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Chapitre 3 : Les cas du Togo et du Ghana

3.2 Secteur privé au Ghana et au Togo

3.2.1 Ghana

Em televisão, há um processo que não diz respeito apenas a quando o telespectador interfere na notícia, de modo que ele vota, opina, envia sugestão e compartilha. Mas, principalmente, quando ele – emissor – está ligado ao fato de ser um produtor de conteúdo.

[...] apesar de seu caráter fortemente massivo, o conteúdo televisivo nem sempre é recebido de modo homogêneo pelo público: seus efeitos culturais e psicológicos obedecem a uma série de variáveis, dentre elas fatores sociais, econômicos, educacionais, além da própria conjuntura em que o telespectador está inserido (SILVA, 2008, p. 02).

Entretanto, quando falamos em interatividade no mundo a cores e propriamente na televisão, onde as imagens “andam” e o colorido ganha ainda mais forma, esta ferramenta cria a possibilidade de uma aproximação maior com o receptor, seja com acesso a informações de filmes e seriados, como também na participação dele em um programa ao vivo. Para André Lemos, esta relação que hoje, 2015, ganha o mundo está totalmente ligada às tecnologias aprimoradas dia a dia.

A noção de interatividade está diretamente ligada aos novos media digitais. O que compreendemos por interatividade nada mais é que uma forma de interação técnica, de cunho eletrônico-digital, diferente da interação analógica que caracterizou os medias tradicionais (LEMOS, 1997, p. 01).

A partir desta afirmação, percebe-se que a relação entre as emissoras de televisão e o receptor, o qual como destacado anteriormente, se considera parte da notícia, sempre foi próxima. Uma relação que partiu do envio de cartas e das ligações para definir quadros e escolher candidatos. Uma “troca” que acontecia ainda na televisão analógica. Hoje em pleno desenvolvimento da era digital todos estes recursos são adaptados e absorvidos pelos veículos televisivos a fim de aumentar o vínculo entre “jornalista e receptor”.

Mas para que este processo de exibição aliado à interatividade seja eficaz, de forma a atrair e ao mesmo tempo tornar o telespectador como parte da notícia é preciso que haja uma verdadeira inserção, como destaca Ariante Parente Paiva:

Sua lógica é a de que o jornalismo somente será interativo se adotar uma verdadeira inserção do leitor no seu processo de comunicação interno e externo, indo além da reação. [...] Esse é o maior desafio do jornalismo online, pelo fato de que nem todos os níveis de interação proporcionados nesse contexto garantem realmente a interatividade (PAIVA, 2013, p. 04).

Para poder garantir esta interatividade é preciso que, na adaptação da televisão as novas tecnologias e mudança de produtos, as emissoras pensem sobre sua maneira de informar. Com o digital será possível produzir um telejornalismo mais dinâmico e segmentado, com informação sob demanda e veiculação de vídeos simultâneos. A cobertura das notícias poderá ser feita de forma mais aprofundada (PRAZERES, 2011, p. 04).

Assim o telespectador pode escolher as informações e o tipo de programação que lhe interessa. Aprofundar ou não um assunto? Na prática, o telejornalismo busca fazer com que a pessoa do outro lado da tela entenda estas mudanças, mas não de forma duvidosa e, sim, de forma a deixar os apresentadores e repórteres entrar na sua casa.

Para que a sala de casa se torne uma extensão para a televisão é necessário que durante a prática jornalística todos estes recursos possibilitados pela interatividade contribuam de fato com uma maior qualidade na apuração e que crie uma exigência: este “fazer a notícia” por parte dos jornalistas. Mas para que realmente ele (jornalista) possa usar estes recursos é necessário que esteja preparado para produzir e pensar em todo o processo que tange a busca pela notícia. Aos que ainda, mesmo que a passos lentos, acompanhem a evolução dos meios, tem-se um aliado. As cartas enviadas pelos telespectadores, usadas para pensar em pautas e sugerir séries de reportagens foram atualizadas para a era digital. O jornalismo colaborativo que sempre existiu, agora, está fortalecido com o envio de fotos e vídeos que tomam conta das televisões. O fato imediato, a repercussão e saber que aquilo está acontecendo neste momento, em tempo real, criam uma aproximação gigante entre, emissora de televisão e receptor.

As comunidades que presenciam os fatos se tornam agentes fundamentais na fase de captação e principalmente veiculação da notícia, de forma a criar relação com os produtores do telejornal e ser informantes de tudo que acontece. Além de informar, apenas contando o fato, agora, ele, telespectador é parte desta notícia. É ele quem mostra em detalhes a notícia. A câmera do celular se torna a lente do cinegrafista da emissora. Como? O telespectador de forma ágil está por primeiro no fato, por morar na rua ou até mesmo estar passando pelo local. Então, se aconteceu algo relevante, ele filma, envia e compartilha.

A interatividade permite ao usuário solicitar e receber informações em tempo real, independente do programa que está sendo visto. Ela pode ser interna ou local, quando o usuário interage com informações no próprio terminal de acesso. Ou externa,

quando ela é feita via um canal de interatividade direto com a transmissora do sinal ou com um provedor de serviços (BECKER, 2008, p. 30).

O resultado, conforme Lopez e Gobbi (2009) são as ampliações de todo o acesso à informação, tornando a chamada “nova tecnologia digital” algo possível de ser aumentado, o que consequentemente resulta em mais informação para o telespectador. A ordem então é dialogar e democratizar a notícia. Como resposta, o telespectador, estimulado por esta interação, participa cada vez mais e de forma efetiva ao fato.

