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CHAPITRE 1 REVUE DE LA LITTÉRATURE

1.3 Principaux constituants d’un enrobé

1.3.1 Granulat

Serão apresentados a seguir, especificamente, a tipologia e a estrutura de dicionários, fornecendo conceitos primordiais para a compreensão das obras em que se dicionarizam arabismos portugueses e os problemas decorrentes desta dicionarização.

2.6.1.1 Tipologia de produtos lexicográficos

Segundo Haensch (1982, p. 97-98), as obras lexicográficas em geral apresentam uma combinação de traços pertencentes a diferentes categorias de classificação. Com base na amplitude do discurso cujo léxico é descrito, podem as obras lexicográficas se pautar em discursos individuais, classificando-se, então, como glossários, vocabulários e dicionários, ou, ao contrário, contemplar o uso lexical do discurso coletivo, a exemplo dos tesouros da língua, compilação exaustiva do léxico de uma comunidade de fala. É possível, entretanto, codificar elementos lexicais de um subsistema, como ilustram dicionários de regionalismos ou de jargões específicos.

Classificam-se os produtos lexicográficos quanto ao enfoque da descrição lingüística, se centrada no emissor, no receptor ou em ambos (HAENSCH, 1982, p. 98). Quanto às funções, e na perspectiva da Lexicografia Pedagógica, Pontes (2009, p. 48-49) aponta a classificação como dicionários de produção ou ativos, que auxiliam no emprego da língua, como na produção de textos, e de recepção ou passivos, que propiciam a sua compreensão escrita ou oral. Conforme Haensch (1982, p. 98-99), consideram o papel do emissor lingüístico dicionários onomasiológicos – ideológicos, por matérias ou por conceitos –, os quais partem de conceitos e de determinadas matérias para indicar os significantes lingüísticos correspondentes, bem como dicionários ortoépicos, ortográficos, dicionários de regência e mesmo dicionários de dúvidas, todos prescritivos e pautados em dificuldades passíveis de o emissor encontrar no uso da língua. Por sua vez, de acordo com Haensch (1982, p. 99-100), enfatizam o papel do receptor lingüístico dicionários semasiológicos, nos quais se apresentam conteúdos realizados (individuais ou coletivos) ou virtuais (do sistema individual ou coletivo) para os significantes. Dicionários de neologismos e de estrangeirismos integram essa categoria de produtos lexicográficos. Explica-se, nessas obras, o conteúdo dos significantes, além de trazerem, geralmente, outras informações, como pronúncia, grafia e regência.

Quanto à quantidade de línguas descritas ou empregadas na sua elaboração, as obras lexicográficas se classificam como monolíngües (01 língua) ou plurilíngües, estas últimas subdivididas em bilíngües (02 línguas) ou multilíngües (mais de 02 línguas). Em geral, encontram-se dicionários terminológicos multilíngües, pela maior facilidade de se estabelecer a equivalência entre os significantes das línguas analisadas na obra e o seu conteúdo (HAENSCH, 1982, p. 100).

Extrapolam a classificação quanto ao papel do emissor e do receptor os dicionários inversos, que possibilitam a busca de paralelismos formais de morfemas isolados ou combinados, e os de freqüência (dicionários estatísticos) (HAENSCH, 1982, p. 100, 101, 102), ao passo que dicionários de sinônimos e antônimos evidenciam as relações verificadas na estrutura do léxico de uma língua (HAENSCH, 1982, p. 178, 179).

Distinguem-se o dicionário histórico e o etimológico pelo fato de o primeiro trazer a trajetória de um vocábulo, isto é, mudanças de significante e de significado sofridas ao longo do tempo, com datação do período de uso e com abonação, ao passo que o segundo é sincrônico, restringindo-se à origem das palavras e aos primórdios do seu uso em uma língua (HAENSCH, 1982, p. 161).

