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gouvernance dans la gestion des prisons

A Educação Emocional vem sendo compreendida na sua relação com os aspectos teóricos abordados no marco da inteligência emocional fundamentada na obra de Gardner ([1983]1994) sobre as inteligências múltiplas15 e pela publicação de Daniel Goleman (1995), Inteligência Emocional, que alcançaram grande repercussão científica e social ganhando espaço na Educação. As inteligências interpessoal e intrapessoal, descritas por Gardner (1995), compõem o que denominou inteligência pessoal e têm suas origens, respectivamente, nos sentimentos experimentados do indivíduo e na percepção direta de outros indivíduos significativos, sendo por meio da aprendizagem e do sistema simbólico da cultura a que se pertence que as inteligências pessoais assumem sua forma característica.

Goleman (1995), na sua leitura das elaborações de Gardner ([1983]1994), afirma que estas contêm uma dimensão da inteligência pessoal largamente apontada e pouco explorada: o papel das emoções. As particularidades dessa inteligência/habilidade pessoal compõem o que chamou de inteligência emocional. O conceito de inteligência emocional foi cunhado pelos psicólogos americanos Peter Salovey y John Mayer, em 1990, que a definiram como uma habilidade para entender e controlar as próprias emoções, bem como as dos outros, discriminar entre elas e utilizar essa informação para guiar pensamentos e ações. Esses autores incluem na sua definição básica de inteligência emocional as inteligências pessoais de Gardner ([1983]1994), expandindo-as em cinco habilidades (GOLEMAN, 1995).

 Conhecimento das próprias emoções – ter consciência das mesmas incluindo autoconfiança e capacidade para reconhecer um sentimento quando ele ocorre. Tal habilidade constitui a pedra fundamental da inteligência emocional.

 Manejo das emoções - habilidade em lidar com seus sentimentos para que se expressem apropriadamente. É desenvolvida na autoconsciência.

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Gardner ([1983]1994) atribui à inteligência uma importância equivalente às diversas faculdades humanas. Para o autor, a inteligência consiste na "capacidade de resolver problemas ou de criar produtos que sejam valorizados dentro de um ou mais cenários culturais” (1995, p.14). Acredita que a competência cognitiva é mais bem descrita em termos de um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais chamadas de inteligências e, assim, defende a ideia de inteligências múltiplas sugerindo sete tipos de inteligências: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal. A partir de 1999, agrega as inteligências naturalista e existencialista.

 Automotivação – habilidade para desenvolver automotivação, otimismo e criatividade. O autocontrole emocional de adiar a satisfação e reprimir a impulsividade está por trás de todo tipo de realização.

 Empatia - capacidade de reconhecer sinais sutis que indicam o que o outro quer ou precisa. Desenvolve-se na autoconsciência emocional, sendo a "aptidão pessoal" fundamental.

 Estabelecimento de relações sociais - define a competência em lidar com as emoções dos outros e trabalhar em equipe (GOLEMAN, 1995).

Após a repercussão mundial da publicação de Goleman (1995), Mayer e Salovey (1997) revisaram o conceito de inteligência emocional anunciando que a inteligência consiste num conjunto de competências que implicam no reconhecimento das próprias emoções e dos outros afirmando:

a inteligência emocional envolve a capacidade de perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e a capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional e intelectual. (MAYER & SALOVEY, 1997 apud WOYCIEKOSKI, HUTZ, 2009, p. 3).

Considerando as elaborações desses autores, Goleman (1995) desenvolveu suas ideias sobre a inteligência emocional assegurando que esta incide na capacidade de sentir, entender, controlar e modificar as emoções de si e dos outros. “Aptidões emocionais” que encontram como principal lugar de aplicação os cenários educacionais. Esse autor afirma que um indivíduo que, ao se emocionar, compreende e tem consciência de suas emoções, tem constituída uma qualidade para desenvolver melhor a habilidade de se relacionar com o mundo. Define, então, a inteligência emocional como um conjunto de atitudes, competências, destrezas e habilidades que decidem o comportamento do indivíduo, suas reações, estados mentais e estilo de comunicação, seguindo uma linha de pensamento que reinventou um conceito de inteligência em termos do que é necessário para viver a vida de modo bem sucedido e sugere que as aptidões emocionais podem ser ensinadas às crianças nos espaços escolares proporcionando-lhes melhor aproveitamento do seu potencial intelectual.

