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Développement d'infrastructures de mobilité combinée et durable

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Segundo Pardal (1993), um dos primeiros cursos de matemática realizados no Brasil, que incluía o estudo do “cálculo das probabilidades”, foi oferecido pela Real Academia de Artilharia, Fortificado e Desenho. O critério de seleção de candidatos para a Academia era ter idade mínima de 15 anos e “darem conta das quatro operações” (PARDAL, 1993, p. 90). Outro fato relevante refere-se aos livros indicados para o estudo na Academia, “os títulos eram os mais reputados na França, adotados na famosa Escola Politécnica de Paris” (Id., p. 90). Entretanto, houve muita dificuldade na implantação dos estudos avançados na Academia porque os alunos conheciam apenas as quatro operações. Nesse contexto, seria impossível

                                                                                                               

5 A Associação Brasileira de Estatística (ABE), fundada em 1984, é uma das mais importantes entidades da Estatística existente no país e tem como finalidade promover o desenvolvimento, a disseminação e aplicação da Estatística.

saber quando e com que profundidade foram ministrados cálculos das probabilidades na Academia Militar.

No ano de 1858, a Academia Real Militar se transforma em Escola Central. Cinco anos depois, em 1863, é criada a cadeira de Economia Política, Estatística e Princípios de Direito administrativo, tendo como catedrático, José Maria da Silva Paranhos6 (Visconde do Rio Branco), que fora responsável não apenas por essa cadeira. Em 1863, Américo Monteiro de Barros, então substituto de Visconde do Rio Branco na cadeira de Economia Política, Estatística e Princípios de Direito administrativo, assina, em fevereiro de 1864, “o primeiro programa da cadeira, indicando três livros-textos de estatística, um deles sendo Elementos de Statística de Moreau de Jonné” (PASCAL, 1993, p. 91).

Em setembro do ano de 1947, ocorre na cidade de Washington, no Instituto Interamericano de Estatística, uma importante reunião, onde são tomadas diversas decisões sobre a formação do profissional Estatístico. As categorias relacionadas a esse profissional foram divididas em: estatísticos matemáticos (teoristas); estatísticos analistas (os próprios analistas); estatísticos administradores (elaboradores). Entre os participantes das discussões, destaca-se o brasileiro Milton da Silva Rodrigues7 (1904-1971), que, no mesmo ano, proferiria uma palestra em São Paulo sobre a formação do Estatístico (SENRA, 2010).

Dentre as deliberações da referida Sessão, destacam-se dois tópicos da deliberação número 20, que tratam do Ensino da estatística nos centros de estudos secundários e intermediários. Segundo Senra (2009), ela apresenta as seguintes recomendações:

1) Que as autoridades responsáveis pelo ensino nos países americanos reconsiderem os planos de estudo a fim de assegurar ao ensino da estatística, caso não o tenham feito até hoje, o lugar que lhe corresponde pela sua importância na civilização moderna. 2) Que no concernente ao ensino secundário e intermediário os planos de estudo incluam, pelo menos: a) No ensino de caráter comercial, noções de estatística com aplicação a problemas econômicos ou comerciais. b) No ensino pedagógico, noções de estatística com aplicação a educacionais. c) Nos demais ensinos                                                                                                                

6 José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, foi o estadista de atuação mais destacada da

Monarquia brasileira. Nasceu na Ladeira da Praia, nº 8, mais tarde Freguesia da Sé, em Salvador, Bahia, a 16 de março de 1819. Era filho de um rico comerciante português, Agostinho da Silva Paranhos, e de D. Josefa Emerenciana Barreiros. Iniciou seus estudos primários em 1825 e os concluiu em 1831. De 1832 a1835, cursou aritmética, álgebra e geometria e estudou francês, inglês, história, geografia, filosofia e retórica. Em 1836, já órfão, inicia sua vida na Corte, inscrevendo-se na Academia de Marinha e conclui o curso em 1841. Em 1849, inscreve-se na Academia Militar. Embora a política, a administração e a diplomacia tivessem sempre ocupado sua vida pública, nunca deixou a carreira de professor (da Escola Militar, Escola da Marinha, Escola de Engenharia – hoje chamada de Politécnica) até se aposentar em 1877 (Fonte: Biblioteca Blanche Knopf – Fundação Joaquim Nabuco).

7 Milton da Silva Rodrigues era formado em Engenharia Civil pela Escola Nacional de Engenharia do Rio de

Janeiro. Milton lecionou as disciplinas de Estatística e Educação Comparada: Estatística I, Estatística Geral e Aplicada e Estatística II e Estatística Educacional para o curso de Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras na Universidade de São Paulo (SILVA, 2013).

secundários e intermédios, tanto quanto possível, aplicações elementares de estatística, como ilustração, nos cursos de aritmética, álgebra, geografia e demais ciências (SENRA, 2009, p. 229).

Pode-se observar que existia uma preocupação quanto à inserção dos conteúdos estatísticos nos centros de estudos denominados secundários e intermediários. Nesse contexto, também se pode perceber, implicitamente, a sugestão de trabalhar com conteúdos mínimos e aplicações elementares nos dois níveis de ensino, o que, atualmente, também ocorre com os Parâmetros Curriculares Nacionais em relação aos conteúdos da Estatística.

No ano de 1952, Djalma Poli Coelho, então presidente do IBGE, divulga, por meio da impressa, críticas às bases do sistema estatístico nacional e aos procedimentos técnicos do IBGE. A falta de recursos, aliada à perda de prestígio do órgão, gerou uma crise entre seus técnicos, o que resultou na saída de mais de 100 funcionários. Um dos problemas encontrados por Florêncio de Abreu (sucessor de Polli Coelho) estava relacionado à falta de mão de obra para o IBGE. Ao final de 1953, o Secretário Geral do Conselho Nacional de Estatística, Maurício Filchtiner, apresenta um minucioso relatório, informando a possibilidade da criação da Escola Brasileira de Estatística (EBE). Existia uma intencionalidade com a criação dessa Escola, que era desmemoriar a crise e consequentemente criar uma instituição de formação do profissional Estatístico. Em seu discurso na fundação da EBE, Maurício Filchtiner destaca que “a Escola Brasileira de Estatística decorre de uma profunda necessidade nacional” (SENRA, 2009, p. 257). E, em maio de 1954, a EBE ganha novo nome (o mesmo utilizado hoje) Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE).

Após o suicídio de Getúlio Vargas (24 de agosto de 1954), Florêncio de Abreu deixa a presidência do IBGE, e para seu cargo, é nomeado Elmano Cardim, que promove grande avanço, não apenas para a ENCE, mas para a Educação Estatística em todo país. Em junho de 1955, o IBGE organiza uma série de encontros no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Sob o nome geral de “Reuniões Internacionais de Estatística”, foram realizadas: a 1ª Sessão da Comissão de Educação Estatística do Inter American Statistical Institute (IASI); a 3ª Sessão da Comissão de Aperfeiçoamento das Estatísticas Nacionais (do IASI); a 3ª Conferência Interamericana de Estatística (da Organização dos Estados Americanos – OEA); a 3ª Assembleia Geral do Instituto Interamericano de Estatística (IASI); a 29ª Sessão do Instituto Internacional de Estatística (ISI), entre outras (SENRA, 2010).

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