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Goal Three: Life Skills and Lifelong Learning in Lao PDR

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PaRt III:PRogReSS In aChIevIng the efa goaLS In the Mekong SuB-RegIon

15. Lao PDR

15.3 Goal Three: Life Skills and Lifelong Learning in Lao PDR

A linguagem corporal, associada à verbal, é complementada pela linguagem visual proporcionada pelo figurino. A indumentária pode ser percebida como a mediadora entre corpo e cenário, ou ainda entre a obra e o/a espectador/a.

O figurino constituído é o primeiro espaço que o personagem habita e é de forma mais imediata o fator que condiciona diretamente o corpo e a postura, a gestualidade, a comunicação e interpretação de sensações e movimentos. Interliga também os modos de vinculação entre corpo e o entorno, neste caso, o espaço entre a tela e o espectador. (...) o figurino é uma linguagem e narra algo a respeito do personagem ali representado na tela do cinema. Cada elemento do figurino – a roupa, a maquiagem, o penteado e os adereços – utilizado no espaço corpóreo tem um sentido determinado, interligando o personagem com uma classe social, com um tempo fixado no presente, no passado ou no futuro, com a transformação do personagem ao longo do filme,

envelhecendo ou rejuvenescendo, ficando belo ou feio.264

Os filmes da Sessão das Moças apresentavam figurinos diversos, que auxiliavam os/as espectadores/as a localizar a ação no tempo e espaço, além de fazerem parte da narrativa variando a composição dos personagens quanto à classe, gênero, idade e personalidade. Podiam ser vistos na tela de pomposos vestidos de princesas europeias do século XIX aos simples trajes de empregadas domésticas brasileiras da década de 1950, de comportados maiôs aos extravagantes vestidos de baile. Além da composição dos personagens, o que já valeria a possibilidade de identificação de construção de moda ou modelos a serem inspirados para a próxima visita à costureira, as roupas chegaram a ser motivo de destaque em algumas narrativas das tardes de terça-feira.

Os figurinos, na grande maioria dos filmes, parecem ter sido construídos de tal forma a destacar as mulheres, poucos homens se sobressaiam pelas roupas e acessórios. Os ternos, fraques e roupas de caubói homogeneizavam os sujeitos que os vestiam mais do que destacavam. Em meio a exércitos de trajes escuros, os vestidos faziam com que as personagens femininas brilhassem pela simples presença em cena.

A beleza feminina era ainda mais destacada pelo figurino. A empregada doméstica Etelvina, ao ganhar um vestido da patroa afirma que “Com esse vestido vou fechar o comércio sem ser feriado”. A roupa seria o suficiente para atrair as atenções para ela, uma personagem interpretada por uma atriz que não era jovem e pesava mais que outras estrelas do período, ou seja, estava fora dos padrões de beleza das atrizes de cinema, mesmo no Brasil. O belo vestido era uma possibilidade de uma nova experiência, transformando e criando expectativas na personagem. O vestuário era, assim, algo tão importante e digno de atenção que uma roupa mal escolhida poderia causar constrangimento até em uma esposa no íntimo de seu lar, como em O

segredo das viúvas.

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COSTA, Maria Auxiliadora Leite. O figurino no cinema. In.: DROGUETT, Juan Guillermo D,; ANDRADE, Flavio F.A. (org.). O feitiço do cinema: ensaios de griffe sobre a sétima arte. São Paulo: Saraiva, 2009. p.104.

A roupa une as mulheres, que por interesse ou admiração pode fazer com que estranhas venham a conversar e até desenvolver amizades. A jovem Phil, filha do comandante que estava insatisfeito por ter de ir ao Oeste estadunidense, logo se une a uma senhora que estava interessada em seu chapéu, em Sangue de heróis. A indumentária, que une as mulheres podendo até torná-las cúmplices, é representada nos filmes como algo essencialmente importante para elas. Em O pai da

noiva, a jovem noiva considera cancelar o casamento, pois seu noivo

teria feito algo imperdoável. Seu pai ficou preocupado e descobriu que o crime sem perdão cometido pelo rapaz era marcar a lua-de-mel para um local onde ele poderia pescar, o que impediria a noiva de usar as roupas que comprou para tal ocasião. Os planos da viagem dos dois eram diferentes e pareciam superiores a qualquer felicidade já vivenciada pelo casal ou a projetos futuros.

