• Aucun résultat trouvé

B - La gestion des parcours scolaires des élèves

Assim, difundiu-se a informação e o conhecimento como um valor acrescentado para as organizações e para as pessoas como geradora de uma riqueza e de um tipo novo de capital. Este recurso foi designado por Thomas Stewart (1997) como capital intelectual49

e abarca o capital humano (experiência aplicada, competências profissionais e know- how), o capital estrutural ou organizacional (cultura da organização e tecnologias, sistemas de informação existentes) e o capital relacional (parcerias estratégicas e

49 Segundo alguns autores, a designação capital intelectual foi originalmente introduzida pelo economista canadiano John Kenneth Galbraith, em 1969. Sobre este assunto ver Patrick Sullivan (2000); Ashok Jashapara (2004); Robert Frey (2008); Sarita Albagli, Maria Lucia Maciel (2010); Alberto Toni e Andrea Fornasier (2012).

fidelização de clientes) (Correia, Mesquita, 2006). O capital intelectual implica, então, a associação do intangível à noção de valor, ou seja, o conhecimento transformado em mais-valia para uma empresa ou organização50.

Em 1996 a OCDE (1996, p. 7) incentivou a necessidade do investimento na formação do capital humano sublinhando o seguinte:

Government policies will need more stress on upgrading human capital through promoting access to a range of skills, and especially the capacity to learn; enhancing the knowledge distribution power of the economy through collaborative networks and the diffusion of technology; and providing the enabling conditions for organisational change at the firm level to maximise the benefits of technology for productivity.

Mas não se pode deixar de enunciar, como fazem os peritos Daniele Archibugi e Bengt- Ake Lundvall, que, na learning economy, a ‘produção’ do capital intelectual depende fortemente do capital social – social capital – aqui entendido como a faculdade social dos cidadãos e dos trabalhadores para colaborar e partilhar o conhecimento e a informação, sem grandes atritos51; um desafio para as sociedades que procuram restabelecer o

capital social teoricamente ‘destruído’, ou pelo menos profundamente abalado, pelo processo de globalização; incitação que não deixa de ser, igualmente, um major challenge para a Europa (Archibugi, Lundvall, 2001, p. 5)

Apesar de a existência histórica de trabalhadores na área do conhecimento, como salienta James Cortada (1998, p. xv) na introdução da obra Rise of the Knowledge Worker, a globalização veio ‘espalhar’ o trabalho do conhecimento pelo mundo internacionalizando-o ao nível da utilização, por exemplo, da língua inglesa ou fruto das exigências impostas por áreas de mercado alargadas como a NAFTA ou a União Europeia. A complexidade do funcionamento das sociedades, da economia e da gestão implicaram um aumento exponencial deste tipo de trabalhadores; ou seja, as organizações capazes de estimular o capital intelectual concentrado nos trabalhadores do conhecimento passaram a reunir competências para obter o sucesso na information age (Horibe, 1999, p. 1).

Consequentemente, a preparação e a gestão dos recursos humanos passou a desempenhar um papel importantíssimo no desempenho das empresas cuja gestão

50 A Hewlett-Packard, DuPont, Dow Chemical, IBM ou a Texas Instruments, por exemplo, afirmaram-se como ‘empresas modelo’ neste campo procurando aproveitar as ideias dos seus colaboradores convertendo-as em mais-valia para a própria organização (Sullivan, 2000).

