5. Quantification of GHG Impacts in Transportation Plans
5.3. GHG Impacts from Construction – Current Practice
Nesse contexto, o primeiro município criado foi o de Casca, em 1954, como apresentado no Quadro 20.
Quadro 20 – Casca (1954) Topônimo: Casca
Nome(s) anterior(es): São Luiz de Guaporé e São Luiz de Casca*
Gentílico: casquense** Código IBGE: 4304903** Fundação: 15/12/1954*
Distrito(s): Evangelista* Bandeira:
*
Brasão:
*
Histórico: “O Município foi criado pelo ato do então Governador do Estado, Cel. Ernesto Dorneles, em 15 de dezembro de 1954, através da Lei Estadual Nº 2525. A instalação do Município ocorreu em 28 de fevereiro de 1955, na casa de Miguel Dors, que passou a ser a sede provisória da Câmara Municipal de Vereadores.”*
Informações enciclopédicas: “O início do povoamento deu-se em 1890, por famílias de colônias mais velhas, povoadas por descendentes de poloneses e italianos. Os primeiros vieram de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi, Guaporé, Alfredo Chaves e Antonio Prado, a maioria destas famílias dedicou-se, a princípio à agricultura. A origem dessas
famílias era de predominância da região de Vêneto, nordeste italiano, principalmente das províncias de Vicenza, Pádua, Verona, Treviso e Belluno. Também contribuíram os imigrantes provenientes do sul da Polônia. A denominação oficial foi de São Luiz de Guaporé, quando em 1904, foi considerado como 2° Distrito de Guaporé. O nome provavelmente, em homenagem ao Padroeiro da localidade: São Luiz Gonzaga. O povoado foi crescendo às margens de um arroio e passou a ser conhecido como São Luiz de Casca, numa relação com o Padroeiro da Igreja local. [...] Dentre as árvores existentes havia o Araçá e o Guabijuzeiro, cuja casca era retirada e comercializada em curtumes de Passo Fundo, onde dela extraíam uma essência muito especial na curtição de couros. [...] A primeira sede do Executivo Municipal foi a casa do Sr. Severino Bonamigo. A casa de Miguel Dors ainda existe. Quanto à origem do nome ‘Casca’ configura-se duas hipóteses: a) extração de cascas de árvores com objetivos comerciais; b) o local de passagem dos cavaleiros e carroceiros no riacho próximo à cidade, bastante liso e escorregadio, fácil de cair, que no dialeto italiano cair se traduz por ‘cascar’. Assim os imigrantes nomearam esse local, hoje o atual Arroio Casca.”*
Etimologia:
• Casca: “invólucro exterior de vários órgãos vegetais, qualquer revestimento ou invólucro em geral. Der. regress. de cascar.”*** Cascar: “tirar a casca de. Do lat. *quassĭcāre, de
quassāre sacudir, quebrar”.*** Entrada lexical: Casca
Estrutura morfológica: elemento simples. • Casca: casc-a.**** Taxonomia: fitotopônimo Imagem de mapa: ** Foto da cidade: * Pesquisador: Bruno Misturini
Fontes:
* Prefeitura Municipal de Casca. Disponível em: <http://www.pmcasca.com.br/>. Acesso em: 31 mar. 2016.
** IBGE. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=430490>. Acesso em: 31 mar. 2016.
*** CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.
**** HECKLER, Evaldo; BACK, Sebald; MASSING, Egon Ricardo. Dicionário
morfológico da língua portuguesa. São Leopoldo, RS: Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, 1984. 5 v.
Segundo o Quadro 20, verifica-se que o atual município de Casca, quando ainda era distrito, pertenceu a Guaporé. Nesse período, em 1904, seu nome era São Luiz de Guaporé, provavelmente em homenagem ao santo padroeiro da cidade, São Luiz Gonzaga. O povoado, no entanto, ficou conhecido como São Luiz de Casca, devido à atividade comercial exercida no local: a extração da casca de araçás e guibijuzeiros, que era vendida a curtumes de Passo Fundo. Com o passar do tempo, o distrito passou a ser chamado apenas de Casca, que acabou por virar o nome oficial do município, quando emancipado.