A maioria dos figurinos femininos era composta por roupas sóbrias em cenas ligadas às atividades do cotidiano. Os grandes vestidos eram destinados a cenas de dança, bailes, salões e festas. Personagens que fossem mães ou tivesse a intelectualidade ressaltada, no geral usavam roupas fechadas, escuras e discretas. A indumentária funcionava como marcação para o limite entre virtude e pecado e eram reflexo e parte das atitudes e personalidades dos personagens.

As intenções de algumas personagens em trair, roubar namorados e rivalizar com as mocinhas parecem ser proporcionais ao tamanho dos decotes dos vestidos. Em Os irmãos corsos, Sempre em

meu coração e Silêncio nas trevas as antagonistas se vestem de forma

impecável, mas com decotes muito maiores do que das mocinhas em perigo dos três filmes. Em Candinho, a irmã de criação do personagem título tem sua trajetória na narrativa marcada pela roupa que usa. No início, a personagem, apesar de já apresentar vinte anos de idade, se veste como uma criança, com vestido rodado e cabelos presos em forma de trança. A pureza da personagem é identificada com a infantilização de sua indumentária. Ao ir para a cidade grande usa um vestido grudado ao corpo e se torna uma prostituta. Ao retornar para a fazenda, a garota faz questão de deixar as roupas na cidade e se veste de forma discreta.

Figura 28 A mãe intelectual em A família do gênio

Figura 30 Filoca infantilizada em Candinho

Figura 32 A princesa Sissi

Talvez o exemplo mais forte entre a construção de personagens virtuosas por meio da indumentária seja As garçonetes de Harvey. A história apresenta dois grupos de mulheres rivais: as garçonetes que dão nome ao título do filme e as dançarinas do salão. As primeiras sempre se vestem de forma discreta, inclusive com longos vestidos com fitas e babados que cobrem todo o corpo para dormir, e as segundas sempre com roupas muito curtas. Mesmo levando em conta que a história é ambientada no século XIX, as roupas das garçonetes chamam muito a atenção. Elas se vestiam para servir as mesas com um longo vestido preto, um avental que ia do pescoço à barra, punho branco e laço grande nos cabelos presos, lembrando um hábito de freira. As dançarinas usavam um vestido bem curto sem alças que por vezes parece um maiô, maquiagem pesada, um boá nos braços, bijuteria e um adorno de plumas nos cabelos. As garçonetes serviam os homens da cidade aguardando casamento, enquanto as dançarinas cantavam e dançavam no salão. Em uma das músicas essas últimas fazem menção a um rapaz encantador, que talvez até seja casado, mas que as fizeram se apaixonar de novo.

Ei, rapaz

Rapaz encantador Meu coração dispara Quando você me encara Ei, rapaz

O que a sua esposa faz? Se ela te esconde É melhor não dizer onde Dizem por ai

Que muitos corações partiu Dizem que quando pisca As garotas mordem a isca Dizem que se quiser Faz as garotas chorarem Me avisaram desde o começo Por isso estou pagando o preço Ei, rapaz

Rapaz encantador Meu coração dispara Quando você me encara Ei, rapaz

Aceita um convite?

