Analu Vasconcelos Bernardo Maila Luzia Batista Eulálio Rejane Fontes de Sousa Graduadas no Curso Técnico em Tecnologia Ambiental (Ccefet– PI) e Participantes do Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Piauí [email protected] [email protected] [email protected] Em vista da implementação das diretrizes políticas vigentes e do envolvimento da sociedade não organizada e organizada no Brasil, buscando atrelar a qualidade de vida e a sustentabilidade sócio ambiental, como um pressuposto de novo circuito de desenvolvimento para o país, promoveu-se a Conferência Nacional do Meio Ambiente, cujo lema era “Vamos Cuidar do Brasil”.
A Conferência teve duas versões: a adulta e a infanto-juvenil e se realizou nos dias 28, 29 e 30 de novembro de 2003 em Brasília, DF. Buscou-se assim englobar a participação da sociedade brasileira na formulação de políticas para um Brasil sustentável. Na versão adulta, participaram representantes do governo federal, estadual e municipal, empresas, universidades, ONG e outros setores da sociedade, com a realização de 27 pré-conferências estaduais, resultando na Conferência Nacional do Meio Ambiente em Brasília. Na Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, contou-se com a participação direta de 16 mil escolas, envolvendo-se cerca de seis milhões de pessoas, entre professores, comunidades e jovens, principalmente de Ensino Fundamental que culminou com a escolha de delegados e delagadas de todo o Brasil e a participação especial de jovens observadores internacionais.
Como forma de realizar a Conferência Nacional de Meio Ambiente foram criadas Comissões Organizadoras nos Estados – COE e no Distrito Federal,
compostas por segmentos da sociedade e também por Coletivos Jovens – CJ. Esses coletivos foram responsáveis pela seleção final dos delegados, pela mobilização dos estudantes para realização de Conferências e pela organização da mesma no âmbito nacional.
A Conferência promoveu uma ampla discussão acerca dos seguintes temas: água, escola, seres vivos, comunidade e alimentos, a partir dos quais se elaborou propostas e cartazes, sendo que a Conferência culminou com a elaboração do documento “Propostas das Escolas para um Brasil Sustentável”, debatido, priorizado e qualificado pelos delegados durante a Conferência Nacional e resultando num novo documento, a carta “Jovens Cuidando do Brasil”, contendo as 10 propostas mais significativas para juventude.
A Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente produziu essa carta que legitima e estimula uma ação de continuidade. Sendo assim, foi concebido e implementado o programa “Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas”, visando à formação de 2 professores e 2 alunos, ex-delegados e suplentes, que participaram do processo da Conferência Infanto-Juvenil nos estados.
Contudo, o Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Piauí, com o apoio da Comissão Organizadora Estadual – COE/PI e da Coordenação Geral de Educação Ambiental – CGEA/MEC através do Programa “Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas”, propôs os seguintes objetivos:
• Facilitar a criação de Comissões de Meio Ambiente e qualidade de Vida nas escolas por meio de mecanismos que promovam a compreensão e participação dos jovens na proteção;
• Recuperação e melhoria sócio ambiental do Piauí através de uma rede que integrará e promoverá parcerias entre as escolas do estado. A criação do CJ teve como objetivo principal facilitar a criação de Comissões de Meio Ambiente nas escolas que participaram da Conferência no estado do Piauí. Dentre outros, estão o de criar mecanismos que facilitem a compreensão e a participação dos jovens na questão ambiental local e global; promover interação dos jovens por meio de uma rede de abrangência no estado; levantar dados da realidade local através das escolas participantes; interagir por meio de trabalhos práticos que tragam vantagens para induzir a conscientização e mobilização; promover a educação ambiental como forma de implementar o desenvolvimento sustentável; construir a agenda 21 escolar; dentre outros.
ASPECTOS METODOLÓGICOS
O programa foi estruturado em seminários de formação, ocorrendo em três etapas com a participação da COE/PI, CJ, estudantes, professores e outros profissionais da educação e do meio ambiente.