De acordo com Alzina (2003; 2011; 2012) foram os estudos e conceitos elaborados por esses autores que abriram as portas para o que se entende por

Educação Emocional compreendida, pelo autor, como uma inovação educativa imprescindível que visa ao desenvolvimento de competências socioemocionais, justificada pelas necessidades sociais de intervir em situações de caráter comportamental para promover o bem estar social e individual dos educandos, considerando situações problemáticas como indisciplina, drogadição, violência, bullying, entre outras ocorrências escolares e da vida cotidiana.

Alzina e Escoda (2012), justificando a importância da Educação Emocional, anunciam que as estatísticas sobre a incidência e prevalência da ansiedade, estresse, depressão, violência, suicídio são preocupantes e não estão sendo suficientemente entendidas por áreas acadêmicas ordinárias, portanto, é imperativa outra forma de intervenção e que se propõe com o desenvolvimento de competências e habilidades socioemocionais, alegando que estas favorecem as relações sociais e interpessoais, a resolução de conflitos, a saúde física e mental, contribuindo para a melhoria do rendimento acadêmico.

Há, ainda, uma demanda pelo desenvolvimento das habilidades socioemocionais no campo organizacional, uma vez que a maioria das empresas exige, além de conhecimento e competências técnicas, habilidades que assegurem a capacidade de colaborar, trabalhar em equipe, liderar, administrar conflitos e tolerar os altos níveis de estresse. Nesse panorama, há uma expectativa veiculada pela OCDE que remete ao universo laboral. As intenções de desenvolvimento das habilidades socioemocionais estão ancoradas no mercado de trabalho que define o perfil de um profissional de sucesso (RODRIGUES, 2015). Nesse aspecto, o desenvolvimento dessas habilidades vem sendo investigado como possibilidade de responder às exigências da atualidade, que têm como meta ampliar as competências individuais para enfrentar um mundo cada vez mais competitivo.

Nessa linha de pensamento, propõe-se uma educação que caminha para outros rumos no sentido de pensar habilidades socioemocionais para o mundo do trabalho, para o sucesso profissional. Dadas as necessidades sociais existentes, Alzina (2003; 2011) afirma que não há dúvida que a Educação contemporânea demanda o desenvolvimento de um conjunto de habilidades que combinem aspectos cognitivos e socioemocionais no ensino e na aprendizagem, não apenas para o

campo laboral, mas nas experiências cotidianas como habilidades básicas para o bem estar individual e social.

Desenvolver habilidades socioemocionais, então, deve consistir um modo de preparação não somente para o trabalho e educação, mas para a vida; não somente para o futuro, mas para a experiência cotidiana, expandindo os relacionamentos interpessoais, construindo possibilidades de afeto, tornando possível uma vivência mais cooperativa e fraterna no mundo contemporâneo. Assim, a Educação Emocional é considerada por Alzina (2011) como um processo educativo, contínuo e permanente, que visa promover o desenvolvimento integral da pessoa, com a finalidade de capacitá-la para a vida.

Contudo, percebe-se que as discussões sobre a educação emocional e o valor das habilidades socioemocionais na educação não são recentes. No centro dessa proposta encontra-se a emoção, fundamentada conceitualmente no âmbito das teorias das emoções e, portanto, é nesse campo que se busca compreender sua importância. Considerando a vertente teórica que norteia esta pesquisa, fez-se uma escolha pelos aportes de Vigotski e Wallon, pois é onde se entende que estão apoiadas as habilidades socioemocionais, atendendo suas implicações nos espaços educativos que resgatam a necessidade de reconhecer a complementariedade dos aspectos afetivos e cognitivos já assinalados pelos autores.

1.2 Emoções

O estudo das emoções tem sido de interesse em diferentes campos de conhecimento: Psicologia, Antropologia, Neurociências, Filosofia, Educação, que vêm demonstrando a influência das emoções na conduta humana. A relação entre emoção e cognição e seus efeitos no comportamento coloca em pauta a importância de compreender esse conceito. Nesse sentido, encontra-se na obra de Henri Wallon subsídios a esse estudo considerando tratar-se de um teórico que trouxe significativa contribuição discutindo as emoções nas suas vertentes biológica e social.