Haensch (1982, p. 126-187) propõe, ainda, uma tipologia dos produtos lexicográficos pautada em critérios práticos considerados na sua elaboração, aqui sistematizada, grosso modo, em:

a) formato e extensão: dicionários de bolso, dicionários escolares, dicionários enciclopédicos;

b) caráter lingüístico ou enciclopédico: dicionários de matérias ou enciclopédias e dicionários de língua ou dicionários lingüísticos;

c) sistema lingüístico tomado como objeto da descrição: dicionários de academias, dicionários de autoridades;

d) número de línguas: dicionários monolíngües ou plurilíngües (bilíngües ou multilíngües);

e) seleção do léxico registrado: vocabulários gerais e parciais, com descrição de subconjuntos lexicais com marcação diatópica – dicionários, vocabulários e glossários de dialetos; marcação diastrática – dicionários de gírias e jargões; marcação diatécnica – dicionários terminológicos; marcação diafásica – com descrição do emprego hiperbólico, irônico, humorístico e burocrático, dentre outros, de um vocábulo; marcação diaintegrativa – dicionários de estrangeirismos;

marcação dianormativa – dicionários de erros, de dúvidas ou de dificuldades de determinado idioma;

f) codificação exaustiva ou seletiva: tesouros, dicionários, dicionários de uso, dicionários de aprendizagem;

g) marcação diafreqüente: dicionários de freqüência;

h) critério cronológico: dicionários diacrônicos (históricos) e sincrônicos (etimológicos);

i) caráter descritivo ou normativo: dicionários acadêmicos, dicionários escolares, dicionários de dúvidas, dicionários de pronúncia, dicionários ortográficos e outros; j) ordenação de materiais (macroestrutura): dicionários semasiológicos (por

significantes) e onomasiológicos (por conceitos);

k) finalidade específica: dicionários de abreviaturas, dicionários onomásticos, dicionários paradigmáticos (de sinônimos, antônimos e parônimos), dicionários ortoépicos e ortográficos, dicionários sintagmáticos (de regência, de estilo e de fraseologia, por exemplo);

l) suporte de registro: dicionários convencionais e dicionários eletrônicos, a que Pontes designa, respectivamente, analógicos ou estáticos, impressos em papel, e dinâmicos, subdividindo-se estes últimos em dicionários off-line (em CD-Rom) e

online (internet) (PONTES, 2009, p. 54).

Pontes (2009, p. 30, 31) apresenta, sempre na perspectiva da Lexicografia Pedagógica, uma classificação dos produtos lexicográficos baseada simultaneamente no seu usuário e no grau de conhecimento lingüístico que este tem:

a) usuário com bom conhecimento e domínio do idioma (nativo ou bilíngüe): dicionários gerais;

b) usuário aprendiz da língua materna: dicionário infantil, dicionário escolar;

c) usuário aprendiz de língua estrangeira: dicionários de aprendizagem, bilíngüe, semibilíngüe e monolíngüe;

d) usuário especializado em áreas do conhecimento: dicionários especiais e especializados.

A estes, Pontes (2009, p. 31) acresce obras destinadas a usuários em geral: dicionários etimológicos, de dúvidas, de sinônimos.

Haensch (1982, p. 187) lembra que muitos produtos lexicográficos se enquadram em mais de um critério de classificação, de modo que sua caracterização pressupõe a descrição de todos os seus traços distintivos.

2.6.1.2 Macroestrutura de obras lexicográficas

A macroestrutura de um produto lexicográfico concerne ao conjunto dos materiais nele disponibilizado, cujo elemento mais importante é a ordenação dos itens léxicos (ordenação alfabética ou conceptual, por exemplo), estendendo-se, entretanto, à sua introdução, anexos e suplementos (HAENSCH, 1982, p. 452).

Segundo Haensch (1982, p. 452), os dicionários gerais, sejam eles monolíngües ou bilíngües, priorizam o ordenamento alfabético na sua organização, por agilizar a localização dos vocábulos. Às vezes, entretanto, este ordenamento é combinado a outro, como por famílias de palavras, muito útil para dicionários etimológicos, ainda assim figurando as palavras-chave em ordem alfabética.

A dicionarização pela ordenação onomasiológica, verificada nos dicionários ideológicos e analógicos, não prescinde de índice alfabético, em número equivalente ao de línguas consideradas na obra (HAENSCH, 1982, p. 456).

Para os dicionários inversos, cujo precursor são os dicionários de rimas, aplica-se ordem alfabética, gráfica ou fonética, ao final das palavras. Atualmente, elaboram-se de forma mecânica, mediante auxílio da informática (HAENSCH, 1982, p. 175, 457).

Haensch afirma que as obras lexicográficas se compõem, geralmente, de uma parte introdutória, do corpo do dicionário, de anexos, e, eventualmente, de suplementos.

