Sendo o Protótipo um ‘percurso em construção’ de um Módulo-modelo previsto para um Curso completo, a estruturação que aqui se apresenta será idêntica à estrutura de qualquer um dos dez Módulos previstos. Na sequência do que sinteticamente foi apresentado, o Módulo está organizado em quatro grandes áreas que interagem entre si:
(i) Sessões (S), (ii) Ecrãs (E) (iii) Instrumentos de apoio (IA) e (iv) Tarefa Final
(i) As Sessões:
Cada uma das Sessões contém os objectivos parcelares do Módulo, aglutinando vários Ecrãs, e apresenta as actividades individuais e colaborativas previstas que, em conjunto com as actividades das restantes Sessões, poderão contribuir para a execução da Tarefa Final de Módulo. Assim, as três Sessões que constituem este Módulo têm objectivos distintos mas complementares:
S-1:
• Compreender cartazes de espectáculos, filmes em exibição e horários dos cinemas;
• Interpretar e expressar opiniões críticas apresentar. S-2:
• Convidar e recusar um convite;
• Justificar a recusa;
• Compreender e falar sobre tempos livres, horários e dias da semana. S-3:
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• Localizar o cinema com indicação do caminho a seguir;
• Compreender e escrever mensagens curtas;
• Ler e ouvir informação sobre o filme
As Actividades integradas no final de cada uma das Sessões estão, como é natural, directamente relacionadas com estes objectivos e visam desenvolver nos aprendentes momentos de ‘ensaio’ que os prepare para a Tarefa do fim do Módulo.
(ii) Os Ecrãs
Os Ecrãs constituem núcleos variados dentro das Sessões. É através deles que são apresentados exemplos de língua sobre os quais incidem maioritariamente os exercícios de compreensão, de léxico, de gramática e de prosódia. Podem conter documentos em formato áudio, vídeo ou scripto, constituindo pontos de partida para a fase de apresentação linguística de descoberta para além do contacto com o contexto. Dentro de cada Ecrã o estudante poderá seleccionar e realizar os exercícios de acordo com as suas preferências e/ou necessidades, iniciando assim a construção da sua interface com o contexto de aprendizagem, como preconizado por White (2003). Os Exercícios são destinados especificamente a (i) Compreensão, (ii) Léxico, (iii) Gramática e (iv) Pronúncia e Prosódia. À excepção destes últimos que requererão um tratamento informático específico e mais complexo, todos os outros foram desenvolvidos recorrendo ao software Hot Potatoes que permite a criação de exercícios interactivos.
(iii) Os Instrumentos de Apoio:
Os Instrumentos de Apoio são transversais a todo o Módulo devendo ficar acessíveis através de hiperligações18 a partir de qualquer ponto em que o estudante se encontre enquanto está a trabalhar em qualquer um dos Ecrãs, para, por exemplo, encontrar um sinónimo de uma palavra, obter informação cultural, esclarecer uma dúvida linguística, conhecer a conjugação de um verbo ou obter informação sobre um nome próprio. Estão organizados em ‘Vocabulário’ e ‘Notas Gramaticais’. Em ‘Vocabulário’ serão apresentadas séries (p. ex. dias da semana, meses do ano), explicadas expressões coloquiais, relações de sinonímia e antonímia (para apoio à realização de alguns exercícios de léxico, por exemplo) e nomes culturalmente relevantes, referidos nos Ecrãs. Em ‘Notas Gramaticais’ serão expostos os aspectos linguísticos integrados nos
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Ecrãs, mas agora apresentados de forma paradigmática de modo a melhor sistematizar o seu uso. É, por exemplo, o caso da conjugação verbal, das preposições, dos conectores frásicos frequentes, referidos e trabalhados ao longo dos Exercícios que, sendo bastante frequentes na língua, são também alvo de muitas formas desviantes por parte dos estudantes e não costumam ser explicitados em contexto de aprendizagem, como é demonstrado no estudo desenvolvido por Leiria (2001).