O desenvolvimento deste projeto se deu pela utilização da metodologia da oficina do futuro71 que é uma técnica que ajuda a conduzir os passos de
preparação da agenda 21 na escola. É composta de uma série de etapas seguidas de perguntas chaves para resolução de problemas, que são:
• Árvore dos sonhos:
Qual a escola dos nossos sonhos? Qual a comunidade dos nossos sonhos? • Pedras no Caminho:
Quais as dificuldades que vamos encontrar para alcançarmos nossos sonhos? • Jornal Mural:
Qual a situação atual da minha comunidade? • COM-VIDA em Ação:
Que ações podem ser promovidas para alcançarmos os sonhos? RESULTADOS
O Programa “Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas” no estado do Piauí foi estruturado regionalmente em uma divisão por “pólos”, levando em considerações a proximidade entre os municípios, coincidindo com as Gerências Regionais de Educação – GRE da Secretaria Estadual de Educação que são no total de 15 GRE. Com esta estrutura o programa buscou atingir 346 escolas que participaram da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente/2003. Dessas, o estado conseguiu mobilizar 299 que estatisticamente representam 86,4% das escolas que se estimava atingir nos seminários de Formação III. O estado teve a participação de 539 alunos e 547 professores o que significa praticamente participação eqüitativa de ambos. Referindo-se à criação de COM-VIDA – Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida, das 299 escolas que participaram da Formação III, o que significa 29,9% ou seja, 10% das escolas trabalhadas no estado já criaram as comissões. Esse diagnóstico pode ser visto através da tabela abaixo:
Um programa dessa envergadura deveria atingir as maiores cidades do estado do Piauí e ter a capilaridade para irradiar a idéia para as cidades menores da circunvizinhança sendo que a sua adesão envolveu a participação principalmente das escolas municipais, pois a participação das escolas estaduais e da rede privada foi mínima. As dificuldades logísticas impediram a participação de muitas escolas nos seminários de formação III. Dois fatores impediram uma maior participação: as grandes distâncias e os entraves políticos. É necessário frisar que a questão das distâncias físicas teve como causa a divisão de acordo com a jurisdição do estado por isso a ausência de municípios na formação e que implicou no não alcance dos 100% das escolas que participaram da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente realizada em 2003. Diante destas informações, caberá ao governo federal e aos organizadores do programa “Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas”, bem como de outras linhas de interesse em programas do tipo, estarem mais atentos aos problemas apresentados para obter resultados mais satisfatórios a fim de melhorar a educação ambiental no país.
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Formando Com-Vida, Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola: Construindo a Agenda 21 na Escola. Brasília: MEC, 2004. Brasil. Ministério da Educação: Ministério do Meio Ambiente. Passo a Passo para a Conferência na Escola: Vivendo a Diversidade na Escola. Brasília: 2005, 56p. Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Deliberações da Conferência Nacional do Meio Ambiente e da Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. Brasília: MMA.2004.
POMPEU, José Guilherme. O Orientador de Bolso: Recomendações para Elaboração de Trabalhos Acadêmicos. São Paulo: Nemmon, 2003.
Fábio Deboni Philippe Layrargues [email protected] [email protected] Educadores Ambientais, técnicos da Coordenação-Geral de Educação Ambiental (CGEA – MEC) e da Diretoria de Educação Ambiental (DEA – MMA), respectivamente Conhecer com mais profundidade o perfil do jovem ambientalista brasileiro é sem dúvida um passo importante para a construção, implementação e avaliação de políticas públicas na área sócioambiental. Saber quais são seus valores e interesses, suas preocupações e necessidades, o que pensam, como se organizam, como atuam, quais suas potencialidades, demandas e lacunas, são informações relevantes não só para os governos, os segmentos sociais que têm atuado em espaços de construção de políticas públicas, mas também para toda a sociedade brasileira. Se nela ainda prevalece uma visão geral do senso comum de o jovem ser um problema para a família e para a sociedade em função de sua incompreendida e superestimada crise de adolescência, a área sócio ambiental vem apontando perspectivas completamente distintas, possibilitando aos jovens que nela atuam, condições de realizar ações em prol da melhoria da qualidade de vida (de seres humanos e não humanos), mostrando que não só são capazes de fazê-lo, como o fazem de forma inovadora e com enorme disposição de transformação.