Apesar de, aparentemente, ter existido o comércio de cascas de plantas na região, tanto o site oficial da prefeitura municipal de Casca quanto o portal do IBGE informam que há duas possíveis explicações para a escolha do nome: a primeira, já explorada neste trabalho, diz respeito à extração de cascas de araçás e guabijuzeiros, e a segunda está relacionada ao fato de o local ser bastante escorregadio e fácil de “cair”, verbo que, no dialeto italiano, pode ser traduzido por “cascar”.
Diante da impossibilidade de confirmar qual das explicações pudesse ser a verdadeira, optou-se por utilizar, para a classificação taxonômica, a primeira delas. Dessa forma, tendo em vista que o topônimo está relacionado com elementos vegetais, há um caso de fitotopônimo (DICK, 1992) – o primeiro registrado até o momento.
Não foram encontradas informações acerca do único distrito do município – Evangelista, criado em 1955. O nome pode possuir carga religiosa (relacionado à igreja católica ou evangélica) ou, então, representar algum nome próprio individual. Destaca-se que o nome Evangelista, de acordo com o site Nomes no Brasil57, criado a partir de informações do Censo Demográfico, realizado pelo IBGE, atingiu uma frequência muito grande entre as décadas de 1950 e 1960.
O escudo samerítico, utilizado para representar o brasão da cidade, de acordo com informações do site da prefeitura municipal58, é de estilo português e remete aos colonizadores do Brasil. Ao centro, o lanço da muralha lembra a indústria de construções do município; a grama, suas férteis pastagens, com a presença de um suíno, que é uma das principais atividades econômicas de Casca; a asa da águia romana homenageia a influência italiana, e a espada representa a origem guerreira dos imigrantes. O xadrezado presente é um evocativo à revolução gaúcha de 1923. Também estão representados o feijão, a soja, a erva-mate e o trigo. Na faixa inferior, há o nome do município e sua data de instalação.
57 Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/nomes/#/search/response/164>. Acesso em: 06 jan. 2017. 58 Disponível em: <http://www.pmcasca.com.br/Interna.php?cod=43>. Acesso em: 06 já. 2017.
Observa-se, assim, que existe a possibilidade de a cultura de imigração ter influenciado na escolha do nome do município. Contudo, assim como no caso do distrito, trabalha-se apenas com uma hipótese, devido à falta de informações mais consistentes sobre o assunto.
3.1.2 Marau (1954)
Ainda no ano de 1954, foi criado o município de Marau, como representado no Quadro 21.
Quadro 21 – Marau (1954) Topônimo: Marau
Nome(s) anterior(es): Ø*
Gentílico: marauense* Código IBGE: 431180* Fundação: 18/12/1954*
Distrito(s): Veado Pardo e Laranjeiras* Bandeira:
**
Brasão:
**
Histórico: “Distrito criado com a denominação de Marau, por Ato Municipal n.º 258, de 10- 01-1916, subordinado ao município de Passo Fundo. [...] Elevado à categoria de município com a denominação de Marau, pela Lei Estadual n.º 2.550, de 18-12-1954, desmembrado de Passo Fundo e Gauporé.”*
Informações enciclopédicas: “Marau foi durante muito tempo apenas território para tropeio de gado. Depois, a Coroa distribuiu sesmarias para que os tropeiros e os militares se estabelecessem em estâncias. A vinda de alguns imigrantes das mais diversas pátrias fez surgir os primeiros núcleos populacionais, um denominado de Tope e o outro de Marau. Este recebeu as primeiras famílias de imigrantes italianos por volta de 1904. A vila e a zona rural desenvolveram-se com o trabalho árduo dos colonizadores, descendentes dos imigrantes italianos oriundos das regiões do Vêneto, Lombardia e Trentino, mas foi fundamental o estímulo dos freis capuchinhos, assistentes espirituais dos marauenses a partir de 1934. O município deve seu nome à trágica história de um cacique bravio, de nome Marau, que, conforme a historiografia, percorria as vastas selvas da Serra Geral em busca de alimento frente a um bando [sic] de índios Coroados.”*
Etimologia:
• Marau: “m. q. maracujá”.*** Entrada lexical: Marau
Estrutura morfológica: elemento simples. • Marau: marau.****
Imagem de mapa:
*
Foto da cidade:
** Pesquisador: Bruno Misturini
Fontes:
* IBGE. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=431180>. Acesso em: 06 jan. 2017.