Na introdução figuram as páginas titulares; prólogo ou prefácio, com apresentação dos objetivos da obra, atribuição de créditos e outros; uma introdução à obra, com explanações sobre o uso do dicionário, constituição das entradas e listas de símbolos e abreviaturas nele empregados; uma introdução a questões lingüísticas particulares da língua descrita, com paradigmas de conjugação e de declinação, por exemplo, ou, no caso de dicionários bilíngües, descrição sistematizada da pronúncia da língua de partida (HAENSCH, 1982, p. 458).

A depender da língua descrita e do usuário a que a obra se destina, a introdução pode conter, ainda, um esquema de transliteração, para aquelas que não empreguem o alfabeto latino, um resumo de regras ortográficas (uso de letras minúsculas e maiúsculas e pontuação, por exemplo), resumo de regras de separação silábica (HAENSCH, 1982, p. 459).

O corpo do dicionário, também designado “catálogo”, “inventário” ou “repertório”, é o conjunto do material léxico registrado e pode se dividir em várias partes, como ocorre em dicionários bilíngües, a exemplo de russo-português e português-russo, as

quais podem ser publicadas e um único volume ou em mais de um (HAENSCH, 1982, p. 459).

Muitos dicionários trazem anexos com topônimos, e às vezes gentílicos correspondentes, antropônimos e abreviaturas, o que, segundo Haensch, levanta questões práticas e metodológicas, relacionadas, respectivamente, à conseqüente necessidade de os usuários consultarem mais de um corpo, e de definição de critérios para a dicionarização dos vocábulos, que, com os anexos, costuma separar vocábulos derivados e siglas do vocábulo a que se relacionam, quando o ideal seria o consulente encontrar, reunidas, o máximo de informações acerca de um vocábulo (HAENSCH, 1982, p. 459-460).

A mesma crítica se faz à publicação de suplementos que, como medida econômica, usam-se para atualizar as obras lexicográficas, com o inconveniente ainda maior de separar novas acepções dos vocábulos já dicionarizados, fragmentando os artigos lexicográficos. Uma exceção constituem os suplementos com equivalentes de uma nova língua de um dicionário já publicado, o que ocorre quando não há mais espaço em um dicionário multilingüe, em geral especializado, ou quando a sua publicação como livro impresso teria custos muito elevados (HAENSCH, 1982, p. 460-461).

2.1.6.3 Microestrutura de obras lexicográficas

Constituem o corpo das obras lexicográficas os artigos ou entradas, suas menores unidades autônomas, cuja fisionomia varia desde poucos vocábulos sem subdivisões até numerosas colunas com várias divisões e subdivisões.

Cada artigo é composto de um lema, também chamado “palavra-chave”, “voz guia” ou “cabeceira”, que o enuncia, e do corpo do artigo, sua parte definitória, na qual se descreve e explica o lema. Outras informações apresentadas são etimologia, pronúncia, grafia, indicações gramaticais, especificações quanto a subsistemas léxicos a que pertença o vocábulo, definições (para dicionários monolíngües), equivalentes em outras línguas (dicionários bilíngües ou plurilíngës), acepções distintas, valores sintagmáticos e/ou paradigmáticos do vocábulo (HAENSCH, 1982, p. 461-462).

A extensão e o conteúdo do artigo variam segundo a finalidade da obra, o usuário a que se destina e a natureza do léxico nela descrito, de modo que as entradas de um dicionário especializado multilingüe podem se restringir praticamente ao lema, trazendo, no máximo, indicações sobre usos gramaticais, a rubrica em que se inserem e sinônimos. Por outro lado, um dicionário geral de língua apresenta, em artigos mais extensos, indicações

gramaticais, etimologia, acepções diversas, variantes gráficas, fonéticas, morfológicas, relações sintagmáticas (fraseologia) e paradigmáticas (sinonímia, antonímia e paronímia) (HAENSCH, 1982, p. 462-463).

Assim, a elaboração de uma obra lexicográfica demanda clareza na sua própria concepção, critério na definição do recorte lexical a que proceder-se-á, atenção às necessidades do consulente a que se destina, para estabelecimento dos critérios a serem seguidos em todas as fases da sua elaboração.

Também o esclarecimento do consulente quanto ao material de que dispõe concorre para o aproveitamento mais eficaz do produto.

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