam uma contribuição valiosa, no sentido de aumentar as oportunidades educacionais, para os filhos de imigrantes.
Quanto aos imigrantes italianos, a repressão em relação à língua era menor. Por ser uma língua latina, tinha algumas semelhanças com a língua portuguesa. Porém, mediante a política de nacionalização, também a língua italiana foi proibida. De acordo com Soares (1997, p. 78),
O próprio bispo, Dom Luis Scortegagna, os padres e os pastores alertavam seus fiéis: era proibido rezar em italiano ou alemão. A notícia alastrou-se entre os imigrantes e seus descendentes aumentando o medo, que crescia após a repressão dos integralistas.
A justificativa era a de que a medida protegeria a cultura brasileira, evitando que se formassem duas pátrias distintas. Com a proibição de falar a língua materna e a punição que era reservada a quem a falasse, cresceu o sentido de inferioridade para aqueles que vieram colonizar o país. Fazia-se distinção entre educação e ensino. O ensino abrangia conhecimentos ministrados pelo professor e a educação consistia em seguir determinados comportamentos e evitar outros. Os comportamentos a serem reprimidos envolviam, geralmente, o castigo físico: tapão, pontapé, vara de marmelo e privação de comida. Relatando o seu primeiro dia de aula, Altmann (1991, p. 28) conta a seguinte história:
[...] a vida ficou mais séria e veio a minha vez de ir à escola. Meus primos mais velhos e os vizinhos tinham me intimidado: “o professor é muito bravo. Ele tem uma vara de marmelo e bate. Na escola não se pode falar, nem virar a cabeça pro lado. Não se pode sair”. Minha mãe costurara uma sacola com alça, a qual, nesse primeiro dia, eu levava pendurada no ombro, como via os outros fazerem. Dentro dela estava uma lousa de pedra e um estojo redondo, feito pelo funileiro, com um lápis de pedra [...] Saí de casa com coragem, escondendo o medo. Mas no meio do caminho, a coragem diminuiu e o medo aumentou. Voltei para casa e pedi ao meu pai que fosse comigo [...].
A palmatória, o castigo de ajoelhar sobre grãos de milho e o ficar de pé contra a parede nas escolas da época eram as formas físicas de repressão para os estudantes, visando manter a subordinação e a ordem em sala de aula. Para os italianos, o castigo físico, além de impedir os comportamentos indesejados, tinha a força de tornar a pessoa consciente de seus deveres pelo resto da vida. Conforme Soares (1997, p. 106), “[...] para o controle da disciplina dos alunos, reunidos em torno de uma única mesa, o pequeno castigo físico era generalizado, e até apoiado pelos pais dos alunos.”.
A base dos núcleos de colonização era a Igreja. Ao redor dela se constituía toda a comunidade, de modo que não havia marginalização de qualquer pessoa que compusesse a mesma, pois se previa a participação de todos na Igreja, escola e associações. De acordo com Kreutz (1991, p. 21),
[...] nas comunidades rurais, o professor paroquial, além da função de magistério, também assumiu funções de coordenação e de serviço nas comunidades. A formação de uma comunidade religiosa sempre vinha acompanhada da instalação de uma escola.
Os imigrantes teutos, assim como os filhos mais velhos, possuíam instrução primária adquirida no seu país de origem. No início da colonização, os imigrantes estabeleceram-se predominantemente em áreas rurais e, mediante tal fato, os mais jovens não tiveram oportunidade de aprender a ler, escrever e fazer operações matemáticas, ficando restritos à educação caseira.
Com a vinda dos pastores, ficaram estes responsáveis pela educação elementar na qual estava incluída principalmente a religião. Após a confirmação41, o jovem passava a exercer direitos e deveres dentro da comunidade, não somente no âmbito religioso, mas também no social. Como a Igreja detinha a educação destes jovens, ela ditava algumas regras para o cumprimento da escolaridade.
A dificuldade na assimilação da língua oficial não foi culpa dos imigrantes, pois estavam abandonados no meio da mata e sem comunicação com os centros urbanos. Sem qualquer apoio do governo, a Igreja tornava-se o único meio de acesso à educação. Mian (1993, p. 39) diz que “[...] as aulas de catecismo eram
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Confirmação é o momento em que o jovem participa pela primeira vez da comunhão oferecida na comunidade. A partir deste momento, o mesmo assume-se enquanto cristão perante a comunidade, não necessitando mais do direcionamento dos padrinhos de batismo em sua fé.
dadas em alemão. Diante disso, a Igreja torna-se o local de oportunidade de acesso educacional.” No entanto, os imigrantes haviam escolhido o Brasil como sua nova pátria, e, por maiores que fossem as dificuldades, a maioria não pensava em regressar para a sua terra natal e se proclamavam cidadãos brasileiros.
A íntima relação entre Igreja e Educação encontra explicações na tradição alemã, que tinha como objetivo formar bons cristãos, e, ao mesmo tempo, o Estado almejava a prosperidade e estabilidade nacionais, que dependiam da educação geral do povo. Assim é possível afirmar que:
Até meados do século XVIII predominou, nos estados alemães, o motivo religioso na educação. Apenas nas regiões onde a Igreja e o Estado estivessem unidos, e onde a Igreja desejava realizar algum plano de educação, é que o Estado tinha condições para desenvolver o sistema de escolas públicas. O impulso mais expressivo da concepção de educação, como condição para a formação da cidadania, ocorreu no início do século XIX. Fichte e Pestalozzi enfatizaram a ideia de que as reformas sociais e políticas deveriam surgir pela educação. Educação para todos seria a condição básica para regenerar a sociedade e assegurar a todas as crianças, o desenvolvimento moral e intelectual (KREUTZ, 1994, p. 15-16).