Afinal de contas, é preciso reconhecer que os jovens de hoje não são os mesmos jovens de tempos atrás. Não apenas porque nasceram usufruindo das liberdades democráticas conquistadas pelos jovens de ontem, mas também e não apenas isso, porque a comunicação hoje passou a ser global, simultânea e instantânea, com a popularização da Internet e suas inúmeras facilidades na comunicação. Mas em especial, porque nasceram no signo da crise ambiental, ou seja, nasceram já num mundo com sintomas explícitos de uma desordem global com declínio da biodiversidade, depleção da camada de ozônio, poluição nos oceanos, poluição radioativa, extinção de espécies, envenenamento de solos, e outros elementos que inclusive comprometem a própria saúde do ser
humano, desde a mais tenra idade, com os aditivos químicos, conservantes, estabilizantes e toda ordem de tecnificação e artificialização do alimento. Sim, essa nova geração não é apenas feita de hambúrgueres, “baladas”, música e jogos eletrônicos, uma nova gramática virtual ou um descompromisso com o futuro e com aversão ao mundo da política. Juventude despreparada para um trabalho, em contínua e instável rota de renovação e alienada, quanto ao destino do país. É feita também de pessoas animadas, preocupadas, conscientes e desejosas de mudar o mundo, de melhorar o planeta, mesmo que não tenham tido a menor parcela de responsabilidade pelo triste legado que receberam. O idealismo, felizmente, continua sendo uma característica forte dessa juventude. O que é preciso então considerar na elaboração de políticas públicas, é a canalização dessa energia vital da sociedade acumulada nos jovens, para aquilo que realmente importa, para que as novas gerações sejam bem recebidas pelas gerações presentes, para que possam sentir-se úteis no seu novo papel social, para que obtenham as condições ideais de atuação política e de intervenção social, exatamente no período mais fértil de suas vidas.
Assim, por se tratar de uma área ainda recente no país em termos de processos de institucionalização – Juventude e Meio Ambiente – presenciamos um momento inicial. Não se pode, entretanto, desprezar os acúmulos e os sujeitos sociais que ajudaram a construir essa trajetória, buscando olhar com atenção e com criticidade para essa história. Novos rumos e novas perspectivas, e provavelmente, surpreendentemente simples, por estarem livres de vícios e compromissos ideológicos que costumam aprisionar as pessoas numa determinada visão de mundo, podem ser construídas pelos jovens que vêm chegando à área, mesmo porque a realidade atual é complexa e os desafios são globais e também complexos. A era do “pensar global e agir local” está em cheque, uma vez que ela por si só já não consegue atender aos desafios colocados na atualidade. Os jovens têm percebido que é preciso mais, é preciso pensar e agir local e globalmente, é preciso trabalhar internamente, rever as relações estabelecidas com os outros seres humanos e com os demais seres vivos do planeta, atuar em espaços políticos para transformar os rumos do que se chama de “desenvolvimento” e da sociedade como um todo. É preciso, enfim, não repetir a mesma trajetória, os mesmos passos, o mesmo caminho que a geração atual percorreu. Essa rota já está desgastada, é preciso redescobrir um novo caminho, para um novo destino. É preciso então, permitir que o espaço de criação de novas possibilidades e novas experiências seja exercitado até as suas últimas consequências, até porque, o caminho se faz ao caminhar, e não temos certeza qual será o novo destino, apenas sabemos que não queremos mais aquele antigo.