51 Como destaca Marc Luyckx Ghisi (2007, pp. 148-150), o secretismo já não faz sentido; se um qualquer trabalhador do conhecimento em Silicon Valley guarda para si um conhecimento novo por mais de 24 horas corre o risco sério de ser despedido.

começou a enfrentar o desafio da inovação e da produtividade, de procurar conseguir corresponder, simultaneamente, aos objetivos da organização e à realização pessoal dos trabalhadores (Amar, 2002). Como elucidou Barack Obama num discurso datado de 2005, os novos empregos decorrentes da ‘revolução tecnológica’ estão diretamente relacionados com «aquilo que sabemos e com a rapidez com que aprendemos o que não sabemos. Exigem um pensamento inovador, uma compreensão profunda e uma comunicação de nível superior» (Olive, 2008, p. 146). Desta feita, a economia do conhecimento e a própria capacidade produtiva das organizações passou a estar dependente das competências destes ‘novos trabalhadores do conhecimento’ capacitados para transformar o conhecimento existente em conhecimento produtivo assumindo um papel central na economia do conhecimento (Boreham, 2006; Casey, 2006). Na realidade, esta classificação nova atribuída aos trabalhadores acaba por definir, numa visão mais simplista de Frances Horibe (1999, p. xi), pessoas que usam mais o conhecimento que concentram na sua cabeça para produzir valor do que a força disponibilizada pelos seus braços.

Certamente, a expressão trabalhadores do conhecimento abarca pessoas que reúnem um potencial intangível concentrado em conhecimentos práticos e teóricos consideráveis – onde se podem inserir professores, médicos, advogados, contabilistas, engenheiros e cientistas – com mestria para adquirir e gerir o conhecimento, lidar com a aceleração das tecnologias e com dinâmica para utilizar essa mais-valia em benefício próprio, ao serviço das empresas, da sociedade e dos Estados (Drucker, 2002). A estes novos trabalhadores juntam-se aqueles que exercem um trabalho manual que é baseado numa quantidade substancial de conhecimento teórico que pode ser obtido por intermédio da educação formal e não pela aprendizagem, os chamados ‘tecnólogos do conhecimento’ que também se encontram em ascensão nas sociedades e economias mais desenvolvidas. Na nova gestão dos recursos humanos a identificação e organização das competências necessárias para cada projeto e a avaliação das competências inerentes a esses recursos ativos passou a constituir uma prioridade quanto à prática assente em princípios como a informação, conhecimento, tecnologia, inovação, criatividade, iniciativa e liderança. Conceitos como tempo, confiança ou motivação passaram a ser elementos constitutivos do trabalho contemporâneo (Jemielniak, 2012).

Deste modo, assumiu-se que, no século XXI, o capital mais valioso para qualquer instituição reside nos ‘profissionais do conhecimento’. Peter Drucker, considerado o ‘criador’ das expressões ‘trabalho do conhecimento’ e ‘trabalhadores do conhecimento’

definiu o perfil destes últimos imputando-lhes particularidades fundamentais como a autonomia, responsabilidade pela produtividade individual, inovação, comprometimento, aprendizagem e transmissão contínua de conhecimentos, qualidade como prioridade em detrimento da quantidade52 e a vontade que estes agentes devem demonstrar em servir a

sua organização. Mais, acrescentou que como princípio para duplicar ou triplicar a produtividade destes ativos será fundamental colocar-lhes questões simples mas fundamentais de partida, tais como (Drucker, 2012, p. 273):

Qual a sua tarefa? Qual deveria ser? Qual deveria ser o seu contributo? O que dificulta o seu trabalho e deveria ser eliminado?

Ora, se os obreiros do conhecimento detêm os seus próprios meios de produção – a sapiência que transportam –, estes passaram a gozar de mobilidade e as questões como a nacionalidade, origem ou a localização geográfica deixaram de consituir grande impedimento. Atualmente, neste quadro, os países podem crescer economicamente dotando as pessoas de competências de nível elevado e de uma maneira mais fácil quando comparado com o primado dado nos séculos XIX e XX onde o aprendiz aprendia com o mestre53. Em 1999, em Management Challenges for the 21st Century, Peter

Drucker anunciou que a breve trecho a liderança da economia mundial seria transferida para países e indústrias cujo enfoque estivesse centrado no aumento da produtividade do trabalhador do conhecimento; aposta esta na produtividade que representaria para os países desenvolvidos uma prioridade estratégica: «their first survival requirement» (Drucker, 2012b, p. 136). Estes trabalhadores passaram a ser encarados como ativos principais das instituições sendo eles próprios a edificar, como realça Dariusz Jemielniak (2012, pp. 27-29), a sua própria posição de relevo, estatuto social, profissionalismo, domínio da educação formal e o prestígio que lhes permite expressar opiniões distinguindo-se daqueles a quem cabe, unicamente, seguir/obedecer a ordens.