** Prefeitura Municipal de Marau. Disponível em: <http://www.pmmarau.com.br/>. Acesso em: 06 jan. 2017.
*** TIBIRIÇA, Luíz Caldas. Dicionário tupi-português. São Paulo: Traço, 1984. **** HECKLER, Evaldo; BACK, Sebald; MASSING, Egon Ricardo. Dicionário
morfológico da língua portuguesa. São Leopoldo, RS: Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, 1984. 5 v.
Fonte: elaboração do autor.
Como observado, os primeiros imigrantes chegaram à região onde hoje está instalado o município no ano de 1904. Doze anos mais tarde, já conhecido pelo mesmo nome que leva hoje, Marau foi criado como distrito pertencente a Passo Fundo. Apenas em 1954, foi elevado à categoria de município, não havendo nenhuma alteração toponímica durante sua história.
O nome, de acordo com dados retirados do site do IBGE, está relacionado com a cultura indígena. Observa-se que este é o terceiro caso, dentre os doze nomes já analisados. Como visto no Quadro 21, Marau era o nome de um cacique que liderava um grupo de índios coroados na região. Por isso, o topônimo pode ser classificado, a partir da taxonomia proposta por Dick (1992), como um antropotopônimo. Segundo o site de sua prefeitura municipal, “Marau preserva em seu nome o passado indígena do Brasil e a memória das batalhas humanas pela ocupação de espaços, batalhas muitas vezes cruéis e quase sempre condenadas ao esquecimento”59.
O município, atualmente, conta com dois distritos: Veado Pardo e Laranjeiras. Apesar de não terem sido encontradas informações sobre esses nomes, é possível que eles estejam relacionados à fauna e à flora da região, respectivamente.
Quanto ao brasão municipal, de acordo com o site da prefeitura de Marau60, imperam as cores nacionais e rio-grandenses, com a presença, ao centro, de um pinheiro, um arado e um suíno, que representam as atividades agrícolas e pecuárias da cidade. Há destaque para a figura do índio Marau, que deu nome ao município, e de um colono, pela contribuição ao desenvolvimento de suas terras. Na parte inferior, lê-se o topônimo e sua data de criação. A bandeira municipal possui o brasão em seu centro e tem, ao fundo, as cores verde, branco e vermelho, que lembram a bandeira italiana.
Diferentemente dos outros dados já analisados, observa-se no histórico de Marau a forte referência à cultura indígena. A denominação escolhida para o distrito, que se perpetuou ao ser elevado para a categoria de município, é uma clara e forte homenagem ao índio de mesmo nome. A importância da cultura italiana não é negada, mas, ao contrário do que tem acontecido nas outras cidades da região, esse município optou por valorizar aqueles que, de uma maneira ou de outra, têm sido esquecidos e apagados da história regional.
3.1.3 Arvorezinha (1959)
O próximo município criado foi Arvorezinha, no ano de 1959, como apresentado a seguir.
Quadro 22 – Arvorezinha (1959) Topônimo: Arvorezinha
Nome(s) anterior(es): Alto da Figueira, Figueira Alta e Figueira*
Gentílico: arvorezinhense** Código IBGE: 4301404** Fundação: 16/02/1959**
Distrito(s): Pinhal Queimado** Bandeira:
*
Brasão:
*
Histórico: “Em 30 de novembro de 1958 realizou-se o plebiscito, onde a maioria do eleitorado decide pelo novo município, com sede em Arvorezinha. Este movimento ganhou força e no dia 16 de fevereiro de 1959 foi assinado o Decreto-lei nº 3.717/59, pelo então governador Leonel de M. Brizola dando autonomia municipal à Arvorezinha, desmembrando-se de Encantado e Soledade.”*
Informações enciclopédicas: “Em busca de desenvolvimento, os desbravadores descobriram esta localidade por volta de 1900. Logo após, chegaram os imigrantes, em sua maioria, Italianos, Portugueses, Negros, Alemães, entre outros, que além de sua imensa vontade de progredir, traziam uma grande fé, um sentimento cristão de que além da força do homem é necessária a ajuda divina. E junto chegou o cristianismo, que sempre foi o marco da união entre todos, pois ao redor de pequenas capelas grandes decisões foram tomadas. A localidade de Alto da Figueira encontra-se a 750 metros acima do nível do mar com uma superfície de 577 km². Há relatos que ‘Figueira’ é denominado devido ao nome do primeiro morador – Lino Figueira. Também, segundo os historiadores o nome ‘Figueira’ tem referência a árvore Figueira, localizada ao lado da Igreja Matriz. Após a conscientização de seu grande valor e poder de produção, veio a política, de que a região tinha condições de gerir-se politicamente. Surgiu assim o movimento emancipacionista, e dali em diante, o povo laborioso trabalha para o desenvolvimento do município. Município este, que algumas vezes teve seu nome modificado para Alto Figueira, Figueira Alta e apenas Figueira. E num decreto do Governo Estadual, determinando que deveriam ser extintos os nomes iguais, surgiu Arvorezinha, com referência à pequena Figueira localizada ao lado da Igreja Matriz.”* Etimologia:
• Árvore: “vegetal lenhoso cujo caule, chamado tronco, só se ramifica bem acima do nível do solo. Do lat. arbor -ŏris.”***
Entrada lexical: Arvorezinha
Estrutura morfológica: elemento simples. • Arvorezinha: ar-vor-e-zinh-a. Taxonomia: fitotopônimo Imagem de mapa: ** Foto da cidade: * Pesquisador: Bruno Misturini
Fontes:
* Prefeitura Municipal de Arvorezinha. Disponível em:
<http://www.arvorezinhars.com.br/>. Acesso em: 31 mar. 2016. ** IBGE. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=430140>. Acesso em: 31 mar. 2016.
*** CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.
Fonte: elaboração do autor.
As informações constantes no Quadro 22 permitem verificar que o primeiro nome do atual município de Arvorezinha foi Figueira. Acerca disso, existem divergências sobre a motivação para a escolha do nome: relatos apontam para uma homenagem ao primeiro morador
da localidade, Lino Figueira; contudo, historiadores dizem que o topônimo foi escolhido como referência à árvore Figueira, localizada ao lado da Igreja Matriz da cidade. Observa-se que ambos os casos são bastante comuns ao se escolher a denominação de um local – a homenagem a um morador antigo ou a referência a um elemento de destaque na comunidade.
Além de Figueira, a localidade também era chamada de Alto da Figueira e de Figueira Alta, possivelmente devido à sua altitude (750 metros acima do nível do mar, de acordo com o
site da prefeitura do município). Quando do surgimento do decreto que proibia cidades com
nomes iguais, o topônimo foi alterado para Arvorezinha, devido à pequena figueira que existia ao lado da igreja, como já dito. Isso corrobora, em partes, com a hipótese de o primeiro nome estar relacionado com a árvore, e não com o sobrenome do morador.
Dessa forma, tem-se mais um caso de fitotopônimo, uma vez que o nome diz respeito a um elemento de origem vegetal. Nota-se que o único distrito de Arvorezinha se chama Pinhal Queimado, nome que possivelmente remete a um episódio que envolveu a queima de pinheiros na região.
Quanto ao brasão municipal, de acordo com o portal online da prefeitura61, observa-se um escudo português dividido em três partes. Na superior, ao centro, o aperto de mãos significa a união do povo, e, nas bordas, espécies suínas e bovinas representam a principal atividade econômica da cidade. Na parte central, estão representadas a topografia acidentada de Arvorezinha e a religiosidade de seus cidadãos. No inferior do escudo, duas árvores de erva- mate estão representadas no campo verde. Na faixa vermelha, figuram a data de emancipação e o nome do município. Há, ainda, a presença de uma espiga de milho e uma espiga de trigo – culturas predominantes do município. A bandeira apresenta três faixas horizontais, nas cores amarela e vermelha, e possui, ao centro, o brasão municipal.
Nota-se, a partir do exposto, que, apesar de a cidade ter recebido diversos imigrantes italianos, além de outros, em menor quantidade, que vieram de outros países, a cultura italiana não manifestou, nos dados analisados no Quadro 22, expressividade.
3.1.4 Muçum (1959)
Em fevereiro de 1959, o município de Muçum foi criado, sendo, dessa forma, desmembrado de Guaporé, como exposto no quadro a seguir.
