Pesquisador: _ No dia 16 de janeiro de 2013 dá início à entrevista com Ronaldo, 25 anos, morador do Bairro COHAB 5, no município de Carapicuíba. Quanto tempo é morador do bairro e da cidade de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Moro em Carapicuíba há aproximadamente 14 anos, sempre no Bairro Cohab 5.
Pesquisador: _ A COHAB 5 é um bairro diferente dos outros bairros de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Por sempre ter morado em Carapicuíba e comparando com outros bairros tu identificas que os moradores, ou mesmo o contexto social da COHAB, os moradores daqui parecem ter um poder aquisitivo maior, do que em outros bairros da cidade. Demonstram um estilo de vida não tão miserável como de outros lugares.
Pesquisador: _ Quais bairros seriam esses que apresentam condição de miséria?
Ronaldo: _ Vou citar dois que ficam bem próximos ao centro, não tenho certeza do nome do bairro, mas creio que seja Vila Municipal. Ali você vê que é um local de extrema miséria, nunca entrei no bairro, aparenta não ter rede de esgoto, a energia parece não ser própria, tendo “gatos”. Outro local com essas características é próximo à Estação da CPTM KM 21, ao lado do supermercado Atacadão, próximo da COHAB I e II, apresenta as mesmas características do outro. Além desses, próximo a Aldeia de Carapicuíba tem regiões bem miseráveis.
Pesquisador: _ Existem lugares de Carapicuíba que não tem rede de esgoto, água tratada e energia elétrica?
Ronaldo: _ Próximo a Aldeia de Carapicuíba, atrás da Faculdade existe uma área onde os moradores vivem sem rede de esgoto, sem energia elétrica.
Pesquisador: _ Você sempre estudou em escolas públicas?
Ronaldo: _ Sempre, sempre estudei em escolas públicas da rede estadual, até a 5ª série no Estado do Paraná e o restante no Estado de São Paulo.
Pesquisador: _ Em qual cidade do Paraná você morou?
Ronaldo: _ Cambará.
Pesquisador: _ Quais as diferenças entre a cidade de Cambará e de Carapicuíba?
Ronaldo: _ São cidades muito diferentes, uma é do interior, população pequena e também apresenta pessoas muito carentes, mas em proporção não há como comparar as duas. Em Cambará eu não via favelas, diferente daqui em que você espalhado por todas as regiões da cidade as favelas.
Pesquisador: _ Você não conhece o Teatro Jorge Amado em Carapicuíba?
Ronaldo: _ Não, nunca ouvi falar. Aliás, as questões de lazer e cultura em Carapicuíba são bem escassas.
Pesquisador: _ Por quais razões não frequenta exposições e shows na cidade de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Primeiro pela falta de divulgação, a cidade não tem uma mídia de informação que forneça informações aos moradores para participar dos eventos culturais. Além disso, os locais onde são realizados os eventos carecem de segurança, eu não me sentiria a vontade de ir a um show em Carapicuíba pela falta de segurança.
Pesquisador: _ A insegurança se dá em relação aos moradores de Carapicuíba, ou pela ausência de aparelhos de segurança na cidade?
Ronaldo: _ As duas coisas, os seguranças dos eventos são mal preparados e a população que comparece a esses eventos, não generalizando, mas a maioria não vai a esses locais com boa índole. Tanto que depois você ouve as histórias sobre o que ocorreu no evento.
Pesquisador: _ Você gosta de ler?
Ronaldo: _ Gosto, ultimamente nos dois anos li muito. Tenho gosto por temas de política e ficção.
Pesquisador: _ Qual sua profissão?
Ronaldo: _ Bancário, há 4 anos. Fui operador de telemarketing antes de ser bancário.
Pesquisador: _ Sua renda, em relação aos demais moradores que convive em Carapicuíba é diferenciada?
Ronaldo:_ Em relação às pessoas de meu convívio não é muito superior, é uma renda comum. Na comparação com a maioria da população creio que sim.
Pesquisador: _ Não utiliza nenhum dos meios de transporte publico do município?
Ronaldo: _ Não, pois utilizo veículo próprio.
Pesquisador: _ Quais razões te impedem de utilizar os espaços de lazer da cidade?
Ronaldo: _ Não utilizo tais espaços em Carapicuíba, pela mesma razão de não ir a eventos na cidade, a insegurança perante os outros moradores e a ausência de policiamento. Vou para outras cidades em que a sensação de segurança é maior para ter lazer e cultura.
Pesquisador: _ Quais seriam esses municípios que você busca lazer e cultura?