Os trabalhadores do conhecimento ao serviço da nova economia significam um trabalho proficiente e com maior amplitude de incidência, ou seja: «knowledge is people doing things, knowledge economies are people doing things better outcomes for more people» (Rooney, Hearn, Kastelle, 2012, p. 1). Anthon Botha (2007, p. 3) acrescenta que o novo

52 A este propósito Peter Drucker (2012b, p. 123) exemplifica socorrendo-se da avaliação de desempenho dos professores, situação em que não se pergunta ao professor quantos alunos podem estar na sua aula, mas sim, de forma qualitativa, quantos alunos conseguem aprender, efetivamente, alguma coisa.

53 A Índia, por exemplo, tem vindo a formar médicos, engenheiros, programadores informáticos, entre outros, num investimento nos recursos humanos que lhe tem permitido, em conjunto com outras condições, ganhar alguma vantagem competitiva. Sobre esta aposta, ver Alan Nankervis et al. (2013), Sunanda Ghosh e Radha Mohan (2015).

paradigma de aprendizagem em vigor para estes recursos humanos vai além da memorização de conteúdos abarcando, também, a ‘agilidade’ no estabelecimento de relações interpessoais.

Peter Drucker adiantou que este quadro permite aos obreiros do conhecimento, sob o princípio da igualdade de género, as condições essenciais para a ascensão à condição de novos capitalistas do século XXI, pois, encerram em si próprios um recurso valiosíssimo e que, em determinados contextos, mais escasseia – o conhecimento – ficando estes potencialmente, assim, em posse dos meios de produção. De facto, em algumas situações, estes novos trabalhadores são os detentores das grandes empresas do conhecimento, especialmente porque se afirmam como profissionais em situação de igualdade na relação com o patronato, e não como funcionários subordinados (Drucker, 2002, pp. 254-255)54:

Knowledge workers therefore see themselves as equal to those who retain their services, as ‘professionals’ rather than as employees’. The Knowledge society is a society of seniors and juniors rather than of bosses and subordinates [...]. Knowledge workers, whatever their sex, doing the same work, governed by the same standards, and judged by the same results.

Os novos produtores do conhecimento são aqueles que o sociólogo Manuel Castells (2004) encara como os geradores da inovação e do valor, os que marcam a diferença e que contrastam com outros elos da cadeia do trabalho dependente como sejam aqueles que acatam meramente as ordens ou que estruturalmente são considerados como irrelevantes por não possuírem educação/formação suficiente. Esta ‘elite’ recente assume a capacidade de adquirir e apreender competências novas adequadas a situações de complexidade face à competitividade das tecnologias (Clinchy, 2000). No entanto, também começa a ser consensual que os trabalhadores do conhecimento, particularmente os mais jovens, precisam igualmente de estabilidade, reconhecimento, estímulos ao longo da vida, liberdade para tomar decisões, acesso à aprendizagem permanente, oportunidades para trabalhar em equipa ou exercer em atividades que permitam a realização pessoal e o serviço útil à sociedade (Shandler, 2009). Neste âmbito, sublinha-se que os trabalhadores do conhecimento considerados como ‘mais velhos’, com acesso a mecanismos de educação e formação, têm lugar na economia do

54 Peter Drucker (2002, pp. 290-291) também indica como fundamental a satisfação das expectativas dos trabalhadores do conhecimento, algo que em muito contribui para o seu sucesso, designadamente incentivos que mostrem que a instituição necessita deles, a satisfação salarial, a aprendizagem e treino contínuos, o respeito pelo seu trabalho e área de conhecimento e a liberdade de ação para poderem tomar decisões na sua área específica.

conhecimento tornando comuns expressões como «segunda carreira», «segunda metade da nossa vida», «trabalho independente», «tempo parcial» (Drucker, 2002, p. 249).