A sustentabilidade não será construída de forma unilateral, com ações pontuais e dispersas. Os jovens têm percebido essas questões e sabem também que têm um desafio enorme pela frente. Estão vivendo num mundo diferente
do que seus pais e avós viveram. Estão vivenciando no dia-a-dia, os problemas sócio ambientais em nível local e global e sabem que é preciso mudar o rumo, dar um novo sentido às coisas, sem, entretanto, dispor dos meios para fazê-lo, pois não são eles que detém as regras do jogo, e sim, as gerações atuais. Estão na condição de convidados, ou de aprendizes, mas podem estar na condição de participantes, inclusive criando novas regras, ou criando novos jogos. Entendemos que há inúmeras maneiras de construir as bases para novas sociedades, com perspectivas mais sustentáveis que as atuais. Um desses caminhos, é certamente o da formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. Elas podem contribuir para acelerar esses passos ou para atrasá-los; podem ter um caráter mais democrático, progressista e sustentável ou podem continuar se escondendo atrás de discursos pragmáticos e conservadores, falsamente legitimados pela concepção simplista de o jovem ser visto como um cidadão vazio de sentidos e de leituras de mundo, que deve ser preparado para ingressar na sociedade, onde a geração anterior entende ser sua missão civilizatória, transmitir a herança cultural por inteiro, sem diálogo e sem troca. Percebendo o jovem como sujeito social com potencial de transformar e de inovar, visualiza-se que quanto maior e mais consistente for seu envolvimento na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, maior a possibilidade de elas serem progressistas, inovadoras e mais sustentáveis. Temos visto que somente o discurso do “protagonismo juvenil” não tem levado a implementação de ações efetivas na direção da transformação do papel dos jovens no debate sócio ambiental atual. Pelo contrário, em muitos casos, prende- se a este jargão, criando-se um distanciamento entre as juventudes e as ações que se intencionam realizar.
A partir destas reflexões e buscando resgatar diversas questões levantadas nos artigos deste livro, propomos conexões possíveis para futuras reflexões e debates: • Campo sócioambiental: pode ser um importante elo de conexão entre
as diferentes juventudes. Porque:
É uma área que se relaciona com muitas áreas: (transversalidade), lançando olhares sobre outros temas e se relacionando com eles. Dessa forma, jovens engajados em outras áreas, como por exemplo, direitos humanos, cultura, política, etc, podem, de muitas formas, estabelecer interfaces com o campo sócio ambiental e dessa maneira, passar a percebê-lo de forma mais sistêmica e profunda.
Problemas sócioambientais impactam toda a sociedade: (jovens ricos, pobres, negros, brancos, organizados ou não), em menor ou maior grau. Dessa forma, jovens de qualquer classe social podem perceber no seu dia-a-dia o reflexo destas questões, o que pode ser
um estímulo ao engajamento na área. Cabe ressaltar que as diferentes classes sociais vêm sofrendo os efeitos destes problemas de formas distintas e em níveis bastante variados, da mesma forma que elas vêm sendo responsáveis pelas expansão das causas destes problemas. Cabe ressaltar que a atual adversidade ambiental afeta e compromete especialmente o futuro dos jovens, limitando e enquadrando muito de seu destino pessoal e profissional.
Ainda que o campo seja polissêmico: (vários sentidos, saberes, tendências), princípios como a cooperação, a solidariedade e o respeito mútuo podem ajudar a orientar a chegada de novos jovens à área. Em geral, percebe-se nos jovens ambientalistas a presença marcante de um espírito altruísta, o qual pode ser a mola propulsora para atrair novos jovens. Por outro lado, deve-se tomar c u i d a d o p a r a q u e e s t a a t i t u d e n ã o e s v a z i e a a t u a ç ã o socioambiental da dimensão política, evitando cair em jargões como “cada um deve fazer a sua parte”, “estamos plantando um sementinha”, etc.
Perspectivas de atuação profissional: a cada ano novos jovens se inserem no mundo do trabalho e é crescente a percepção de espaços de atuação na área sócio ambiental. É crescente também a demanda por profissionais da área, não só de educadores ambientais, mas de inúmeros outros perfis e habilidades. Muitas novas e criativas oportunidades poderão ser abertas a partir da atuação de jovens, inovando ao trazer novas frentes de trabalho, com destaque especial para a área de tecnologias da informação e da comunicação – TIC.