Ronaldo: _ Barueri, Osasco para o comércio e Cotia.
Pesquisador: _ Você utiliza aparelhos de saúde pública ou privado na cidade de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Utilizei uma vez.
Pesquisador: Qual sua avaliação sobre os serviços de saúde na cidade?
Ronaldo: _ A cidade deixa muito a desejar, e quem depende sofre muito. Mesmo o setor privado é ruim, quando preciso de médico vou para outra cidade Osasco ou Barueri.
Pesquisador: _ A COHAB 5 é um bairro violento?
Ronaldo: _ A COHAB 5 teve uma diminuição na violência nos últimos anos, creio que pelos próprio moradores. O policiamento é falho, mas casos de violência tem diminuído que é diferente do restante da cidade.
Pesquisador: _ Quais regiões da cidade são mais violentas?
Ronaldo: _ A região onde estudo, na Aldeia é muito violenta. Próximo ao fórum da cidade, na Vila Municipal, onde a cidade não apresenta infraestrutura é mais violento. Onde há meios das pessoas saírem da cidade para trabalhar e estudar a violência é menor.
Pesquisador: _ A cidade promove ações que possibilitem as pessoas melhorarem suas condições de vida?
Ronaldo:_ Não. Eu por exemplo, só venho aqui para dormir, faço tudo fora da cidade. Hoje só estudo aqui, já recebi ofertas para sair daqui.
Pesquisador: _ Carapicuíba tem um centro comercial para a população?
Ronaldo: _ Não, tem o centro da cidade que é o centro comercial, não tem oferta de produtos. Não existe um “shopping”, há uma grande rede de mercados e somente, mas vestuário e bares e restaurantes não há no município.
Ronaldo: _ Meio complexo aquele cidadão que não tenha acesso à água, energia, que não consiga diariamente suas refeições, e até mesmo não tenha meios de ter acesso ao estudo, lazer e cultura são pessoas que vivem em situação de pobreza.
Pesquisador: _ A educação em Carapicuíba contribui para diminuição da pobreza na cidade?
Ronaldo: _ Não vejo a educação como meio de mudança dessa realidade, mesmo porque a qualidade do ensino é precária. Os jovens não saem da escola com perfil desejado pelo mercado de trabalho.
Pesquisador: _ Você sempre estudou em escolas públicas estaduais, o que te diferenciou dos demais para hoje ter acesso ao mercado de trabalho?
Ronaldo: _ A estrutura familiar, a escola não me estimulou para isso, foi na família que tive o apoio.
Pesquisador: _ Você já se sentiu constrangido por assumir o lugar que mora?
Ronaldo: _ Já.
Pesquisador: _ Como ocorreu esse constrangimento?
Ronaldo: _ Os moradores de outros municípios tem preconceito, quando cito que sou de Carapicuíba vem às brincadeiras. É de Carapicuíba é vagabundo.
Pesquisador: _ Além de vagabundo, quais outros termos são utilizados?
Ronaldo: _ Ladrão, bandido, arruaceiro, vândalo.
Pesquisador: _ Na busca pelo emprego, já foi constrangido pelo lugar onde mora?
Ronaldo: _ Nunca identifiquei essa situação.
Pesquisador: _ Como as escolas te marcaram positivamente e negativamente?
Ronaldo: _ Ao vir do interior do Paraná senti dificuldades em me adaptar, o ritmo de lá era mais puxado, aqui nunca precisei me esforçar para passar de ano. Aqui alguns professores me marcaram, e hoje opto pela área das ciências humanas pela marca positiva desses professores.
Pesquisador: _ Os professores abordavam Carapicuíba de que forma?
Ronaldo: _ Era raro falarem sobre o município. Não me lembro de nenhum debate sobre os problemas da cidade.
Pesquisador: _ Os jovens na sua faixa etária, com os quais manteve relacionamento desde o período escolar, se encontram em qual situação?
Ronaldo: _ Alguns se formaram no Ensino Superior e mudaram de cidade, foram para Barueri e Osasco. Outros não quiseram continuar os estudos, seguindo sem profissão específica ou são autônomos.
Pesquisador: _ O que a cidade oferece para os jovens, como emprego e meios para tirar o sustento próprio e da família?
Ronaldo: _ A questão do emprego na cidade é complicada, a maioria das pessoas trabalha fora do município, além disso, a maioria dos jovens estuda fora do município também.
Pesquisador: _ Qual a origem de sua família?