Contudo, os desafios lançados pela sociedade do conhecimento não conseguem esconder uma face negra deste fenómeno de transmutação. Tal como o conhecimento passou a funcionar como o recurso principal de riqueza e de poder, a condicionar políticas e estratégias, também se afirmou como um meio de dissemelhança entre os países, regiões, empresas e pessoas (Rodrigues, 2002b). Como salienta Roberto Carneiro (2001, p. 87), a «precipitação» das sociedades da informação e do conhecimento, enquanto «alavancas de transformação», veio alimentar a esperança entre os excluídos das duas primeiras revoluções industriais e encurtou etapas, mas teme-se que as sinergias inovadoras do presente repousem, exclusivamente, sobre ativos que só as nações educacional e cientificamente mais avançadas poderão disponibilizar.

A sociedade da informação e do conhecimento, incluindo aqui o acesso e a utilização das TIC, encerra em si um potencial de efeitos antinómicos, pois pode valorizar a participação humana no processo produtivo por intermédio da transformação da informação e do conhecimento em capital, mas, ao mesmo tempo, desqualifica aqueles que não conseguem contactar ou não dominam as TIC.

Desta forma, a sociedade da informação e do conhecimento também pode acentuar, como se sabe, as desigualdades ou a possibilidade de desemprego por falta de qualificações. Por exemplo, a introdução das TIC pode efetuar-se a ritmos diferentes consoante os sectores de atividade, o tipo de empresas ou as regiões geográficas em que estas estão inseridas. Certamente, um dos maiores desafios que se coloca à sociedade do conhecimento será, precisamente, o de criar condições equitativas no acesso aos benefícios que esta pode gerar e, por outro lado, tentar evitar, simultaneamente, as formas novas de exclusão na utilização da informação e das tecnologias evitando a ‘infoexclusão’ e a ‘iliteracia digital’. O recurso às TIC pode fortalecer os mais fortes e enfraquecer os mais débeis alimentando a existência de uma ‘classe nova’ – a dos ‘iliterados digitais’ e ‘infoexcluídos’ – a quem se nega a entrada na ‘info-alfabetização’ e ‘info-competência’ (McChesney, 2014; Wiesinger, Beliveau, 2016). Neste quadro, verifica-se que a sociedade da informação e do conhecimento valoriza o fator humano no contexto produtivo ao processar a informação e o saber em capital – através dos ‘trabalhadores do conhecimento’ –, no entanto, também segrega, conjuntamente, os menos qualificados. Aliás, Manuel Castells (2003, p. 471) destaca que

a Era da Informação está a fracionar a sociedade e a força de trabalho dividindo esta última entre os «produtores informacionais» e «mão-de-obra genérica substituível»! Enquanto se discute e reflete intelectualmente sobre as vantagens ou perigos da Revolução Tecnológica na sociedade do conhecimento, o sociólogo Manuel Castells (2003) alerta para o facto de a atual Era da Informação e do conhecimento ter ajudado a aprofundar a desigualdade, a ‘pobreza urbana’ e a exclusão social que estão em expansão, um pouco por todo o mundo, salientando, especialmente, o Apartheid Tecnológico a que muitas regiões estão a ser votadas pela ‘Economia Informacional/Global’. Eduardo Marçal Grilo (2002, p. 24), por seu lado, adverte que «atribuir às novas tecnologias a esperança de uma sociedade futura de maior igualdade é uma das mais divulgadas fantasias».