Ao escrever sobre a constituição das emoções, Wallon (1968; 1971) demonstra que os aspectos emocionais permeiam a ação do ser humano desde o nascimento e mantêm-se ao longo da vida perpassando a intrínseca relação com o outro. O autor compreende a emoção na sua condição primeira de comunicação da criança com o mundo e, assim, situa-a nas bases das relações interpessoais. Apontando sua natureza social, assegura-a como o primeiro vínculo estabelecido entre a criança e a mãe no instante do nascimento e sustenta que o homem é geneticamente social, uma vez que “a necessidade social está inscrita dentro do próprio indivíduo” (WALLON, 1968, p. 17). Nessa compreensão, Sirgado (2000), na sua leitura do Manuscrito de Vigotski, também assinala a inerência do social no indivíduo, demonstrando que o ser humano herda o social e com ele a possibilidade do cultural.

Sob a ação criadora do homem a sociabilidade biológica adquire formas humanas, tornando-se modos de organização das relações sociais dos homens. O social é, ao mesmo tempo, condição e resultado do aparecimento da cultura. É condição porque sem essa sociabilidade natural a sociabilidade humana seria historicamente impossível e a emergência da cultura seria impensável. É, porém, resultado porque as formas humanas de sociabilidade são produções do homem, portanto obras culturais. (Ibid., p. 53).

Em As origens do caráter na criança, Wallon (1971), enfatiza a análise do comportamento emocional sustentando que a emoção se encontra nas raízes da consciência operando a passagem do orgânico para o social num movimento dialético constante. A dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto da apropriação do conhecimento. No decorrer de seus escritos, demonstra que as primeiras manifestações psicológicas da criança têm um caráter visceral, cujo mecanismo é fisiológico. O filhote humano, na sua condição de lactante, encontra-se diante de uma incapacidade orgânica em satisfazer por si mesmo suas necessidades básicas. O único recurso que dispõe é desencadear, no outro, reações que provoquem a atenção. Nesse caso, a mãe ou aquele que se ocupa dos seus cuidados se encarregará de interpretar as expressões que manifestam seus estados viscerais. E, ao interpretá-las, inevitavelmente, insere um traço cultural numa situação de natureza biológica. Antes da linguagem, a emoção é o meio pelo qual o recém-nascido estabelece uma relação com o mundo externo.

Os movimentos de expressão evoluem de fisiológicos a afetivos, em que a emoção cede lugar aos sentimentos e, depois, às atividades intelectuais. A emoção, portanto, “nasce e se desenvolve na esfera das impressões e dos apetites mais próximos da sensibilidade orgânica” (WALLON, 1968, p. 61) e o seio materno representa esse momento no qual a satisfação de uma necessidade mistura-se com o surgimento das primeiras experiências afetivas e sociais. Nesse tempo o pequeno ser sente o despertar da emoção demonstrando que, para além das manifestações corporais, esse momento consiste num processo dialético carregado de significado e sentido intermediando a relação da criança com o mundo da realidade.

Assim é que, embora nas primeiras etapas a fisiologia e a psicologia sejam simultâneas, as consequências das manifestações da criança ultrapassam a fisiologia e a ligam à sociedade. Assim, através das relações de sociabilidade o comportamento humano vai sendo modificado: de visceral para socialmente orientado (OLIVEIRA; TEIXEIRA, 2006, p. web).

Então, o comportamento emocional da criança (gestos, choros, balbucios) desde os primeiros dias de vida, é o encadeamento de onde surgirão as bases para as relações interindividuais que passam a constituir, culturalmente, os indivíduos. As funções de expressão precedem as de realização e na antecipação da linguagem propriamente dita, “são elas que primeiramente marcam o homem, animal essencialmente social” (WALLON, 1968, p. 61). Em consonância com essas ideias, Vigotski (2007), também, salienta que a relação da criança com a realidade circundante é social desde o nascimento, confirmando que desde esse ponto de vista, pode-se definir a criança como um ser eminentemente social. A emoção, então, primeira forma de manifestação da afetividade, é concebida como um modo de sobrevivência da espécie, que opera desde o nascimento para suprir a insuficiência do bebê, no atendimento de suas necessidades primárias e, também, o primeiro recurso que permite à criança emergir no social, portanto, o ponto principal de interação com o meio16 possibilitando o acesso ao universo simbólico elaborado no transcurso da história da humanidade.

Ao longo do desenvolvimento, na relação com o outro, pela mediação da linguagem, as emoções ganham contornos para além da sua natureza biológica. Na

16“Conjunto mais ou menos durável das circunstâncias que envolvem as existências individuais, ou

seja, o meio físico, o meio social e os instrumentos da cultura. Os meios são os campos nos quais o indivíduo age, com os recursos de que dispõe no momento.” (DAVI, ALMEIDA, RIBEIRO e RACHMAN, 2012, p. 72).

medida em que possibilita a comunicação básica constitui condição indispensável à entrada da criança no mundo da razão e da competência humana, pois estabelece as bases da inteligência (PINTO, 1993).