Ronaldo: _ Italiana, meus pais são do Paraná, eram lavradores vieram novos para São Paulo em 1974, onde meu pai se tornou metalúrgico. Estabeleceram residência em Osasco e depois se mudaram para Carapicuíba, todos os filhos nasceram em Osasco. Em 1993 a família regressou ao Paraná, onde meu pai foi trabalhar como agricultor. Em 2001 voltamos para Carapicuíba - SP, e meu pai retornou a ser metalúrgico e minha mãe comerciante.
Pesquisador: _ No contexto do município é identificado um alto índice de migração?
Ronaldo: _ Posso dizer que no bairro onde moro, a maioria não é do município, vindos de outros Estados do Sul ou do Nordeste.
Pesquisador: _ Nas regiões da cidade que você identifica maior condição de miséria, é possível identificar se tais moradores são provenientes de alguma região específica do País?
Ronaldo: _ Fisicamente poderia indicar que são do nordeste ou norte do País.
Pesquisador: _ O que seriam essas características físicas?
Ronaldo: _ A cor da pele, o jeito de falar, a questão cultural. São pessoas que se sentem inferiores, reafirmado pelo modo de falar e se expressar.
Pesquisador: _ Você se identifica como morador de Carapicuíba, com os moradores de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Não me identifico, e não busco essa identificação, tenho uma recusa para com a cidade.
Pesquisador: _ O que você não aceita para ser identificado como carapicuibano?
Ronaldo: _ Não recuso dizer que moro em Carapicuíba, mas não me identifico com os moradores da cidade, tanto que busco fora minhas relações. Se a cidade passar a me oferecer condições das quais eu entenda e acredite que atendam minhas expectativas enquanto cidadão. Não nego ser de Carapicuíba, mas não visto a camisa de carapicuibano.
Pesquisador: _ Se você tiver a opção de não declarar a cidade onde mora, você esconderia esse fato?
Ronaldo: _ Declaro, não vejo problemas nisso.
Pesquisador: _ O grupo do qual faz parte, convive, que são de outras cidades. Dentro desse grupo há uma identificação sua com eles e deles com você?
Ronaldo: _ Exatamente, me identifico, pois compartilham comigo as mesmas preferências. Há brincadeiras constantes, porém vejo estas para com a cidade e não diretamente à minha pessoa. A repugnância que os moradores de outras cidades têm para com Carapicuíba é devido aquilo que a cidade apresenta como um todo e não por um ou outro morador em específico. Geralmente, as brincadeiras giram em torno da cidade não ter nada e por isso os moradores dela acabam sendo dependentes de outras cidades, gerando problemas aos moradores dos outros municípios.
Pesquisador: _ Você compartilha esse sentimento de repugnância?
Ronaldo: _ Não, pois o paulista é acolhedor, abraça a população do Brasil em modo geral. Como Carapicuíba não tem a estrutura para comportar sua população de forma agradável, os mesmos buscam trabalho, lazer, cultura e comércio em outras cidades, levando para lá dinheiro para a cidade e gerando lá emprego, etc.
Pesquisador: _ A Cohab é um bairro privilegiado de Carapicuíba?
Ronaldo: _ É um bom bairro para morar, tem mais infraestrutura que outras regiões da cidade. É um bairro dormitório, onde as pessoas tem fácil acesso a sair para o trabalho, porém não apresenta nada além de questões básicas de morar.
Pesquisador: _ Você participa da vida política da cidade?
Ronaldo: _ Não participo da vida política da cidade. Os moradores em geral não participam, não temos acesso e não fomos desde a época de escola educados a sermos participantes da política. Não há associações de bairro atuantes e que chamem os moradores a participação política.
Pesquisador: _ Não há organizações de moradores que busquem junto ao poder público melhorias para o bairro?
Ronaldo: _ Na Cohab 5 não conheço nenhuma organização de moradores que façam isso, mesmo porque é um bairro dormitório e pouco vivem na cidade.
Pesquisador: _ Carapicuíba é uma cidade dormitório?
Ronaldo: _ Pelo que vejo a maioria das pessoas não vivem na cidade, apenas dormem, então entendo que é sim uma cidade dormitório.
Pesquisador: O que é ser morador de Carapicuíba? Qual o sentimento de morar em Carapicuíba? Há marcas positivas e negativas em ser morador de Carapicuíba?
Ronaldo: _ Hoje trabalho fora do município, mas estudo em uma Instituição de Ensino Superior privada que é no município e por isso ainda tenho uma vida dentro da cidade. Não me utilizo do transporte público para me locomover, mas se acaso precisasse de ônibus para ir à faculdade não teria linha do meu bairro para lá. Em meu tempo livre saio da cidade para outro lugar, não faço nada na cidade. Ser carapicuibano é marcado como bandido, isso é algo que precisa ser mudado, pois a maioria da população é esforçada busca melhorar sua situação.