Eu disse que nunca mais amaria Mas você é demais, rapaz!265

Figura 33 Garçonetes como freiras em As garçonetes de Harvey

Os figurinos também marcavam modernidade e tradição. Em uma mesma cena era possível observar personagens diferentes marcadas pelo vestuário de forma antagônica. Enquanto a audaciosa Roberta, vivida por Marylin Monroe em O segredo das viúvas, tomava sol de maiô, a recatada Connie estava no mesmo quadro com o cabelo amarrado, vestido longo com a cintura marcada, um casaco e brincos de pérola. Peças que lembram o guarda-roupa masculino são utilizadas na construção de personagens modernas e independentes. Calças compridas eram quase inexistentes nos filmes e as personagens que as vestiam geralmente eram qualificadas como a frente de seu tempo. A alegre

divorciada era uma dessas mulheres modernas, buscava o divórcio, algo

pouco comum para o período e que no Brasil não existia como lei, e usava calças. Mas o uso da calça estava ligado à sedução, era uma das armas utilizadas para atrair um advogado. As mulheres presentes em um baile de rock em Absolutamente certo também usavam calças, possivelmente para combinar com a novidade da dança no Brasil. A noiva de O pai da noiva por vezes fazia uso de um ou outro elemento que remetia ao vestuário masculino, como na primeira cena em que aparece no filme utilizando uma camisa xadrez. Sua mãe, por outro lado, usa um figurino que marca claramente a tradição, abusando dos colares e brincos de pérolas em contraposição a modernidade da filha. As cenas de todo o filme são marcadas pela roupa. Kay, a noiva, alterna entre o uso de roupas simples e outras luxuosas. As roupas mais elaboradas e elegantes são reservadas a momentos em que a presença da personagem é destacada como um grande acontecimento, auxiliadas pelas descidas da escada da sala de estar.

Mais do que elementos de composição de personagens, o figurino, a maquiagem e os objetos utilizados pelas mulheres poderiam também ser utilizados como marcação de cenas. Em uma bela introdução de personagem, Cora, de O destino bate a sua porta, é apresentada ao público por meio de um batom. O objeto cai aos pés do homem que procurava emprego no restaurante de seu marido e lentamente a câmera mostra a mulher, focando seus sapatos brancos, mostrando uma espécie de macaquinho curto até chegar à cabeça envolvida em um turbante. O mesmo batom marca a morte da personagem em um acidente de carro, quando a câmera mostra apenas o objeto caindo no chão do automóvel. Em um filme em preto e branco, a personagem vestia constantemente branco como forma de se destacar

dos demais personagens. Mas, na tentativa de assassinato do marido, Cora veste preto, como que se antecipasse o luto.

Figura 35 Sequência de O destino bate a sua porta. O batom apresenta a protagonista.

Figura 36 Sequencia de O destino bate a sua porta. O batom e a morte da protagonista.

A Sessão das Moças também poderia ser uma grande aula de maquiagem e acessórios. Pintar as unhas para a professora de A

mocidade é assim mesmo é um fato curioso e que deveria ter um

objetivo específico. Uma das alunas esclarece dizendo que é para encontrar um rapaz, um pretendente. Outro objeto de desejo de personagens adolescentes eram os perfumes com spray, utilizados pelas meninas e trazidos como presentes de viagens, como em Sempre em

meu coração. Os cabelos das mulheres em momentos afastados da

intimidade estavam geralmente presos ou com penteados muito bem alinhados. A atenção dada aos cabelos era ressaltada e, segundo Vigarello, os cabelos são a confirmação do cuidado com a beleza.266 Parte do enredo, eles poderiam estar trançados como de criança, como de Filoca em Candinho, presos com grampos ou coques, como de boa parte das personagens que eram mães, ou ainda assessorados por tiaras e coroas, como nas coreografias de Esther Williams.

Além das possibilidades de aprendizagem apresentadas aqui, as/os espectadoras/es da Sessão das Moças estavam em contato com uma profusão de imagens ligadas ao universo romântico, assistindo a verdadeiras aulas de namoros, casamentos, beijos e outras demonstrações de afeto, como será visto a seguir.

266 VIGARELLO, Georges. op. cit. p. 159.

4.ROMANCE DA MINHA VIDA:IMAGENS DO AMOR ROMÂNTICO

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