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Gestion de l'institutionnalisation

1.3 Deux contrats spécifiques : la dévolution et l'institutionnalisation

1.3.2 Gestion de l'institutionnalisation

Introdução

O edifício da rua Mouzinho da Silveira apresenta planta rectangular com cerca de (20x6)m2 com pavimentos em madeira. Da sua estrutura fazem parte as paredes resis- tentes em alvenaria de pedra de granito que atingem uma altura de 18m e uma espessu-

ra de cerca de 30cm, medida no topo da parede. Na Figura 4.37 apresenta-se uma vista da fachada e uma vista em planta do edifício.

a) b)

Figura 4.37 – Edifício de Mouzinho da Silveira (B): a) fachada na altura de intervenção; b) vista em planta.

À data da realização dos ensaios, o imóvel, assinalado como B, na Figura 4.37 b), encontrava-se em obras de demolição dos elementos interiores. Os pavimentos de ma- deira estavam a ser sucessivamente desmontados, restando apenas o patamar de arran- que das escadas e as paredes resistentes. Como se pode verificar através da planta do edifício (Figura 4.37 b)), as paredes laterais do edifício B são meeiras e não se teve acesso aos paramentos dos edifícios A e C (Figura 4.37). Assim, foi impossível utilizar ensaios directos para a caracterização dessas alvenarias.

Procedimento

Os ensaios tiveram lugar nas duas paredes de maior dimensão do edifício e que se encontram assinaladas na Figura 4.37 b). Nos três locais testados foram marcados 36 pontos, dispostos em 6 linhas e 6 colunas e espaçados cerca de 30cm entre si, em mé- dia, colocados preferencialmente sobre a superfície das pedras.

Por se ter acesso apenas a um dos paramentos das alvenarias, optou-se pela rea- lização de ensaios indirectos seguindo a técnica ISIM para a determinação da velocidade. O valor do módulo de elasticidade obtido através dos ensaios sónicos foi confrontado com o que se obteve através de um ensaio com macacos planos realizado no troço P2_1, que será apresentado no Capítulo seguinte.

Na Figura 4.38 apresentam-se imagens dos três locais testados (P1_1; P1_2 e P2_1) com os pontos utilizados devidamente assinalados. Realça-se para a elevada di- mensão das pedras existentes.

a) b)

c)

Figura 4.38 – Locais adoptados para a realização dos ensaios: a) P1_1; b) P1_2, c) P2_1.

Resultados e Conclusões

Os três locais foram testados segundo colunas com impacto no ponto superior e recepção nos pontos inferiores. Os resultados obtidos apresentam-se na Figura 4.39. Embora se tenham realizado ensaios em locais diferentes, apresenta-se o conjunto de resultados obtidos no mesmo gráfico.

Figura 4.39 – Velocidades das ondas P (formas cheias) e R (formas vazias) obtidas nos três locais testados.

Como se pode verificar pela observação do gráfico da Figura 4.39 a velocidade das ondas P apresenta valores consideravelmente mais dispersos do que a velocidade das ondas R. A coincidência das velocidades obtidas leva a crer que os locais testados têm as mesmas características, facto que se considera normal tendo em conta que se refe- rem ao mesmo edifício.

Os valores das velocidades permitiram calcular o módulo de elasticidade dos locais testados. Para isso, adoptou-se a massa volúmica de ρ=2400kg/m3 e o coeficiente de Poisson de ט=0.25 e utilizou-se a velocidade média das ondas R - Vr=684m/s - pelas ra- zões já referidas anteriormente em diversas ocasiões; nestas condições, o módulo de elasticidade obtido através da Equação 2.19 foi E=3.3GPa. Por curiosidade foram reali- zados ensaios indirectos sobre pedras e determinou-se uma velocidade de propagação que variava entre Vr=900m/s e Vr=1425m/s. Os resultados obtidos através dos ensaios sónicos serão comparados com os resultados obtidos através da técnica de macacos planos no Capítulo 6.

4.6 CONCLUSÃO

No presente capítulo apresentou-se uma técnica de caracterização de alvenarias, que se designou de ISIM. Este método, baseado num ensaio indirecto, tinha em conta a contribuição das pedras e das juntas (em simultâneo) na determinação da velocidade das ondas P e R. A determinação destes dois tipos de ondas é feita com base em alguns cri- térios que visam dar mais robustez ao método. Essa técnica foi aplicada em diferentes

situações, em laboratório e in-situ. No LESE estudaram-se paredes de diferentes tipolo- gias (regular, semi-regular e irregular). Verificou-se que o ISIM é sensível aos diferentes tipos de parede e que à medida que a irregularidade da alvenaria aumenta o módulo de elasticidade que lhe está associado também aumenta. Os resultados obtidos foram muito semelhantes aos de um estudo realizado em laboratório sobre provetes de pedra e junta, de tipologias comparáveis (regular; irregular).