Pesquisador: _ Essa marca é da criminalidade ou é da pobreza?
Ronaldo: _ Essa marca é do município, ela não é atrelada a uma pessoa. Vinculada a questão da pobreza, que leva as pessoas entrarem na criminalidade. É uma imagem de cidade pobre, onde os moradores que moram aqui são bandidos por serem pobres. A população tenta mudar isso, a cidade precisa de ações que promovam a melhoria para os olhos dos outros e assim possam ver a cidade de forma diferente. Positivamente não saberia de te dar nenhum exemplo. Pessoas que eu conheço que conseguiram se diferenciar, mudar sua situação tiveram a família como base e não as estruturas ofertadas pela cidade para isso.
Pesquisador: _ Você participa ou conhece pessoas na cidade que participam dos programas de transferência de renda, ou subsídios para moradia, ou ainda incentivos educacionais?
Ronaldo: _ Sou beneficiado pelo Programa Minha Casa Minha Vida, mas não na cidade, vejo o mesmo como chamada do Governo Federal para financiamentos, mas com falhas, pois para participar do Programa a renda é alta para moradores de áreas pobres. Se esse Programa é para os pobres esses não estão sendo de fato atendidos, pois a entrada para aquisição do imóvel é muito alta. Não conheço o Bolsa Família. Na faculdade, mais de 70% da minha sala eram bolsistas do Prouni e a maioria dos estudantes veio de outros Estados, em específico do Nordeste.
Pesquisador: _ Tais programas acabam trazendo novos moradores para Carapicuíba, não atendendo seus próprios moradores?
Ronaldo: _ Na questão do Minha Casa Minha Vida, pode atrair novos moradores como não, já o Prouni com certeza. Esses estudantes que chegam de outras regiões do país, ao se estabelecer na cidade precisam de estrutura para usufruir a cidade e não encontram.
Ronaldo: _ Espero que um dia a cidade me apresente algum aspecto positivo para vir a vestir a camisa de carapicuibano, pois hoje não consigo identificar.
Entrevista 2 – CLAUDIA.
Pesquisador: _ Claudia, como você veio a se tornar moradora de Carapicuíba?
Claudia: _ Vim morar em Carapicuíba devido ao amor, conheci meu atual marido e me mudei para cá. Sou de Canela – RS, morava com meus pais, cursei a formação básica lá. Aqui me formei na faculdade, casei e estou aqui.
Pesquisador: _ Com qual idade veio para Carapicuíba?
Claudia: _ Com 19 anos.
Pesquisador: _ Cursou a faculdade aqui em Carapicuíba?
Claudia: _ Não, em Osasco.
Pesquisador: _ Qual foi sua primeira impressão sobre Carapicuíba?
Claudia: _ É diferente de onde eu morava, é tudo muito mais desorganizado, poluído, não como comparar com o lugar onde morava.
Pesquisador: _ Quanto às pessoas, qual foi sua impressão sobre os moradores da cidade?
Claudia: _ Não vi diferenças, quanto às pessoas, sofri algumas brincadeiras por minha origem, mas não preconceituosas.
Pesquisador: _ O que seria a desorganização da cidade?
Claudia: _ Quando vi os prédios da Cohab, achei estranho, todos iguais, não conhecia Conjuntos Habitacionais, além do lixo acumulado nas ruas.
Pesquisador: _ Onde e há quanto tempo você mora em Carapicuíba?
Claudia: _ Moro na Cohab 5 e vivo aqui há 6 anos.
Pesquisador: _ Você conhece outros bairros de Carapicuíba?
Claudia: _ Não frequento, mas conheço e não vejo diferenças entre os bairros, todos são desorganizados.
Pesquisador: _ Qual a diferença em morar em Carapicuíba e Canela, quanto a qualidade de vida?
Claudia: _ O espaço é muito menor, lá vivia numa casa, aqui em um apartamento. Lá é arborizado, calmo, aqui é corrido e poluído além de ser estressante.
Pesquisador: _ Qual sua formação?
Claudia: _ Gestão de RH com MBA em gestão de pessoas.
Pesquisador: _ Quanto ao mercado de trabalho, não encontra restrições devido ao lugar onde mora? Você sente no meio onde trabalha um estigma sobre Carapicuíba?