Atualmente, na Network Society, a comunicação representa poder (Castells, Cardoso, 2006; Castells, 2009); tanto que a informação que é rapidamente difundida através das tecnologias pode encerrar o perigo da massificação e manipulação de conteúdos conduzindo inclusivamente à ‘desinformação’. Concomitantemente, as campanhas políticas não resistem a recorrer às novas tecnologias (as campanhas do presidente Barack Obama são um exemplo disso mesmo), a informação chega mesmo a ser controlada pelo poder instituído (veja-se, entre outros, o caso da China e da Rússia), os media confrontam-se e a convergência cultural representa já um perigo concreto (Jenkins, 2006). Simultaneamente, os direitos de propriedade intelectual impostos pela elite multinacional alimentam o ‘feudalismo informacional’ em campos como a educação, software, medicina, entre outros, condenando o acesso à informação e ao conhecimento enquanto ‘Direitos Humanos’ fundamentais (Drahos, Braithwaite, 2002).

E quanto ao próprio destino da Internet na próxima década digital, como questiona Berin Szoka (2010, pp. 9-10): será que a Internet conseguirá representar um bem para a cultura e a sociedade? A open Internet significará segurança? Deverá ser regulada? Que ideias irão governar o mundo em 2020? Como será a gestão dos sistemas e dos serviços? Com a aceleração da informação, qual será o futuro da privacidade enquanto direito? A ‘Aldeia Global’ estará sensível a estas questões?

Todavia, não podemos esquecer que esta revolução no acesso à informação, na aquisição e utilização do conhecimento levanta riscos novos que, em alguns casos, estão a arrastar todo este processo para o plano da despromoção, da exclusão social, do tal ‘abismo intransponível’ que obedece à expressão: Knowledge Divides (Narasaiah, 2008, p. 18; UNESCO, 2010).

De todo o modo, para evitar o risco de o potencial depositado no saber poder funcionar como um fator de desigualdade, compete a todas as entidades trabalhar a dimensão das acessibilidades. O maior dos desafios, e porventura um dos mais importantes, será o de facilitar o acesso ao conhecimento e o de melhorar as capacidades de aprendizagem através das chamadas ‘políticas de conhecimento’ que visam estimular e moldar o processo de transição para uma sociedade assente no conhecimento (Rodrigues, 2003a, p. 29). Estas políticas atuam ao nível da criação, difusão e utilização do conhecimento através do apoio à investigação, às indústrias da cultura, à difusão do saber por intermédio das novas tecnologias (redes de banda larga, massificação da utilização da Internet, indústrias de conteúdos, e condução da educação e formação no sentido da sociedade aprendente).

Tendo em conta todas as transformações acima referidas, nesta sociedade nova em ascensão com um cunho tecnológico sem precedentes e marcada por exigências diferentes no domínio do conhecimento, como também pelo crescimento célere da população mais velha e diminuição igualmente repentina da geração mais jovem55, com

faces positivas e outras temerárias, qual será o papel a desempenhar pela educação e formação neste início do século XXI partindo do princípio da ambição do primado do conhecimento?

Se o capital que se busca no século XXI está concentrado na mente e não na força braçal, e se a economia e a sociedade do conhecimento exigem qualificações e competências altamente desenvolvidas, colocam-se, concludentemente, desafios vultuosos à educação e formação que permitem a interferência e decretam a responsabilidade das organizações transnacionais, dos governos, do mundo empresarial, da comunidade em geral e dos indivíduos em particular.

Na realidade, o investimento crescente nos recursos humanos tem vindo a constituir uma filosofia e prática que se tem afirmado como consideravelmente influente assumindo, segundo alguns autores, um papel cada vez mais central no contexto da sociedade do

55 Esta situação de diminuição da população mais jovem remete para um passado consideravelmente distante só comparável com os séculos ‘mais agonizantes’ do Império Romano. Os países desenvolvidos  como também alguns dos emergentes como o Brasil ou a China  começam a posicionar-se abaixo da taxa de reposição da população. Sobre esta realidade e as suas implicações, ver, especialmente, os trabalhos de Barbara Berkman e Linda Harootyan (2003); Robert Holzmann, Mitchell Orenstein e Michal Rutkowski (2003); Rachel Pruchno e Michael Snye (2007); Robert Clark, Naohiro Ogawa e Andrew Mason (2007); Robert Holzmann (2009); Robert Holzmann, Ufuk Guven (2009); Peter Kresl e Daniele Letri (2010); Stella Vettori (2010); Ronald Lee e Andrew Mason (2011).