D i f u s ã o d a q u e s t ã o n a s o c i e d a d e e m g e r a l : c o m o a problemática sócio ambiental está cada vez mais presente na sociedade como um todo, é natural que muitos jovens passem a se interessar por elas desde cedo. Elas vêm sendo trabalhadas desde a escola, estão presentes na mídia (com programas específicos e temáticos), viram assunto em rodas de conversa (amigos, família), e vêm sendo trabalhadas em inúmeras campanhas, projetos, eventos e ações de educação ambiental. Todos esses fatores contribuem para a disseminação da questão sócio abiental e ajudam a mudar uma tendência elitista que ainda prevalece na sociedade brasileira, ou seja, de que meio ambiente é assunto para a classe média, burguesa. Os jovens vêm demonstrando que esta tendência tem tudo para se modificar em pouco tempo.
• Diálogo ‘intergeracional’: pode contribuir para reposicionar e arejar o movimento ambientalista brasileiro, trazendo novas idéias, novas reflexões e conexões, e abrindo perspectivas para a popularização da temática sócio ambiental. Os jovens têm se inserido no movimento de várias maneiras, e em geral, têm percebido algumas questões: a) Experiência versus Renovação: é fato que o movimento está mais
maduro e experiente, por conta disso, conquistou espaços importantes na história brasileira, consolidando leis, programas e políticas públicas. Por outro lado, percebe-se que, desde a sua emergência com força nos anos 60, a entrada de novos membros ocorreu de maneira pontual e esporádica, contribuindo para a baixa renovação de seus quadros. Dessa forma, percebe-se que o movimento ambientalista brasileiro se encontra numa dualidade, entre sua experiência/maturidade acumulada e o envelhecimento dos seus membros. Esse processo foi cristalizando o movimento, ajudando a consolidar posições e tendências, ao mesmo tempo em que criaram dificuldades na inserção de novos participantes, especialmente os jovens.
b) Novas perspectivas: o conflito estabelecido entre a inserção de jovens no movimento ambientalista brasileiro contribui para a emergência de novas perspectivas e tendências, que residem no questionamento de posições praticamente inquestionáveis, como o predomínio do ambientalismo pragmático ou de resultados, que perdeu seu potencial crítico original; o levantamento de posições e práticas contraditórias e incoerentes com os princípios do ambientalismo; a reflexão a respeito de ‘micro-poderes’ presentes no interior do movimento e na sua forma de organização; e, a possibilidade de construção de alianças entre as inúmeras vertentes do ambientalismo bem como com outras lutas sociais a exemplo do cooperativismo, comércio justo, economia solidária e educação popular. Todas essas questões certamente vêm contribuindo para o fortalecimento do movimento, na medida em que incorpora esses novos membros e suas posições no processo democrático de construção de políticas sócio ambientais no país.
• Políticas Públicas: há um longo caminho a ser trilhado para que os jovens cada vez mais participem de processos de construção, implementação e avaliação de políticas públicas na área sócio ambiental, sejam elas nas esferas municipal, distrital, estadual e nacional. Pontos importantes para reflexão.
• Mecanismos de participação: daqueles que existem, quais conseguem dialogar de forma verdadeira com as juventudes? É possível criar novas
formas e espaços de participação política na área? Quais? Como esses mecanismos podem incluir a diversidade das juventudes nesse processo? Eles têm alcançado mais êxito em quais esferas políticas? Cabe ressaltar que um passo importante para o sucesso desses mecanismos é a consideração das juventudes como sendo segmentos aptos a participarem politicamente deste processo, trazendo propostas inovadoras e viáveis de serem implementadas. Se, pelo contrário, elas forem encaradas como “problema”, criam-se inúmeras barreiras para a construção coletiva de políticas públicas na área. Vale ainda chamar atenção para a percepção do que se entende por “juventudes”, que vai muito além de jovens estudantes, as escolas, as universidades e os movimentos de grupos religiosos e de partidos políticos. É preciso mapear a diversidade real de jovens nos movimentos, grupos, organizações e