A consciência afetiva é a forma pela qual o psiquismo emerge da vida orgânica: corresponde à sua primeira manifestação. Pelo vínculo imediato que instaura com o ambiente social, ela garante o acesso ao universo simbólico da cultura, elaborado e acumulado pelos homens ao longo da sua história. Dessa forma é ela que permitirá a tomada de posse dos instrumentos com os quais trabalha a atividade cognitiva. Nesse sentido, ela lhe dá origem (DANTAS, 1992, p. 85-86).

No decorrer de sua obra, Wallon (1968; 1971) explana aspectos de cunho emocional implicados no processo de desenvolvimento intelectual humano e considera o psiquismo17 como uma síntese dialética no entrelaçamento entre o biológico e o social, em que os aspectos orgânicos são condição para as funções mentais, enquanto os objetos das ações mentais provêm da relação com o meio social. Wallon, então, apresenta as emoções elementares que, pela significação cultural, passam para um novo nível que corresponde às funções mentais superiores. Isso só é possível de acontecer pelas interações sociais internalizadas que são a base da teoria vigotskiana. Nesse sentido, agregando elaborações de Vigotski (2007), que considera no estabelecimento das funções mentais superiores, as funções elementares como ponto de partida, a emoção é entendida no conjunto dessas funções formadas nas relações sociais intermediadas.

Ambos os autores evidenciam em seus escritos que as influências sociais são decisivas na aquisição das funções mentais superiores, pois fornecem os instrumentos para sua evolução, uma vez que a maturação do sistema nervoso não é garantia para o desenvolvimento de habilidades intelectuais mais complexas. Para que se desenvolvam, precisam interagir com o meio cultural.

Entre a emoção instintiva e sua manifestação passa a se interpor um elemento mediador que é a linguagem, que possibilita a canalização do afeto de outra maneira, constituindo-se gradativamente numa função de ordem superior, pois a linguagem auxilia o indivíduo a organizar sua ação, por meio de uma relação ou atividade coletiva (LEITE, SILVA e TULESKI, 2013, p. 44).

17 “Conjunto dos fenômenos ou dos processos mentais conscientes ou inconscientes de um

As condutas individuais partem do entrelaçamento das bases biológicas e das relações intersubjetivas mediadas pela linguagem e a emoção. Esta, por seu caráter contagioso orienta a criança para o meio social possibilitando a interação com o meio humano, influenciando-o e, inversamente, sendo por ele influenciada (WALLON, 1968; 1971), portanto, é nesse ambiente que se deve buscar o entendimento das emoções. Wallon (1971) argumenta que a emoção é a exteriorização da afetividade, uma ocorrência fisiológica que se expressa no humor, nos atos e, simultaneamente, é um comportamento social na sua função de adaptação do ser humano ao meio em que vive.

1.3 Afetividade

Concentrando seus estudos na fase mais primitiva da infância, Henri Wallon procurou olhar a criança de modo integrado e, nesse propósito, delineou quatro campos funcionais que se interligam e sobre os quais sua teoria se constrói. Sua visão de desenvolvimento implica a construção gradual desses campos, afetivo, cognitivo e motor, que constituem o sujeito por ele denominado pessoa e que configura o quarto campo funcional. O autor ressalta que a necessidade de descrição desses campos obriga a tratá-los de forma separada, lembrando que isso é estratégico, sobretudo quando as atividades, ainda, não estão diferenciadas, pois algumas são aparentes desde o início, mas outras aparecem posteriormente, como o conhecimento. Entre elas há uma sucessão de preponderâncias e para reconhecê- las “é necessário saber identificar o estilo próprio de cada uma” (WALLON, 1968, p. 139).

 Movimento: um dos primeiros campos a se desenvolver, é o primeiro sinal de vida psíquica na criança e desponta em duas dimensões, uma instrumental que se refere à ação direta sobre o meio físico e outra expressiva que está na base das emoções.

 Afetividade: é um dos principais elementos do desenvolvimento humano e constitui o fator fundamental de interação da criança com o meio social. À medida que o movimento proporciona experiências à criança, ela vai respondendo através de emoções.

