PARTIE I DANS LE CADRE FONCTIONNEL
3.2 Glaneur de cellules étendu
3.2.1 Glaner plus de cellules
Primeiramente faz-se necessário apresentar as justificativas do uso da análise documental como primeiro procedimento desta pesquisa.
A literatura aponta que como fase preliminar da construção dados de uma pesquisa, a análise documental “busca identificar informações factuais nos documentos a partir de questões de interesse” (Lüdke & André, 1986, p. 38).
A análise documental, como fonte preciosa de dados que é, permite que sejam examinadas e consideradas as informações relativas aos registros e às documentações institucionais, quer sejam aquelas relacionadas às entidades governamentais ou não- governamentais, possibilitando uma análise aprofundada de questões de interesse do pesquisador, que só poderiam ser acessadas por meio deste recurso (Gil, 2006).
Outro fator importante reside no fato de que as fontes documentais permitem que se conheça o passado de determinada instituição e de seus atores, a partir dos registros acerca das mudanças que se produziram em suas estruturas, de forma a compreender os processos que cooperaram para o estabelecimento das alterações acontecidas.
Este processo, que possibilita o descortinar do passado, colabora fundamentalmente para que se possa entender a realidade institucional vigente, assim como para a formulação de perspectivas futuras. Portanto, concebemos que as fontes documentais espelham os vários momentos históricos vivenciados, tanto pelas instituições como pelos seus profissionais.
Neste sentido, para toda e qualquer tentativa de investigação de práticas profissionais, torna-se essencial a investigação documental pertinente, uma vez que não se pode debater sobre a natureza e os desdobramentos de determinada atividade, sem que sejam consideradas as orientações acerca da especificidade da atuação que se quer pesquisar.
O conhecimento e o exame de determinada documentação, relativa a um tema de interesse e análise, além de constituir uma fonte segura e farta de informações relevantes e pertinentes ao assunto pesquisado, ainda permite que sejam identificadas lacunas, falhas, indefinições e incorreções acerca das questões tidas como balizadoras e orientadoras de determinada prática.
Para a execução da análise documental, Severino (2002) destaca a necessidade de uma categorização que, primeiramente, deve ser constituída a partir de uma unidade
de leitura, definida como “um setor do texto que forma uma totalidade de sentido” (p.
51). Esta parte do texto a ser analisada, que pode ser um capítulo ou seção, deve permitir que exista a compreensão do seu sentido, de forma que ao pesquisador seja concedida a possibilidade de estudo, para a efetiva apreensão da mensagem do documento. Defende o autor que a análise de uma fonte documental deve acontecer por etapas, de acordo com as unidades de sentido encontradas, de forma que a passagem de uma unidade para a outra aconteça em subseqüência.
Após o estabelecimento da unidade de leitura, procede-se a uma leitura completa do texto, chamada de análise textual, a ser realizada de forma contínua e flutuante, sem a preocupação em lhe depreender todo o significado. A idéia é adquirir uma visão panorâmica do documento, mas que permita o levantamento dos elementos básicos e essenciais para a sua compreensão (Severino, 2002).
Na seqüência, passa-se à análise temática que se constitui uma etapa de compreensão da mensagem referente à unidade de leitura, de forma que haja o efetivo entendimento acerca do que as unidades do documento tratam.
Em seguida, na análise interpretativa propõe-se que seja feita uma leitura analítica do material, de forma a avaliar a sua coerência interna e verificar, mediante uma interpretação crítica, o alcance, a validade e as contribuições que o texto oferece à discussão a que se propõe (Severino, 2002).
O autor ainda sugere uma quarta abordagem para a realização da análise documental, caracterizada por uma problematização acerca do texto, de forma a levantar e discutir pontos relevantes acerca de questões implícitas e explícitas do documento, objetivando a dar visibilidade a reflexões necessárias sobre o tema ao qual se estava propondo debater (Severino, 2002).
Em relação a esta pesquisa, o uso da análise documental objetivou conhecer e analisar as diretrizes teórico-conceituais e metodológicas que a SEE-DF ofereceu às EAAA, e em especial aos Psicólogos Escolares, por meio dos documentos:
“Operacionalização do Processo de Avaliação e Atendimento Psicopedagógico no Contexto Escolar” e “Orientações Pedagógicas das Equipes de Apoio à Aprendizagem”, publicados respectivamente em 2004 e 2006.
Após a seleção do material, procedeu-se a uma análise que objetivou encontrar os aspectos recorrentes, avaliando-se também o aprofundamento, a pertinência e a amplitude das informações e orientações detalhadas.
Assim como aponta a literatura a respeito, a análise documental efetivou-se mediante uma categorização que permitiu que fossem investigados os objetivos da pesquisa, de modo que o exame analítico do material evidenciasse pontos implícitos e explícitos do documento (Severino, 2002).
Esta proposta de categorização também encontra apoio das idéias de Franco (2003), que defende este processo como “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em analogias, a partir de critérios definidos” (p. 51). A autora ancora-se em Bardin (1977) para esclarecer que os critérios de categorização podem ser: (a) semântico, caracterizando-se por um agrupamento temático; (b) sintático, realizado, por exemplo, a partir dos verbos e adjetivos empregados; (c) léxico, que é originado a partir da classificação das palavras segundo o sentido, com emparelhamento de sinônimos e sentidos próximos; e (d) expressivo, no qual categorias podem ser criadas a partir de, por exemplo, diversas perturbações da linguagem.
Neste trabalho, definiu-se que a elaboração das categorias e seus respectivos indicadores seriam predeterminados, em consonância aos objetivos da pesquisa, que se consorciaram na investigação de duas grandes dimensões: formação e atuação. Assim, mediante a análise documental, os agrupamentos temáticos foram classificados de acordo com categorias pré-estabelecidas. No Capítulo VI serão apresentadas as definições de tais categorias bem como os temas gerados.
A PARTE 1 da pesquisa, que se constituiu pela análise documental, foi realizada entre os meses de agosto e outubro de 2006.