(iv) Tarefa Final:
ATarefa Final (TF) envolve as etapas que foram sendo treinadas ao longo dos exercícios e das actividades de cada Sessão e constitui, também, uma oportunidade para, de forma mais criativa, os estudantes reformularem e recriarem as situações comunicativas anteriores. Procura, portanto, aproximar-se da ‘tarefa pedagógica’ a que Nunan (2004) se refere na definição que apresenta.
0.5 Organização
O presente trabalho está organizado em duas partes:
A PARTE I – “A distância e as tTarefas no ensino e na aprendizagem de línguas não
maternas ” – está subdividida em quatro Capítulos, e nela é feita uma revisão da
literatura para cada uma das três áreas que a compõem.
O Capítulo 1 – Ensino e aprendizagem de uma língua não materna – pretende, de uma forma sintética, situar as fases por que tem passado o Ensino de línguas não maternas ao longo do tempo para melhor introduzir a importância dos estudos em aquisição de L2 e como os resultados obtidos têm permitido compreender como as línguas são aprendidas produzindo mudanças significativas na forma como elas podem ser ensinadas.
O Capítulo 2 – Educação a distância e aprendizagem de línguas – analisa o desenvolvimento tecnológico nas áreas da comunicação e informação, associando-o à criação de ambientes de aprendizagem a distância, primeiro, através da aprendizagem de língua assistida por computador e, depois, à aprendizagem baseada em redes. Analisa também os aspectos positivos, e as dificuldades, que a natural abertura a uma intercomunicação global traz à aprendizagem da língua com consequências sócio e interculturais ainda não completamente estudadas.
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O Capítulo 3 – O ensino de língua baseado em tarefas – apresenta uma revisão da literatura sobre a relação entre a pedagogia e o uso da língua, tendo por um lado, o conceito de ‘tarefa’ enquanto abordagem metodológica aplicada ao ensino e à aprendizagem de uma L2, com componentes, classificação e graus de complexidade que as podem caracterizar, e, por outro, a sua relação com a Educação a Distância, contextualizada na construção de ambientes para o ensino de uma língua não materna a distância.
A PARTE II – “Percursos de construção para um curso de língua não materna a
distância baseado em tarefas” – está organizada em três Capítulos em que se procura,
por um lado, relacionar a investigação e a produção de materiais didácticos para o ensino do PE L2 e, por outro, apresentar os conteúdos para um Módulo, componente de um Curso de língua e as reflexões conclusivas sobre a sua construção.
O Capítulo 4 – O ensino e a aprendizagem de PE L2 em Portugal – faz uma breve contextualização histórica para situar a mudança substancial ocorrida a partir de 1974 responsável pelas progressivas mudanças no ensino e na aprendizagem do PE L2 e procura, por um lado, estabelecer uma ligação entre a investigação e a produção de materiais para o ensino e para a aprendizagem do Português L2 em Portugal para, depois, tentar compreender em que medida o ELBT se reflecte, de alguma forma, nos manuais publicados nos últimos anos.
O Capítulo 5 – O Ensino do PE L2 a distância baseado em tarefas– apresenta, por um lado, uma proposta contextualizada de um programa de língua para um Curso de Português L2 a distância, baseado em tarefas integrado no processo de avaliação do Modelo Pedagógico em vigor na Universidade Aberta; por outro, desenvolve a estrutura de um Módulo-modelo enquanto parte constitutiva do Curso. Os conteúdos são concretizados num Protótipo que exemplifica percursos necessários para o desenvolvimento (i) de uma aprendizagem de língua baseada em input fornecido em PE que contextualiza os exercícios diversos, as actividades individuais (através dos quais o estudante pode construir o seu ambiente de aprendizagem desenvolvendo a sua interface com o contexto) e também (ii) de actividades colaborativas, mais orientadas ou mais livres, desenvolvidas com colegas.
O Capítulo 6 – Reflexões finais e conclusões – equaciona os resultados obtidos com o Protótipo, a Aprendizagem Baseada em Tarefas e as hipóses inicialmente propostas,
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salientando os aspectos positivos que relevam da concepção do Modelo. Faz um balanço dos aspectos positivos mas, sobretudo, destaca a importância do trabalho a desenvolver no futuro, salentando a necessidade de uma equipa interdisciplinar para transformar o Protótipo apresentado num Módulo com condições para ser testado com estudantes.
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