 Inteligência: tem um significado bem específico, está relacionada com duas importantes atividades cognitivas - o raciocínio simbólico e a linguagem.

 Pessoa: elemento que articula os demais campos sendo responsável pelo desenvolvimento da consciência e a noção de eu.

A articulação desses campos funcionais é ilustrada pela figura 1 que situa a Pessoa como campo integrador dos demais e compreende a pessoa integral.

Figura 1 – Representação da constituição da pessoa integral ilustrada pelo nó borromeano18

Fonte: elaborado pela pesquisadora a partir da ideia lacaniana da articulação do Real, Simbólico e Imaginário (RSI)

A relação entre esses campos nem sempre é de harmonia, mas uma relação que, também, está marcada por conflitos, pelos antagonismos (WALLON, 1968; GALVÃO, 2014). No que refere à afetividade, esta tem uma compreensão bem ampla abarcando tanto os aspectos orgânicos em que a emoção é o componente principal e primeira forma de manifestação, como, também, os aspectos cognitivos que aludem ao sentimento e à paixão. Origina-se nas sensibilidades internas de interocepção (visceral) e propriocepção (muscular) responsáveis pela atividade

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O nó borromeano é uma forma de enlaçamento utilizada por Jacques Lacan a partir de 1973 para ilustrar a articulação dos registros Real, Simbólico e Imaginário (RSI) - registros essenciais da realidade humana - na unidade do sujeito. Nesta pesquisa, toma-se por empréstimo a ideia lacaniana para ilustrar o entrelaçamento dos campos funcionais – afetivo, cognitivo, motor e pessoa – que compõem a pessoa integral.

Pessoa

Motor

Cognitivo Afetivo

orgânica. Essas sensibilidades aliadas à de exterocepção, que faz a mediação com o exterior, geram sentimentos e emoções mais específicos como: medo, raiva, alegria e, posteriormente, ciúme, tristeza e outros (MAHONEY e ALMEIDA, 2005).

Wallon situa três aspectos sucessivos na evolução da afetividade e que correspondem à emoção, sentimento e paixão. Esses aspectos derivam de fatores orgânicos e sociais, obedecendo a configurações diferentes: na emoção predomina a parte fisiológica, no sentimento a representacional e na paixão o autocontrole (MAHONEY e ALMEIDA, 2005). Resumidamente esses três aspectos aludem:

Emoções: exteriorização da afetividade, sua expressão corporal. Como sistemas de atitude revelam-se pelo tônus. Surgem desde o início da vida com os espasmos do recém-nascido, sendo que estes não são apenas contrações musculares e viscerais, pois há bem estar e mal estar tanto no espasmo quanto na sua dissolução.

 [...] Tensão é gerada pela energia retida e acumulada: riso, choro, soluço, aliviam a tensão dos músculos.

 Das oscilações viscerais e musculares as emoções vão se diferenciando: medo, alegria, raiva, ciúme e tristeza. A cada uma, passa a corresponder um padrão postural, que libera ou concentra energia com maior ou menor intensidade, e depende de automatismos específicos que emergem pela maturação funcional: reação à queda, à falta de apoio, à estimulação labiríntica, etc. (MAHONEY e ALMEIDA, 2005, p. 20).

As emoções caracterizam-se pela contagiosidade, pois envolve o espectador de forma com que este sinta o domínio da reação emotiva; a plasticidade como capacidade de refletir no corpo seus sinais, por exemplo, o rubor na face; e a regressividade que se refere às situações que fazem regredir uma atividade intelectual, que estava sendo exercida, frente à reação emocional. Todas essas características são próprias dos processos sociais, portanto, constitutivas da mente das pessoas. A partir de um estado emocional a pessoa se sente perdida e pode não lembrar o que estava dizendo, não ouvir o que está sendo dito por outrem ou não conseguir manter a atenção em qualquer atividade. Sentimento: corresponde à expressão representacional sem implicação de reações imediatas e diretas como a emoção. Tem sua expressão pela mímica e pela linguagem que multiplicam as tonalidades, as cumplicidades tácitas e subentendidas. “O adulto tem maiores recursos de expressão representacional: observa, reflete antes de agir, sabe onde,

como e quando se expressar, traduz, intelectualmente, seus motivos ou circunstâncias” (MAHONEY e ALMEIDA, 2005, p. 20). Paixão: revela a manifestação do autocontrole para dominar uma situação, tentando para isso silenciar a emoção.

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