Quadro 23 – Muçum (1959) Topônimo: Muçum
Nome(s) anterior(es): General Osório*
Gentílico: muçuense* Código IBGE: 431260* Fundação: 18/02/1959*
Distrito(s): Ø* Bandeira:
**
Brasão:
**
Histórico: “Em 1957, deu-se início ao movimento Pró-Emancipação e em 18 de fevereiro de 1959 cria-se o município, pela Lei nº 3.729. Em 23 de maio de 1959 aconteceu a 1ª Eleição Municipal e em 31 de maio do mesmo ano, houve a instalação oficial do município de Muçum.”*
Informações enciclopédicas: “O nome ‘Muçum’ teve origem, nos primórdios de 1889- 1900, quando os primeiros habitantes desbravavam a região coberta de mata virgem. ‘Muçum’, para aqueles habitantes, era uma cachoeira existente no Rio Taquari, onde abundava uma espécie de peixe, chamado Mussum [sic], o que serviu entre os marinheiros e viajantes para identificar também, o nome do povoado existente. Posteriormente, com a criação do distrito (1905), a localidade passou a denominar-se ‘General Osório’. Em 1938, em virtude da Lei Estadual, que proibia a existência de duas localidades com o mesmo nome, já na categoria de vila, voltou a adotar o primitivo nome ‘Muçum’, que continua sendo usado. O povoamento da região, que constitui hoje o município de Muçum, começou por volta do século XIX, com o estabelecimento dos primitivos colonizadores de origem lusa, italiana, alemã e polonesa, que compraram suas terras através da Comissão de Terras e Colonização em Guaporé. O Rio Taquari foi de suma importância na migração dos primeiros colonizadores. Os primitivos habitantes do território de Muçum, à época do Descobrimento do Brasil, eram os índios. Em 1633 os jesuítas visitaram a região. Em 1888 chegaram os primeiros imigrantes italianos, alemães, franceses e poloneses, que colonizaram o território. Esta grande gleba de terra pertencia a Antonio Fialho de Vargas, Joaquim Fialho de Vargas e outros.”*
Etimologia:
• Muçum: “peixe dos rios, comumente chamado de mussum”.*** Entrada lexical: Muçum
Estrutura morfológica: elemento simples. • Muçum: muçum.****
Taxonomia: zootopônimo
* ** Pesquisador: Bruno Misturini
Fontes:
*IBGE. Disponível em:
<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=431260>. Acesso em: 10 jan. 2017.
** Prefeitura Municipal de Muçum. Disponível em: <http://www.mucum-rs.com.br/>. Acesso em: 10 jan. 2017.
*** TIBIRIÇA, Luíz Caldas. Dicionário tupi-português. São Paulo: Traço, 1984. **** HECKLER, Evaldo; BACK, Sebald; MASSING, Egon Ricardo. Dicionário
morfológico da língua portuguesa. São Leopoldo, RS: Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, 1984. 5 v.
Fonte: elaboração do autor.
De acordo com o Quadro 23, as terras onde hoje está localizado o município de Muçum tiveram sua colonização iniciada pelos imigrantes no ano de 1888. Nesse período, o local ficou conhecido como Muçum, devido à existência de um peixe de mesmo nome que podia ser encontrado em grande quantidade no Rio Taquari. A espécie de peixe nomeou não apenas o local onde era encontrado – uma cachoeira –, mas toda a localidade.
No ano de 1905, Muçum passou a ser distrito de Guaporé, tendo sua denominação alterada para General Osório. Contudo, em 1938, a lei que não permitia a existência de duas localidades com o mesmo nome fez com que o topônimo fosse alterado e voltasse para o seu nome inicial: Muçum – que, nessa época, deixara de ser distrito e fora elevado para a categoria de vila. Em 18 de fevereiro de 1959, após a criação de um movimento pró-emancipação, foi criado o município de Muçum, instalado em 31 de maio do mesmo ano. O Quadro 23 ainda assinala o fato de não haver nenhum distrito vinculado à sede municipal.
Apesar de ser um nome com origem tupi, Muçum é uma espécie de peixe, ou seja, faz referência à fauna da região. Dessa forma, há o primeiro caso de zootopônimo dentre os municípios da RCI.
No ano de 1975, dentro das festividades alusivas à emancipação do município e ao Centenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, foram apresentados à comunidade os
símbolos oficiais de Muçum. De acordo com o site da prefeitura municipal62, o brasão possui, em seu escudo, uma roda dentada na cor ouro, simbolizando a indústria da cidade, e o Rio Taquari e uma ponte, também em cor ouro, que representa a importância que o transporte rodo- ferroviário desempenhou no município. Nas laterais, observa-se a presença de ramos de soja, principal produto agrícola de Muçum. Na parte inferior, há um listel dourado com as datas da criação do distrito (1905) e da emancipação municipal (1959), separadas pelo topônimo.
Nota-se, assim como no caso de Arvorezinha, que a cultura de imigração não manifestou