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Dans le document Algorithms in a Nutshell 2E (Page 160-165)

Antes de decidir ingressar nesta viagem, muito aconteceu até optar por este caminho incerto, que é a área da docência. Não pertenço ao grupo de pessoas que diz que o desporto federado sempre fez parte da sua vida e que desde cedo soube que o caminho para a docência era o seu destino. De facto, pratiquei desporto durante muitos anos, mas um desporto diferente. Aquele com o qual se transmite sentimentos através do movimento corporal, sabem? Aquele com o qual expressamos um bocadinho do que somos em cada peça, obrigando-nos a ser perfeccionistas em tudo o que fazemos. Como refere Mendo (2007, p. 22) “A dança, como a consciência da consciência, é a resposta às nossas inquietações e reflexões, traduz inteligência, pensamento, mas igualmente sensibilidade. (…) é um movimento continuo, em constante flutuação (…)”

Sim, estou a falar da dança. Aquela prática corporal que também é arte e pela qual tenho uma paixão imensa desde o primeiro contacto. Foi aos seis anos que, por incentivo dos meus pais, ingressei numa escola de ballet. Apaixonei-me por esta área desde a primeira experiência. Ao longo dos anos passei pelos variadíssimos estilos, desde o contemporâneo até ao hip hop, tendo inclusivamente integrado alguns grupos. Esses anos de experiência tiveram grande influência naquilo que sou hoje, não só pelo desenvolvimento do domínio motor, decorrente da prática dos diferentes estilos, mas também pelos valores implícitos nessa mesma prática, como o espírito de sacrifício, o compromisso, o companheirismo e a entreajuda constantemente presentes.

Relativamente ao meu percurso académico, no momento de ingressar no ensino secundário realizei os normais testes psicotécnicos. Os resultados indicaram duas áreas possíveis, a arte e o desporto. Curioso, porque agora percebo que fazia algum sentido esta dualidade entre mundos tão próximos, o desportivo e o artístico, que a dança me proporcionou. Resolvi optar pela área de ciências da saúde no Colégio Internato dos Carvalhos, não elegendo de imediato a vertente desportiva; de certa forma por temer que os meus problemas respiratórios (asma) me pudessem prejudicar.

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A vontade de obter mais conhecimento na área desportiva não desapareceu. Pelo contrário, foi crescendo e muito, sobretudo pelas personagens secundárias que compunham o cenário, nomeadamente, os professores de EF e de Dança: peças impulsionadoras desta vontade. Deste modo, realizei os pré-requisitos e ingressei no curso de Educação Física e Desporto no Instituto Superior da Maia. Naquela altura não tinha qualquer intenção de vir a ingressar na vertente de ensino. Tal devia-se à situação do mercado de trabalho. Além disso, nessa época identificava-me mais com áreas como a gerontologia e o fitness. No entanto, ao longo dos três anos de licenciatura, em resultado das escassas, mas muito gratificantes, experiências com crianças no âmbito da prática pedagógica, a minha visão foi-se alterando. A vontade de fazer parte das vidas daquelas crianças e poder ser um exemplo para elas, marcou-me profundamente.

Foi assim que a vontade de ser professora floresceu e no momento de escolher a área a seguir no 2º ciclo do ensino superior, não hesitei: concorri para o mestrado de Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na FADEUP. Aí começou uma nova etapa desta viagem que me conduziu até ao presente ano.

Sem dúvida que todo este percurso académico, desportivo e social contribuiu para estar onde hoje estou, conduzindo-me à viagem alucinante que percorri e que ainda me encontro a realizar. Cada pequeno detalhe foi uma peça integrante do puzzle. Contudo, é possível que este caminho estivesse destinado a ser feito muito antes de todos estes acontecimentos acima descritos.

Antes de escrever este texto, em que procuro descrever um pouco daquilo que sou, da individualidade que me define, falei com os meus pais e familiares no sentido de me elucidarem acerca de como era eu em criança? Após refletir, percebi que para além de outras caraterísticas, era uma criança com um lado humano apurado. Não suportando que “fizessem mal” a qualquer ser vivo, por mais pequeno e aparentemente insignificante que pudesse ser tentava sempre auxilia-lo. Talvez até isso tenha ditado o caminho que escolhi, mas nunca me apercebi disso, já que o meu sentido de ajuda ao outro, sempre esteve presente até hoje.

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Atualmente, ao analisar estes modos de ser, percebo que são caraterísticas fundamentais para o exercício da profissão de professor estão aqui presentes – oferecer aos alunos o direito ao ensino, auxiliando-os a alcançar os objetivos e influenciando-os, positivamente, para que possam vir a ser cidadãos cultos, ativos e saudáveis. De acordo com o que afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (2015, p. 10) “Todo ser humano tem o direito fundamental de acesso à educação física e ao desporto, que são essenciais para o pleno desenvolvimento da sua personalidade. A liberdade de desenvolver aptidões físicas, intelectuais e morais, por meio da educação física e do desporto, deve ser garantido dentro do sistema educacional, assim como em outros aspetos da vida social.”

Esta viagem veio intensificar a minha vontade de ser professora, de monitorizar do crescimento de alguém. Através dela consegui alicerçar o meu conhecimento acerca do que é um bom professor, não só na teoria mas também na prática, este deve possuir uma capacidade de liderança nata, deve ser aberto à inovação aos métodos e modelos de ensino e obviamente de possuir um bom conhecimento específico do conteúdo, essencial para a transmissão de conhecimentos. Para além de tudo isto, durante este ano percebi que outras das caraterísticas essências do professor é a reflexão, uma vez que o bom professor é aquele que deve estar constantemente a colocar as suas decisões em causa verificando se estas resultaram ou o que é que poderia ter feito de diferente para que o processo de ensino-aprendizagem dos alunos fosse melhor.

Por último, refiro que este percurso me fez perceber que ser professor implica amar a profissão, e gostar de pessoas, da pessoa humana.

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