conhecimento (Ghisi, 2007, p. 151). Como atesta o Banco Mundial, o papel da educação tornou-se preponderante na construção das sociedades democráticas e no desenvolvimento da economia do conhecimento (World Bank, 2002b, p. 1).

Já em 1996, o relatório da OCDE intitulado The knowledge-based economy, tinha prospectivado a centralidade do papel da educação na sociedade e economia do conhecimento e a indispensabilidade da adaptação das empresas a tal realidade (OCDE,

1996, p. 14).

Education will be the centre of the knowledge-based economy, and learning the tool of individual and organisational advancement [...]. Firms themselves face the need to become learning organisations, continuously adapting management, organisation and skills to accommodate new technologies.

A educação projeta-se como:

The centre of the knowledge-based economy, and learning the tool of individual and organisational advancement […] government policies, particularly those relating to science and technology, industry and education, will need a new emphasis in knowledge-based economies (OCDE, 1996, pp. 14 e 18).

De facto, as organizações estão a ser obrigadas a transitar para ‘organizações aprendentes’ onde primados como a polivalência, flexibilidade, adaptabilidade, iniciativa, criatividade e aprendizagem ao longo da vida passaram a fazer parte das exigências mais triviais impostas aos recursos humanos tendo em vista o sucesso de todas as partes envolvidas. Ao mesmo tempo, consequência de todas estas transformações, o mundo do trabalho entrou em convulsão e os próprios sistemas de proteção do emprego, de segurança social e de saúde também começam a ser repensados.

O mesmo será dizer que uma sociedade baseada no conhecimento é uma sociedade fundada em pessoas e em todos os seus atributos, usualmente designados de capital intangível. Se a criatividade e o espírito das pessoas se transformaram em fatores preponderantes, a tendência, a disponibilidade e a capacidade para aprender continuamente, ao longo da vida, tornaram-se igualmente fulcrais (Tapscott, 1997).

Contudo, admite-se que o processo não está concluído, os governos, o mundo empresarial, a ciência, a educação e a formação ainda continuam a aprender a lidar com os canais tecnológicos do conhecimento tentando compreender os mecanismos de funcionamento e, dessa forma, a procurar optar por decisões e prioridades mais inteligentes e eficazes (Weinberger, 2012).

Na verdade, como já foi assinalado, quase todas as áreas políticas e estratégicas estão a ser alvo de ajustamento à sociedade do conhecimento (Kuhn, 2006, p. 2) e à nova

economia56: mercado de trabalho, políticas sociais, economia, desenvolvimento

sustentável, educação e formação, entre outras. A codificação desta economia e a sua difusão através das TIC implica, obrigatoriamente, o desenvolvimento da ‘learning society’ e da ‘learning economy’ (Archibugi, Lundvall, 2001; Boreham, 2006).

Por seu turno, a ‘learning society’ surgiu fruto da aceleração da ‘destruição’ e da ‘criação’ – ou seja, da renovação – do conhecimento registada nas últimas décadas do século XX (Kuhn, 2006, p. 7). Assim, mais do que nunca, os indivíduos, como as empresas, precisam de reconstruir as suas competências, sobretudo porque os problemas a enfrentar sofrem uma transmutação rápida. Como se tem sublinhado, a chave para o sucesso focou-se, estrategicamente, na obtenção do conhecimento (Lundvall, 1997). O espírito da ‘learning society’ não só exige o desenvolvimento de novas competências do conhecimento como conceitos novos de aprendizagem e de ensino. Enfatiza-se,