Ainda em laboratório e aproveitando três painéis de parede retirada de um edifício e transportada para o LESE, no âmbito de outra tese de doutoramento, realizaram-se en- saios sónicos de acordo com a técnica ISIM antes e depois da execução de ensaios me- cânicos destrutivos (ensaios de compressão e de corte). As velocidades obtidas nos três painéis foram coerentes entre si, o que era de esperar, uma vez que os painéis faziam parte da mesma alvenaria, e foram convertidas em módulos de elasticidade cuja ordem de grandeza era semelhante à dos módulos de elasticidade obtidos através dos ensaios de compressão realizados. Neste âmbito avaliou-se ainda a influência de ensaios mecâ- nicos destrutivos – ensaios de corte em PG1 e PG2 e ensaio de compressão em PP2 – nos resultados da velocidade das ondas elásticas.

Em PP2, antes do ensaio de carga, o módulo de elasticidade calculado com base nos ensaios sónicos, embora fosse da mesma ordem de grandeza, era superior ao está- tico na zona de carga. A justificar esta situação parece estar o facto de a parede, quando se encontrava in-situ, ter estado submetida a cargas superiores ao seu peso próprio, consistindo o ensaio sónico num teste em situação de recarga da parede. Contudo, a zo- na da recarga na curva tensão-extensão resultante do ensaio de carga não era assinalá- vel. Durante o ensaio de carga, foi registado um forte aumento da velocidade das ondas P e após o ensaio de carga um valor intermédio.

Ainda no painel PP2 foram realizados ensaios directos em pedras e indirectos ao longo de colunas, antes, durante e após um ensaio de carga. Verificou-se um abaixamen- to da velocidade das ondas P nas pedras de cerca de 18% durante o teste. Esse valor foi irreversível já que se manteve após o ensaio de carga.

Os ensaios de corte realizados sobre PG1 e PG2 reflectiram-se nas velocidades das ondas elásticas, fazendo baixar a velocidade de propagação das ondas em 40% e 20%, respectivamente. Esta situação foi causada pela abertura de fendas que está asso- ciada a este tipo de ensaios. Ainda assim, verificou-se que em alguns casos essa veloci- dade se manteve aproximadamente constante.

Para além dos ensaios realizados em ambiente laboratorial, no presente Capítulo também se apresentaram ensaios sónicos in-situ. Esses ensaios foram realizados com diferentes objectivos e, quase sempre, enquadrados em estudos mais alargados. Os três casos de estudo apresentados representam uma evolução:

 no primeiro (Torre do Relógio) aplicou-se a técnica de ensaios que, embora permita obter resultados úteis, se trata de uma técnica de caracterização qualitativa. Foi possível identificar os elementos que possuíam uma folha e, avaliar o estado da camada de enchimento dos locais que se estimava pos- suírem duas folhas;

 no segundo caso (Largo dos Lóios), aplicou-se o ensaio num local sem que se tenha tido o cuidado de utilizar pontos de ensaio colocados apenas na superfície de pedras. Verificou-se que nos pontos em que o impacto ou a recepção se dava sobre juntas, havia uma maior dificuldade em identificar a chegada das ondas P e R;

 no terceiro caso (Mouzinho da Silveira), a técnica foi utilizada em 3 locais e verificou-se uma grande coerência entre os resultados.

Com o estudo apresentado demonstrou-se a aplicabilidade do ensaio sónico, não só do ponto de vista qualitativo como do ponto de vista quantitativo, já que produz resul- tados da mesma ordem de grandeza dos obtidos através de ensaios mecânicos destruti- vos. Este método precisa que mais testes sejam realizados de forma a consolidar a sua aplicabilidade. Verificou-se haver uma muito maior uniformidade de resultados para as ondas R do que para as ondas P. Essa uniformidade, dá maior confiança na utilização das ondas R no cálculo das grandezas mecânicas resultantes dos ensaios sónicos. Con- tudo, as ondas P devem ser utilizadas para ajudar na validação dos resultados.

Apesar dos resultados apresentados serem muito próximos dos determinados atra- vés de ensaios mecânicos destrutivos, o método apresentado – ISIM - não dispensa a realização de ensaios de outro tipo. Pelo contrário, é importância contrapor os resultados do ensaio ISIM com ensaios de outros tipos, tendo a noção de que todos estes procedi- mentos não estão isentos de erros ou de interpretações menos correctas.

CAPÍTULO 5

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