Claudia: _ Sim, no local onde trabalho o pessoal brinca muito com Carapicuíba. Dizem que é um lugar de gente feia, suja devido ao lixão, etc. O pessoal que é de Carapicuíba leva na esportiva, parece que é algo que já foi taxado.
Pesquisador: _ Como é levar na esportiva?
Claudia: _ Vou te dar um exemplo, no local onde trabalho, uma supervisora que é de Carapicuíba, em uma reunião com o gerente analisavam uma vaga de emprego. O gerente salientou a necessidade de contratar alguém da região, devido ao salário e aos custos de contratação. Porém, ele salientou, só não quero que contratem alguém de Carapicuíba, e ela sendo de Carapicuíba se colocou e de pronto ele apresentou o fato como brincadeira.
Pesquisador: _ Você é recrutadora, selecionadora de candidatos ao mercado de trabalho. A remuneração do morador de Carapicuíba é menor do que moradores de outras cidades?
Claudia: _ Não há essa diferenciação.
Pesquisador: _ Você não frequenta nenhum local de cultura na cidade?
Claudia: _ Não frequento por não conhecer e por não ter companhia, além da questão de segurança.
Pesquisador: _ Observando o tempo de locomoção de casa ao trabalho, qual sua avaliação sobre o transporte público do município?
Claudia: _ Para onde eu vou, tem bastante ônibus, mas a lotação é grande. As vias da cidade são péssimas, moradores e prefeitura não cuidam das vias que ficam esburacadas.
Pesquisador: _ Quando precisa de atendimento médico, busca onde?
Claudia: _ Na cidade de Osasco, pois nunca ouvi falarem bem dos hospitais de Carapicuíba. Nunca utilizei postos de saúde, só no caso de vacinação, o atendimento médico dizem que horroroso.
Pesquisador: _ Quanto à segurança, qual sua avaliação?
Claudia: _ Péssima, a cada dia vemos uma notícia sobre Carapicuíba, as pessoas não andam tranquilas pelas ruas. Impensável fazer uma caminhada de manhã, já fui assaltada, fiquei na delegacia 6 horas para fazer um B.O.
Pesquisador: _ A que você atribui essa sensação permanente de insegurança?
Claudia: _ Creio que é por parte dos moradores.
Pesquisador: _ A cidade de Carapicuíba é uma cidade pobre?
Claudia: _ Sim, as favelas, as vilas, os amontoados de casas, falta de saneamento, etc. É observável que há pobreza.
Pesquisador: _ A coleta de lixo é regular?
Claudia: _ Mais ou menos, semana sim, semana não. Nos terrenos baldios existem depósitos de lixo. O centro estão tentando deixar bonito, mas os bairros é precário.
Pesquisador: _ Existem locais de alagamento na cidade?
Claudia: _ Sim, próximo à ETEC/FATEC sempre que chove alaga.
Pesquisador: _ Qual a marca do pobre que você identifica?
Claudia: _ Ao ver é perceptível pelo aspecto, vestuários, etc. Há muita miscigenação, e me vejo como pobre, mas me visto bem, me arrumo, tenho uma casa para morar, mas não tenho dinheiro também.
Pesquisador: _ Já sofreu preconceito por morar em Carapicuíba?
Claudia: _ Preconceito não, mas brincadeiras sim. Praticamente todos os dias, sempre colocando a questão do pobre, do feio, do bandido, etc.
Pesquisador: _ Você se identifica com os moradores de Carapicuíba?
Claudia: _ Não, pois vim de um lugar diferente, não é o lugar que moraria sempre, mas também não moraria em Osasco, etc.
Pesquisador: _ Na região onde você gostaria de morar?
Claudia: _ Gosto de Carapicuíba, tudo está próximo, mercado, padaria, farmácia, etc. Gostaria de viver em um lugar próximo do qual eu fui criada.
Pesquisador: _ Na escolha de um candidato à vaga de trabalho, as características da pessoa influência? Vestimentas, modo de falar, etc?
Claudia: _ Depende da função, do que a empresa exige.
Pesquisador: _ As vagas de melhor remuneração são preenchidas por moradores de Carapicuíba?
Claudia: _ Na empresa que trabalho, os moradores de Carapicuíba ocupam vagas de baixa remuneração. As melhores remunerações são preenchidas por pessoas de São Paulo, Barueri, Carapicuíba fica com o menor salário.
Pesquisador: _ Qual o peso da escolarização nos candidatos de Carapicuíba?
Claudia: _ A maioria dos candidatos de Carapicuíba, está com o Ensino Médio e