Um canal é estreitado entre quem produz e quem recebe, um retorno pelo qual os jornalistas esperam, o chamado “feedback”. Com a utilização adequada destas ferramentas este processo se torna natural e a interatividade acaba sendo um fenômeno pleno e facilmente compreendido pelas pessoas. Entretanto é preciso que esta adaptação das televisões aconteça de forma cotidiana e gradual, testando a audiência e “medindo” o retorno do seu público.

A reflexão que aqui se pretende desenvolver refere-se especificadamente à operação das mídias enquanto meios técnicos- de produção, circulação e consumo de mensagens midiáticas- sobre as diferentes linguagens sonoras e/ ou visuais que elas presidem e, consequentemente, sobre o papel por elas desempenhado na constituição de formas de expressão das diferentes mídias.[...] Assim os meios técnicos funcionam como máquinas discursivas, oferecendo infindáveis possibilidades de seleções e combinações, transposições e fusões, aliadas a determinadas restrições (DUARTE, 2004, p. 54).

Com a televisão este processo de mesclar e absorver o que está disponível nesta esfera digital se torna ainda maior. Elizabete Duarte destaca também que no telejornalismo “seus textos manifestam-se na articulação de diferentes linguagens sonoras e visuais” (2004, p. 54). O que ajuda as empresas que focam seu jornalismo na televisão, pois se aproveitam destes suportes para que o consumo, por parte dos telespectadores, seja maior e massivo.

Assim, a programação televisiva foi se modificando, a ponto de ampliar o espaço para que o receptor participe da notícia e, ao mesmo tempo, que os programas se tornem interativos.

Pode-se investir no seu próprio modelo de conteúdo e exibi-lo das formas mais variadas que puder, seja pelo aparelho de TV, pela webTV, vídeo sob demanda, IPTV... Grandes indústrias vêm preparando os novos aparelhos que farão a simbiose da TV com a Internet. E a experiência de ver TV irá se modificar. A tendência será o conceito “in-in”, Internet-interatividade, as palavras mais repetidas até aqui (TOURINHO, 2010, p. 07).

Carlos Tourinho lembra ainda da crescente aceitação destes modelos de exibição e alterações na programação, baseada, conforme explicado, nas ferramentas digitais.

O fenômeno do crescente volume de vídeo pela web mostra que o formato visual continua na preferência do espectador. O que pode mudar é a plataforma onde ele irá

buscar o seu vídeo: TV ou Internet? Já se fala em webificação (no inglês, webfizing) da TV (TOURINHO, 2010, p. 07).

Autores como Squirra (2004, p.48) lembram que “o público da informação deseja sempre que possível saber o que se passa no lugar onde vive, no seu país e também no resto do mundo”. Desta maneira, o telejornalismo se apresenta como um intermediário desta relação entre público e notícia, porque a informação que é recebida nos telejornais é analisada e interpretada de modo a pensar sobre o que realmente interessa para estas comunidades e de que forma o fato vai ser exposto, de maneira a ser claro, objetivo e também interativo.

Sendo assim, a tarefa dentro das emissoras de televisão agora com a convergência digital é facilitar a comunicação entre as diferentes comunidades e grupos pelas quais ela está inserida.

Eles - os atores sociais – estão enlaçados por interesses comuns e formam uma grande comunidade. E é dela que a TV precisa extrair a substância que lhe garante viver; é da comunidade que sai o tônico capaz de lhe assegurar a supremacia que tanto persegue (FLAUSINO, 2002, p. 3-4).

Agora a televisão conta com estes “atores sociais” para que consiga informar de forma mais ágil e incrementada este telespectador. Incremento que veio através da transmídia, conceito apresentado anteriormente, mas que demonstra uma expansão das plataformas e, de certo modo, uma contribuição na maneira como a notícia vai ser exposta. É uma troca entre o público e o jornalista, onde o receptor, que agora é parte da notícia, denuncia problemas e informa de tudo que acontece naquela localidade, com objetivo de buscar uma resposta e também, quando necessário, uma solução para o fato.

Entretanto, a missão e o dever do repórter de televisão não mudam dentro deste contexto, a amplitude e precisão de buscar pelo fato são os mesmos. Agora, ele narra e expõe com apoio de um aliado muito importante neste processo, o telespectador.

De consumidor passivo que era, ele pode se tornar ativo, na medida em que os meios dessa atividade estarão ao alcance de sua mão. [...] Daqui a dez anos vai parecer completamente absurdo ter um aparelho de TV em casa pelo qual você não pode transmitir nada, apenas receber (SILVA, 2000, p. 5).

Dentro deste contexto, podem-se analisar categorias de participação no telejornalismo, a institucionalizada, onde todas as formas de interação são voluntárias, mas também a factual, onde impera aqui a participação de forma espontânea. Sendo desta forma, encontram-se telespectadores que antes tinham participação involuntária na notícia de modo que ele não tinha por desejo participar. Porém, quando fala-se na troca de informação por meio de uma reposta

voluntária do telespectador, mostra-se neste momento uma intenção e aspiração de ele estar dentro do fato, se considerando ativo neste processo.

Ele por si adquire a vontade e também necessidade de estar no fato, se convidando a acompanhar e contribuir na produção jornalística de uma notícia, dando direito a veicular o seu vídeo ou foto no telejornal. O telespectador passa a ser integrante desta rede que foi possibilitada pela mídia e convergência digital.

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